ficámos com a sensação que a proposta sobre a gestão das escolas foi apenas uma manobra de diversão...estaremos enganados?
Mas com que finalidade?????????
quinta-feira, setembro 28
Autonomia da gestão das escolas
e liberdade de escolha por parte das familias. Está agora a ser debatido no parlamento a propósito de um projecto de Lei apresentado pelo PSD. Não conhecemos o seu teor mas interessa-nos bastante a matéria em causa. Vamos ver...falaremos mais tarde,
terça-feira, setembro 26
Magritte
(1963)
by Rene Magritte
by Rene Magritte
Nem todas as janelas são de oportunidade.
Pela primeira vez colocamos aqui este pintor, mestre na (des) articulação de conceitos, signos e símbolos. Tornou a imagem no centro da sua abordagem.
segunda-feira, setembro 25
sábado, setembro 23
terça-feira, setembro 19
segunda-feira, setembro 18
Um desígnio para Setúbal

Vivemos numa região com grande potencial. Mas apesar do seu inquestionável valor paisagístico e ambiental, da sua costa litoral de grande qualidade e de estarmos inseridos na região portuguesa com maior rendimento per capita , a Área Metropolitana de Lisboa (AML), existe um problema estrutural que necessitamos enfrentar. Mesmo como capital de distrito, a cidade e o concelho de Setúbal apresentam um conjunto de indicadores ao nível da sua população, das suas condições sócio-económicas e educacionais, muito pouco animadores. Qual a razão? O seu perfil populacional está cada vez mais desadequado ao modelo económico, social e cultural do espaço geográfico e politico onde estamos inseridos: a Europa e o designado mundo ocidental.
A origem desta realidade está no tipo de desenvolvimento económico que a cidade e o concelho têm tido. Durante o último século assistimos a um aumento populacional considerável, o concelho passou de cerca de 25.000 habitantes, em 1900, para 114.000, em 2001, fruto de: duas vagas de industrialização, que apostaram em mão-de-obra intensiva, pouco qualificada e de baixo custo e também de uma descolonização apressada que, conjuntamente, com um contexto político e económico de nacionalização dos grandes “elefantes brancos”, prolongou, para além do razoável, um modelo há muito esgotado.
A concentração de uma população muito heterogénea, desenraizada e com pouca capacidade de reconversão laboral, criou um caldo de cultura deprimido, reivindicativo e avesso à mudança. A orfandade ideológica provocada pelos “amanhãs que deixaram de cantar” provocado pelos anos 80, onde se iniciou um processo de modernização e integração do país na “Europa”, acentuou, de forma mais evidente, os equívocos em que Setúbal estava mergulhada. Um conjunto largo da população mostrou-se desadaptado perante esta nova realidade, caindo rapidamente na dependência estrutural que o “estado social” fomentou. A concentração de uma faixa da população com maior fragilidade social, em certas zonas da cidade, tornou esta espiral depressiva mais difícil de resolver.
Por tudo isto, o fenómeno do desemprego é, aqui, mais sentido do que noutras zonas do país. No entanto, não é procurando proteger emprego desqualificado que vamos melhorar a situação. A solução é apostar na capacidade de adaptação laboral da nossa população. Para que esta tenha melhores empregos e por consequência melhor qualidade de vida. Uma das apostas é reconverter trabalhadores desadaptados em trabalhadores mais qualificados, outra é qualificar os jovens em idade escolar, para que estes tenham, à partida, melhores empregos e no caso de os perderem, poderem adaptar-se facilmente a outro. A primeira é uma intervenção de curto prazo e a segunda de médio e longo prazo. Mas ambas têm de começar a ser implementadas já.
O relatório Education at a Glance 2006, da OCDE, defende que o acesso a uma boa educação e formação é "central" para o bem-estar económico e social dos Estados e das pessoas.Com um bom nível de educação temos meio caminho andado para obter um bom emprego ou pelo menos por mais tempo. As taxas de emprego sobem à medida que as populações têm níveis de formação mais altos. É na educação e qualificação que é necessário apostar para combater o desemprego ou o emprego desqualificado. E não na protecção excessiva do mau emprego ou no alargamento da dependência social do Estado.
