terça-feira, março 14

pontos nos ii



A Revista Pontos dos ii, tem hoje nas bancas o seu terceiro número. Sai uma vez por mês com o jornal Público. Nesta foi públicado um artigo/entrevista sobre a minha dissertação de Mestrado.


"Escola e comunidade: relações próximas".

Sobre este e sobre a revista falarei mais tarde. Fica aqui a nota.

quinta-feira, março 9

Rubens versus Rembrandt


























Rubens Versus Rembrandt

A elevação da Cruz & Descida da Cruz

1610 / 1634


Podemos aqui, claramente, identificar dois modos de ver o mesmo acontecimento. Com apenas 24 anos de diferença. O Barroco nas suas diferenças.

segunda-feira, março 6

“Nova Setúbal” ou nova oportunidade para Setúbal – II



O Plano de Pormenor do Vale da Rosa (PPVR) volta a estar outra vez na ordem do dia. Três novos factos vieram alterar o que pensávamos estar, definitivamente (mal) resolvido:

O PPVR foi “chumbado” pelo Ministro do Ambiente que com argumentos técnico/jurídicos recomenda que este seja “devolvido ao Município de Setúbal para reconsideração”. Em nossa opinião, uma forma encapotada de tomar uma decisão politica sobre um plano de má qualidade e pouco amigo do ambiente.

A direcção do Vitória de Setúbal, recentemente eleita, defende a manutenção do (novo) estádio no Bonfim – com superfície comercial associada – e a criação de um centro de estágio para o Vale da Rosa em substituição do “estádio municipal”.

A Polícia Judiciária está agora, ao que parece, a investigar a CMS acerca deste processo, sem sabermos o que dai pode ainda advir.

Como referimos em artigo anterior, estas, são consequências de um processo mal conduzido, politica, técnica e, ao que parece, juridicamente. Sendo o actual plano, do ponto de vista estratégico, mau para o crescimento e desenvolvimento da nossa cidade expomos três argumentos a favor da sua alteração:

Sendo o actual PPVR um mau plano impõe-se a reformulação ao nível da sua concepção geral, implantação e desenho urbano assim como a sua articulação com a cidade consolidada. Para que este plano promova um crescimento e desenvolvimento regrado e bem planeado os processos e objectivos têm de ser claros, benéficos para todos e não só para alguns.

Mesmo sem o “estádio municipal” o objectivo de fazer a “cidade desportiva” deve conservar-se. Continuando a ser de ”imprescindível utilidade pública” a existência de um equipamento desportivo polivalente com escala regional. Ao redesenhar “a cidade desportiva” um novo ordenamento pode ser criado onde os sobreiros sejam poupados, evitando ao máximo o seu abate e prevendo a sua replantação, no estrito respeito da lei;

A alteração deste plano pode ser “ajudada” pela modificação do “Protocolo” entre o município e a empresa proprietária. Este, ao incidir sobre a construção do estádio em troca da isenção das taxas de urbanização, partia de um plano de investimento agora desactualizado. A alteração desta situação pode reverter numa dupla vantagem para a CMS. Recebe novamente as suas taxas e deixa de ter um encargo oneroso e vitalício: o estádio municipal.

Apesar deste conjunto de vantagens para a sua alteração Carlos de Sousa (CS) defendeu na última sessão da Assembleia Municipal de Setúbal (27 de Janeiro) que as correcções deviam ser pontuais, pois “perdia-se muito tempo a realizar um novo plano”. Este é um argumento falacioso. O actual panorama da construção civil não parece justificar a pressa e a oportunidade de melhorar um mau plano não se pode desperdiçar. Torna-se, por isso, urgente perguntar: Ficará CS a falar sozinho em defesa de um mau projecto que não é da sua iniciativa?

Esta “pressa” para salvar, a já velha ideia da “Nova Setúbal” é incompreensível. O futuro da cidade não pode ser, novamente, hipotecado. Só uma “reconstrução” do processo pode colocar este plano ao serviço do desenvolvimento legitimando-o do ponto de vista técnico/político. Temos de dar uma nova oportunidade a Setúbal.


Publicado hoje no Jornal de Setúbal (Segunda, 06/03/06)

sábado, março 4

Rembrandt



Rembrandt

O Moinho

1650

Lembrámo-nos hoje, talvez pelo tempo lá fora, de homenagiar o pintor holandês , que este ano comemora os 400 anos do seu nascimento (15 de Julho 1606).
Neste Moinho, eventual tributo às suas origens, pois seu pai era moleiro, é evidente a diferença entre o Barroco “católico” e o “protestante". Esta diferença sente-se entre dois territórios tão próximos como o norte (Holanda) e o sul (Bélgica) dos Países Baixos, onde a exoberância da pintura de Rubens tem como contraponto o "intimismo" de Rembrandt.

segunda-feira, fevereiro 27

“Nova Setúbal” ou nova oportunidade para Setúbal - I



Como diz o povo “o que nasce torto tarde ou nunca se endireita”. Assim está o Plano de Pormenor do Vale da Rosa (PPVR), em má hora apelidado de “Nova Setúbal”. O recente “chumbo” do Ministro do Ambiente e as investigações da Policia Judiciária são só um reflexo de algo que, desde a sua origem, tem estado a correr mal. Convêm, por isso, relembrar alguns aspectos da sua história:

Em 2001, o dito PPVR, foi desenhado numa zona de expansão da cidade que agregava diversos usos para o seu solo – Plano Integrado de Setúbal, terrenos industriais e agrícolas - e tinha uma quantidade enorme de sobreiros protegidos por lei. A sua conversão em solo urbano estava, por isso, fortemente condicionada. Este facto impedia os proprietários de urbanizarem aqueles terrenos, praticamente todos nas mãos da mesma empresa. No entanto, a lei que os protege tem uma “brecha” de discricionariedade, “a declaração de imprescindível utilidade pública”. Que permite, a propósito desta, fazer o que se entender, respeitado um plano de replantação dos sobreiros abatidos.

O Vitória encontrava-se, então, como agora, isto é, como sempre em dificuldades económicas. Mas o então dirigente desportivo do clube, sujeito de vistas largas, defendia a sua sustentabilidade económica. Esta, na sua opinião, dependia da deslocalização do estádio actual para outra zona, libertando o terreno do Bonfim para a implantação de uma superfície comercial. A renda paga permitiria ao clube viver desafogadamente. Para sempre. O novo estádio, claro está, seria municipal – pago por todos nós – mas para uso exclusivo do Vitória. Bom negócio. Só faltava um passe de mágica.

Lembramos ainda que, entretanto, estava prevista a instalação da Co-incineração no Outão, liderada pelo então Ministro do Ambiente. As eleições Autárquicas aproximavam-se e Mata Cáceres, Presidente da Câmara à época, foi o mágico de serviço. Lembrou-se de juntar tudo isto, mais um pouco de força de vontade e influência politica e saiu este PPVR. Ao criar uma “cidade desportiva” de “imprescindível utilidade pública” numa assentada resolve dois problemas: os sobreiros e o novo estádio. Mas quem pagaria o novo “estádio municipal”? Todos nós. Através de um “Protocolo” com o principal proprietário que o construiria em troca da isenção das taxas municipais na respectiva urbanização. Perfeito, não?

Lembram as más-línguas que o estatuto de “imprescindível utilidade pública” nunca foi tão rápido a obter e que o PPVR não demorou mais que três semanas a desenhar. Convenhamos que foi um prenúncio de produtividade. Mas a pressa, como sabemos, é má conselheira e o projecto não é dos melhores.

