quarta-feira, outubro 18

terça-feira, outubro 17

Agustina


Hoje às 0.25 horas na RTP2

Agustina Bessa Luís, tal como Picasso que no fim da sua infância já desenhava - do ponto de vista académico -de uma forma perfeita, tendo, segundo o próprio, o resta da vida para voltar ver como uma criança. Esta escritora diz "Nasci Adulta E Morrerei Criança". É sem dúvida uma sábia, desde o seu primeira romance publicado; "Sibíla". Quanta maturidade e persepção da natureza humana.
Não vi este documentário, mas o tema promete. Segunda a programação:

"Agustina Bessa-Luís fala da sua infância, das suas memórias, da vida de retiro no Douro, das aventuras da sua juventude, do início da longa carreira como escritora e do amadurecimento da sua experiência. João Bénard da Costa, Manoel de Oliveira, Eduardo Prado Coelho, Inês Pedrosa, Pedro Mexia, Alberto Vaz da Silva, Laura Mónica Baldaque e Francisco Cunha Leão contam episódios únicos das suas relações com a autora."

Promete...



sábado, outubro 14

Luis Barragan





Luis Barragan

Torres de Satélite

1957
Luis Barrágan (1902-1988) é um grande arquitecto Mexicano, que começando por ser marcadamente “Moderno” se vai reencontrando com a tradição arquitectónica Mexicana. Neste monumento, na entrada norte da Cidade do México onde se vê todo o vale urbanizado, Barrágan oferece uma pré-cidade abstracta e evocativa da própria urbanidade ao fundo. Criando um conjunto de torres com perspectivas “cubistas” para acentuar o movimento observado pelos automóveis que percorrem as vias que o circundam.

Boa Vasco mas...


Vasco Pulido Valente fez ontem um artigo no Público – na sua habitual crónica da última página – de uma extraordinária perspicácia. Sobre Sócrates diz que é o puro engano pensar que este é um reformista. É apenas um pragmático que gosta do poder e percebeu ter de poupar para cumprir o pacto de estabilidade imposto por Bruxelas. No fundo um “bom aluno” com tiques autoritários. Não pretende reformar nada, apenas cortar no que pode mantendo o mesmo Estado-providência mas mais barato.

Diz ainda VPV que a “direita está encantada com este PS, que faz por ela o "trabalho sujo", à sombra de uma vaga autoridade de esquerda.” No entanto, sendo esta uma vantagem inquestionável num país com tiques de esquerda, este governo anunciou ser para o fim de 2007 a reforma central “Num país com 750.000 funcionários públicos, a verdadeira "revolução" não é "tecnológica" ou "científica", é a libertação da sociedade de um Estado que a sufoca e de que ela depende. Ora, nesta matéria, Sócrates não se atreveu até agora a tocar.” Como em 2007 estamos a um ano de novas eleições, parece que mais um vez estamos sem reforma do Estado.

Sobre tudo isto concordamos com VPV mas, não é agora necessário um pragmático com um vago pano de fundo ideológico para obrigar o país a mudar? Mesmo que seja “apenas” para manter o poder. No essencial não será ele uma espécie de Cavaco pós -moderno, mais cínico e com menos sonhos? E não foi o Cavaquismo que, apesar de tudo, nos mudou mais enquanto país e como povo nos últimos trinta anos?

De outra geração, Sócrates, verificou e confirmou a dificuldade de criar o “novo português” através das “reformas estruturais” que VPV tanto criticou como objectivo “mítico” do Cavaquismo. Ao desistir desse desiderato concentrou-se apenas no essencial (para ele): ser um “bom aluno” na Europa e manter o poder. Para o conseguir, o Primeiro-ministro, parece ter entendido não poder alterar ou abdicar do Estado que herdou, apenas pretende emagrecê-lo e domesticá-lo. Mesmo que com isso empobreça todos os portugueses, tornando-os mais dependentes do governo. O pior é que a velha história do “pobres mas honrados” parece continuar a ecoar na consciência colectiva dos portugueses. Assumindo agora uma nova sigla “pobres mas seguros” porque a honra é hoje um conceito do passado.

