segunda-feira, setembro 4

Génesis



Fazendo uma referência directa ao Génesis Bíblico este filme de Claude Nuridsany e Marie Pérennou, não pretende ser uma discrição bíblica nem apenas um documentário “cientifico”. Faz uma síntese do conhecimento disponível, onde o centro é a vida, focando todas as componentes estruturantes desta (o tempo, o amor, a sedução, a reprodução, a sobrevivência, o nascimento e a morte), na sua medida justa. A relação do infinitamente grande com o infinitamente pequeno é extraordinária. E a beleza das imagens a das cenas escolhidas é soberba. O narrador – um velho ancião negro – faz da narração um caminho sem desvios, entre o imprescindível e o misterioso.
Belo, complexamente simples e essencial.
A ver, se possível em família.


quarta-feira, agosto 23

Viagens por Espanha



Plaza Mayor - Madrid



Vista Geral- Barcelona

Depois de Madrid, agora Barcelona. Duas Cidades muito diferentes, com dois povos muitos distintos, mas igualmente fascinantes.

A viagem segue dentro de momentos...

sexta-feira, agosto 18

Free World





Muitas capas para um livro que defende convictamente a possibilidade de um mundo livre, só possíveis nesse mesmo mundo.


Timothy Garton Ash é professor de Estudos Europeus na Universidade de Oxford e escreve os seus ensaios para a New York Review of Books e tem uma coluna regular no Guardian. Tendo escrito vários outros livros sobre politica e «história do presente» escreveu em 2004 – primeira publicação na GB on 1 July 2004 com o título de “Free World: why a crisis of the West reveals the opportunity of our time” (Penguin) – este livro Free World – A América, a Europa e o Futuro do Ocidente.
A estrutura do livro aparece dividida em dois capítulos onde o primeiro identifica a “Crise” do Ocidente e o segundo pré-anuncia uma “Oportunidade” para o “mundo livre” se alargar ao planeta, onde o “ocidente” – Europa e América – podem ter um papel central a desempenhar. Em ambos os capítulos, o autor, parte da Bretanha (sua terra natal) para a Europa depois para os EUA e seguidamente para o resto do Mundo.
A capacidade de análise sobre o mundo contemporânea e a forma clara e simples – não simplista – com que o autor identifica o essencial da maneira como nos vemos uns aos outros e de como se comportam os principais “blocos” mundiais, entre si, permitem a qualquer leigo sobre a matéria desmistificar uma série de “falsas” questões empoladas, hoje, no debate público por quem persiste em ver o mundo a preto e branco.
Os problemas que enfrentamos não são simples mas, o autor, defende que para a sua resolução, a Europa e a América podem ter – possivelmente apenas nos próximos 20 anos – um papel central na sua resolução, onde a liberdade obriga a novas responsabilidades como a melhoria das condições de vida para a generalidade da população mundial, colocando um freio ao tipo de desenvolvimento “predador” dos recursos, a que vimos assistindo.
No entanto, o discurso está longe daquela “ganga” já estafada da conversa da anti-globalização, mas reconhece as dificuldades e benefícios, que esta realidade inelutável, pode comportar.
Como exemplo de uma questão de muito difícil resolução que qualquer enquadramento estritamente “ideológico” tende a simplificar sem resolver.
A Politica Agrícola Comum (PAC) é um dos maiores consumidores de recursos do orçamento comunitário na Europa. Isto porque não tendo uma agricultura competitiva subsidia-se os agricultores para não se importar produtos agrícolas. Mais baratos em outras partes do mundo. Assim acontece em outros países desenvolvidos nomeadamente na América. Liberalizando este mercado poderíamos contribuir para a melhoria das condições de vida de países do sul, mais pobres, mas capazes de produzir estes produtos mais baratos. O que lhes permita melhorar as suas condições de vida e diminuir a pressão migratória sobre os países mais desenvolvidos.

Mas tomar medidas destas não é simples para os países mais desenvolvidos, pois lançava-se muitos dos seus agricultores no desemprego. O que para além do problema económico, provocaria alterações na paisagem rural, no seu ordenamento e sustentabilidade, aprofundando a desertificação do “interior” e aumentando a pressão demográfica sobre as cidades. Com todos os problemas sociais e ambientais dai decorrentes. Entre os quais estariam o aumento da dependência de produtos “frescos” por parte dos países mais desenvolvidos para os países menos desenvolvidos. Aumentando a dependência do transporte logo do “custo” energético. Até ver, do petróleo. Como resolver? Estamos perante um verdadeiro imbróglio, sem soluções fáceis. Mas impossível de enquadrar num discurso simplista de Globalização versus anti-Globalização.
(Já imaginaram o Louçã a defender a liberalização do comercio agrícola para beneficio do “terceiro mundo” e contra os agricultores portugueses – mas curiosamente nunca vi fazerem-lhe esta pergunta??? )

Será, no entanto na resolução destes problemas que se podem construir politicas de futuro.

