sexta-feira, novembro 3

Medina Carreira em Setúbal.


Ontem tivemos o prazer de conhecer Medina Carreira (MC). Pessoalmente é ainda mais directo e menos polido. Pode-se mesmo dizer desbocado. Mas com muia graça.
Gostaríamos que parte, bastava só uma parte, das nossas elites tivessem a sua frontalidade e honestidade intelectual. O que espanta em MC é uma aliança entre o rigor do discurso e da atitude conjugada com um desprendimento relativamente ao “status quo”. Um homem raro. Vale a pena dar-lhe tempo de antena.

Foi numa reunião partidária – PSD da Secção de Setúbal – que podemos ter o prazer de ouvir algo que à muito pensamos.

Sobre o Orçamento para 2007 disse qualquer coisa como:

"Ser um absurdo o maior partido da oposição, com o seu passado recente, não o votar favoravelmente."

Sobre a pergunta “poderá o PSD obrigar o PS a fazer o que tem de ser feito, endireitar o défice sem correr o risco de existir uma crise no país, por não existir alternativa politica no país?”, respondeu:

"Só se deve falar verdade. Ganhar as eleições com mentiras é perder as eleições a prazo. As mentiras deixam a população desorientada sem referencial de verdade. Logo descrente e pronta a votar no próximo mentiroso, não o deixando governar de seguida. Perdem todos. Mais vale ter paciência. Dizer a verdade. E esperar para poder ganhar as eleições. E em verdade governar."

Coisas simples, mas muito sérias.

Continuemos a ouvi-lo com toda a atenção.

terça-feira, outubro 31

Algumas considerações sobre o Aborto



O actual referendo sobre o Aborto levanta-nos os seguintes comentários eventualmente desconexos, mas sentidos e reflectidos:

Este assunto poderia e deveria ser resolvido na Assembleia da Republica. Existem diversas propostas na mesa para que assim seja. Mais à esquerda ou mais à direita mas fundamentalmente ao centro. São os extremos político partidários que mais reclamam a realização deste referendo.

As pessoas moderadas, com experiência de vida e com uma consciência profunda da natureza humana e das contradições entre o desejo e a realidade sabem que este assunto é, no mínimo controverso. Votar num sentido ou noutro é sempre, de alguma forma votar sempre contra uma parte de nós.

Ao longo do último referendo falamos com muitas pessoas sobre este assunto e notámos um grande incómodo na sua abordagem. Muitas delas, quanto mais se falava, menos vontade tinham de votar. Se bem nos recordamos, também então, as sondagens pela despenalização do Aborto eram maiores. No entanto, o resultado foi o que se viu.

Concordamos com a opinião expressa por D. José Policarpo, a sociedade não vai superar os 50% de participação neste referendo. Quanto mais se falar mais aumentará a abstenção.

Não parece ser útil a ninguém, este referendo. A não ser aos extremistas ou aos que querem “um tira teimas” em relação ao último "não". E ainda ao Eng. Sócrates que mantém a malta distraida durante uns tempos.

Por isto tudo parece-nos desnecessário.

Mas e então e o pensamos nós sobre o Aborto?

Devemos dizer que evoluímos nesta matéria. E o facto de nos termos tornado pais, entretanto, não é um facto de somenos importância. Hoje em dia somos, fundamentalmente, a favor da vida humana. Em todas as suas dimensões e com todas as suas consequências.

Mas não nos sentimos em condições de julgar… Apesar de acharmos que a lei deve dar um sinal claro à sociedade sobre o que acha certo e errado. E o aborto é errado, na nossa opinião.
Por isso concordamos com uma solução que não coloque as mulheres na cadeia, mas que não dê um sinal liberalizador ao recurso "Aborto".

Devemos por isso aprofundar todos os meios para consagrar a vida. Devemos falar verdade. Devemos dizer aos jovens que se tiverem relações sexuais podem vir a ter filhos. Mesmo com contracepção. Esta é eficaz, mas nunca a 100%.