Também Cavaco deixou a reforma do Estado por fazer. Teve condições únicas para o fazer. Muito dinheiro a entrar e duas maiorias absolutas. Dizem os mais simpáticos que não podia ter feito tudo. Não nos serve de consolo, foi para nós a sua grande falha enquanto governante, apesar de o considerarmos o melhor Primeiro-ministro do pós 25 de Abril. Será o Estado irreformável em Portugal e em democracia?
Queremos acreditar que não. No entanto no seu código genético o PS não é reformista mas “socialista” e “estatizante”. O PSD foi historicamente o portador de ideias de ruptura e construtor de reformas. Bem sabemos que o passado recente não transporta boas recordações, mas, pensamos que tem de estar à altura dos novos desafios. E estes não são o de defender os “deserdados”, presentes ou futuros deste governo. Mas exigir verdadeiras reformas. Sabendo que isso tem custos. Não escondendo esses custos ao eleitorado. E ser muito exigente no cumprimento das transformações necessárias ao país. A oposição do PSD deve ser claramente na defesa da reforma do Estado. Não apenas no "apertar do cinto" do funcionários públicos mas na mudança da estrutura do Estado e na melhoria do seu desempenho.
O Estado não pode estar em todo o lado. Tem de fazer bem o que lhe compete. Deixando a sociedade fazer o resto. E remeter-se para as suas funções essenciais. Soberania, segurança, justiça, regulação e pouco mais. Tudo o resto deve ser descentralizado, concessionado, privatizado e o que é inútil extinto.

A única politica nova em Portugal é a de liberalizar mais o país, no sentido de o tornar menos dependente do Estado. Não é popular, bem o sabemos, mas é indispensável. Os problemas envolvidos na resolução do défice deviam ser um motivo para o conseguir. Mas o actual governo parece não ser capaz de o fazer sozinho. Sócrates como vimos atrás fará só o que for estritamente necessário. O maior partido da oposição tem, por isso, a obrigação de o obrigar a fazer. Propondo medidas alternativas que pretendam ir mais fundo e mais longe neste objectivo de modernizar e liberalizar o país. Se o PSD se transformar apenas numa “caixa de ressonância” dos descontentes da mudança, não terá espaço político para agir. Mesmo ganhando as eleições continuará refém da inércia. E a Portugal restará continuar a empobrecer. Lentamente.

terça-feira, outubro 10

Movimento "Cubista"



Marcel Duchamp

Nu descendo uma escada

1912

O Cubismo em todo o seu esplendor. A introdução da dimensão tempo na tela permitiu ao pintor retratar os diversos pontos de vista do observador em duas dimensões. Poucas vezes de uma forma tão sublime como nesta obra, na nossa modesta opinião. O movimento, aqui retratado, é colocado como “tema” da (de)composição. A pintura plasma a acção, deixando definitivamente, mesmo a figurativa, de retratar o instante para passar a incorporar a mudança, quer do observador quer do observado.

Duchamp andará mais tarde ligado ao Dadaismo, anunciando a morte da Arte – quantas vezes anunciada – através da subversão dos seus códigos. Mas poucas vezes terá sido tão bem sucedido como nesta obra.

Magia


Kurt Schwitters
(1887-1948)

Magic

1936-40


Como a Arte se pode fazer de tão pouco. Este pintor alemão "Dadaista" consegue realizar magia "apenas" com um conjunto de papeis cortados e colados.

segunda-feira, outubro 9

Marés Vivas


Estas são as verdedeiras marés vivas. Resultado de um alinhamento entre o sol, a terra e a lua (cheia) provoca este fenómeno pouco habitual. O alinhamento do sol, quase em equinócio, com o equador reforça a força exercida sobre as águas. Esta fotografia - do Público de hoje (mas tirada Domingo à tarde)- ilustra a lindíssima Capela da Senhora da Pedra, em Miramar, Vila Nova de Gaia, quase rodeada de mar.

sábado, outubro 7

Volver

Voltar (volver) é o último filme de Pedro Almodóvar, com Penélope Cruz e Cármen Maura. Esta última ausente há muitos anos das suas películas, por alegada incompatibilidade de personalidades entre esta e o seu realizador de eleição.

