segunda-feira, março 5

Pianíssimo




O maestro Vitorino de Almeida volta ao grande ecrã com “Pianíssimo”. Apesar de continuar a ser um “banho” de cultura musical ouvi-lo e de ter um conjunto de cenários espantosos – no programa de hoje Vianenses - volta a repetir alguns dos “tiques” da sua ultima aparição televisiva.

Continua com a necessidade de trazer um “grilo falante” atrás de si. Antes foi Barbara Guimarães, lembram-se, agora Vera Morais. Sempre manifestando o seu bom gosto, mas tornando o papel destas, um pouco “infantil”, no mínimo. E desta vez pretende “distrair” a populaça com dois novos ingredientes: entre os seus profundos monólogos, entra um casal, um pouco “absurdo” – uma velhota e Carlos Mendes – estabelecendo um dialogo “non sense” em torno do tema. E uma (mais uma vez bela...) pianista austríaca que interpreta os temas. Que, apesar de tudo, nos parece o mais conseguido.

No entanto, o senhor continua a ser um grande comunicador. Mas ele basta. Não são necessário artifícios. A ver.


"Sinopse: Uma série escrita, apresentada, interpretada e realizada pelo próprio maestro António Victorino de Almeida que conta a história do piano através dos tempos.Cada episódio inclui duetos musicais. Ao piano, o maestro "dialoga" com a flautista Vera Morais. Conta ainda com a prestação de uma das mais prestigiadas pianistas do mundo, a austríaca Ingeborg Baldaszti e o músico Carlos Mendes"

domingo, março 4

Setúbal, que Património?

«'À Descoberta do Património da Nossa Cidade' é o tema de uma conferência que Fernando António Baptista Pereira proferiu no dia 3, às 15h00, no Museu do Trabalho Michel Giacometti.

A iniciativa, com entrada livre, está inserida nas 14.as Gincanas Culturais, projecto desenvolvido pelo Museu de Setúbal/Convento de Jesus




Estivemos nesta iniciativa, o que constitui sempre uma aprendizagem em torno do património da região de Setúbal.

Fernando António Baptista Pereira, há 25 anos em Setúbal, como responsável do Museu de Setúbal, conhece alguns dos aspectos da nossa cultura e património como ninguém. No entanto, apesar de se ter realizado num belo espaço, o configuração da conferência não tinha espaço para muito mais de 20 pessoas sentadas. E era este o número das que lá estavam. Estas iniciativas mereciam outra dimensão. Outra escala.

Sobre a temática em si, FABP, colocou em destaque o "património construído", apesar de ter referido a importância do “natural”, na nossa região. Quanto há necessidade de criar “emblemas” ou “marcas”, como lhe chamou, a partir do nosso património foi muito interessante e sugestivo. O que nos continua a meter alguma confusão é a ausência de “quantificação” nas propostas apresentadas. Ou seja, apesar de se viver na completa falta de recursos na cultura, os seus agentes continuam a ter o discurso do “tudo é possível”. Deixa-nos alguma perplexidade!?…


No Museu Michel Giacometti vimos pela primeira vez montada a "Mercearia Liberdade", como memória das antigas mercearias que vendiam tudo. Eram autênticos supermercados da época. Apesar da emoção nostálgica ao ver um espaço destes “musealizado” pensamos estar pouco "densificado" de produtos e objectos como seria de facto no original. Para além de faltar o cheiro. Essa magnifica essência que só existe enquanto existe “vida” a sério nos lugares… Mas essa já será difícil "musealizar".