Um livro a não perder para todos aqueles que acreditam que um Free World é difícil mas possível e desejável.

Da Alêtheia Editores.

sexta-feira, agosto 4

O Progresso esse engano





Desde há muito que desconfiamos da crença no “progresso”. Esta ideia definida pelo historiador Sidney Pollard como “ a presunção de que existe um padrão na história da Humanidade…que consiste em alterações irreversíveis numa única direcção, e que essa direcção é para melhor” parece-nos, desde que ultrapassámos a idade dos porquês da história, sem aderência à analise do percurso da nossa espécie ao longo dos milénios.

Ronald Wright - um historiador e romancista inglês, formado em Cambridge e actualmente a viver no Canadá – dá-nos razões de sobra para fundamentar-mos esta nossa descrença no “progresso”. Tentando responder a três questões de sempre do ser humano, coloca-as na boca de Gauguin – sim o pintor – de forma a melhor ilustrar o quadro do desenvolvimento de diversas civilizações.

De onde vimos?
Quem somos?
Para onde vamos?

Ao longo de 134 páginas tenta responder de uma forma simples mas alargada às duas primeiras questões para tentar enquadrar a última delas. Faz uma descrição da nossa “evolução” e analisa as diversas civilizações do passado relacionando o seu declínio com o esgotamento da sua “sustentabilidade”. Ou se quiserem quando o “pé” da civilização se tornou maior que a sua “pegada ecológica” levando-a ao declínio ou mesmo extinção.

A tese é simples: Conterão as civilizações, em si, o gérmen da sua própria destruição?

Wright apresenta-nos diversos casos em que assim foi no passado assim como outros em que assim não aconteceu, desmistificando a ideia de que a “pulsão auto-destrutiva” é um fenómeno contemporâneo. Mas avisa-nos que actualmente temos dois problemas mais difíceis de resolver: Temos uma civilização global, ou seja não temos para onde fugir (só o espaço, dirão alguns) e possuímos tecnologia de destruição massiva (nuclear), o que recomenda mais prudência e contenção ao pendor suicidário que parece caracterizar todas as civilizações.

A não deixar de ler.
"Breve História do Progresso" editado pela Dom Quixote.

segunda-feira, julho 24

A Feira que (não) desejámos


Saiu hoje no "Jornal de Setúbal "



Gostaríamos de começar por referir que fomos sempre muito cépticos em relação à mudança da Feira de Sant’iago para fora do centro da cidade. Mas admitíamos a hipótese de estar enganados, se fosse esse o caso. Três anos após a sua mudança para a zona das Manteigadas começamos a estar em condições de aferir se esta aposta foi, ou não, benéfica para Setúbal. No entanto, por melhor vontade que se tenha e qualquer que seja o ângulo de análise que se adopte, a mudança da Feira, parece-nos não ter constituído qualquer mais valia para a cidade. Passo a explicar.

Convém começar por relembrar os argumentos dados pela actual maioria camarária para justificar a mudança da Feira e estes foram:
A necessidade de realizar as obras do Polis, no Largo José Afonso, que serviu de pretexto prático para se mudar a localização tradicional da Feira. Uma nova localização oferecia a possibilidade de criar um espaço específico para feiras. Esta nova localização, no entender da Câmara, deveria ser num local amplo e livre, para não perturbar o normal funcionamento da cidade, ou seja, na sua periferia, surgindo assim a opção Manteigadas. Para legitimar toda esta operação só faltava uma ideia, a de criar, em parceria com a Associação de Empresários da região, um Parque de Exposições a gerir por uma nova associação “arranjada” para o efeito: a Associação Parque Santiago.