Este filme é um reencontro com a “Ibéria” profunda. É extraordinário verificar ao longo da narrativa, dos planos da história, um modo de vida, num universo quase inteiramente dominado por mulheres, tão próximo do nosso. Ou pelo menos dos de quem ainda teve ou tem raízes na província. No nosso caso ainda mais evidente pela proximidade paisagística entre a la Mancha natal de Almodóvar e o nosso Alentejo. Num mundo rural onde a morte ainda faz parte da vida e em que os mortos estão sempre presentes entre os vivos. Podemos aqui verificar que estamos muito mais próximos de nossos “hermanos” do que poderíamos supor. Pelo menos no que temos de mais profundo. Pensamos que será difícil entender cabalmente este filme se não se for, pelo menos, “latino”.

A crueza da vida neste universo feminino, feito de pequenas misérias e grandes perdões que ao longo do filme se vão revelando é revelada em toda a sua força. Uma história aparentemente fantástica ou mesmo surrealista mas de um realismo quase cru. A intensa interpretação das duas protagonistas dá o restante salero. Um filme de mulheres – e como Almodóvar sabe retratá-las bem, conseguindo tornar as mais feias em encantadoras “chicas” – e sobre mulheres para o mundo. Voltar é um regresso às nossas origens.
A não perder.

As negras carpideiras, que desempenham para o bem e para o mal o amparo nestas ocasiões.
O início do filme começa com a "limpeza" da campa, de todas as campas do cemitério, por um dos seus familiares. Um retrato que poderemos observar no 1 ou 2 de Novembro (dia dos mortos, ou de finados, se preferirem).


O funeral cheio de velhos por serem eles os que mais a (pre)sentem mas também pelo envelhecimento desta povoações rurais.


A musica e a canção como forma de regresso à vida.


As duas musas do filme, trabalhando.

Vieira da Silva (Helena)



Vieira da Silva

"Bibliothèque en Feu"

(1974)
Um dos nossos favoritos desta pintora do labirinto...

quinta-feira, outubro 5

Reflexões sobre a Arrábida 1


Num dia como o de hoje, em que o tempo é mais “elástico”, a vantagem de morar perto desta magnifica serra e deste deslumbrante rio é podermos, em 5 minutos estar, em família, a usufruir de tudo isto. Não é uma vantagem de somenos, para quem como nós faz da qualidade um objectivo central de vida. Os Setubalenses podem queixar-se de muita coisa e em muita dela com razão, mas não se podem queixar da natureza que os envolve.


A nascente de Albarquel, Setúbal ao fundo o Estuário do Sado, com a Península da Mitrena (zona industrial) com necessidade urgente de reconversão ambiental. Não pensamos que a industria tem de sair, apenas temos que a tornar mais amiga do ambiente. Sabemos que é caro. Mas estar numa região ambientalmente privilegiada, na Europa, tem de deixar de ser “para quem quer" e passar a ser só "para quem pode”. Esta praia vai ligar com a cidade através de um percurso maritimo, fronteiro a parque urbano, tornando-se a praia urbana, que a cidade deixou de ter durante o século passado.


A sul temos esta espectacular península de areia com nome clássico, Tróia. A nossa expectativa é a de que o “cavalo” desta vez traga no seu interior um turismo de elevada qualidade e para todo o ano. Assim saiba Setúbal acolher a especificidade do turista que vai procurar este lugar.


A serra com a praia em todo o seu esplendor. Apesar desta última ter de criar melhores infra-estruturas de serviço para os seus visitantes.

O confronto entre duas realidades da mesma serra. A beleza e os perigos que a espreitam.

O já velho problema da Secil que acaba por pagar o ónus por todas as "maldades" que a serra sofre. Sendo, no entanto, a única que contribue para a reflorestação provocada pelo efeito das pedreiras. A serra é devastada por muitas outras pedrieras, especialmente já no concelho de Sesimbra mas dessas ninguém fala. Não tem rosto e estão mais escondidas. Esperemos que este cenário de exploração de um parque natural por este tipo de actividade tenha os dias contados.