O sexo deixou de ser considerado “reprodutivo” e passou a ter apenas a dimensão do prazer. Uma e outra são falsas. Mas ambas são verdadeiras. E isso parece estar esquecido hoje em dia.

Ter filhos é considerado, na nossa sociedade, um luxo e uma chatice. São caros, barulhentos e não trazem vantagens à sua “qualidade de vida”. Pensam eles...Mas estão enganados...

Para ter filhos é preciso ter esperança no futuro. E hoje são poucos os que, entre nós, a têm. E ainda menos os que querem ter um compromisso para a vida. Dá muito trabalho e despesa. Este é o ponto em que nos encontramos.

É verdade que hoje o aborto é um contra-senso. A contracepção é difundida, não o suficiente, sabemos, mas existe e está disponível. Ao Estado, cabe hoje, apoiar o nascimento de mais crianças. E não promover o seu contrário.

Não queremos, por isso, dar mais publicidade a este assunto. Falar sobre o Referendo ao "Aborto", ou como lhe queiramos chamar, é, no nosso entender, uma inutilidade e um dispêndio de energia sem sentido.

Boa temporada.

domingo, outubro 29

Agustina de novo.


Fotografia de "Nasci Adulta e Morrerei Criança" gravado em alta definição, com pós-produção de Pedro Clérigo, imagem e direcção de fotografia de Jorge Afonso, com guião da jornalista Anabela Almeida.



Parece que vamos ter de novo a oportunidade de nos deliciarmos com Agustina Bessa Luís e na companhia de Maria João Seixas em conversas numa viagem em torno da pátria dos provérbios e dos aforismos.

Hoje na RTP1 pelas 23.45h.

sexta-feira, outubro 27

XII Jornadas da Associação dos Urbanistas Portugueses

A realizar hoje, Sábado e Domingo, em Almada - Forum Municipal Romeu Correia.

Com o tema :

"Operacionalização dos Instrumentos de Gestão Territorial".

É ai que vamos estar.

quarta-feira, outubro 25

O Canal do Panamá ou um novo Sebastianismo tornado recurso.


O Panamá foi a referendo no Domingo passado. Martín Torrijos, o actual Presidente empenhou-se na aprovação do alargamento do Canal, que a não ser assim estaria condenado à inutilidade a partir de 2012. O aumento do cumprimento a largura dos navios não permitia a sua passagem com a actual dimensão do Canal. Assim à que alargá-lo.

O Presidente diz que o novo fôlego para esta infraestrutura vai permitir que 37% da população do Panamá saia da miséria quase absoluta em que se encontra. 78% dos votantes disseram acreditar neste milagre. Apesar de, no imediato, o país se endividar consideravelmente e de existirem alguns problemas ambientais o povo, não deu ouvidos aos maus agouros e acreditou no milagre.

Curioso é verificar que a América Latina parece ter encontrado uma nova ideologia: O Sebastianismo. Agora não personalizado mas tornado em recurso. Primeiro o petróleo na Venezuela e no Peru. Agora o Canal. Não será muita água?…

domingo, outubro 22

Jantar de Bloggers em Setúbal

A experiência de um primeiro encontro, ao jantar, de um grupo de pessoas que não se conhecia, pelo menos na sua maioria, não deixou de ser interessante. Foi a nossa primeira vez. Mas ficamos com uma boa sensação. Podíamos repetir. Até porque por já sermos alguns, não deu para todos poderem comunicar convenientemente. Mas um começo é sempre um começo. E Roma e Pavia…
Tivemos que abandonar o recinto antes do fim das hostilidades gastronómicas. No entanto, não deixamos de comer o belíssimo bolo de requeijão do Labutes, já em casa com as crianças.
Fotografia "roubada" ao David

sexta-feira, outubro 20

David Mourão Ferreira



David Mourão-Ferreira: Duvidádiva
Especial dedicado à vida e obra de David Mourão Ferreira, professor e divulgador de literatura, tradutor, ensaísta, poeta e romancista. Um retrato construído com base nos textos do escritor, bem como a partir de declarações de alunos e amigos próximos. Muito bem realizado.
Na Madrugada de 5 para sexta.