Assim, não é só para as crianças e jovens que o sistema de formação e ensino tem que encontrar respostas, mas também para os adultos que se queiram qualificar. Não só através da formação profissional mas também através do regresso à educação dita formal. Sim os nossos adultos têm de voltar à escola e a aposta numa (re) qualificação constante tem de ser encarada como uma actividade de mérito mas habitual. No caso português é fundamental conseguir vencer esta aposta, pois somos o último país da lista nas qualificações da população adulta (entre os 25-64) de acordo com o mesmo relatório da OCDE. O México e a Turquia são o penúltimo e antepenúltimo lugares - países onde, tal como no nosso, mais de metade deste escalão etário não completou o secundário. No topo da escala surge a Noruega, onde a permanência média no sistema educativo é de quase 14 anos.
Em Setúbal, com baixos indicadores escolares - comparativamente com a AML e com as cidades da sua dimensão e relevância - este desígnio é ainda mais importante para sair da espiral depressiva em que se encontra. A responsabilidade de o ganhar cabe a todos. No entanto, os poderes públicos têm particular responsabilidade em abrir caminho, criando condições para que todos possam cumprir a sua responsabilidade. A Carta Educativa, actualmente em discussão, pode ser um instrumento essencial para se atingir este objectivo. Falaremos dela num próximo artigo.
A origem desta realidade está no tipo de desenvolvimento económico que a cidade e o concelho têm tido. Durante o último século assistimos a um aumento populacional considerável, o concelho passou de cerca de 25.000 habitantes, em 1900, para 114.000, em 2001, fruto de: duas vagas de industrialização, que apostaram em mão-de-obra intensiva, pouco qualificada e de baixo custo e também de uma descolonização apressada que, conjuntamente, com um contexto político e económico de nacionalização dos grandes “elefantes brancos”, prolongou, para além do razoável, um modelo há muito esgotado.
A concentração de uma população muito heterogénea, desenraizada e com pouca capacidade de reconversão laboral, criou um caldo de cultura deprimido, reivindicativo e avesso à mudança. A orfandade ideológica provocada pelos “amanhãs que deixaram de cantar” provocado pelos anos 80, onde se iniciou um processo de modernização e integração do país na “Europa”, acentuou, de forma mais evidente, os equívocos em que Setúbal estava mergulhada. Um conjunto largo da população mostrou-se desadaptado perante esta nova realidade, caindo rapidamente na dependência estrutural que o “estado social” fomentou. A concentração de uma faixa da população com maior fragilidade social, em certas zonas da cidade, tornou esta espiral depressiva mais difícil de resolver.
Por tudo isto, o fenómeno do desemprego é, aqui, mais sentido do que noutras zonas do país. No entanto, não é procurando proteger emprego desqualificado que vamos melhorar a situação. A solução é apostar na capacidade de adaptação laboral da nossa população. Para que esta tenha melhores empregos e por consequência melhor qualidade de vida. Uma das apostas é reconverter trabalhadores desadaptados em trabalhadores mais qualificados, outra é qualificar os jovens em idade escolar, para que estes tenham, à partida, melhores empregos e no caso de os perderem, poderem adaptar-se facilmente a outro. A primeira é uma intervenção de curto prazo e a segunda de médio e longo prazo. Mas ambas têm de começar a ser implementadas já.
O relatório Education at a Glance 2006, da OCDE, defende que o acesso a uma boa educação e formação é "central" para o bem-estar económico e social dos Estados e das pessoas.Com um bom nível de educação temos meio caminho andado para obter um bom emprego ou pelo menos por mais tempo. As taxas de emprego sobem à medida que as populações têm níveis de formação mais altos. É na educação e qualificação que é necessário apostar para combater o desemprego ou o emprego desqualificado. E não na protecção excessiva do mau emprego ou no alargamento da dependência social do Estado.