Uma das poucas imagens que sobram do tempo em que João Bénard da Costa era menino. Este magnifico exemplo de integração - realizado por Raúl Lino - que é a "Comenda" também encerra alguns perigos. O actual proprietário, promotor da maior urbanização clandestina de Portugal, a Quinta do Conde e adjacências, não terá comprado o imóvel para passar a sua velhice. Está, concerteza à espera da oportunidade de transformar esta grande propriedade num resort (como hoje se diz). O turismo para a Arrábida também tem muito que se lhe diga...

Bom feriado e Boa República.

terça-feira, outubro 3

Público de volta na rede


Somos assinantes do Público on-line mas não deixamos de ficar muito satisfeitos por este ter tornado novamente acessivel o Público na rede. Sem , no entanto, ter dado novas condições aos aderentes.

Assim podemos destacar uma série de artigos que os meus caros amigos podem consultar à distância de um “clique”.

Destaco na 5ºFeira o artigo de Pacheco Pereira "A favor da Turquia" entrar na CE com a qual concordamos inteiramente.

No mesmo dia Rui Ramos escreve “Uma geração enganada” que coloca o dedo numa ferida que temos de desenvolver um dia destes. Existe a possibilidade de romper o “contrato de geração” que tem permitido a sustentação do nosso sistema de protecção social e que consta em serem os questão a trabalhar hoje a pagar os que estão desempregados e reformados, sendo os nossos filhos a pagar amanhã as nossas pensões. No entanto com a excessiva protecção dos “instalados” no sistema está a tornar a vida das novas gerações absolutamente assimétricas em relação a estes. Numa sociedade cada vez mais imediatista e individualistas estarão os mais novos dispostos a pagar a factura por inteiro? Este artigo denuncia a situação sem a desenvolver cabalmente mas o gérmen está identificado.


Na 6ºFeira Esther Mucznik fala-nos d’ “O "aborrecimento metafísico"” em que estamos envolvidos na Europa apoiando, apesar de ser judia, a linha adoptada pelo Papa Bento XVI, no seu debate “cultural” e civilizacional que a Igreja tem de travar para voltar a ter “participar no espaço público, não apenas como guardiã indispensável da tradição, mas também com uma intervenção intelectual e social, ética e espiritual adequada à realidade de hoje”. Para além disso faz um óptimo diagnóstico das razões pelas quais “No Ocidente europeu a religião tem má fama”.


Por último apesar de muito duro com os autarcas – também o somos – no essencial António Barreto tem razão no diagnóstico que faz ao seu actual comportamento em ."A chantagem autárquica" A “terapêutica” também nos parece correcta apesar de nas actuais circunstâncias orçamentais ser complicado aplicá-la na íntegra.

domingo, outubro 1

sexta-feira, setembro 29

Auto censura

Já tinha começado mas ainda não tinha sido declarada oficialmente. Hoje na Alemanha uma ópera foi suspensa em Berlim por se “suspeitar” poder ofender a comunidade muçulmana e por isso poder por em perigo os espectadores e os actores.

Mais curioso foi o líder da comunidade islâmica na Alemanha considerar errada a decisão tomada pela directora do teatro. Curioso mundo este onde estamos a viver.

O medo nunca foi bom conselheiro…

quinta-feira, setembro 28

Infelizmente

ficámos com a sensação que a proposta sobre a gestão das escolas foi apenas uma manobra de diversão...estaremos enganados?
Mas com que finalidade?????????

Autonomia da gestão das escolas

e liberdade de escolha por parte das familias. Está agora a ser debatido no parlamento a propósito de um projecto de Lei apresentado pelo PSD. Não conhecemos o seu teor mas interessa-nos bastante a matéria em causa. Vamos ver...falaremos mais tarde,

terça-feira, setembro 26

Magritte


The Field Glass
(1963)

by Rene Magritte
Nem todas as janelas são de oportunidade.
Pela primeira vez colocamos aqui este pintor, mestre na (des) articulação de conceitos, signos e símbolos. Tornou a imagem no centro da sua abordagem.

segunda-feira, setembro 25

Outono


Finalmente parece que esta bela Estação se quer afirmar. A mais nostálgica e convidativa à reflexão, o Outono é, também por isso, a nossa preferida.

segunda-feira, setembro 18

Um desígnio para Setúbal


Vivemos numa região com grande potencial. Mas apesar do seu inquestionável valor paisagístico e ambiental, da sua costa litoral de grande qualidade e de estarmos inseridos na região portuguesa com maior rendimento per capita , a Área Metropolitana de Lisboa (AML), existe um problema estrutural que necessitamos enfrentar. Mesmo como capital de distrito, a cidade e o concelho de Setúbal apresentam um conjunto de indicadores ao nível da sua população, das suas condições sócio-económicas e educacionais, muito pouco animadores. Qual a razão? O seu perfil populacional está cada vez mais desadequado ao modelo económico, social e cultural do espaço geográfico e politico onde estamos inseridos: a Europa e o designado mundo ocidental.