quinta-feira, outubro 19

Perfeição






A Sul Coreana Bae Mul Eum,oferece-nos este magnifico voo na trave. Perfeito. Durante a 39º Campeonato Mundial de Ginástica Artística em Aarhus, Dinamarca. Registado pela câmara de Max Rossi e divulgado pela Reuters.

terça-feira, outubro 17

Agustina


Hoje às 0.25 horas na RTP2

Agustina Bessa Luís, tal como Picasso que no fim da sua infância já desenhava - do ponto de vista académico -de uma forma perfeita, tendo, segundo o próprio, o resta da vida para voltar ver como uma criança. Esta escritora diz "Nasci Adulta E Morrerei Criança". É sem dúvida uma sábia, desde o seu primeira romance publicado; "Sibíla". Quanta maturidade e persepção da natureza humana.
Não vi este documentário, mas o tema promete. Segunda a programação:

"Agustina Bessa-Luís fala da sua infância, das suas memórias, da vida de retiro no Douro, das aventuras da sua juventude, do início da longa carreira como escritora e do amadurecimento da sua experiência. João Bénard da Costa, Manoel de Oliveira, Eduardo Prado Coelho, Inês Pedrosa, Pedro Mexia, Alberto Vaz da Silva, Laura Mónica Baldaque e Francisco Cunha Leão contam episódios únicos das suas relações com a autora."

Promete...



sábado, outubro 14

Luis Barragan





Luis Barragan

Torres de Satélite

1957
Luis Barrágan (1902-1988) é um grande arquitecto Mexicano, que começando por ser marcadamente “Moderno” se vai reencontrando com a tradição arquitectónica Mexicana. Neste monumento, na entrada norte da Cidade do México onde se vê todo o vale urbanizado, Barrágan oferece uma pré-cidade abstracta e evocativa da própria urbanidade ao fundo. Criando um conjunto de torres com perspectivas “cubistas” para acentuar o movimento observado pelos automóveis que percorrem as vias que o circundam.

Boa Vasco mas...


Vasco Pulido Valente fez ontem um artigo no Público – na sua habitual crónica da última página – de uma extraordinária perspicácia. Sobre Sócrates diz que é o puro engano pensar que este é um reformista. É apenas um pragmático que gosta do poder e percebeu ter de poupar para cumprir o pacto de estabilidade imposto por Bruxelas. No fundo um “bom aluno” com tiques autoritários. Não pretende reformar nada, apenas cortar no que pode mantendo o mesmo Estado-providência mas mais barato.

Diz ainda VPV que a “direita está encantada com este PS, que faz por ela o "trabalho sujo", à sombra de uma vaga autoridade de esquerda.” No entanto, sendo esta uma vantagem inquestionável num país com tiques de esquerda, este governo anunciou ser para o fim de 2007 a reforma central “Num país com 750.000 funcionários públicos, a verdadeira "revolução" não é "tecnológica" ou "científica", é a libertação da sociedade de um Estado que a sufoca e de que ela depende. Ora, nesta matéria, Sócrates não se atreveu até agora a tocar.” Como em 2007 estamos a um ano de novas eleições, parece que mais um vez estamos sem reforma do Estado.

Sobre tudo isto concordamos com VPV mas, não é agora necessário um pragmático com um vago pano de fundo ideológico para obrigar o país a mudar? Mesmo que seja “apenas” para manter o poder. No essencial não será ele uma espécie de Cavaco pós -moderno, mais cínico e com menos sonhos? E não foi o Cavaquismo que, apesar de tudo, nos mudou mais enquanto país e como povo nos últimos trinta anos?