Assim, não é só para as crianças e jovens que o sistema de formação e ensino tem que encontrar respostas, mas também para os adultos que se queiram qualificar. Não só através da formação profissional mas também através do regresso à educação dita formal. Sim os nossos adultos têm de voltar à escola e a aposta numa (re) qualificação constante tem de ser encarada como uma actividade de mérito mas habitual. No caso português é fundamental conseguir vencer esta aposta, pois somos o último país da lista nas qualificações da população adulta (entre os 25-64) de acordo com o mesmo relatório da OCDE. O México e a Turquia são o penúltimo e antepenúltimo lugares - países onde, tal como no nosso, mais de metade deste escalão etário não completou o secundário. No topo da escala surge a Noruega, onde a permanência média no sistema educativo é de quase 14 anos.
Em Setúbal, com baixos indicadores escolares - comparativamente com a AML e com as cidades da sua dimensão e relevância - este desígnio é ainda mais importante para sair da espiral depressiva em que se encontra. A responsabilidade de o ganhar cabe a todos. No entanto, os poderes públicos têm particular responsabilidade em abrir caminho, criando condições para que todos possam cumprir a sua responsabilidade. A Carta Educativa, actualmente em discussão, pode ser um instrumento essencial para se atingir este objectivo. Falaremos dela num próximo artigo.
Publicado hoje no Jornal de Setúbal
sábado, setembro 16
Oriana Fallaci



Esta jornalista Italiana de esquerda, que se notabilizou nos últimos anos ao escrever um livro a quente "A Raiva e o Orgulho" logo após o 11 de Setembro e, uns anos depois, com maior serenidade, "A Força da Razão”, morreu. Vítima de uma doença de Cancro, manteve uma luta aberta com a doença do seu corpo e com aquilo que considerava uma doença de alma na "nação" europeia. Segundo ela, esta estava a abdicar dos seus valores e por isso colocava-se de “cócoras” perante os árabes, correndo sérios riscos de nos tornarmos num enorme Al-Andalus, com a sua teoria da Eurábia.
A sua visão não era exactamente a nossa mas apreciávamos-lhe a qualidade rara da frontalidade e da coragem. Recusando o “politicamente correcto” tão em voga na opinião publicada actual e desmistificando a ideia dos países árabes “coitadinhos”. A sua feminilidade tinha ganho uma natural aversão à condição a que a cultura muçulmana remetia as mulheres. Num repúdio epidérmico antes mesmo de racional. E assim foi a sua reflexão final, após o 11/9. Primeiro uma reacção emocional e desesperada depois outra mais calma e atenta.
Uma última homenagem a uma bela e corajosa mulher que fazia questão de mostrar o rosto. Nascida em Florença em 29 de Junho, Oriana Fallaci deixou-nos com 77 anos.
sexta-feira, setembro 15
Dia de Bocage e da Cidade de Setúbal

O DESENGANO
Alma ferida e cega,
Que em grilhões vergonhosos
Adoras a mão ímpia que te entrega
A males tão cruéis e tão penosos,
Como os que sentem no maldito Averno
Os condenados entre o lume eterno;
Alma cega e perdida,
Que a doce liberdade,
O gosto, as horas, o descanso, a vida
Consagras à maligna divindade,
Antes ao monstro, que produz, que gera
Veneno inda pior que o de Megera,
Basta, faze em pedaços
(Porque a razão te grita)
Faze, que é tempo, esses indignos laços,
Essas cadeias vis. Ó alma aflita,
A virtude, a verdade, o Céu te valha;
Vence a terrível, infernal batalha!
Conhece o baixo objecto,
Que em triunfo te arrasta.
Cuidas que um meigo, deleitoso aspecto
Para dourar os teus excessos basta?
Cuidas que um belo riso, um ar benigno,
Filho da infâmia, de ternura é digno?