Mesmo só analisando estes argumentos, facilmente percebemos que esta aposta foi perdida. Vejamos. O anfiteatro do Largo José Afonso – para além da sua aparente inutilidade - não justificava a mudança da Feira, ela podia ter-se realizado, ainda que provisoriamente, noutras áreas ao longo da Avenida Luísa Todi e sua envolvente. A nova localização e o seu respectivo “Parque” justificava-se, no pressuposto da melhoria das condições objectivas em que esta decorria, mas nada disto se verificou. O espaço é pobre, mal amanhado, cheio de pó e de melgas, de topografia irregular, com maus acessos e deficiente estacionamento. A desculpa para tudo isto continua a ser o pouco dinheiro para a realização de infraestruturas. Mas isso já todos nós sabíamos antes de se terem tomado estas opções. A Câmara está sem capacidade financeira. Apesar disso, resolveu criar mais uma infraestrutura permanente gerida todo o ano por uma nova Associação que, naturalmente, tem os seus custos.
O que ganhou Setúbal e os setubalenses com estas opções? Um anfiteatro sem uso (e com custos) no Largo José Afonso, a Feira de Sant’iago marginalizada e transformada num arraial sem dimensão urbana para além de uma renda permanente em obras e despesas de manutenção/gestão com a Associação e o dito Parque.
No nosso entender, a Feira de Sant’iago constituía um dos últimos símbolos de identidade e factor de coesão social, da cidade de Setúbal. Deveria por isso seguir outro caminho. Existe como acontecimento municipal desde 9 de Junho de 1582, por alvará concedido por Filipe II de Espanha. Apesar de ter tido, ao longo da sua existência, uma importância variável é talvez o acontecimento urbano que há mais anos se realiza de forma continuada. A tradição não vale por si mas numa cidade constantemente à procura de factores de identidade e de pontos de referência que a distingam de uma área metropolitana, a que, com algum incómodo, pertence, não nos parece de somenos importância.
O factor coesão social, intimamente ligado à sua tradição, é um capital fortíssimo do qual não podemos abrir mão. Se já temos o evento basta saber reutilizá-lo. Não nos podemos esquecer que uma das nossas vocações enquanto cidade é o turismo e fundamentalmente o turismo urbano. Em torno da Feira, quando realizada no centro de Setúbal, reunia-se como em nenhum outro evento urbano toda a cidade. Da criança ao velho, do integrado ao excluído, do Viso à Bela Vista. Para além ser um evento de atracção a nível regional. Tudo isto não é pouco numa cidade que tem vindo a “sub urbanizar-se” e a perder, consequentemente, identidade. Por isso fomos contra esta mudança. Embora reconhecendo que a nossa Feira tinha de mudar e evoluir mas noutro sentido. Nos últimos anos estas “festas” foram perdendo importância, fundamentalmente pela modificação e proliferação dos hábitos de consumo e de lazer e na redução da influência do seu papel religioso. No entanto, evoluir não é destruir o essencial, é mudar o acessório.
No futuro, pensamos que se deverá ligar este acontecimento às nossas riquezas endógenas: o património natural e construído. Por isso julgo que a feira se devia estender ao rio, reconciliando a baixa da cidade com este e com as actividades deste dependentes - o porto, as actividades náuticas e piscatórias - assim como com a Serra da Arrábida. Podia-se associar o tempo da feira a um campeonato nacional ou internacional ligado ao rio em colaboração com os clubes vocacionados para estas actividades. O aspecto lúdico devia alterar-se deixando de estar inteiramente dependente dos “carrosséis”, que continuam a ter um grande fascínio entre as crianças, para se abrir às novas tecnologias (realidade virtual, por exemplo).
O espaço urbano, ocupado pela feira, deveria ser estruturado em função deste evento efémero mas funcionando na perfeição no restante espaço de tempo, o que não é de todo impossível, como prova o recinto da “Expo98”. Não constituindo uma despesa fixa, sem uso o resto do ano, mas um espaço público sempre disponível ao cidadão. O Polis deveria ter incorporado isto no seu Plano Estratégico e consequentemente no seu Plano de Pormenor.
As feiras de hoje já não podem de ser no pó. Devem ter bons acessos e contribuir para a revitalização dos centros urbanos. A nossa, podia ser simultaneamente organizada ao ar livre e em espaços cobertos – aproveitando alguns dos edifícios portuários sem uso – onde se poderiam associar actividades de natureza diversa, mas em que o fio condutor era generalista e popular.
Estes são alguns aspectos da Feira que desejávamos ter, mas nas actuais circunstâncias, resta-nos rezar a Sant’iago.

sábado, julho 22

Feira de Santiago - morte ou regeneração

Hoje começa mais uma edição da Feira de Sant'iago em Setúbal. A propósito vamos realizar uma pequena reflexão sobre este evento como fenómeno urbano, Pela sua importância pensamos valer a pena,


Este Artigo foi publicado no "Sem Mais" Jornal em 5 de Agosto de 1999

Na altura a Feira ainda se realizava na Avenida Luisa Todi e Mata Cáceres era o presidente da Câmara de Setúbal de então.


