terça-feira, janeiro 16

Actualidade


Crânio arraçado de Homem Moderno com Neandertal com 40.000 anos


Hoje no Público

“Portugueses fazem parte da equipa que publicou um artigo numa revista científica norte-americana sobre ossos descobertos na Roménia, com cerca de 40 mil anos, a altura em que a nossa espécie terá entrado em contacto, pela primeira vez na Europa, com o homem de Neandertal.
Volta e meia, conforme as descobertas e as suas interpretações, surge a mesma dúvida: os Neandertais fizeram, ou não, sexo com os humanos modernos, a nossa espécie? A crer no estudo de um crânio quase completo, descoberto numa gruta na Roménia, foi sexo que fizeram. Porque, diz a equipa que o estudou, apresenta uma mistura de traços anatómicos de humanos modernos e de Neandertais. “

Já tínhamos suspeitado. É reconfortante a confirmação. Ajuda a compreender (e desculpar) muita gente.
Claro, tinha de haver portugueses metidos nisto…

segunda-feira, janeiro 15

O voo do corvo - Gibrat


Descobri este autor com o meu amigo Luís Carlos. Agora encontrei o tomo 1 num saldo do “Jumbo de Setúbal”. A preço muito acessível. Quem vive obcecado pela actualidade pode perder verdadeiras pérolas não procurando o que pode ser velho, mas estar a preços acessíveis.

Desenhos do Leonardo 3

domingo, janeiro 14

Amadeo de Souza-Cardoso VI



Barcos
1913


A exposição de Amadeu Souza Cardoso termina hoje há meia-noite. A qualidade da obra e da exposição foram consagradas com a afluência do público. Amadeu merece e a Gulbenkian também.

Mais de 100 mil, ao que parece. Os últimos dias parecem ter sido de fila constante. A Fundação mostrou estar à altura do tempo. Deixou aberta a exposição das 10 de Sábado à 24 de hoje. Toda a madrugada. Notável.

A boa cultura parece mobilizar os portugueses. Parabéns a todos os envolvidos.

O PERFUME



O Perfume, de Patrick Suskind, foi um livro que lemos no primeiro ano da Faculdade em 1990. Como sugestão de uma colega que, então estava obcecada pelos cheiros. Ficamos tão impressionados com a descrição que não resistimos a lê-lo. É livro para se ler de um trago. Recordamos ter faltado a umas aulas para conseguir ler as ultimas paginas, no velho “Canteiro” café restaurante, onde quase vivíamos, ali ao lado da Belas Artes ao Chiado, tal era o entusiasmo.

Não vamos aqui reflectir sobre as diferenças e dificuldades de transpor um grande livro para cinema. Quase todos ficam menores. As imagens oferecem-nos tudo, ou quase, a literatura faz do leitor um construtor. E a nossa imaginação tem uma capacidade de produzir infinitamente superior à realidade.


Rachel Hurd-Wood




No entanto, este filme surpreende. O realizador joga o jogo do escritor. Mas como o cinema não tem cheiro ele tenta transformar a imagem em odor. Assim como Suskind faz com as palavras. Também estas não têm cheiro. Mas que nós somos transportados para o mundo do olfacto, é um facto.Este universo do cheiro está afastado da nossa cultura ocidental. Tentamos por todos os meios anulá-lo. Basta visitar países “do terceiro mundo” – ai aquela Medina de Fez - para perceber o que estou a dizer. Assim a história transporta-nos para a fétida Paris do século XVIII, onde a imundice era geral, mas a sofisticação do gosto “barroco” já promovia a emoção pelos sentidos até pelo nariz. Jean-Baptiste Grenouille, totalmente inodoro, vem ao mundo na podridão de um mercado. Nasce no meio de uma peixaria. A mãe abandona-o à morte, mas ele acaba sendo resgatado, enquanto a jovem mãe desnaturada é condenada a decapitação. E assim acontece sempre que alguém que trata dele, o larga.