A origem desta realidade está no tipo de desenvolvimento económico que a cidade e o concelho têm tido. Durante o último século assistimos a um aumento populacional considerável, o concelho passou de cerca de 25.000 habitantes, em 1900, para 114.000, em 2001, fruto de: duas vagas de industrialização, que apostaram em mão-de-obra intensiva, pouco qualificada e de baixo custo e também de uma descolonização apressada que, conjuntamente, com um contexto político e económico de nacionalização dos grandes “elefantes brancos”, prolongou, para além do razoável, um modelo há muito esgotado.

A concentração de uma população muito heterogénea, desenraizada e com pouca capacidade de reconversão laboral, criou um caldo de cultura deprimido, reivindicativo e avesso à mudança. A orfandade ideológica provocada pelos “amanhãs que deixaram de cantar” provocado pelos anos 80, onde se iniciou um processo de modernização e integração do país na “Europa”, acentuou, de forma mais evidente, os equívocos em que Setúbal estava mergulhada. Um conjunto largo da população mostrou-se desadaptado perante esta nova realidade, caindo rapidamente na dependência estrutural que o “estado social” fomentou. A concentração de uma faixa da população com maior fragilidade social, em certas zonas da cidade, tornou esta espiral depressiva mais difícil de resolver.

Por tudo isto, o fenómeno do desemprego é, aqui, mais sentido do que noutras zonas do país. No entanto, não é procurando proteger emprego desqualificado que vamos melhorar a situação. A solução é apostar na capacidade de adaptação laboral da nossa população. Para que esta tenha melhores empregos e por consequência melhor qualidade de vida. Uma das apostas é reconverter trabalhadores desadaptados em trabalhadores mais qualificados, outra é qualificar os jovens em idade escolar, para que estes tenham, à partida, melhores empregos e no caso de os perderem, poderem adaptar-se facilmente a outro. A primeira é uma intervenção de curto prazo e a segunda de médio e longo prazo. Mas ambas têm de começar a ser implementadas já.
O relatório Education at a Glance 2006, da OCDE, defende que o acesso a uma boa educação e formação é "central" para o bem-estar económico e social dos Estados e das pessoas.Com um bom nível de educação temos meio caminho andado para obter um bom emprego ou pelo menos por mais tempo. As taxas de emprego sobem à medida que as populações têm níveis de formação mais altos. É na educação e qualificação que é necessário apostar para combater o desemprego ou o emprego desqualificado. E não na protecção excessiva do mau emprego ou no alargamento da dependência social do Estado.
Assim, não é só para as crianças e jovens que o sistema de formação e ensino tem que encontrar respostas, mas também para os adultos que se queiram qualificar. Não só através da formação profissional mas também através do regresso à educação dita formal. Sim os nossos adultos têm de voltar à escola e a aposta numa (re) qualificação constante tem de ser encarada como uma actividade de mérito mas habitual. No caso português é fundamental conseguir vencer esta aposta, pois somos o último país da lista nas qualificações da população adulta (entre os 25-64) de acordo com o mesmo relatório da OCDE. O México e a Turquia são o penúltimo e antepenúltimo lugares - países onde, tal como no nosso, mais de metade deste escalão etário não completou o secundário. No topo da escala surge a Noruega, onde a permanência média no sistema educativo é de quase 14 anos.
Em Setúbal, com baixos indicadores escolares - comparativamente com a AML e com as cidades da sua dimensão e relevância - este desígnio é ainda mais importante para sair da espiral depressiva em que se encontra. A responsabilidade de o ganhar cabe a todos. No entanto, os poderes públicos têm particular responsabilidade em abrir caminho, criando condições para que todos possam cumprir a sua responsabilidade. A Carta Educativa, actualmente em discussão, pode ser um instrumento essencial para se atingir este objectivo. Falaremos dela num próximo artigo.
Publicado hoje no Jornal de Setúbal