Não obstante o esforço, Mata Cáceres perde para Carlos de Sousa, surgindo uma vaga esperança que, rapidamente, se esvai. No seu ímpeto de “participação” Carlos de Sousa realiza umas quantas sessões “públicas de trabalho”, como gosta de lhes chamar. Quer com a população quer com a Assembleia Municipal, para analisar este plano. Percebeu-se, entretanto, o seu único intuito: ganhar tempo e poder negocial com os diversos actores em presença. Mas esse poder serviu apenas para alterar o Protocolo. O PPVR, sem qualquer alteração, continuou pobrezinho como antes.

Apesar de todos estes aspectos terem sido denunciados, por nós e por outros, ao longo do tempo, os avisos não tiveram qualquer efeito. O PPVR, seguiu sem alterações. Mas, inesperadamente, novos factos surgiram em 2006, criando uma nova oportunidade para Setúbal. (continua)

Publicado hoje no Jornal de Setúbal (Segunda, 27/02/06)

domingo, fevereiro 26

Orgulho e Preconceito

Um magnífico filme.



aqui tinhamos escrito algo sobre o ramance de Jane Austen em que se baseou este filme. Mas então ainda não o tinhamos visto. É de uma beleza sem fim. Fala de um dos mais velhos temas da humanidade, actualmente em desuso, o Amor.

sexta-feira, fevereiro 24

Kilas - O mau da Fita


Cartaz de "Kilas, O Mau da Fita", de José Fonseca e Costa, filme realizado em 1981. Entre outros actores com o saudoso Mário Viegas por protagonista.

É interessante perceber como já estamos tão longe de tudo aquilo - o filme passa-se em 1976 - mas, de certa forma, ainda tão perto.

segunda-feira, fevereiro 20

Dar novos usos à floresta


O concurso para 15 centrais de biomassa vem hoje noticiado no jornal Público e no DN.Parece-nos uma medida simples mas de grande alcance. Com a criação de centrais de Biomassa podemos manter as florestas limpas e com a sua limpeza produzir electricidade. Ancestralmente utilizada, a técnica de converter madeira em energia, parece estar só agora a recuperar este hábito antigo.

O combate aos incêndios que se verificam todos os anos pode ser efectivamente diminuído com medidas deste género. Julgamos ser através da reutilização da floresta que a sua preservação se garante onde o seu potencial energético é factor determinante. Durante séculos as comunidades viveram com e da floresta. Com a mudança acelerada que o nosso país viveu nas últimas décadas, muita gente trocou o campo pela cidade e com isso a sua forma de viver.
Nas comunidades rurais ficaram os velhos, que também já não conseguem ou não precisam deste recurso para sobreviver. Assim a nossa floresta que era um recurso económico apreciável no quotidiano das pessoas passou a ser apenas paisagem. Mas esta não consegue subsistir apenas como bilhete-postal. Tem de continuar a fazer parte da nossa vida. O lado económico tem que estar presente quer através da sua exploração como recurso quer para o seu usufruto.
Medida a aplaudir e lógica a prosseguir. A melhor forma de preservar é activar um sistema.


Fernando Lemos


Fomos visitar a sua exposição ao Centro de Arte Moderna de Sintra. Esta é conjunta com outros artistas do Surrealismo português fundamentalmente pintores. Gostámos de ver. É interessante perceber como alguns tentaram superar os limites culturais impostos pela nossa periferia geográfica e ao tempo também politica.
Mas e apesar disso Fernando Lemos acabou por imigrar. Para o Brasil e por lá ficou como se sabe.

terça-feira, fevereiro 14

Raul Hestnes Ferreira

ISCTE

Ontem no Jornal de Letras saiu uma entrevista deste notável arquitecto português, mas que , no nosso entender, tem sido pouco valorizado pela nossa cultura em geral e pela “cultura arquitectónica” em particular.
É, no entanto dos percursos mais interessante da nossa arquitectura, muito ligado à história como elemento projectual, na mesma linha de Louis Kahn, de quem foi discípulo.



No ISCTE – edifício do autor – exposição sobre a sua obra. A não perder.

quinta-feira, fevereiro 9

Ainda a defesa da liberdade

Hoje no Público dois artigos a não perder sobre o que verdadeiramente está em jogo nesta questão das "caricaturas", "Em louvor da blasfémia" de Augusto M. Seabra e "Mais vale verdes do que mortos" de Pacheco Pereira.

Existe um conjunto de pessoas que ainda não percebeu que de facto já estamos em guerra pelo, menos desde o 11 de Setembro, mas esta é até ao momento uma guerra diferente, com aspectos novos, mas onde outros não são tão novos assim. Lembram-se quando o primeiro ministro britânico, de então, visitou Hitler e trouxe da Alemanha a garantia de que este não iria invadir mais territórios. Existem sempre optimistas tolos que à força do medo se vergam, ontem como hoje.

Manifesto que as acções de rua não são, normalmente, o meu primeiro impulso, mas não deixei de dar tempo de antena a esta iniciativa que hoje se realiza. Não sei se será a melhor maneira para defender a liberdade. A nossa "rua" assim como a "rua" árabe, nunca me convenceram como acção política. É demasiado manipulável e folclórica. Mas...

Abaixo Assinei

Por ter argumentos racionais com o tom certo subscrevi este abaixo-assinado

quarta-feira, fevereiro 8

Esperança 2


Resta-nos sempre a esperança.

Tempo de Antena

COMUNICADO - CONVITE

Na próxima 5ª feira, 9 de Fevereiro, pelas 15 horas, um grupo de cidadãos portugueses irá manifestar a sua solidariedade para com os cidadãos dinamarqueses (cartoonistas e não-cartoonistas), na Embaixada da Dinamarca, na Rua Castilho nº 14, em Lisboa. Convidamos desde já todos os concidadãos a participarem neste acto cívico em nome de uma pedra basilar da nossa existência: a liberdade de expressão. Não nos move ódio ou ressentimento contra nenhuma religião ou causa. Mas não podemos aceitar que o medo domine a agenda do século XXI. Cidadãos livres, de um país livre que integra uma comunidade de Estados livres chamada União Europeia, publicaram num jornal privado desenhos cómicos. Não discutimos o direito de alguém a considerar esses desenhos de mau gosto. Não discutimos o direito de alguém a sentir-se ofendido. Mas consideramos inaceitável que um suposto ofendido se permita ameaçar, agredir e atentar contra a integridade física e o bom nome de quem apenas o ofendeu com palavras e desenhos num meio de comunicação livre. Não esqueçamos que a sátira – os romanos diziam mesmo "Satura quidem tota nostra est" – é um género particularmente querido a mais de dois milénios de cultura europeia, e que todas as ditaduras começam sempre por censurar os livros "de gosto duvidoso", "má moral", "blasfemos", "ofensivos à moral e aos bons costumes". Apelamos ainda ao governo da república portuguesa para que se solidarize com um país europeu que partilha connosco um projecto de união que, a par do progresso económico, pretende assegurar aos seus membros, Estados e Cidadãos, a liberdade de expressão e os valores democráticos a que sentimos ter direito.
Pela liberdade de expressão, nos subscrevemos

Rui Zink (916919331) Manuel João Ramos (919258585) Luísa Jacobetty

terça-feira, fevereiro 7

Triste

Devemos sempre desconfiar dos invertebrados.

Há homens que só resistem no meio político pelo seu estatuto profissional. Mas se a esta caracteristica aliar-mos uma grande capacidade de adaptação, ou mesmo de transformação ao dito "estatuto" temos um Diodo Freitas do Amaral em estado puro. A miopia política pode ajudar, neste caso, pois permite não ser levado a sério. Ao perder a dimensão de, possível, adversário, pode ser convidado por qualquer governo, grupo ou agremiação. E uma flor na lapela dá sempre um certo encanto. Sócrates percebeu e, expedito, aproveitou.