Criado num orfanato, é desde sempre, um sobrevivente que "vê" o mundo pelo olfacto. Passa por todos os estádios da genialidade, sem conhecer o amor ou a moral. Só se alimenta da sua obsessão. Descobre, então, que o mais sublime dos aromas está em algumas mulheres. Particularmente as ruivas mais deslumbrantemente belas. E, a partir de então pretende apenas conseguir “guardar” esse aroma, capaz de gerar as mas profundas alterações da alma. Para produzir o melhor perfume mata as mulheres que vão permitir executar a sua criação. Acaba condenado, mas o perfume produzido, salva-o, mais uma vez, levando todos os que assistiam à sua condenação: primeiro a venerá-lo, depois ao êxtase e por fim à luxúria colectiva. Ao assistir a tudo isto, Grenouille, arrepende-se das mortes efectuadas, ganhando a consciência, mas esta só surge depois da sua criação final. Por fim entrega-se à morte, despejando a essência do perfume sobre si no lugar onde nasceu – eterno retorno – sendo devorado pelos seus mais miseráveis conterrâneos. A criação, a culpa e a rendenção sempre lado a lado.

Filme a não perder a quem tenha os sentidos abertos!!!
O Perfume (Perfume: The Story of a Murderer, Alemanha/França/Espanha, 2006), 2h27. Drama. Direção de Tom Tykwer,
Com Ben Whishaw, Dustin Hoffmann, Rachel Hurd-Wood e Alan Rickman.

terça-feira, janeiro 9

Cidades 4

Looking west on South Water Street, Chicago, crowded with horse-drawn wagons and motor trucks filled with produce for market, Apr. 1915.

segunda-feira, janeiro 8

Um(a) Polis (com) sentido

( Imagem do Programa Programa Polis - Av. Luisa Todi)



