domingo, fevereiro 11

Prognósticos antes do jogo


O que se irá passar esta noite?

Parece que a questão de fundo para hoje e para os próximos dias vai ser: será que o instituto do referendo está posto em causa?
Muitos dirão que o povo pouco “instruído” parece não “merecer” este instituto. Outros ficarão desiludidos por terem feito tanto e o povo não responder ao seu apelo. Vai-se culpar o costume. Os portugueses, os políticos, o sistema, o costume.

Amanhã a típica depressão nacional vai-se abater sobre tudo o que for comunicação social. Ninguém mais se lembrará do que verdadeiramente estava em causa. A vida humana. A melhoria da “vida humana”. Seja pelo “Sim” ou pelo “Não”, todos queriam melhorar essa “vida”. Seja pelas “mulheres” que abortam ou pelas “crianças” que devem nascer.

O que verdadeiramente irá mudar amanhã? Suspeito que pouco. Ficará apenas a sensação de inutilidade de tudo isto. Sem que nada de fundamental mude. Estarão, o país e os portugueses em condições de despender tanta energia em torno de inutilidades?


Perguntamos humildemente?…

terça-feira, fevereiro 6

segunda-feira, fevereiro 5

David Mourão Ferreira 2


"Mal fora iniciada a viagem,

um deus me segredou que eu não iria só.

Por isso a cada vulto os sentidos reagem,

supondo ser a luz que o deus me segredou."



David Mourão Ferreira in "Inscrição sobre as ondas"

terça-feira, janeiro 30

Divulgação

O Diário de Noticias organiza, no âmbito do suplemento “DN Cidades”, a dia 31 de Janeiro (4ªFeira), pelas 21h15, no Auditório Municipal Charlot, um debate sobre o tema:

“Que futuro para Setúbal?”



Oradores:

Rui Baleiras, Secretário de Estado do Desenvolvimento Regional.
Maria das Dores Meira, Presidente da Câmara Municipal de Setúbal
Eugénio Sequeira, Presidente da Liga para a Protecção da Natureza


Moderador:

Carlos Andrade, Jornalista.



Participe. O debate é aberto a todos.

segunda-feira, janeiro 29

Convento de Jesus

O Convento de Jesus e a Igreja respectiva formam um dos mais notáveis, senão o mais notável, monumento “Manuelino” a sul do Tejo. Este Convento de freiras Franciscanas, cuja realização se deve à perseverança de Justa Rodrigues Pereira, ama do futuro rei D. Manuel, foi iniciado no de 1490. O seu arquitecto, Boitaca, ensaia em Setúbal, muito do que vem a realizar nos Jerónimos, de forma mais exuberante e conseguida obra prima do seu estilo.

Este Monumento Nacional encontra-se em degradação desde o início da década de 90. Constituindo o mais importante Museu em Setúbal, com uma boa colecção de pintura. Por incúria, desentendimentos vários, falta de dinheiro e bom senso, associado a muita inconsciência e megalomania, este tem estado “parado” à espera de obras, desde então. Após muitas (falsas) promessas parece “estar para breve o início da sua recuperação”. Era o mínimo não deixar cair este monumento que conseguiu chegar até nós através dos seus respeitáveis 500 anos de história.

Dizem que se adjudica amanhã a primeira fase da empreitada. Será mesmo verdade? Em Setúbal nunca se sabe?

Voltaremos ao assunto mais tarde.

domingo, janeiro 28

Salazar e Cunhal







VASCO PULIDO VALENTE (VPV) volta hoje a escrever, com a sua clareza habitual, sobre nós: Portugueses. Ou pelo menos uma boa parte de nós. Na sua crónica do Público deste Domingo escreve sobre Salazar e Cunhal, a propósito do famoso concurso da RTP que procura “O Maior Português de Sempre”. Parece que, entre os dez finalistas, Salazar ganhou. Sendo o segundo Álvaro Cunhal, naturalmente. Independentemente da mobilização de votos dos respectivos acólitos, estes resultados merecem muita atenção.

VPV vê neles a “condenação absoluta do regime vigente, ou seja, da democracia”. Curioso será juntar a esta opinião, de VPV, a fraca representação actual do Partido Comunista Português (PCP) e da dificuldade endémica da nossa direita em se afirmar. Podemos concluir que o que provoca a grande admiração por estes personagens não é de todo a Ideologia, mas outra coisa.

Continuando, VPV considera que os dois pretenderam sempre um Portugal fora do “Ocidente” e da “modernidade”. Um à custa do Império outro através do “sol da URSS”. A ideia de nos modernizarmos parece, por isso, não ter grandes apoiantes entre nós.