Da brilhante biografia politica de DFA podemos destacar vários "rasgos" visionários: fundadou a nossa “direita” ao centro, foi percursor de “Chávez” ao acusar Bush de semelhanças com Hitler e, agora, ajoelhou-se ao pior Islão.

Tudo isto é revelador da sua notável visão do mundo. O nosso problema é que este senhor já não se responsabiliza só a si próprio mas, infelizmente, a todos nós portugueses. Triste.

segunda-feira, fevereiro 6

Grande ou pequeno?


Ron Mueck

Escultor Australiano - que nos foi apresentado por Maria João - hiper realista. Confessamos não ser grandes apreciadores do género, mas a "super escala" deu a esta escultura algo que o transcende, que nos obriga a reflectir sobre a nossa posição e olhar sobre o mundo.

domingo, fevereiro 5

Medo ou Respeito


O direito à indignação é universal. O povo do Islão tem todo o direito de se manifestar em defesa dos seus valores. Pode até um “Estado Islâmico” decretar boicote económico à Dinamarca ou a outro país qualquer. Agora não nos podem intimidar ou ameaçar. Os nossos valores e a nossa integridade física não têm que ser ameaçados porque alguns manifestaram pacificamente a sua “opinião”.
Os valores sagrados e religiosos são para respeitar. Não contestamos. Mas não podemos confundir uma manifestação de descontentamento, ou abaixo-assinados, com verdadeiras manifestações de ódio e violência como aquelas a que temos assistido (como defende Daniel Oliveira, do “Bloco”).
Mas respeito não se pode confundir com medo. O Ocidente em que acreditamos pretende ser um espaço de tolerância, liberdade, responsabilidade e respeito, mas não de medo. Neste espaço alguns não pensam como nós e manifestam-no. A lei encarrega-se de limitar as fronteiras da decência dessa manifestação. Mas no conflito da diferença, ninguém merece morrer. Essa fronteira não pode ser ultrapassada. E o Ocidente não pode deixar que o medo nos faça perder o respeito…por aquilo que mais prezamos; a nossa civilização e o nosso modo de vida.

Maturidade ou carreirismo

Refere o Expresso que publicará uma entrevista de Leonor Beleza para a próxima semana. Vai adiantando, no entanto, que a mesma “ responsabiliza António Guterres e Durão Barroso pelo descrédito com que muitos portugueses olham para os políticos” afirmando que a democracia portuguesa tem “tiques de falta de maturidade”.

Como é óbvio o descrédito dos políticos não começou ai, mas sabemos que o que estes dois senhores fizeram não terá abonado a favor da dita classe.

Quanto à falta de maturidade também não sabemos se assim será mas, desde tenra idade, sabemos que fugir revela falta de coragem e também de carácter. Mas o que significam, hoje em dia, esses valores comparados com uma “carreira”?
Esses dois senhores são hoje dois figurões da cena internacional. A pátria agradece mas prefere esquecer.

quinta-feira, fevereiro 2

Novas oportunidades no Vale da Rosa



Como diz o povo o que “nasce torto tarde ou nunca se endireita”, assim está o Plano de Pormenor do Vale da Rosa (PPVR). Passamos a explicar:

Em 2001 o dito PPVR foi desenhado numa zona de expansão da cidade que agregava diversos usos para o seu solo – Plano Integrado de Setúbal, terrenos industriais e agrícolas - e que tinha uma quantidade enorme de sobreiros protegidos por lei. Ou seja a sua conversão em solo urbano estava fortemente condicionada especialmente pela questão dos sobreiros. Factor que impedia os proprietários dos terrenos (praticamente todos nas mãos da mesma empresa), de urbanizar todos aqueles terrenos. No entanto, a lei que os protege tem uma “brecha” de discricionariedade, “a declaração de imprescindível utilidade pública”. Que permite, a propósito desta, fazer o que se entender, respeitado um plano de replantação dos sobreiros abatidos.

O Vitória encontrava-se, então, como agora – ou seja como sempre - em dificuldades económicas. Mas o então dirigente desportivo do clube, sujeito de vistas largas, defendia a sustentabilidade – conceito cada vez mais elástico – económica do clube. O que só se podia fazer, na opinião dele, deslocalizando o estádio do clube para outra zona, libertando o terreno do Bonfim para a implantação de uma superfície comercial. Esta pagaria uma renda que permitiria ao clube viver desafogadamente. Para sempre. E claro, o novo estádio seria municipal – pago por todos nós – mas para uso exclusivo do Vitória. Bom negócio. Só faltava o passe de mágica.

Lembramos que, entretanto, estava a correr a questão da instalação da incineração de resíduos no Outão, liderada pelo Ministro do Ambiente de então. As eleições Autárquicas aproximavam-se e Mata Cáceres, Presidente da Câmara de Setúbal à época, foi o mágico de serviço. Lembrou-se de juntar tudo isto, mais um pouco de força de vontade e influência politica e saiu este PPVR, criando uma “cidade desportiva” de imprescindível utilidade pública, que numa assentada resolve o problema dos sobreiros e o do estádio. Mas, perguntarão os mais distraídos, quem pagaria o estádio? Todos nós, claro está. Através de um “Protocolo” com o principal proprietário que construiria o dito estádio municipal em troca do abatimento das taxas municipais da respectiva urbanização. Perfeito, não?

Lembram as más línguas que o dito estatuto de imprescindível utilidade pública nunca correu tão rápido, não mais que uma semana e que o plano de pormenor não demorou mais que três semanas a desenhar. Convenhamos que foi um pronuncio de produtividade. Claro está que a pressa é inimiga da qualidade e plano não é dos melhores.

Não obstante Mata Cáceres perde para Carlos de Sousa a presidência de câmara e surge uma vaga esperança que rapidamente se esvai. No seu ímpeto de “participação” Carlos de Sousa vai realizar umas quantas sessões públicas de trabalho, como gosta de referir, quer com a população quer com a Assembleia Municipal, para analisar este plano. Percebeu-se a certa altura que o único intuito era ganhar tempo e poder negocial com os diversos actores em presença. Só que esse poder serviu apenas para alterar o Protocolo. O PPVR continuou pobrezinho como antes, infelizmente.

Tudo isto foi sendo denunciado ao longo do tempo sem grande sucesso. No entanto, algo se alterou entretanto.

Este Plano foi recentemente “chumbado” pelo Ministro do Ambiente com um argumento técnico/jurídico, mas que recomenda que este Plano seja “devolvido ao Município de Setúbal para reconsideração.” O que nos parece ser uma forma encapotada de decisão politica, par um plano de má qualidade e pouco amigo do ambiente. E não só pela questão dos sobreiros.

E pasme-se, a actual direcção do Vitória de Setúbal, actualmente eleita, defende a manutenção de um novo estádio no Bonfim – com superfície comercial associada – e um centro de estágio para o Vale da Rosa em substituição do estádio municipal.

Eis que se abrem um conjunto de novas realidades/oportunidades para todos especialmente para o futuro da cidade. Vejamos:

Sem estádio no Vale da Rosa deixa de ter fundamento o protocolo entre o município e a empresa proprietária pois este concentrava-se, essencialmente, na construção do estádio versus a isenção de taxas.
Pode-se reformular diversos aspectos negativos na concepção e desenho do actual plano de forma a que toda a cidade o deseje, pois defendemos o seu crescimento regrado e bem planeado.
Ao conservar a “cidade desportiva” continua a ser de ”imprescindível utilidade pública” e com a sua melhoria e reformulação pode vir a ser política e tecnicamente inatacável

Contudo alguns perigos espreitam. O actual presidente Carlos de Sousa defendeu na última sessão da Assembleia Municipal de Setúbal que as correcções deviam ser apenas pontuais, porque “senão ia-se perder muito tempo a realizar um novo plano”. Este parece ser um argumento falacioso. A oportunidade de melhorar um mau plano é sempre de agarrar e o actual panorama na construção civil não nos parece justificar a pressa.
Ficará Carlos de Sousa a falar sozinho em defesa de um mau projecto que nem é seu? Os setubalenses não podem permitir.

quarta-feira, fevereiro 1

Labirinticas jogadas



Vieira da Silva

A partida de Xadrez

1943



Manuel Alegre parece querer jogar um jogo à partida perdido. Os labirintos do tempo poético não se coadunam com as rigorosas perspectivas que o tempo político impõe.
Este jogo, como na imagem de Vieira da Silva, irá fazer desaparecer os jogadores. E sem protagonistas vai ficar apenas o tabuleiro, com as mesmas peças de sempre…

terça-feira, janeiro 31

Quotidiano doméstico

Homenagem à mais pequena fotografa da casa.