sexta-feira, março 2

Paulo Portas


Cheio de si, como sempre, Paulo Portas na sua nova aparição, trás de novo o que sempre quis: Ser o Lider do espaço centro/direita em Portugal. De preferência acabando com o PSD. Ou, pelo menos reduzindo-o à dimensão desejável para Portas. A dimensão do actual do CDS/PP.
Para isso PP pretende ser mais "centro". É isso que quer dizer com partido do século XXI. Tudo aquilo que apontou, neste seu estilo acima da "carne seca" que encarnou (quando estalará o verniz?), são temas pouco inovadores, e quase todos lugares comuns do "politicamente correcto". «Aquecimento global»...«cultura»!???
No entanto, ele mexe-se, tem carisma e muita perserverança e pode ter a capacidade de unir o partido em torno de si. Nos tempos que correm isso pode ser um perigo. Ainda mais quando Sócrates, está fazer o que o PSD tradicionalmente fez: Reformar o Estado e a sociedade. E quando o PSD, actual, tem tido dificuldades em se assumir como herdeiro desse percurso reformista. Tropeçando, constantemente, no tradicional choradinho do protecionismo dos "ameaçados" pela mudança. Quando esses ameaçados têm partidos que, tradicionalmente, os acolhem na sua falta de futuro. O espaço tradicional do PSD pode estar ameaçado à direita e à esquerda. E a sua fuga para o discurso "reinvindicativo" e "proteccionista" pode ser tentadora, mas catastrófica para o futuro próximo.
Pode o PSD estar em perigo? Não cremos, mas pode ficar em (ainda maiores) dificuldades nos próximos anos. Fruto do seu passado recente e de alguma falta de consistência presente.

Rasgo 2


Cáceres

Dezembro 2006

quinta-feira, fevereiro 22

Cidade - das políticas aos projectos



“Toda a gente acha, com nostalgia ou confusão, que a cidade já não é o que era”

Nuno Portas






Fomos assistir a esta primeira conferência - a primeira de um ciclo, todas as quarta até 11 de Abril – com o Arquitecto Nuno Portas (NP) gostando-se ou não, um dos homens que mais tem contribuído para a “cultura” arquitectónica e urbana no País. Ouvir NP é, sempre apreender mas, simultâneamente, reflectir. A sua postura é de interpelação constante, não fugindo da opinião e, por vezes, provocação.

A capacidade de síntese, fruto de uma vida de reflexão/acção sobre as problemáticas da cidade contemporânea é notável. Portas faz a defesa da cidade “nova” a de “fora”, em contraposição com a de dentro, a cidade tradicional ou antiga. Neste sentido diz não ser possível, hoje, separar as duas, anulada que está, a tradicional divisão cidade/campo. Será urgente estudar esta cidade “outra” que este arquitecto recusa classificar como sub urbana, preferindo vê-la como “entre cidades”. Os limites são quase impossíveis de definir com precisão.

Para além deste desafio ao pensamento contemporâneo sobre a cidade “que já não é o que era”, refere NP, após ter feito uma breve síntese histórica da “evolução” da cidade nos últimos anos, onde o automóvel individual veio transformar tudo, vem reconhecer que planear a cidade é, agora, “fazer de conta que se controla um processo que corre por si”. A luta contra o tempo, onde a resposta da administração é essencial, é determinante hoje. “O PIB é um dos principais responsáveis pela mudança na cidade e no território”, dirá NP.

NP dá ainda o concelho de tornar os instrumentos de urbanismo e ordenamento do território menos regulamentares e mais voltados para a negociação. Num tempo de incertezas e onde tudo muda com rapidez a aposta tem de ser na melhoria dos processos “learning organization” para melhorar os resultados.

O arquitecto, chama ainda a atenção para a tendência actual de tornar o planeamento estratégico num mero instrumento de marketing político. Errada do seu ponto de vista. Porque o planeamento estratégico deve ser um instrumento eminentemente técnico/politico operativo e não de propaganda.
Interessante opinião, após a visita à exposição sobre o Programa Polis (muito bem concebida pelo nosso amigo João Trindade), onde o Marketing é evidente.

Sobre o Polis de Setúbal aparece apenas o Parque Urbano de Albarquel…


quarta-feira, fevereiro 21

segunda-feira, fevereiro 19

Novo tempo em Setúbal?



Apesar dos tempos difíceis que estamos a atravessar em Setúbal algo parece estar a mudar. Nas últimas semanas realizaram-se dois debates que promoveram uma reflexão séria e pouco habitual sobre a cidade e o concelho. Consideramos a sua realização e a forma como correram, um sinal de abertura e disponibilidade para um “novo tempo” de politicas urbanas: «Que futuro para Setúbal?» promovido pelo Diário de Noticias e pela TSF, no Charlot, a 31 de Janeiro e, «Quartel do 11 que futuro?», promovido pela LASA, no dia 8 de Fevereiro, no Clube Setubalense. Ambos participados e com casa cheia.