Então como agora no essêncial continuamos a pensar o mesmo.



A Feira de Santiago está ai e com ela estão de volta todas as expectativas e desilusões que a acompanham ao longo dos últimos anos. A expectativa vem com a vontade que todos sentimos de ter uma feira que assuma a “centralidade” na vida da cidade e da região, a desilusão surge com a noção cada vez mais clara que a feira nos moldes em que se enquadra está numa fase de decadência.
Como sempre a feira apresenta-se com o mesmo “formato” e no mesmo “lugar”. Como sempre ouço falar na necessidade da sua mudança, mas curiosamente a primeira e mais frequente observação feita é sobre a mudança de lugar. Existe uma espécie de consenso na cidade em torno desta questão, quer na opinião pública que o exige há alguns anos, quer por parte dos poderes públicos que o prometem sem o realizar, como já este ano aconteceu.
Lamento ser desmancha prazeres, mas penso que a realizar-se esta mudança a Feira de Santiago, tal como a conhecemos, estará condenada à morte. E das duas uma: ou queremos uma Feira de dimensão urbana e regional ou queremos um sucedâneo do “Mercado da Xepa” com uns carroceis à mistura. Do meu ponto de vista prefiro primeiro e passo a explicar.
Hoje em dia existem, de uma forma geral, três tipos de feiras: as temáticas, as universais e as tradicionais.
Na primeira família podemos diferenciar as de feição mais actual por exemplo, as realizadas na FIL (Feira Internacional de Lisboa) subordinadas a vários temas, a ARCO em Madrid voltada para a arte contemporânea ou ainda um destes novíssimos parques temáticos como a EuroDisney e as mais antigas como a feira da Agricultura ou da Gastronomia em Santarém. Estas feiras tendem a realizar-se, pela natureza dos seus conteúdos temáticos, em recintos fechados, muitas das vezes cobertos e têm uma dimensão nacional ou mesmo internacional.
No segundo caso podemos facilmente apontar as feiras universais tipo “Expo” que pela proximidade da de Lisboa é fácil contextualizar. A sua vocação é claramente internacional.
Por último as feiras tradicionais que actualmente são um misto de diversão, “comes e bebes”, venda de produtos artesanais e quinquilharia. Algumas têm sectores de vendas especializadas tipo automóveis, motos ou maquinas pesadas agriculas ou industriais. Estas feiras estão normalmente associadas às festividades religiosas possuindo uma dimensão simbólica marcante no seu calendário anual. Nos últimos anos estas feiras/festas foram perdendo importância, fundamentalmente pela modificação e proliferação dos hábitos de consumo e de lazer, para não falar da redução da influência do seu papel religioso. Esta perda assentua-se nos grandes centros urbanos. A Feira de Santiago em Setúbal encontra-se nesta categoria.
Pela sua natureza este tipo de feiras, mesmo com algumas alterações/inovações, estão ligadas a um “lugar” realizando-se sempre num ponto estratégico dentro da urbe, ponto esse, a que se associa um cenário, natural ou urbano e que se assume como uma centralidade. No caso de Setúbal só a cidade antiga, a “baixa” tem esta dimensão. Se pensarmos em mudar o lugar da feira ela vai deixar de ser de toda a cidade passando a ser de bairro, independentemente do Bairro em que esta se venha a localizar. Vamos admitir que o destino provável é a Bela Vista e pergunto se a restante população da cidade ai se deslocaria? A consequência inevitável era a “ghetização” definitiva desta, com a sua consequente degradação. Perderia, assim uma das suas características principais, ser um dos poucos acontecimentos de integração e coesão social desta cidade. Porventura o mais abrangente e interclassista. Costumo, desde há muitos anos, comentar entre amigos que só na feira nós vemos toda a população setubalense e o seu verdadeiro retrato.
Por este conjunto de razões, penso que a mudança de “lugar” deve ser posta de parte restando analisar a sua mudança de “formato”. No entanto, surge a questão, esta feira apesar de se encontrar em fase descendente poderá ter alguma hipótese de regeneração? Penso que sim.
A Feira de Santiago existe como acontecimento municipal desde 9 de Junho de 1582, por alvará concedido por Filipe II de Espanha. Apesar de ter tido ao longo da sua existência uma importância variável é, talvez, o acontecimento urbano que à mais anos se realiza de forma continuada. A tradição não vale por si mas numa cidade constantemente á procura de factores de identidade e de pontos de referência que a distingam de uma área metropolitana, a que, com algum incomodo, pertencemos, não me parece de somenos importância.
O factor coesão social, já atrás falado, intimamente ligado á sua tradição, é um capital fortíssimo do qual não podemos abrir mão, e se já temos o evento basta saber reutilizá-lo. Não nos podemos esquecer que uma das nossas vocações enquanto cidade é o turismo e fundamentalmente o turismo urbano.
No futuro, penso que se deverá ligar este acontecimento às nossas riquezas endógenas o património natural, por isso julgo que a feira se devia estender ao rio, reconciliando a cidade com este e com as actividades deste dependentes, o porto e as actividades náuticas e piscatórias assim como na serra. Podia-se associar o tempo da feira a um campeonato nacional ou internacional ligado ao rio em colaboração com os clubes vocacionados para estas actividades.
O aspecto lúdico devia alterar-se deixando de estar inteiramente dependente dos “carrosseis”, que continuam a ter um grande fascínio entre as crianças, para se abrir às novas tecnologias (realidade virtual, por exemplo).
O espaço urbano ocupado pela feira deveria ser estruturado em função deste evento efémero mas funcionando na perfeição no restante espaço de tempo, o que não é de todo impossível, como é prova disso o ressinto da “Expo”. As feiras já não têm de ser no pó, essa realidade existe porque não a querem mudar (porque não fazer um concurso de ideias para o arranjo desse espaço).
Por último, um o programa musical reforçado, quer na musica popular quer na erudita, acompanhado por uma temporada de bailados da nossa Companhia de Dança Contemporânea assim como um festival gastronómico virado para os pratos de peixe, envolvendo a restauração de Setúbal numa competição saudável que só nos poderia beneficiar.
Aqui ficam lançados os primeiros argumentos para o debate. Agora é fundamental escolher: a morte ou a regeneração da Feira de Santiago.