Falar da polis a propósito do Polis, constitui um bom motivo para reflectir sobre o seu sentido, ou a ausência dele, para os próximos anos.
Melhorar a qualidade de vida urbana constitui, em si, um esforço louvável. O desejo de “construir” cidade é o reflexo do gosto e empenho que os cidadãos demonstram pela sua vida comunitária nas suas diversas dimensões. E esta obra é sempre tarefa colectiva. Sabemos que ao escrever este artigo corremos riscos. Reflectir criticamente sobre uma “obra emblemática para a cidade”, como alguém já lhe chamou, pode parecer apenas vontade de dizer mal. A inexistência de intervenções com significado urbano, nos últimos anos, torna o exercício ainda mais arriscado, por poder parecer fútil ou excêntrico, dada a pobreza em que vivemos. Não é essa a nossa intenção. Apenas pretendemos abrir esta discussão porque entendemos que a cidade se deve e pode fazer de maneira diferente. De forma inteligente e criativa mas, simultâneamente, exigente. A escassez dos recursos assim o determina. Mas essa exigência aprofunda-se pelo confronto esclarecido através do debate. Não da mera lógica maniqueísta entre executivo e oposição, mas pela imposição da razão.
O Polis de Setúbal surge tardiamente no contexto do desenvolvimento deste programa a nível nacional. Conjuntamente com o Plano de Pormenor do Vale da Rosa, aparece como uma espécie de “moeda de troca” pela defesa da co-incineração feita pelo Presidente da Câmara de então, Mata Cáceres. A sua concepção apressada e a natural falta de visão de politicas urbanas por parte dos decisores que nos têm governado, plasmou-se na primeira proposta de intervenção para o Polis, denominado “Plano Estratégico de Setúbal” (PES). Este tem vindo a alterar-se. Não por vontade politica de o mudar, visto a nova maioria eleita desde 2001 o ter adoptado acriticamente, mas por adaptações “pragmáticas” ditadas pela realidade económica vivida desde então. A sua desadequação programática acentuou esta necessidade.
Para não nos perdermos em aspectos mais longínquos ou mesmo de concretização duvidosa acerca do previsto no Programa Polis, concentremo-nos nas três intervenções que estão, ou parcialmente realizadas – «Parque José Afonso» e «Parque Urbano de Albarquel» – ou em fase aproximada de arranque – «Reabilitação e Revitalização da Av. Luísa Todi» (os nomes são os dados pelo Programa Polis).
No “Parque” José Afonso, foi realizado um “pórtico” que enquadra um auditório com capacidade para 2500 pessoas (números oficiais). Esta estrutura era para ter sido, no programa inicial, acompanhada de uma outra, mais leve, para a realização de feiras temáticas e de um parque de estacionamento subterrâneo, que não se realizou por falta de interesse no “negócio” por parte dos privados. O investimento público foi para mais de 4 milhões de euros, na dita estrutura e arranjo exterior. Dando de barato a qualidade arquitectónica da intervenção vamos apenas referir – nos à sua oportunidade. Para se fazer esta intervenção foram retirados do Largo José Afonso, a Academia de Dança e o Grupo Desportivo, servindo, ainda, de pretexto para se “deslocalizar” a Feira de Santiago para as Manteigadas – dando, ai, origem a outro Parque (será praga!!?). Isto tudo com o objectivo de «requalificar» e «manter o carácter identitário do espaço com as representações sociais da população» assim como para atrair «novos públicos» segundo o PES. Seria cómico se não fosse trágico. Numa cidade carente de tudo é “obra”! Para perceber o desvio do que faz falta à cidade basta referir o adiantado estado de degradação do Fórum Municipal Luísa Todi onde se realiza, entre muitos outros, o evento cultural com maior projecção da cidade: o Festival de Cinema de Tróia. Apesar de este edifício também se situar dentro da zona de intervenção, ninguém se terá lembrado dele? Não poderia este constituir um espaço de «requalificação urbana», sendo ele próprio (re) qualificado?
Passemos ao «Parque Urbano de Albarquel», o único digno dessa designação. Esta intervenção parece-nos a que mais sentido faz e que mais benefícios poderá trazer aos Setubalenses e a quem nos visita. Recuperar uma praia urbana para Setúbal é, para além de um reencontro com a sua história, um potente elemento de «aproximação da cidade ao Rio», com as inerentes valências ambientais, lúdicas e turísticas que, inevitavelmente, trará. No entanto a gestão de um espaço limitado por duas “zonas fronteira”, o rio e a serra, não é fácil. E o programa proposto não nos parece suficiente para manter “vivo” o parque. Um «ringue/campo» um «café bar com esplanada» e «dois edifícios de apoio» para «associações recreativas», não nos parece chegar para manter um espaço com estas características afastado de uma degradação a prazo. Já temos algumas experiências na cidade – e fora dela - que nos permitem perceber os seus riscos. Um uso multifuncional, um pouco mais intenso e com horários diferenciados era importante para manter qualificado um percurso com este potencial. A desejada Marina podia ajudar a resolver boa parte do problema, mas, na sua ausência, devem-se procurar, desde já, alternativas.
Por último a «Reabilitação e Revitalização da Av. Luísa Todi» parece-nos a mais desprovida de sentido. Falaremos apenas em dois:
Esta avenida é dos poucos espaços urbanos em Setúbal que não têm necessidade de “reabilitação”. É um espaço com “carácter” que não “envergonha” ninguém. Apesar de ser passível de melhorias, especialmente na sua requalificação pontual (ex: os tão característicos “assadores” de peixe que, tão mal integrados estão, e sobre o qual o Polis não se pronuncia). Admitimos, no entanto, que necessite de alguma “revitalização”. Contudo a responsabilidade não é “sua” mas das suas zonas adjacentes. Esta está situada entre: a “baixa” (comercial), a zona portuária (serviços) e a zona piscatória. Tudo espaços decadentes, monofuncionais, sem população residente e a necessitarem de reconversão urbana urgente. É, por isso, difícil de entender o porquê de intervir na melhor parte, deixando as que verdadeiramente necessitam, sem resposta.
Outro aspecto intrigante é a alteração da circulação viária, suprindo a via norte da avenida e criando «um novo itinerário giratório» entre a via sul e a Rua da Saúde/Av. Jaime Rebelo (via portuária). Para além da fase das obras, que vai gerar um previsível caos na cidade, este novo traçado viário na Luísa Todi parece-nos ir agravar o trânsito em Setúbal, sem se resolver nada do que é verdadeiramente urgente: recuperar o centro histórico e a zona ribeirinha levando para lá novos habitantes e novas funcionalidades urbanas, valorizando toda a zona patrimonialmente mais rica aproximando a cidade do rio.
A Luísa Todi, continua a ser a única verdadeira circular que temos, na ligação entre as suas partes ocidental/oriental, fruto da fractura urbana exercida pelo caminho-de-ferro. É uma realidade indesejável mas é a nossa realidade e, tão cedo, não se vislumbra outra. No entanto, querem acabar com ela, gastando para isso 12,5 milhões de euros, sem trazer vantagens que o justifiquem. Temos horror ao desperdício, justifica-se tal opção? Pensamos que não.
Mas este conjunto de más opções é difícil de corrigir e ainda mais de travar. Politicamente é quase impossível. Da parte da maioria camarária, não se vislumbra qualquer esperança de mudança. Resta-nos apelar ao bem senso. E debater intensamente o melhor para a cidade. Parte do que atrás referimos poderá ainda ser corrigido mas para isso é necessário muito empenho, coragem e visão. Estarão os diversos actores disponíveis para ter um Polis com sentido?