Prós e Contras

Não sei explicar bem porquê mas aquela atitude constante de tentar salvar o mundo – neste caso, o país – por parte deste programa já começa a ser um pouco cansativa. Não sei se são os temas, sempre em torno do mesmo, especialmente nas últimas semanas, ou se será o modelo que começa a esgotar? De qualquer maneira estamos, em relação a este, cada vez mais do contra…

domingo, janeiro 29

Neve


Estar em casa num dia de chuva de domingo e decidir ir procurar a neve. Foi o que fizemos. Dispostos a ir até onde ela estivesse, a família, cá de casa, decidiu arrancar. Bastou chegar ao Alentejo – vindos de Setúbal – ainda antes de Vendas Novas, as bátegas de água transformaram-se em flocos. Lindo. De uma emoção indescritível. Depois fomos comer bifanas, como só no “Boa Vista”.

Mais tarde soubemos que também Setúbal via neve. Mas valeu a pena sair pois um nevão com manto de neve, por cá, não é todos os dias.
A natureza ainda nos surpreende.

A árvore & floresta

sem título

Alberto Monteiro


Não convém confundir a árvore com a floresta. É sempre um erro, nem que seja apenas de perspectiva.

quarta-feira, janeiro 25

Sobre o amor à segunda vista

Num tempo sem tempo para nada, vale a pena ler o que a pensata de João Pereira Coutinho escreve sobre "Orgulho e Preconceito", o livro que Jane Austen publicou em 1813.
O Amor não é superficial, cultiva-se. Não existe amor à primeira vista.

segunda-feira, janeiro 23

Sossego

Finalmente acabou. A campanha- com a pré-campanha- já ia longa.Uma massada.

Agora falta fazer o mais difícil. Mudar o país, de preferência para melhor. Os próximos anos, sem actos eleitorais, podem-nos deixar a todos trabalhar. Em sossego e sem distracções.

Bom trabalho.

domingo, janeiro 22

Match Point


O novo filme de Woody Allen não nos encantou. É um filme bem realizado com uma bela fotografia mas com um argumento ultra previsível e um pouco “despropositado” – especialmente no crime passional que está definitivamente fora deste tempo por aquelas razões.

Salva-se Scarlett Johansson. Mais uma nova diva.

Para o indispensável contraditório ver Hollywood.

sábado, janeiro 21

As Presidenciais

Sobre o que se passou até agora e as consequências do próximo domingo dia 22 entendemos dizer o seguinte:

Soares, não resistiu à sua própria impulsividade e resolveu tentar evitar o “passeio na avenida” – pelo qual parece estar prestes a ser atropelado – antevisto por si, a Alegre em plena época estival. Na nossa modesta opinião, este velho leão a quem tanto devemos – a democracia de tipo ocidental e a entrada na Comunidade Europeia, não são coisa pouca – não resistiu ao seu grande ego e à derradeira tentativa de manter o seu poder e a sua confortável e tradicional influência. Com estas eleições perde tudo. Só não perde a sua dimensão Épica. Um guerreiro morre sempre no campo de batalha. O lugar de “senador” ou observador não pertence a este género. Sem querer, Soares perde o PS e o que a partir dai pensou assegurar, mas ganha um final tragicamente humano indispensável à sua derradeira consagração histórica.

Alegre com todo o seu brilho aristocrático e encanto marialva, não conseguiu mais do que confirmar e difundir seu próprio ego mascarado de “cidadania” e “patriotismo” romântico. Leva consigo, o prazer íntimo, de ter derrotado o seu próprio “aparelho” e o seu velho companheiro de tantas lutas. Não é muito, mas para si próprio, pode ser um bom epitáfio político.

Louçã parece cada vez mais a sua própria caricatura. O que poderá vir a seguir. Garcia Pereira é já o “jurássico” do PREC. Louçã ficará como o arauto da esquerda pós moderna ciclicamente reciclada com temas cada vez menos fracturantes e interessantes.

Jerónimo de Sousa é o reencontro do partido proletário consigo próprio. Longe da “aura” mítica e distante de Cunhal, este operário representa o comunismo de rosto humano. O seu último reduto, até ao último óbito.

Cavaco sem muita expectativa mas com muito profissionalismo – técnico ou politico - leva o seu objectivo a bom porto. Ganhar estas eleições e permitir ao país a possibilidade de mudar para melhor. No seu ponto de vista está claro. Pensamos que irá conseguir passar à primeira. E se for isto a acontecer Sócrates terá condições para governar mais quatro anos. A não ser que voluntariamente desista ou fuja. O que parece ter virado moda nos últimos primeiros deste país. No entanto, a teimosia mal disposta do actual não o prognostica.

Sócrates parece ser – se assim o entender – o grande vencedor desta batalha. Consegue de uma única assentada matar dois coelhos. Ao promover Soares a candidato perdedor oficial sem permitir que Alegre o fosse destrói os seus únicos adversários internos e as suas respectivas “famílias” politicas. Há quem pense que isso vai dar muitos problemas ao PS pós presidenciais. Mera exaltação de espíritos havidos de drama. Sócrates continuará a governar tranquilamente, agora firme e seguro na estabilidade, promovida a valor presidencial, por Cavaco em Belém. Mudar Portugal com estabilidade politica é o único fermento ideológico de Cavaco.

Desenganem-se os que pensam serem outros os seus propósitos ou outras as consequências deste acto eleitoral.

Bom domingo.

terça-feira, janeiro 10

O Plano do Vale da Rosa foi chumbado pelo Ministro do Ambiente.

Este chumbo do ministo, apesar de voltar a adiar o futuro de Setúbal, pode trazer a oportunidade "redesenhar" um mau plano e permitir discutir o futuro da cidade sem os constrangimentos de outrora. Será?
Em fínais de 2002 escreviamos este texto como proposta de intervensão da bancada do PSD na Assembleia Municipal de Setúbal, que continuamos, no essencial, a concordar ainda hoje em quase todos os seus aspectos.
"Esboço de intervenção

A Aprovação do Plano de Pormenor do Vale da Rosa é, em nosso entender, uma questão politica essencial para o futuro da cidade. O orçamento é um instrumento chave para compreender as prioridades politicas desta Câmara. Consideramos que a gestão de algumas matérias, como a presente, se revestem de uma dimensão tal, que são incontornáveis para aferir da qualidade politica e visão estratégica deste executivo. Assim consideramos a aprovação deste plano tão relevante quanto a do orçamento funcionando mesmo como o seu prelúdio ou o mesmo, numa visão mais pessimista no seu epitáfio, ao não se prever qualquer hipótese de salvação.
Não nos parece possível iniciar esta discussão, e muito menos votar de forma consciente, sem esclarecer algumas questões prévias:
· Este Plano de Pormenor do Vale da Rosa não pode ser verdadeiramente discutido nesta assembleia sem se conhecer:
1. Que destino vamos dar à zona do actual Estádio do Vitória;
2. Qual o protocolo e o seu conteúdo, entre a autarquia e a sociedade proprietária/promotora deste Plano de Pormenor, quanto à construção do futuro estádio;
3. Que tipo de gestão, e quem irá gerir esse mesmo estádio.