Paulo Pisco

terça-feira, julho 18

Rembrandt versus Caravaggio 3



Rembrandt


1635



Caravaggio

The Sacrifice of Isaac

1601-02


O sacrifício supremo é pedido por Deus a Abraão. Como prova da sua confiança em Deus pede-lhe o sacrifício de seu filho único, Isaac, realizado pelo próprio.

Nestes dois quadros temos retratado o mesmo momento, onde o anjo do Senhor diz a Abraão, que o pedido já não é necessário, pois estava provada a sua confiança.

Ambos os quadros revelam o enorme dramatismo do momento. Mas neste caso parece-nos ser o quadro de Rembrandt o mais tenso e expressivo, o que não é habitual na comparação entre estes dois mestres da pintura Barroca.

segunda-feira, julho 10

Mary - O filme







Este filme de Abel Ferrara com Forest Whitaker e Juliette Binoche não é mais um filme que contesta Jesus ou a sua Igreja. Maria Madalena não surge como a amante, a mulher ou a mãe dos filhos de Jesus. Não, este não é esse filme.

Se quiser confirmar as suas certezas sobre os múltiplos e terríveis “pecados” e desvios da mensagem original sobre Jesus promovida por todos os cristãos, seus seguidores, deve procurar outro filme, mais leve, ou mesmo…intrigante. Numa versão pós-moderna de policial à la Carte. Se é por ai que vai, este, definitivamente, não é o que procura. O que pretende está provável em Código…

Este não é assim. É um filme claro como a água consegue ser. É sobre a vida, o ser humano, a sua necessidade de transcendência e o seu indispensável encontro com a paz. A paz de cada um, a que só se acede pelo amor vencendo o sofrimento, o prazer ou a dor. Conseguido apenas com o compromisso, pela entrega.

A história faz a ligação entre o passado e o presente entre o oriente e o ocidente entre o homem e a mulher entre a escuridão e a claridade. Sem falsos puritanismos ou moralismos. Apenas expondo a nossa infinita fragilidade. A nossa humanidade, integrada neste inexplicável mistério que é a vida.