De outra geração, Sócrates, verificou e confirmou a dificuldade de criar o “novo português” através das “reformas estruturais” que VPV tanto criticou como objectivo “mítico” do Cavaquismo. Ao desistir desse desiderato concentrou-se apenas no essencial (para ele): ser um “bom aluno” na Europa e manter o poder. Para o conseguir, o Primeiro-ministro, parece ter entendido não poder alterar ou abdicar do Estado que herdou, apenas pretende emagrecê-lo e domesticá-lo. Mesmo que com isso empobreça todos os portugueses, tornando-os mais dependentes do governo. O pior é que a velha história do “pobres mas honrados” parece continuar a ecoar na consciência colectiva dos portugueses. Assumindo agora uma nova sigla “pobres mas seguros” porque a honra é hoje um conceito do passado.

Também Cavaco deixou a reforma do Estado por fazer. Teve condições únicas para o fazer. Muito dinheiro a entrar e duas maiorias absolutas. Dizem os mais simpáticos que não podia ter feito tudo. Não nos serve de consolo, foi para nós a sua grande falha enquanto governante, apesar de o considerarmos o melhor Primeiro-ministro do pós 25 de Abril. Será o Estado irreformável em Portugal e em democracia?
Queremos acreditar que não. No entanto no seu código genético o PS não é reformista mas “socialista” e “estatizante”. O PSD foi historicamente o portador de ideias de ruptura e construtor de reformas. Bem sabemos que o passado recente não transporta boas recordações, mas, pensamos que tem de estar à altura dos novos desafios. E estes não são o de defender os “deserdados”, presentes ou futuros deste governo. Mas exigir verdadeiras reformas. Sabendo que isso tem custos. Não escondendo esses custos ao eleitorado. E ser muito exigente no cumprimento das transformações necessárias ao país. A oposição do PSD deve ser claramente na defesa da reforma do Estado. Não apenas no "apertar do cinto" do funcionários públicos mas na mudança da estrutura do Estado e na melhoria do seu desempenho.
O Estado não pode estar em todo o lado. Tem de fazer bem o que lhe compete. Deixando a sociedade fazer o resto. E remeter-se para as suas funções essenciais. Soberania, segurança, justiça, regulação e pouco mais. Tudo o resto deve ser descentralizado, concessionado, privatizado e o que é inútil extinto.

A única politica nova em Portugal é a de liberalizar mais o país, no sentido de o tornar menos dependente do Estado. Não é popular, bem o sabemos, mas é indispensável. Os problemas envolvidos na resolução do défice deviam ser um motivo para o conseguir. Mas o actual governo parece não ser capaz de o fazer sozinho. Sócrates como vimos atrás fará só o que for estritamente necessário. O maior partido da oposição tem, por isso, a obrigação de o obrigar a fazer. Propondo medidas alternativas que pretendam ir mais fundo e mais longe neste objectivo de modernizar e liberalizar o país. Se o PSD se transformar apenas numa “caixa de ressonância” dos descontentes da mudança, não terá espaço político para agir. Mesmo ganhando as eleições continuará refém da inércia. E a Portugal restará continuar a empobrecer. Lentamente.

terça-feira, outubro 10

Movimento "Cubista"



Marcel Duchamp

Nu descendo uma escada

1912

O Cubismo em todo o seu esplendor. A introdução da dimensão tempo na tela permitiu ao pintor retratar os diversos pontos de vista do observador em duas dimensões. Poucas vezes de uma forma tão sublime como nesta obra, na nossa modesta opinião. O movimento, aqui retratado, é colocado como “tema” da (de)composição. A pintura plasma a acção, deixando definitivamente, mesmo a figurativa, de retratar o instante para passar a incorporar a mudança, quer do observador quer do observado.

Duchamp andará mais tarde ligado ao Dadaismo, anunciando a morte da Arte – quantas vezes anunciada – através da subversão dos seus códigos. Mas poucas vezes terá sido tão bem sucedido como nesta obra.

Magia


Kurt Schwitters
(1887-1948)

Magic

1936-40


Como a Arte se pode fazer de tão pouco. Este pintor alemão "Dadaista" consegue realizar magia "apenas" com um conjunto de papeis cortados e colados.