Publicado hoje no Jornal de Setúbal


(Imagem do Programa Programa Polis - Av. Luisa Todi)

terça-feira, janeiro 2

Salamanca

Uma das maiores desvantagens que temos face aos nossos hermanos é a sua qualidade de vida urbana. As suas cidades são uma maravilha. Não só pela sua preservação e conservação da cidade antiga mas , também, pela forma como cresceram e a vivem. E vivem-na intensamente. Sempre. A construção das cidades não é feita por um mas por todos. Aqui deixamos um pequeno testumunho porque as cidades são feitas assim:

Todos por la calle

Este óptimo hábito urbano de que o Espanhois não abdicaram. O andar na Rua. A cidade não é dos carros e dos "excluídos". É de todos.

Exemplar foi ver, no primeiro dia do ano, familias inteiras a passearem na rua com as suas melhores vestes, onde as senhoras se destacavam nos seus casacos de peles, politicamente pouco correcto sabemos, mas demonstrativo da importância dada à cidade. A sua cidade merece o melhor no ano nuevo.


Catedral Nueva.
A sua imponência é esmagadoramente presente.

Café Novelty,

fundado em 1905 em plana Plaza Mayor. Um explendido exemplo de interiores Arte Nova, que se mantem cheio de vida. Até bem tarde.


Plaza de S. Boal, à direita com o Palacio de San Boal, actual Academia de las Artes.


A típica Plaza Mayor, um aspecto comum a quase todas as grandes cidades de Espanha, toda realizada de um único "traço" durante o século XVIII.

Uma das maiores de Espanha. Onde estiveram, de acordo com los periódicos locais, cerca de 4000 personas. Entre os quais nosotros. Cantámos o hino de Portugal, antes da meia noite. Éramos muitos em Salamanca na noche vieja.

Salamanca, conhecida pela sua vida universitária, é muito mais que isso. Cidade a não esquecer.

quinta-feira, dezembro 28

Rosa Magnífica



O Porto sempre D'ouro.



Rever o Porto é sempre uma delícia. Tivemos sorte. Estava um dia de sol esplendoroso. Estivemos por lá no dia 26 de Dezembro, o dia em Rui Rio não tinha concedido “ponte”. Recordam-se? O “povo” parecia satisfeito. As ruas estavam limpas e os serviços e o comércio abertos.

Fomos em “visita de estudo” particular, estudar como anda a correr o Porto Vivo – A Sociedade de Reabilitação Urbana criada para intervir na cidade “velha”. A experiência parece estar a correr bem. Apesar de demorada pela natureza da intervenção, por ser uma operação de grande complexidade e pioneira no país. Logo muito experimental. O tempo da cidade é sempre mais longo que o dos homens.

Almoçamos no Guarany, um belo café, "à antiga" mas recuperado, em plena Avenida dos Aliados. E ainda tivemos o bónus de poder visitar a magnifica livraria Lello, assim como de conhecer a Casa da Musica e passear no Parque da Cidade ao fim da tarde. Um dia em cheio que devo ao meu patrício do norte.