A actriz Mary Palesi (Juliette Binoche) e Ted Younger, célebre jornalista que apresenta um programa sobre a vida de Jesus nas suas múltiplas dimensões, vão-se encontrar, sem nunca se verem. Paralelamente vamos vendo o filme "This Is my Blood" realizado Tony Childress, sobre a vida de Jesus, onde Maria Madalena surge como um discípulo maior entre os apóstolos, onde se evidência o conflito latente com Pedro.

Nestes vários planos da história o drama da vida e da existência vai fazendo o seu caminho, nos diversos tempos e personagens da acção. Não existe um final nesta história. Ela prolonga-se em cada um de nós. Os que estamos vivos, é claro.

Como é obvio para quem aprecia, a não perder.

segunda-feira, julho 3

O Leopardo

de Luchino Visconti é um filme de 1963.


Aqui o príncipe de Salina (Burt Lancaster) e Angelica (Claudia Cardinale)

Vemos este filme pela primeira vez em cinema – no cinema Charlot em Setúbal – mas continua a ser uma obra-prima da 7ªArte. Um realismo histórico notável transmite um sentir de época (1860) em que Itália sofre algumas convulsões politicas em torno da figura de Garibaldi, herói revolucionário, mas que ficou mais conhecido como um romântico na sua Itália.

O retrato de um mundo em transição onde “é necessário mudar alguma coisa para que tudo fique na mesma” é o que fica como moral desta história. Aliar a velha aristocracia aos novos ricos em ascensão é o remédio encontrado pelo príncipe para perpetuar algum do seu poder.

Um filme a não perder, fundamentalmente para quem queira compreender mais sobre a natureza dos povos do sul da Europa. Por isso, para nós, muito educativo…


sexta-feira, junho 30

Rembrandt versus Caravaggio 2


Caravaggio

Judith Beheading Holofernes

1598



Rembrandt

The Blinding of Samson

1636

A violência da traição tratada de forma diversa mas extremamente “realista” e intensa. As cenas escolhidas nada escondem, antes pelo contrário, pretendem enfatizar o horror do acto cometido.

terça-feira, junho 27

A bicicleta

Hoje na Lusa:

"Transportes
Governo britânico incentiva alunos a irem para a escola de bicicleta
26.06.2006 - 23h52 AFP

O Governo britânico vai duplicar o orçamento de uma iniciativa que pretende encorajar os alunos a irem para a escola de bicicleta, anunciou hoje o Ministério dos Transportes.
O projecto, que vai investir 45 milhões de euros em três anos, salienta a importância da segurança, com a criação de novas ciclovias que liguem as escolas e um plano de formação para as crianças.“Se conseguirmos que as crianças se desloquem em bicicletas desde cedo, conseguiremos importantes progressos para a sua saúde, para o ambiente e para o tráfego”, disse o ministro dos Transportes, Douglas Alexander.O anúncio foi bem recebido pelas associações de ciclistas e suscitou o cepticismo da oposição. Em Londres, menos de dois por cento de todas as deslocações são feitas com bicicleta. Em Amesterdão essa percentagem é de 28 por cento, em Copenhaga 20 por cento e em Munique doze por cento."


Palavras para quê?
Para quem já esteve em Amesterdão e vive em Setúbal, onde não conheço uma ciclóvia...

quarta-feira, junho 21

Rembrandt versus Caravaggio

Rembrandt

The Artists Son Titus At His Desk

1655


Caravaggio

Boy bitten by a Lizard

1595-1600

Ver dois gigantes da pintura numa única única exposição é um privilegio. Estes dois quadros eram, entre outros, confrontados como duas visões sobre um mesmo tema.

Aqui, a infância, é representada de forma bem diversa. Ambos os olhares revelam com crueza aspectos da natureza humana, “verdadeiros” e não idealizada, como até então se fazia sobre quase tudo e que estes dois pintores alteraram, de modo diverso mas igualmente intenso e magistralmente tratado.

Nos próximos posts vamos tentar proporcionar esse confronto – em exposição no Van Gogh Museum (Amesterdão) aqui no Memórias de Adriano.

terça-feira, junho 20

terça-feira, junho 13

Feliz


Numa altura em que se ouve tanto falar em divórcio, casar é já um facto insólito. Casar segunda vez é ainda mais estranho. Mas se vos disser que é com a mesma pessoa mas desta vez pela Igreja passa a ser estranhíssimo.
Pois é, após cinco anos de namoro, onze de casamento civil, dois filhos e muitas batalhas conjuntas vencidas vamos dar mais este passo cheio de significado e, esperamos que muito abençoado.
Assim pode ser o caminho do amor…Felicidades.