Com estas questões prévias não estamos a desvalorizar o conteúdo específico deste Plano de Pormenor. Muito menos a criticar a existência de um plano que consideramos de vital importância para o futuro da cidade – e sobre ele falaremos mais adiante – mas estamos a recolocar a discussão onde ela deve ser colocada, as razões da sua origem e que explicam a forma como tem sido conduzido. E passamos a explicar. A cidade inevitavelmente teria que crescer para aquela zona, agora a forma como cresceria não seria inevitavelmente esta. O que aconteceu foi que, como diz o povo, “se juntou a fome com a vontade de comer”. Para se poder mexer numa enorme zona expectante - na qual existiam desde heranças do PIS ( Plano Integrado de Setúbal ) até terrenos classificados como industriais e onde existem uns bons milhares de sobreiros actualmente protegidos por lei especifica – era necessário arranjar “ utilidade pública” para transformar esta enorme manta de retalhos e dificuldades numa coisa rentável. Assim surge a ideia de criar uma cidade desportiva, que simultaneamente daria abrigo ao Vitória futebol Clube, através da construção de um novo estádio municipal. Este último aspecto iria libertar o terreno do actual Estádio do Vitória de forma a se construir um empreendimento que, de acordo com os seus dirigentes, iria possibilitar uma auto-sustentabilidade definitiva para o Clube. Tudo isto sem sobrecarregar Município. O modelo, assim apresentado, poderia ser uma base de trabalho, no nosso entender, se bem que algumas questões teriam de estar garantidas à partida. O caminho não nos parecia fácil mas possível. Exigia por parte do Executivo Municipal, princípios claros, visão estratégica para o Concelho e cidade, e uma enorme capacidade negocial. A pressa era inimiga de um processo com esta natureza. As eleições vieram e foi o que se sabe.
Sobre o primeiro Plano de Pormenor e o respectivo protocolo entre a autarquia e a sociedade proprietária/promotora, já sabemos. Ninguém concordou, a não ser os interessados, a dita sociedade. A nova maioria eleita ouviu a população, fez bem. Mas em que se consubstanciou o mesmo em mudanças significativas. Pouco em nosso entender.
· Mudou alguma coisa do ponto de vista da clareza e transparência da condução dos dossiers políticos para além de alguma simpatia enganadora e paralisante. Não, continuamos sem conhecer protocolos e intenções;
· Mudou alguma coisa na maneira casuística como se está a gerir a cidade e o concelho. Não, basta verificar que se continuam a separar o inseparável – vide o Plano de Pormenor para o Bonfim ou o que se pretende para aquela zona não estar em discussão simultânea com o que hoje estamos a discutir, desconhecendo se a cidade pode comportar o que ali se pretende instalar;
· Mudou alguma coisa na falta de visão e ideia de cidade. Não, basta verificar que após um ano de mandato a única coisa que se sentiu foi uma ineficaz gestão de uma desagradável herança. Basta ver o que hoje estamos a discutir e como o estamos a discutir.

Assim lançamos aqui algumas pistas para a discussão relacionando as duas zonas atrás faladas com a necessária recuperação da zona antiga de Setúbal. Partimos sempre do principio que esta operação só é vantajosa se for vantajosa para o todo da cidade e para o concelho, e não apenas para uma parte.

Em relação ao Vale da Rosa assegurar através desta operação:
Reformulação da “Cidade Desportiva” assegurando que ao nível de projecto esta seja digna deste nome, não se resumindo ao Estádio e à pista já existente – fundamental pavilhão multi-usos, vários tipos de campos de Jogos, centro desportivo/Estágios, etc. - Assegurando o envolvimento da Cidade Desportiva com o Parque Urbano previsto, criando valências e sinergias entre os dois – Campos de Jogos, Circuito de Manutenção, Parque de Merendas, Hortas Pedagógicas etc.;
Criação de novas centralidades, reforçando as já existentes – Instituto Politécnico, Praias do Sado – conservando o uso do solo industrial limítrofe de forma a manter a zona com polivalência funcional, para criar vida própria e não ficar dependente de movimentos pendulares.
Ceder o menos possível na isenção de taxas e infra estruturas para não hipotecar o futuro da cidade;
Cedências de lotes para habitação a custos controlados – com a possibilidade de criação de uma empresa Municipal de capitais mistos para construção de habitação e com esse impulso começar a desenvolver a recuperação do centro histórico de Setúbal;
Programar o faseamento da construção do Plano de maneira a reforçar as entidades pré-existentes para se tornar mais fácil uma nova identidade, para que a cidade continue a crescer de uma forma orgânica;

Em relação à zona do actual Estádio do Bonfim:
Descer os m2 de construção previstos;
Obter contrapartidas financeiras para a recuperação da baixa – não só do comercio mas também da habitação - possível financiador da Empresa Municipal.
Incorporação no projecto de valências fundamentais para o concelho e para a memória do espaço – Manutenção de algumas modalidades e actividades do Vitória Futebol Clube mantendo a sua presença na zona, espaço para a uma nova Junta de Freguesia de S. Julião, espaços para actividades de índole social (escuteiros e outros)
Assegurar um corredor verde com o parque do Bonfim
Por último julgamos ser imprescindível saber se a cidade e a região aguentam dois novos grandes espaços comerciais, pelo menos nos próximos anos, e se isso é será do interesse para a revitalização do tecido urbano no seu todo."

domingo, janeiro 1

Adeus Toledo


El Greco
Vista de Toledo
1597


Uma última homenagem - já de regresso a casa - a esta bela cidade e a este extraordinário pintor.

sábado, dezembro 31

Passagem de Ano em Toledo


Passar o ano é sempre uma data, para nós relevante.
Poder estar numa bela cidade, com quem mais se ama, é o que de melhor se pode desejar. Bom ano.

De Toledo, boas entradas para todos...

segunda-feira, dezembro 5

Bonecas Russas


Filme de Cédric Klapisch. Bem realizado. Bonito. Passado em várias belas cidades. Paris, Londres, São Petersburgo, Moscovo, Barcelona. Onde podemos apreciar várias belas mulheres.
Não é um filme para intelectuais. Apesar de ter escritores. Fala de amor e de como este, muitas vezes, se esconde atrás do desejo.
Xavier, a personagem central do filme, encontra-se a chegar à "idade da razão", que está a chegar perigosamente tarde (até Sartre se espantaria).
Pretenso jovem talento da escrita tenta sobreviver dela. Na velocidade da vida persiste em tentar acelerar para não parar. Corre de trabalho em trabalho, de mulher em mulher, na tentativa de fugir ao essencial. A verdadeira escrita e o verdadeiro amor.
Viver no limbo de não se comprometer pode não trazer o inferno mas de certeza que nos afasta do céu.
Por fim resolve parar em Londres para escrever e amar. Descoberto o amor com Wendy - Kelly Reilly – também nós estamos convencidos ter descoberto uma nova diva. O tempo o dirá.

quarta-feira, novembro 23

Temos Mestre

Hoje na


Universidade Técnica de Lisboa no
Instituto Superior Técnico a



Prova de Mestrado em Urbanística e Gestão do Território do

Candidato: Paulo Jorge da Silva Pisco com o

Título da Dissertação:
"A Escola como Factor Organizador do Espaço Urbano
o contexto das capitais de distrito".



na Data: 23 de Novembro de 2005 (4ª Feira)

pelas 10h00 horas com a

Orientadora Científica: Profª. Ana Tostões

Co-orientador Científico: Prof. Jorge Silva

Local: Anfiteatro PA-3 (Edifício de Pós-Graduação)

Av. Rovisco Pais

1049 - 001 Lisboa

passei mais uma bela experiência na minha vida académica.
Defendi a minha dissertação.
E temos Mestre.





quinta-feira, novembro 10

Como dizer o silêncio?