sábado, setembro 16

Oriana Fallaci




Esta jornalista Italiana de esquerda, que se notabilizou nos últimos anos ao escrever um livro a quente "A Raiva e o Orgulho" logo após o 11 de Setembro e, uns anos depois, com maior serenidade, "A Força da Razão”, morreu. Vítima de uma doença de Cancro, manteve uma luta aberta com a doença do seu corpo e com aquilo que considerava uma doença de alma na "nação" europeia. Segundo ela, esta estava a abdicar dos seus valores e por isso colocava-se de “cócoras” perante os árabes, correndo sérios riscos de nos tornarmos num enorme Al-Andalus, com a sua teoria da Eurábia.

A sua visão não era exactamente a nossa mas apreciávamos-lhe a qualidade rara da frontalidade e da coragem. Recusando o “politicamente correcto” tão em voga na opinião publicada actual e desmistificando a ideia dos países árabes “coitadinhos”. A sua feminilidade tinha ganho uma natural aversão à condição a que a cultura muçulmana remetia as mulheres. Num repúdio epidérmico antes mesmo de racional. E assim foi a sua reflexão final, após o 11/9. Primeiro uma reacção emocional e desesperada depois outra mais calma e atenta.

Uma última homenagem a uma bela e corajosa mulher que fazia questão de mostrar o rosto. Nascida em Florença em 29 de Junho, Oriana Fallaci deixou-nos com 77 anos.

sexta-feira, setembro 15

Dia de Bocage e da Cidade de Setúbal



O DESENGANO


Alma ferida e cega,

Que em grilhões vergonhosos

Adoras a mão ímpia que te entrega

A males tão cruéis e tão penosos,

Como os que sentem no maldito Averno

Os condenados entre o lume eterno;



Alma cega e perdida,

Que a doce liberdade,

O gosto, as horas, o descanso, a vida

Consagras à maligna divindade,

Antes ao monstro, que produz, que gera

Veneno inda pior que o de Megera,



Basta, faze em pedaços

(Porque a razão te grita)

Faze, que é tempo, esses indignos laços,

Essas cadeias vis. Ó alma aflita,

A virtude, a verdade, o Céu te valha;

Vence a terrível, infernal batalha!



Conhece o baixo objecto,

Que em triunfo te arrasta.

Cuidas que um meigo, deleitoso aspecto

Para dourar os teus excessos basta?

Cuidas que um belo riso, um ar benigno,

Filho da infâmia, de ternura é digno?



Que engano! A formosura

Sem modéstia, sem pejo,

Tédio, tédio merece, e não ternura.

Eia, pois, de um frenético desejo

Enfreia, apaga os ímpetos, a chama,

E lava a nódoa com que amor te infama.



Que afronta! Que vileza!

Alma triste, alma escrava

De uma profana, sensual beleza,

De uns olhos falsos donde Amor te crava

Mil setas, cuja ponta aguda e forte

Ervou no opaco Inferno a mão da Morte,



Rasga o véu da cegueira

Fatal que te alucina;

Observa a criminosa, a lisonjeira;

Observa a loba má, que te domina;

Vê seus dolosos beiços nacarados

Fartando peitos vis com vis agrados.



Contempla a desprezível:

De afagos nunca escassa,

Sem pudor, para todos é sensível;

Este chama, outro anima, aquele abraça;

Ei-la com frouxos ais, húmidos beijos,

Matando num minuto a mil desejos.



Olha aonde te abrasas:

Em torno dela, o Vício

Bate as lodosas peçonhentas asas;

E, qual submissa ovelha ao sacrifício,

Ele de Vénus ao altar nefando

A leva pela mão, de quando em quando.



As lágrimas que viste

Na pérfida, que adoras,

São gerais; os suspiros que lhe ouviste,

Não são teus, são comuns; alegres horas,

Como contigo, com mil outros passa.

Vê-lhe a baixeza, esquece-te da graça.