O terceiro argumento de ligação entre Salazar e Cunhal, para VPV, é “o atraso e a miséria” como preço a pagar para garantir: a “independência”, a “segurança” e a “hierarquia”. “Ambos temiam que o dinheiro trouxesse consigo o vírus da mudança”.

Concordamos e acrescentamos:

Podemos verificar que para além do “politicamente correcto” existe um País que não se revê nos políticos e pior no “Sistema Politico” que os suporta: A Democracia. “Sem a "Europa", já havia por aí ditador”, como refere VPV.
Uma parte da nação (não sabemos se a maioria?) prefere, claramente, a ordem à liberdade.

A “bandalheira” onde graça a “corrupção” não é aceite por esta parte da "populaça". Preferem o “pequeno favor”, sem alarido - a malta tem de “ganhar a vida”- ao grande escândalo - promovido por “eles”, os outros, os da “vigarice”. Falhas todos têm, mas só são aceites as que forem comedidas. Como antigamente, com respeitinho por quem manda.

Mais importante que o atraso do País, para estes Portugueses, é quem manda “ser sério”. Para se manter a seriedade aceitam tudo. Até trazer um povo inteiro debaixo de um clima de terror e de miséria. Para todos. Claro.

Salazar, dizem, não roubou nada para si. Mas para quê? Se o País foi propriedade sua durante 40 anos. Não necessitava roubar nada. Era tudo seu. Ele não quis nada só impor sua ideia a todo o Portugal. Teve a opurtunidade de a ver e viver.

Cunhal, também muito admirado por estes Portugueses, ao ter abdicado da sua vida confortável, ganhou o estatuto de não querer “nada para si”. Queria, apenas, um “socialismo” doméstico. À Fídel. Coisa pouca, já se vê.Onde todos fossem iguais. Subjugados e vivendo mediocremente, mas iguais. Queria apenas ver realizada a sua ideia para Portugal. Felizmente não a chegou a viver.

Este “povo” que admira Salazar e Cunhal tem uma ideia muito particular sobre si, e todos os outros Portugueses. Preferem que todos sejam “pobrezinhos” mas ordeiros. Não têm ilusões sobre a inevitável “pobreza da nação”, apenas querem que ela seja distribuida por todos, sem excepções. Do dirigente máximo ao mais humilde dos Portugueses. Não gostam de Ideologia, mas gostam que alguém a tenha por si.É bonito.

Para estes Portugueses, a modernidade e a Europa, só serviram para trazer mais “assimetrias” e exigências pouco recomendáveis para quem gosta da miséria a que está habituado. Obrigou a tentar o desenvolvimento, mas todos sabiam que esse era um esforço sem resultado. O dinheiro que tão calorosamente foi recebido, parece ter sido só para alguns. Mas quem perguntarão? “Os mesmos de sempre”, os outros que não eles, ou seja nós. Fossem os políticos “gente séria” e “nem lá tínhamos entrado” – pensarão.

É bom estarmos atentos. Este País subsiste para além de mais de 30 anos de democracia e 20 de Comunidade Europeia. Pensarão os nossos dirigentes que é ficção? “Olhe que não, olhe que não.”

Bacall







Na madrugada da RTP 2. Uma musa do cinema: Lauren Bacall. Em versão portuguesa "À Beira do Abismo". O Filme negro a preto e branco. Ahhhh! e também entra o Bogart.

sábado, janeiro 27

The Departed- Entre Inimigos



“Os extremos tocam-se”? Este ditado popular parece ser a tese central deste último filme de Martin Scorsese. A linguagem a atitude a ascensão e até os procedimentos parecem ser os mesmos entre a polícia e os bandidos. Ambos gostam de pistolas e vêm a vida por essa mira. Os informadores – “ratazanas” – estão dos dois lados da barricada e “alimentam-se mutuamente. Não se chegando a perceber o que justifica o quê.

Enquanto Billy(DiCaprio) ganha a confiança de Costello (Nicholson) , Colin Sullivan (Damon), infiltrado na polícia como informador de Costello, ascende a uma posição de poder na Unidade Especial de Investigação.

Cada um dos homens embrenha-se profundamente na sua vida dupla, recolhendo informações sobre os planos e operações de cada um dos lados. Até acabarem por se matarem todos entre si.
A trama está muito bem feita, deixa-nos em “suspense” até ao último minuto. Os tiros e os mortos são muitos. Na boa tradição do filme de gangsters.