Se em folhagem de poema
me catais anacolutos
é vossa a fraude. A gema
não desce a sons prostitutos.
O saltério, diletante,
fere a Musa com um jasmim?
Só daí para diante
da busca estará o fim.
Aberta a porta selada,
sou pensada já não penso.
Se a Musa fica calada
como dizer o silêncio?
Atirar pérola a porco?
Não me queimo na parábola.
Em mãos que brincam com o fogo
é que eu não ponho a espada.
Dos confins, o peristilo
calo com pontas de fogo,
e desse casto sigilo
versos são só desafogo.
E também para que me lembrem
deixo-os no mercado negro,
que neles glórias se vendem
e eu não sou só desapego.
Raiz de Deus entre os dentes,
aí, pára a transmissão.
Ultra-sons dessas nascentes
só aves entenderão.

Natália Correia

terça-feira, novembro 8

Culpa porquê?

Será o que se está a passar em França responsabilidade dos acolhem estes imigrantes à procura das condições de vida que não têm nos seus territórios de origem e porquê?

Muitas teorias se argumentam sobre este tipo de fenómenos. Começam por ser “desculpabilizantes” em relação a quem pratica estes actos criminosos. Sim, porque a ofensa à propriedade é sempre um crime (e não só quando é a nossa). Mas, rapidamente - mesmo no meio “intelectual” e comunicacional dominante - este sentimento se irá transformar em revolta contra quem agride.

Existe infelizmente entre “nós” (ocidentais essencialmente europeus e norte americanos) uma ideia de culpa, ou de má consciência, porque vivemos – materialmente – melhor que os “outros”. Sejam eles os que vivem desgraçadamente nos seus países, sejam os que vivem pior do que nós, nos nossos próprios países.

O problema do “estrangeiro” sempre existiu ao longo da história. E sempre foi tratado com algum cuidado. O que não existia era a dúvida e a culpa, por parte de quem acolhia esses “estrangeiros”.

A nossa falta de valores dominantes, actualmente, não nos permite agir com a firmeza necessária, porque duvidamos deles e sentimos remorsos quando algo não corre de forma tão “correcta” como desejávamos. E deixamos, pela culpa, arrastar situações que deviam ter resposta firme.

Até quando? Quando o sentimento de revolta se generalizar, entre os “nacionais” contra os “estrangeiros”. Ai vamos ver destruída o “falso verniz” que tem coberto ou iludido, boa parte da nossa cultura dominante.

A ambiguidade no tratamento do estrangeiro tem trazido mais malefícios que benefícios. Uma posição mais clara, mesmo que mais exigente geraria menos confusão acerca do seu papel na nossa sociedade. Fingir que somos iguais, sem o ser, trás muito mais problemas. Eles estão à vista.

A culpa não é boa conselheira. Temos que saber o que defendemos e agir com clareza. Teremos sempre que escolher o mal menor. E teremos sempre dissabores, mesmo escolhendo o que é melhor para nós.

P.s.- Sempre suspeitamos que se o 11 de Setembro tivesse sido em Paris, teria existido uma reacção “sanguínea” em relação às comunidades muçulmanas em França.
Estar em guerra, não significa, necessariamente, estar a combater outro país, pode apenas significar estar a combater por aquilo que acreditamos, mesmo que no nosso país…

quinta-feira, novembro 3

Boas notícias




Setúbal vai receber, em 2009, o 5.º Congresso do Clube das Mais Belas Baías do Mundo.

A visão estratégica pode compensar. Desde que associada à persistência.

Agora vamos ver o que se fará por esta baía e respectiva cidade até 2009? Este pode ser um bom pretexto para mudar a face à cidade.

Educação Sexual na Escola

“Um relatório da comissão coordenada pelo psiquiatra Daniel Sampaio, apresentado hoje ao Ministério da Educação, conclui que as escolas do ensino básico e secundário devem revitalizar os seus currículos sobre educação para a saúde, incluindo a educação sexual, em vez de criarem um nova disciplina.”

“Além da revitalização dos currículos, propõe-se que as escolas e agrupamentos escolares aproveitem as áreas não disciplinares, como Área de Projecto e Estudo Acompanhado, para também abordarem a questão da educação para a saúde.”


In Público on-line -3/11/05

Nota positiva para a recomendação desta comissão de não criar uma nova disciplina para leccionar Educação Sexual (ES) nas escolas. Aproveitar melhor as disciplinas que já existem para promoverem a ES e a “educação para a saúde” é puro bom senso.

terça-feira, novembro 1

250 Anos depois

O terramoto continua a deixar-nos perplexos.
Vontade de antever o futuro?
Mas afinal o que alimenta a História senão esse inexplicável desejo de compreender... o futuro.



Colecção Jan Kozak (Terramoto de Lisboa de 1755)Gravura de 1793, mostrando o salvamento de mulheres e crianças

sábado, outubro 29

Temporal em Setúbal

Depois do temporal que deixou Setúbal novamente inundada – o que sempre acontece quando uma grande quantidade de chuva se concentra num pequeno espaço de tempo e com este, coincide a maré-alta – velhos problemas persistem sem novas soluções.

O Vitória de Setúbal está a tentar encontrar uma solução para a sua difícil situação financeira. Esta deriva de uma divida que não tem garantias de ser paga, porque a “garantia de pagamento está posta em causa.

A mudança de estádio para o Vale da Rosa devia estar a acontecer agora mas, como diz o ditado, “o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita”. A “utilidade pública” do Plano de Pormenor do Vale da Rosa, dado à pressa eleitoral de 2001, não parece conseguir fazer aprovar o dito “Plano” em Conselho de Ministros.

O que vai fazendo agravar a divida dia a dia, porque o rendimento esperado com a renda do espaço comercial a localizar no actual Estádio do Bonfim, com a mudança para o novo estádio no Vale da Rosa, nunca mais chega.

Interessante é o facto do actual Primeiro Ministro ter sido cúmplice, enquanto Ministro do Ambiente, desta “embrulhada” e actualmente não se dar ao trabalho de a desembrulhar, aprovando o Plano, pois é apenas do Conselho de Ministros que depende a sua aprovação final.

O silêncio da actual Governadora Civil de Setúbal, Arquitecta Teresa Almeida – em 2001 vereadora do Urbanismo na Câmara Municipal de Setúbal – não deixa de ser revelador de que esta embrulhada, parece não ter (bom) fim à vista.

Com esta situação e apesar de sermos críticos em relação a todo este processo – falaremos dele um dia destes – não deixa de ser lamentável ver o VFC nesta situação. Mais um símbolo da cidade arrastado neste temporal.

Com o temporal também fechou, ainda que provisoriamente, uma escola que se tornou definitivamente provisória. A Escola Ana de Castro Osório, na Bela Vista. A sua falta de condições é tão gritante que só vendo. Mas infelizmente a educação dos sem educação parece ficar apenas nas intenções. E no subsídio dado às famílias. E nas instituições que por lá vão ganhando a vida, sem mudar a vida dos que por lá vivem.

Apostar num ensino de qualidade, para além do desmantelamento do “gueto” em que se transformou aquela zona, parecem-nos ser as únicas verdadeiras apostas num futuro diferente para aquelas populações. Mas aquela escola continua a cair, e com ela a esperança numa mudança positiva de vida, por parte dos que a frequentam.