Que engano! A formosura
Sem modéstia, sem pejo,
Tédio, tédio merece, e não ternura.
Eia, pois, de um frenético desejo
Enfreia, apaga os ímpetos, a chama,
E lava a nódoa com que amor te infama.
Que afronta! Que vileza!
Alma triste, alma escrava
De uma profana, sensual beleza,
De uns olhos falsos donde Amor te crava
Mil setas, cuja ponta aguda e forte
Ervou no opaco Inferno a mão da Morte,
Rasga o véu da cegueira
Fatal que te alucina;
Observa a criminosa, a lisonjeira;
Observa a loba má, que te domina;
Vê seus dolosos beiços nacarados
Fartando peitos vis com vis agrados.
Contempla a desprezível:
De afagos nunca escassa,
Sem pudor, para todos é sensível;
Este chama, outro anima, aquele abraça;
Ei-la com frouxos ais, húmidos beijos,
Matando num minuto a mil desejos.
Olha aonde te abrasas:
Em torno dela, o Vício
Bate as lodosas peçonhentas asas;
E, qual submissa ovelha ao sacrifício,
Ele de Vénus ao altar nefando
A leva pela mão, de quando em quando.
As lágrimas que viste
Na pérfida, que adoras,
São gerais; os suspiros que lhe ouviste,
Não são teus, são comuns; alegres horas,
Como contigo, com mil outros passa.
Vê-lhe a baixeza, esquece-te da graça.
Por gosto e por costume,
Não por domar a ardência
Do teu negro, pestífero ciúme,
Te sacrifica os teus rivais na ausência,
Que, em favor das trições com que trafica,
N’ausência aos teus rivais te sacrifica.
Ó alma! Ó liberdade!
Eu vos sinto abaladas
Pelas vozes da rígida verdade.
Vossas cadeias, por Amor forjadas,
Desejais sacudir… Sim, já vos vejo
Olhar os ferros com horror, com pejo.
Estais já forcejando
Contra o peso insofrível.
Ó liberdade! Ó alma! Estais bramando
Com ânsia, com furor, crendo impossível
Romper, despedaçar tão fixos laços
Sem o socorro de celestes braços.
A fraca humanidade
Para tanto não basta.
Assim é; mas implore-se a piedade
De um Sacro Velho que os mortais afasta
Do quase inevitável precipício,
E ante quem treme o erro e pasma o vício.
Vai pois, Canção, procura o Desengano,
Ele socorre aqueles que o procuram,
Ele o bálsamo dá com que se curam
As feridas que faz Amor tirano.
Opera omnia, dir. Hernâni Cidade, preparação do texto e notas de José Gonçalo Herculano de Carvalho e António Salgado Júnior, vol.II, Lisboa : Bertrand, 1969
terça-feira, setembro 12
Cinzas, Sombras e Novoeiro
segunda-feira, setembro 11
domingo, setembro 10
Figueirinha
Silêncio
Tirada 5
110x110 (2001)
"Se soubéssemos quantas e quantas vezes as nossas palavras são mal interpretadas, haveria muito mais silêncio neste mundo"
Oscar Wilde
sábado, setembro 9
Star Wars
sexta-feira, setembro 8
quarta-feira, setembro 6
segunda-feira, setembro 4
Génesis

Fazendo uma referência directa ao Génesis Bíblico este filme de Claude Nuridsany e Marie Pérennou, não pretende ser uma discrição bíblica nem apenas um documentário “cientifico”. Faz uma síntese do conhecimento disponível, onde o centro é a vida, focando todas as componentes estruturantes desta (o tempo, o amor, a sedução, a reprodução, a sobrevivência, o nascimento e a morte), na sua medida justa. A relação do infinitamente grande com o infinitamente pequeno é extraordinária. E a beleza das imagens a das cenas escolhidas é soberba. O narrador – um velho ancião negro – faz da narração um caminho sem desvios, entre o imprescindível e o misterioso.
Belo, complexamente simples e essencial.
A ver, se possível em família.

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