A promoção de eventos que contribuam para a melhoria de Setúbal é uma forma de tirar a cidade e a região do impasse em que se encontram. Obrigar as “elites locais” a organizarem-se na defesa dos seus interesses é a única maneira de dinamizar e orientar o nosso futuro comum. Está visto que a atitude passiva não dá resultados. Continuar a confiar apenas no poder instituído para resolver os nossos problemas é um erro, já evidente para todos. A sociedade setubalense tem de assumir as suas responsabilidades. Tem de dizer o que pensa e o que quer. E também o que não quer. Este deve ser o caminho.




Como já referimos aqui, em artigo anterior, a região envolvente de Setúbal tem condições naturais excepcionais para o seu desenvolvimento. A proximidade da área metropolitana, com o maior rendimento “per capita” do País, constitui uma vantagem acrescida. Falta qualificar os recursos humanos e tornar a cidade de Setúbal num verdadeiro pólo complementar a toda a envolvente natural e paisagística. Esta deve ter tudo o que a sua região envolvente não tem. Concretizando: Tróia vai ter turismo de qualidade. Para o servir precisa de mão-de-obra qualificada. Terá de ser aqui que a vai encontrar. Quem está em Tróia procurando o melhor que a natureza tem para oferecer tem hábitos urbanos. Se Setúbal oferecer um conjunto de comércio e serviços de primeira linha, é a Setúbal que esses turistas virão satisfazer as suas necessidades.



É neste conceito de centralidade urbana complementar que a cidade tem de assentar. Não podemos continuar a perder tempo em discussões extremadas e do passado. Dou dois exemplos:

Não tem interesse saber se a cidade é turística ou industrial. Ela tem de oferecer aquilo que a envolvente natural não oferece e tem de “obrigar” a sua indústria a ser cada vez mais “amiga do ambiente”. As que não forem terão de sair. Mas tem de ter, necessariamente, as duas valências para se poder afirmar como um pólo de serviços e comércio regional. As cidades competitivas têm de acrescentar, não de excluir.

Outro exemplo é a discussão sobre a defesa do património. Esta continua a girar em torno de duas dicotomias que nos parecem redutoras e ultrapassadas: A primeira é olhar para o património como algo de “antigo”, excluído do presente e condenado no futuro. Preferimos ver o património como tudo o que de bom deixamos às gerações futuras. Seja feito hoje ou há quinhentos anos. A segunda é considerar que a única forma de salvar o “património histórico” ou identitário é através do Estado (ou das Autarquias). Já todos devíamos ter percebido que a intervenção do Estado está cada vez mais limitada porque a manutenção do chamado “modelo social europeu” absorve cada vez mais os recursos, deixando pouco para o resto. Então teremos que equacionar, antes de mais, a vocação estratégica dos edifícios em causa e só depois procurar soluções economicamente sustentáveis a prazo. Não se pode ficar refém de uma reivindicação sobre o Estado (ou Autarquia) para solucionar, por si, tudo aquilo que nos parece essencial preservar.

Para “salvar” o Quartel do 11 ou o Convento de S. Francisco (referindo só estas duas “bandeiras” da LASA), não podemos esperar “sentados” por soluções do sector público. Este tem de participar – até porque nestes dois casos são sua propriedade – mas como defensor do interesse público, nunca como especulador imobiliário. Deve promover e enquadrar soluções envolvendo o sector privado “amigo do património”, onde este seja uma mais valia para desenvolver a sua actividade. Não deve entregá-lo a quem o queira destruir.



As cidades para se manterem “vivas” têm de preservar a sua memória com os olhos no futuro, não podem ficar paralisadas em “enredos” do passado. Busquemos um tempo novo.

Publicado, hoje, no Jornal de Setúbal

domingo, fevereiro 18

Scoop



O último filme de Woddy Allen é puro entretenimento. Não tem nada de mal. É uma espécie de pausa que este realizador usa para ganhar balanço para nova surpresa.
O que não deixa de ser extraordinário é a capacidade de Woddy transformar a, recentemente considerada, mulher mais bela do mundo, na mais vulgar das criaturas. A necessidade de alter egos é uma constante na obra deste realizador, mas começamos a pensar ser (mais) uma pequena perversão sua tornar belas mulheres tão pouco atraentes quanto ele próprio. Será fetiche da idade?

Esperança



Gustav Klimt

A Esperança I

1903