O temporal parece estar a evidenciar alguns aspectos que têm que mudar em Setúbal. Será ele um sinal de boa mudança ou ficará apenas por mais um lamento na boca das suas gentes?

quinta-feira, outubro 27

quarta-feira, outubro 26

Pobres ex-combatentes ou apenas pobres?


O ministro da defesa, Luís Amado, diz não ter dinheiro para pagar a reforma a todos os ex-combatentes do ultramar. A ser verdade, e hoje dizer que o estado não tem dinheiro é uma banalidade que ninguém põe em causa, o ministro devia pura e simplesmente acabar com mais esta “despesa”.

Esta "reforma" criada por Paulo Portas, ainda no governo de Durão Barroso, como uma forma de dignificar estes servos da pátria que não tinham sido justamente tratados por terem estado do lado errado da história. Era a visão dos pobres ex-combatentes. Discutivel mas compreensível.

Estar em desacordo com esta medida ou achar que este dinheiro faz falta para outras prioridades é defensável e até poderá ter apoiantes. Agora prolongar esta dificuldade “orçamental” diminuindo-a e dando-lhe um carácter de rendimento complementar aos ex-combatentes pobres é uma típica resposta socialista. Do tipo “nós somos porreiros mas como não temos dinheiro vamos só ajudar os que mais precisam”. Discutivel e incompreensível.

Então mas esta medida não era uma forma de compensar quem deu o “corpo” aquela causa, honrando a Pátria, com este gesto, o papel que tiveram? Se assim era ou há para todos ou não há para nenhum. Em caso de serviços à Pátria não existem pobres nem ricos. Existem homens ou mulheres que o fizeram.

Ao tornar esta questão num “rendimento mínimo” aos ex-combatentes o governo não resolve nenhum problema e acaba por criar dois:

Primeiro desvirtua o carácter da medida criando uma situação injusta para os que não recebem.

Em segundo vai tornar esta descriminação positiva por serviços prestados, em mais um subsídio complementar de reforma aos pobres que estiveram na “guerra do ultramar” a que dificilmente se conseguirá por cobro.

domingo, outubro 23

Quem o poderá fazer?


António Barreto (AB), hoje no público, escreve "para que serve um Presidente". O Artigo analisa de uma forma clara e sintética as experiências do passado presidencial, no Estado Novo e em Democracia.

È, no entanto, sobre a nossa situação presente que este coloca diversas questões com grande pertinência:

Primeiro coloca como relevante para o nosso futuro próximo esta eleição onde “a verdade é que a sua importância depende exclusivamente do futuro eleito.”Ou seja daquilo que verdadeiramente o próximo presidente vier a fazer.

Segundo que o país necessita de “ver introduzidos na vida pública dois princípios: o da autoridade e o da honestidade”. Se não for de forma livre e democrática, será mais tarde ainda que de outra forma. O próximo presidente pode para isso contribuir.

Terceiro o actual figurino constitucional permite conseguir mudar considerando AB que “discussão sobre os poderes do Presidente continua. Conformada, quase toda a gente aceita que aquele nada pode fazer. É mentira. Se for livre e quiser, o Presidente tem meios ao seu alcance.” Descrevendo de seguida a enorme quantidade de mecanismos disponíveis. Porque nos parece que a discussão da mudança dos poderes só servirá para nada se fazer, julgamos útil não a introduzir no debate, até porque ela só vai servir para tentar “entalar” o candidato melhor colocado.

Sobre tudo isto não podíamos estar mais de acordo. O que faltou dizer foi, quem o poderá fazer? Qual dos candidatos estará disponível para o fazer, face às condições politicas actuais?
E aqui, suspeitamos que, tal como nós, AB também já saiba. Apenas ainda não o quis dizer de forma clara. Ainda...

Rankings escolares 2

Mais uma vez ai estão os Rankings escolares. Cada vez mais "normalizados", felizmente. E como se previa mais um factor a ter em conta, no meio de tantos outros que nos fazem "avaliar uma instituição" neste caso uma escola.
No entanto parece que continuam a existir alguns perigos onde menos se esperavam. Ver aqui o debate em torno desta questão que ,esparamos, não volte para trás.

Maneirismos 8

Lucian Freud

Reflection (self portrait)
1985

quinta-feira, outubro 20

Cavaco Silva

apresentou a sua candidatura. Os próximos meses irão trazer algo de novo? Não sabemos. Mas um discurso pela positiva, sem promessas e cheio de realismo, vindo de alguém com autoridade para o fazer já fazia falta.

quarta-feira, outubro 19

Daciano Costa

Porta da Expo 98

Faleceu hoje o "pai" do Design português, como era chamado. Para além do Design não deixou de ser um artista total. Homem próprio do Renascimento. Da sua própria figura ao discurso era um verdadeiro renascentista.
Representante único de uma geração que ainda pôde trabalhar em quase todas as àreas de criação e do projecto.
Uma grande perda para a cultura portuguesa.

terça-feira, outubro 18

Cidade 1



Cidade, rumor e vaivém sem paz das ruas,
Ó vida suja, hostil, inutilmente gasta,
Saber que existe o mar e as praias nuas,
Montanhas sem nome e planícies mais vastas
Que o mais vasto desejo,
E eu estou em ti fechada e apenas vejo
Os muros e as paredes, e não vejo
Nem o crescer do mar, nem o mudar das luas.
Saber que tomas em ti a minha vida
E que arrastas pela sombra das paredes
A minha alma que fora prometida
Às ondas brancas e às florestas verdes.

Sophia de Mello Breyner Andresen

sábado, outubro 15

Aqui se vê a força do PC!!!!???


Hoje, na sua crónica do Público, Vasco Pulido Valente (VPV) volta a acertar em cheio. Refere-se às dificuldades que os governos democráticos irão ter para governar nos próximos anos e ao aumento eleitoral da força politica que melhor representa esta vontade conservadora de deixar tudo na mesma. Existe hoje em Portugal (tal como na Europa) um problema sério; a “Ingovernabilidade” persistente. Esta decorre do sentimento de insegurança que o "povo", melhor ou pior instalado, vai sentindo de uma forma cada vez mais séria.

O "modelo social europeu" a que se habituou está ameaçado. A vontade de o conservar é muito superior à necessidade e inevitabilidade de o mudar. Guterres sabia disso em 2001 quando se foi embora e Barroso também após as europeias de 2004. Os resultados eleitorais foram um obvio aviso que as medidas difíceis tinham que esperar por melhores dias. Por esta razãoa eleição autárquica a que acabamos de assitir tem, inevitavelmente, uma leitura nacional.

O PCP/CDU foi um dos vencedores desta eleição. Como refere VPV:

A cidade de Setúbal, o exemplo que conhecemos melhor do ponto de vista eleitoral, é para esta análise um observatório previligiado. O PSD foi a segunda força mais votada (pela primeira vez) pelo efeito “Fernando Negrão”, logo a seguir ao PCP. Mas o voto útil do eleitorado tradicional do PS não veio inteiro para o PSD dividiu-se entre este e o PC.

Apesar de sabermos que a Presidência tem sempre um efeito "polarizador" no eleitorado local, o resultado da CDU, perdendo a maioria absoluta, não deixa de ser surpreendente (40%). E podemos garantir que não foi pela "obra" realizada.

Numa cidade com a história de Setúbal, mesmo não gostando do PCP, uma parte do eleitorado do PS prefere o voto "seguro" no Partido Comunista. Sim porque estes, já não sendo perigosos, se tornam na única força que não desilude. Tornando-se, assim e cada vez mais, o único porto seguro.