Mas o que mais fascina é sempre o Douro e a sua relação com as duas margens. Magistral.

sábado, dezembro 23

Coisas cá de casa

Amadeo de Souza-Cardoso V




Já aqui falámos e temos mostrado algumas das suas obras, mas só ontem fomos ver a exposição na Gulbenkian. Em família.
Apesar de já conhecermos algumas das obras acabámos por ficar surpreendidos com a qualidade excepcional do acervo.
Imperdível.

segunda-feira, dezembro 18

Fernando Lopes Graça


Acabou agora o documentário sobre Fernando Lopes Graça na RTP1. Pena ser tão tarde. Parece ser só visível para os “sem sono” ou aos profissionais noctívagos. O direito a assistir a um pouco de “cultura erudita” na televisão só a estes parece reservado.

No ano em que se comemora o centenário do nascimento de Fernando Lopes Graça, o documentário propõe uma viagem pela vida e obra deste grande músico e maestro, tendo como pano de fundo uma entrevista gravada em 1993, um ano antes da sua morte.” Diz a nota televisiva.

Conhecemos pouco da sua obra. Mas esta merecia ser mais reconhecida e divulgada. Por ser menos acessível ao grande público pelo grau de erudição, FLG, não teve a divulgação de outros, mais populares, cantores e compositores de intervenção. Tendo quase caido no esquecimento "auditivo" nos últimos anos. Mas é, agora, possível ter acesso a uma colectânea da sua obra que a pode tornar mais acessível a novas gerações.

No entanto do documentário saltou uma questão sobre a qual há muito reflectimos. Não deixa de ser curioso que, apesar de viver num regime ditatorial, profundamente nacionalista, existiu uma geração de grandes vultos da nossa cultura que procuraram insistentemente uma nova síntese para a cultura e expressão portuguesa. Profundamente ligados a uma certa ideia de identidade portuguesa. Apesar de muitos deles terem sido opositores ao regime salazarista. FLG inclui-se neste rol. Mas podíamos destacar, Fernando Távora na arquitectura, Orlando Ribeiro na Geografia, Miguel Torga na literatura, Agostinho da Silva na filosofia, só para citar alguns.

O interesse pela raiz popular da nossa cultura – talvez a nossa única expressão verdadeiramente genuína, como referia Maria Belo no outro dia – foi comum aos dois extremos ideológicos do regime, Comunismo e Fascismo. A procura de uma ideia de genuína “portugalidade” servia de legitimidade ideológica. O povo rural e fechado mas cheio de identidade era a fonte. Uns procuravam mantê-lo imóvel outros procuravam a sua “libertação” mas ambos os “lados” o veneraram, nas suas características mais profundas, ou pelo menos nas suas formas de expressão cultural.



"Fernando Lopes Graça"
Realização de Graça Castanheira
18-12-2006 01:00
Nascido em Tomar, Portugal, em 1906, Fernando Lopes Graça morreu em 1994. O compositor e musicólogo, criou um estilo intimamente ligado às raízes da música popular portuguesa. Encarcerado durante o regime do Estado Novo, Lopes Graça, foi elevado a herói após o 25 de Abril de 1974. Dedicou o seu Requiem, em 1981, às vítimas do fascismo português.

Agustina III



"Qual a maior sabedoria?

Distinguir o bem do mal."

in Ela Por Ela

18-12-2006 00:30
Conversas entre Agustina Bessa Luís e Maria João Seixas, numa viagem em torno da pátria dos provérbios e dos aforismos.


Vale a pena não perder alguém que pensa e fala livre e sabiamente. Rara portanto.

quinta-feira, dezembro 14

Onze Artistas

Porque também podem acontecer coisas interessantes em Setúbal, deixamos aqui a sugestão para visitar a exposição "Onze Artistas". A decorrer no edifício da AERSET (antigo Banco de Portugal) na Av. Luisa Todi, até 16 de Dezembro (próximo sábado).

Resultado de organização conjunta da FLAD e da Câmara Municipal de Setúbal, apresenta trabalhos de: Helena Almeida, Michael Biberstein, Fernando Calhau, Alberto Carneiro, José Pedro Croft, Ana Hatherly, Álvaro Lapa, António Palolo, João Queiroz, Rui Sanches e António Sena. Todas as obras fazem parte da Colecção da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento e foram fruto de uma selecção por parte da Câmara das obras a expor.