Por gosto e por costume,

Não por domar a ardência

Do teu negro, pestífero ciúme,

Te sacrifica os teus rivais na ausência,

Que, em favor das trições com que trafica,

N’ausência aos teus rivais te sacrifica.



Ó alma! Ó liberdade!

Eu vos sinto abaladas

Pelas vozes da rígida verdade.

Vossas cadeias, por Amor forjadas,

Desejais sacudir… Sim, já vos vejo

Olhar os ferros com horror, com pejo.



Estais já forcejando

Contra o peso insofrível.

Ó liberdade! Ó alma! Estais bramando

Com ânsia, com furor, crendo impossível

Romper, despedaçar tão fixos laços

Sem o socorro de celestes braços.



A fraca humanidade

Para tanto não basta.

Assim é; mas implore-se a piedade

De um Sacro Velho que os mortais afasta

Do quase inevitável precipício,

E ante quem treme o erro e pasma o vício.



Vai pois, Canção, procura o Desengano,

Ele socorre aqueles que o procuram,

Ele o bálsamo dá com que se curam

As feridas que faz Amor tirano.




Opera omnia, dir. Hernâni Cidade, preparação do texto e notas de José Gonçalo Herculano de Carvalho e António Salgado Júnior, vol.II, Lisboa : Bertrand, 1969

terça-feira, setembro 12

Cinzas, Sombras e Novoeiro



É a sensação que fica de muitos dos debates realizados a propósito do 11 de Setembro. Se é este o quadro mundial ainda vamos ter de passar um mau bocado...

domingo, setembro 10

Figueirinha

Despedida da época balnear? Talvez. Mas uma bela despedida, num reencontro com a Figueirinha (Arrábida) que não sentiamos há dois anos.

Uma vez era a Arrábida


Hoje no Público, este texto, belo e cheio de boas sugestões de Benárd da Costa.

Silêncio


Chema Madoz

Tirada 5

110x110 (2001)

"Se soubéssemos quantas e quantas vezes as nossas palavras são mal interpretadas, haveria muito mais silêncio neste mundo"

Oscar Wilde

sábado, setembro 9

Star Wars



Após quase 30 ano, este filme de George Lucas (1977), terá resistido ao tempo? Hoje na SIC vamos poder verificar isso mesmo vendo-o com os nossos filhos. Boa tarde de Cinema.

(Corrijo este não era o I mas uma versão posterior - A Ameaça Fantasma - de 1999)

Trás-os-Montes 2

A vinha, o vinho os socalcos

Os caminhos seculares.

sexta-feira, setembro 8

Trás-os-Montes



Entre a claridade da penumbra, o verde e a água,



O Douro no seu imenso esplendor,



Homenagem a uma região através do tradicional moinho de água recuperado pelos nossos amigos padeiros para todos podermos comer uma Broa de milho como antigamente.

quarta-feira, setembro 6

Cutileiro


Estátua na Casa de Mateus.

A leveza suspensa da “menina” de Cutileiro com a exuberância contida em reflexo do "Barroco do Douro" da ilustre Casa de Mateus em Vila Real.

Bom de ver.

Gaudí


Casa Milá em Barcelona

Vista e reflexo sobre o terraço desta maravilhosa casa realizada por este singular arquitecto. "La Pedrera" é hoje uma casa museu onde está organizada uma exposição sobre a obra deste notável Catalão. Para além de manter visitável um andar de habitação.

segunda-feira, setembro 4

Génesis



Fazendo uma referência directa ao Génesis Bíblico este filme de Claude Nuridsany e Marie Pérennou, não pretende ser uma discrição bíblica nem apenas um documentário “cientifico”. Faz uma síntese do conhecimento disponível, onde o centro é a vida, focando todas as componentes estruturantes desta (o tempo, o amor, a sedução, a reprodução, a sobrevivência, o nascimento e a morte), na sua medida justa. A relação do infinitamente grande com o infinitamente pequeno é extraordinária. E a beleza das imagens a das cenas escolhidas é soberba. O narrador – um velho ancião negro – faz da narração um caminho sem desvios, entre o imprescindível e o misterioso.
Belo, complexamente simples e essencial.
A ver, se possível em família.