Voltará o PC a sair da hibernação a que tem estado sujeito? Parece não haver dúvidas que sim.E assim se confirma a velha teoria que o comunismo se "alimenta" da miséria, pois é nela que se torna mais forte. Assim se vê ...

quarta-feira, outubro 12

Os EduKadores

"Os Vossos Dias de Abundância estão contados"

Este segundo filme de Hans Weingartner tem final feliz. Se ainda se acreditar que a felicidade pode ser construída com base em equívocos. Os jovens protagonistas deste filme continuam a acreditar que ao atacar a riqueza e os “ricos” podem contribuir para a diminuição do número pobres.

Este é um equívoco da análise Marxista sobre a realidade que ainda hoje determina muitas das concepções sobre a política e a economia. Como podemos comprovar à saciedade nos países do “leste” europeu, acabar com os ricos só ajudou a criar ainda mais pobres. Todos iguais mas, indiscutivelmente, mais pobres. Ficando apenas a “nomenclatura” partidária com o ónus da desigualdade. Mas esta realidade já todos conhecemos.

Os EduKadores ainda pensam que podem mudar o mundo desta maneira e resolvem “assustar”os ricos alemães mudando-lhes a mobília da casa e deixando frases enigmáticas apelando à sua má consciência “pequeno burguesa”. De uma destas aventuras resulta a necessidade de raptarem o proprietário da casa, um ex-revolucionário de 68 que resolveu fazer pela vida.

No confronto entre as duas gerações o filme trata o tema sem falsos moralismos e sem excessos. Neste aspecto não temos o típico filme “panfletário”. Mas quem tem hoje coragem de o fazer? Nem os nostálgicos da ilusão marxista. Hoje o tema tem de ser tratado com recurso a tons mais suaves, para não assustar. Egoísta versus Altruísta e rico/velho/conservador e cínico versus despojado/jovem/revolucionário e sincero. Coisa quase sem significado hoje em dia. Como refere um dos jovens ao reconhecer a dificuldade de ser revolucionário quando todos os hérois da revolução já estão acessíveis numa qualquer camisola.

Quando é que vamos perceber que a discussão do futuro já não se pode resumir ao problema da riqueza versus pobreza, mas de melhor distribuição e preservação de recursos?
(Rico, num futuro bem mais próximo que possamos imaginar, será aquele que poder beber água de qualidade ou respirar ar não poluído.)

No entanto, o filme não deixa de proporcionar estas e outras reflexões que podem sempre ser positivas e trazer à lembrança para quem andar distraído que atrás de um idealista pode estar escondido um inimigo da liberdade.

A ver, numa destas tardes de chuva…

segunda-feira, outubro 10

Quasi


Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além
Para atingir, faltou-me um golpe de asa ...
Se ao menos eu permanecesse aquém ...
Assombro ou paz ? Em vão ... Tudo esvaído
Num grande mar enganador d´espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor ! - quasi vivido ...
Quasi o amor, quase o triunfo e a chama,
Quasi o princípio e o fim - quasi a expansão ...
Mas na minh´alma tudo se derrama ...
Entanto nada foi só ilusão !
De tudo houve um começo ... e tudo errou ...
- Ai a dor de ser-quasi, dor sem fim ...
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou ...
Momentos de alma que desbaratei ...
Templos aonde nunca pus um altar ...
Rios que perdi sem os levar ao mar ...
Ânsias que foram mas que não fixei ...
Se me vagueio, encontro só indícios ...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos d' heroi, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios ...
Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí ...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi ...
Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir faltou-me um golpe d´asa ...
Se ao menos eu permanecesse aquém ...

Mário de Sá-Carneiro

Paris 1913 - maio 13

Dedicado às Autárquicas de ontem em Setúbal.

sexta-feira, outubro 7

Razão e Emoção



Entre a dificuldade de vencer, antevista pela racionalidade e a emocionada esperança num futuro melhor para Setúbal, esperamos tranquilamente pelos resultados do próximo domingo.
Voltará Setúbal a ser terra de boa laranja?

Abstenção 2

Vendo e analisando as sondagens e o comentário feito por Oliveira e Costa, agora na SIC dá para perceber que muito ainda está em aberto. A abstenção pode ter efeitos completamente imprevisíveis.

Inversão do ónus da prova

Hoje no Abrupto:

"A inversão do ónus da prova conduziria, num país como Portugal onde a administração pública, incluindo a máquina fiscal e as polícias, estão muito politizadas, à discricionariedade dessa exigência de prova, tornando-a numa arma política que nenhum governo deixaria de usar. Basta só parar para pensar no que já acontece, para se poder antever com elevado grau de certeza a poderosa arma que vai ser colocada ao serviço do abuso dos governos. É muito, muito preocupante."

Concordamos e acrescentamos:

O Presidente da Republica entrou definitivamente no seu pior momento. Devia ficar calado até ao final do seu mandato. Depois de tantos correctivos e puxões de orelhas a governos anteriores, sobre este nada diz ou faz. Pelo contrário resolve, à boa maneira de quem nada consegue resolver, sugerir uma alteração à lei para acabar com a corrupção. Mas não sugere uma alteração no funcionamento do Estado. Não, esse mantêm-se inalterável, a mudança faz-se contra os cidadãos.

Tornar possível a intromissão do Estado na vida dos cidadãos é para além de perigoso absolutamente irresponsável, porque o senhor Presidente não percebeu ainda que quando o Estado é acompanhado pelo mau funcionamento da justiça é absolutamente mais poderoso que os cidadãos. Quem irá proteger o desgraçado? Não podemos permitir que pelo mau funcionamento do Estado e dos diversos “sistemas” se ponha em causa o cidadão e não o mau funcionamento das instituições.

Imaginam quem iriam ser os primeiros beneficiários desta inversão do ónus da prova ? Não seria ninguém conhecido de certeza, a não ser que começassem por algum Isaltino ou por alguma Fátima, pessoas em posição fácil para se tornarem bodes expiatórios, para que outros ali ganhassem as câmaras tranquilamente.

Sim porque alguns dirigentes partidários até já se manifestam contra as candidaturas independentes – protagonizadas por esses chatos que quando deixam de dar jeito insistem em se manter candidatos – depois de todos os partidos terem apoiado esta iniciativa em prol da abertura à sociedade. Pois a abertura tem destas coisas. Principalmente quando essas pessoas têm, ou tiveram, a cobertura do sistema partidário e depois beneficiam do mau funcionamento da justiça.

O problema aqui não é a democracia, que com todos os defeitos é o único sistema auto-correctivo, mas o mau funcionamento da justiça.

Abrir esta “Caixa de Pandora” só serve para aliviar a má consciência de quem se sente impotente para resolver o que está ao seu alcance, fazendo de conta que não.

quinta-feira, outubro 6

Abstenção

Continuamos com a sensação que a abstenção vai crescer bastante neste acto eleitoral, em relação a 2001. A maioria da população não quer sequer ouvir falar de politica. Os sem partido que se “obrigarem” a ir votar no próximo Domingo farão, muitos deles, a escolha em cima do boletim de voto. Esta circunstância torna este acto eleitoral relativamente imprevisível na sua leitura nacional, mas com poucas mudanças ao nível da liderança dos concelhos.

terça-feira, outubro 4

Maneirismos 3



Paula Rego

The Dance

1988

Dancemos então. Não com o eclipse, mas ao luar...

Boa Dr. Jorge Miranda

Veio colocar agora em directo no Prós e Contras a pergunta certa. Querem os juízes ser órgãos de soberania, como lhe confere actualmente a Constituição Portuguesa, ou querem voltar a ser meros funcionários como a constituição de 1933 (que criou o Estado Novo) lhes propunha?
Actualmente nada parece ser feito com bom senso. E não me digam que estas coisas acontecem pela pouca educação do povo, porque os nossos Juízes são até muito bem-educados. O problema é que o bom senso e o sentido de serviço público não se aprendem na escola.