A não perder. Especialmente recomendado para quem acredita da teoria da conspiração.

Com: Leonardo DiCaprio; Jack Nicholson; Matt Damon; Mark Wahlberg; Martin Sheen; Ray Winstone; Vera Farmiga; Kevin Corrigan

quinta-feira, janeiro 25

Desenhos da Mariana 1

Mariana Pereira Pisco
Janeiro de 2007

Cidades 6

Amesterdão ao final da tarde
2006

Os holandeses tal como os espanhóis, vivem intensamente o espaço público. O final da tarde é sempre uma alegria ver todos a desfrutarem da cidade e da convivência urbana e civilizada. As cidades também são feitas destas expressões de vida.

Debate sem noção



Hoje o debate no Parlamento, assim como os outros do passado, deixam-nos uma sensação estranha. Uma sensação de regresso aos debates do tempo das associações de estudantes (sem ofensa) do nosso tempo de juventude. Os mesmos discursos que, ainda hoje, fazem as delicias das juventudes partidárias. Um misto de “infantilismo” argumentativo que emerge num comportamento de “claque” onde a linguagem se socorre do discurso mediático como (única) forma de legitimação e reconhecimento de autoridade, perante os outros. A pobreza da retórica praticada será reveladora do conteúdo? Tememos que sim. As opções fazem-se em função de superficialidades. Ou são inspiradas pelo que vem de fora, ou fazem parte do “jargão” do tempo.

Simulação de diálogo no Parlamento:

Primeiro-ministro: Eu proponho esta medida que estabelece uma ruptura absoluta com o passado tornando Portugal um país melhor.

Oposição: O que o PM diz é muito bonito mas já existe e não trás nada de novo. O governo devia falar de coisas novas e concretas e não de generalidades.

PM: É uma vergonha a oposição não se preparar para o debate de uma questão tão importante para o país. O governo só tem escolhido debater no Parlamento os temas mais importantes para a nação. E como todos podem ver a oposição não tem nada para apresentar como alternativa. E já agora, sobre as coisas novas deixem que lhes diga que durante o tempo do vosso governo ninguém se lembra de uma única medida sobre esta questão em debate.

Op: Lamentamos informá-lo sr. PM. Mas tudo aquilo que o sr. anuncia já estava legislado pelo anterior governo. E o sr. continua sem falar no essencial. E o essencial é outra matéria que não esta.

PM: Pois é, mas vossas excelências esquecem-se que as leis que aprovaram não trouxeram qualquer melhoria no sector. A que nós estamos a apresentar é que o vai melhorar.

Op: É falso. O sr. PM é mestre no discurso e a anunciar mas o que diz não tem qualquer aderência à realidade. E faço-o lembrar que neste sector o sr. já foi responsável pelas politicas desta área e como se vê, desde o seu tempo de ministro, aquilo que propôs não teve qualquer efeito.

PM: É impressionante que a oposição se esqueça que teve 3 anos no governo e por isso tem enormes responsabilidades nesta área. Mais grave, para não dizer gravíssimo, é que a oposição não consiga reconhecer a grande visão da medida apresentada pelo governo. Medida extremamente importante, que acompanha toda a Europa, e que aponta o caminho da modernidade para o nosso pais. A oposição está só voltada para o passado, apesar de não ter feito nada quando era governo.

Op: O PM só fala mas no concreto não apresenta nada para além de tudo o que apresenta não trazer nada de novo.

Bla bla bla, bla bla, bla….

Já cansa.

terça-feira, janeiro 23

Vermeer


Jan Vermeer

The Art of Painting

(1666-73)


A pintura de Vermeer (1632-1675) deixa-nos sempre com a sensação de estarmos a devassar a intimidade do lar e das respectivas personagens. A fragmentação da luz e o grau de detalhe aumentam essa sensação. Mas, ao mesmo tempo, a riqueza dos trajes e a decoração requintada transmitem um conforto agradável. Convidativo, mas interdito.

O artista retrata-se de costas, o que, conjuntamente com a cortina em primeiro plano, acentuam o grau de “devassa” do observador: Nós. A arte de Vermeer é a de nos colocar sempre no papel de “voyeur” de uma cena para que não fomos convidados e, à qual, só podemos aceder através da tela. A pintura funciona como a porta para o interdito. Só ela revela o que temos de mais profundamente humano. A proximidade dada pelos pormenores aproxima-nos do sagrado da forma sob a luz. “Deus está nos detalhes” já muitos o referiram…

Cidades 5


Amesterdão 2006
Casa no Canal