A exposição reúne um conjunto de obras, de autores ,com percursos artísticos notáveis, no nosso contexto artístico. Apesar de pequena, pelas limitações do Espaço, está bem organizada e o desenho do espaço está interessante, aumentando a sua exiguidade. A não perder.


A entrada e o nome dos artistas


O catálogo



João Queiroz

Da série "O Ecrã no peito"

Sem título

1999



João Queiroz

Série "O Ecrã no peito"

1999


Michael Biberstein

Sem título

1992


Ana Hatherly

Carta Cheia de esperança

1973



Alberto Carneiro

Arte-corpo/corpo Arte

1976/78



Estivemos na exposição no contexto de uma visita de estudo com uma das turma de Artes Visuais da Escola Secundária Dom Manuel Martins.


A visita guiada, pelo arquitecto da exposição, Manuel Augusto Araújo.


Os professores e o guia, em frente a um quadro de António Palolo, numa fotografia publicada no site da CMS.

segunda-feira, dezembro 11

A Árvore de Natal Reciclada

Árvore de Natal

Mariana Pereira Pisco
e Avó Tété

2006
Uma árvore de natal feita apenas de materiais reciclados. A beleza pode andar longe do custo...Basta imaginação.

domingo, dezembro 10

Menos um...

No tempo do Cinema


Deu há pouco um documentário lindíssimo sobre João Benárd da Costa (JBC). Valeu a pena ser visto. Boa parte dele passou-se na Arrábida, uma das paisagens de eleição de JBC, ligado a esta desde a sua infância. E dentro desta o Convento Franciscano o lugar de eleição. Os monges sabiam como ninguém escolher os seus lugares. Aos Franciscanos, com pouco mais podiam se satisfazer, tal a frugalidade existencial a que se obrigavam. Contemplar era quase o que lhes restava, para além da oração, e neste caso não teriam do que se queixar. JBC fala de um pouco de tudo, mas como sempre mais de cinema. E muitos falam sobre ele e sobre o que este “monstro” da nossa cultura foi representando para as várias gerações de portugueses, mais ou menos eruditos.

Os testemunhos de muitos atestam só por si a sua relevância e transversalidade num universo tão limitado quanto o que se viveu, e, de certa forma, ainda se vive em Portugal: Alberto Vaz da Silva, Vasco Pulido Valente, Alberto Seixas Santos, João Mário Grilo, Jorge Silva Melo, Miguel Lobo Antunes, Fernando Lopes, Maria João Seixas, Agustina Bessa-Luís, Manoel de Oliveira, Manuel S. Fonseca, Rita Azevedo Gomes, José Manuel Costa, Paulo Filipe Monteiro, Guilherme d' Oliveira Martins, Lucília Alvoeiro, Maria Alice Castro e dos 4 filhos, João Pedro, Mónica, Sofia e Ana.

Este senhor é um daqueles casos a quem o país deve muito. A muitos níveis, sendo o mais visível o cinema. Mas sendo, sobretudo um ser culto e “nobre” no verdadeiro sentido da palavra, nunca o reclamou. Sempre universal mas ao mesmo tempo claro, no seu grau de erudição. Já tivemos a oportunidade de o ver e ouvir algumas vezes, na sua Cinemateca, experiência essa, sempre enriquecedora.

A última grande lição que este senhor nos deu foi o facto de não se querer reformar (da Cinemateca), apesar de a tutela – ou os burocratas do Ministério da Cultura – o desejarem. Mas felizmente, para todos nós, JBC gosta do que faz e encontra nisso a melhor forma de continuar a viver. A todos os níveis exemplar.

A Turquia outra vez...


A entrevista de Luís Amado - Ministro da Defesa - no Público, de Sábado, refere que:
O 11 de Setembro introduzio uma nova lógica internacional e que a "Europa tem de perceber que a Turquia, como um grande Estado islâmico com um regime laico, democrático e com uma profunda relação com a região do grande Médio Oriente, tem de ser encarada neste novo contexto estratégico, e não tendo apenas em conta os factores de referência que tinham a ver com outra realidade. "

Apoiamos.