segunda-feira, setembro 3

A Queda de Roma e o fim da Civilização



Respondendo a um desfio de JA feito há mais de um mês, vou falar sobre 5 livros. Não os cinco mais marcantes da minha vida. Até porque me parece sempre uma tarefa demasiado difícil ou mesmo impossível, mas só aqueles que tenho lido nos últimos tempos.
“A queda de Roma e o fim da civilização” de Bryan Ward-Perkins, (editado pela Aletheia).

Este livro, relativamente pequeno (cerca de 300 paginas), para tão grande tarefa e já tentada por tantos. O autor, de um rigor e clareza extraordinários, coloca desde o início do livro o leitor face ao problema abordado. Sem “peias” nem omissões. O que torna o assunto inteligível a qualquer leitor, mesmo não especialista na matéria. Apesar de ser por vezes exaustivo na “procura da prova” histórica que legitima e informa as suas posições. Sempre com uma abordagem muito “cientifica” na procura da verdade. Nunca perdendo de vista a sua própria formação de arqueólogo coloca ai muitas das suas linhas de pesquisa.
No fundo Perkins contraria as novas “correntes históricas” europeias que colocam a transição do Império Romano do Ocidente como uma mera «acomodação» entre os povos bárbaros do norte da Europa e os habitantes do seu interior. A “eurofilia” paga por Bruxelas, na tentativa de criar uma nova identidade, já não centrada na construção do estado nação mas na Europa, é rebatida com factos pelo autor.
A queda de Roma representou o desmoronar de toda uma civilização, não só do ponto de vista cultural, mas material. Sendo o autor arqueólogo é através dos artefactos que este nos dá uma visão do que foi a decadência do “nível de vida” material de todo um império que vivia já num elevado estado de sofisticação. E este só é possível com uma especialização e um comércio muito intensivo. Que sendo quebrado provoca o desmoronar de todo o saber, inclusive no plano tecnológico, remetendo toda uma população para o limiar da sobrevivência. Em alguns aspectos certas zonas da europa só voltam ao mesmo “nível” mais de mil anos depois. Mesmo do ponto de vista demográfico.

O livro torna-se muito pertinente para qualquer um que se interroga sobre o mundo onde vive e de como esse mundo pode ser “circunstancial”. Acabamos com a última frase do livro para o ilustrar. «Os romanos, antes da queda, estavam tão certos como nós estamos hoje de que o seu mundo continuaria sempre substancialmente inalterado. Estavam errados. Seria sensato não repetir a sua complacência.»

Muito interessante.




Quadro que ilustra a decadência de Roma que conduziu à sua queda, segundo a perspectiva de alguns historiadores ao longo da historia.

Museu d'Orsay

sábado, agosto 18

Paula Rego




Paula Rego


Time-Past and Present


A propósito de uma série de documentários que hoje termina que nos acompanharam ao longo da semana, a hora muito tardia na RTP2.

É, juntamente com o de Agustina (ontem), o que nos parece ser mais conseguido de todos os que foram apresentados. Não sabemos se será pela qualidade superior, na nossa modesta opinião, das artistas em si. Mas o que é facto é que nos parecem estes dois últimos documentários menos paroquiais, de maior qualidade, mais universais. Talvez porque as duas artistas estão mais presentes, falando na primeira pessoa da sua obra contribua para esta apreciação. Deixar falar o artista acerca da sua obra é quase sempre mais estimulante. Pelo menos para aqueles que se interessam pelo processo criativo em si e menos pela especulação gerada por outros em torno dessa mesma obra.



Dancing Ostriches

quinta-feira, agosto 16

Sagres



Paulo Pisco

Sagres

Agosto 2007

Alguém nos pode explicar porque está fechada a fortaleza de Sagres nas segundas-feiras, mesmo em Agosto. Haverá concerteza muitos dias do ano em que não existirão visitantes, mas no Verão não faz qualquer sentido fechar. Nós, assim como muitos outros naquele dia, ficámos a ver a paisagem e a fortaleza do lado de fora. O "funcionalismo" devia ter limites.

domingo, agosto 12

Galé


Paulo Pisco

Galé.Algarve

2007


A Galé é uma das praias mais belas do Algarve. É cá que estamos no merecido descanso familiar, com a bela varanda virada paro o mar.
Em Agosto está cheia de gente, como todas as outras praias por aqui. Não nos podemos queixar. Não queremos todos igualdade de oportunidades. E não defendemos que a democracia só se completa com a democracia económica. Então não nos podemos queixar. Apenas tentar fugir à mole humana que nos persegue para todo o lado. E como é possível? Ficando em casa. Usufruindo da vista. Não comer em restaurantes nas imediações. Ir para a praia a pé. De preferência não mexer no carro a não ser para deslocações para fora das zonas mais próximas – tipo sudoeste alentejano. Na praia ir a horas menos próprias, como o inicio do dia ou o seu final.
Ironia das ironias, o tempo não está bom para os “lagartos”, não esses que começaram bem a época, mas o que vieram cá só para fritar.
Continuação de bom descanço.





quarta-feira, agosto 1

Barcos 8

Paulo Pisco
Fuzeta
2007

Fuzeta

Paulo Pisco
Fuzeta
2007

A caminho da Fuzeta, a partir da Armona. A "ilha" que lhe está em frente. Esta pequena terra tem um encanto muito particular. Um modo de ser e de estar fora de época, sobre o qual falaremos mais tarde.

sábado, julho 28

Finalmente


praia, mar, muito mar. Descanso. Leitura, muita leitura. Briancar e jogar em família. Boa vida, como se usa dizer.
Até já.

quinta-feira, julho 26

Portugal Profundo


Georges Dussoud

Alturas do Barroso
Agosto de 1983


Este fotógrafo, que tem percorrido Portugal nas ultimas três décadas, retrata, pelo menos no que nos foi dado a ver pela imprensa, um “Portugal Profundo”. É muito interessante ver neste trabalho - Crónicas Portuguesas, a exposição retrospectiva do fotógrafo francês Georges Dussaud (n. Brou, Bretanha, 1934), patente na Cadeia da Relação/Centro Português de Fotografia (CPF), no Porto - um Portugal que ainda existe, ou existiu até à poucos anos, mas que está, pelo menos à superfície, muito mudado.

Mas é importante perceber que na década de 80 Portugal tinha zonas (muitas) que do País com um tipo de vida muito diferente daquilo que hoje imaginamos ou recordamos (ou queremos recordar) desses tempos. Se não tivéssemos a informação podíamos pensar que estas fotografias se referiam a um qualquer país longínquo situado no “terceiro mundo”. O mundo mudou muito e nós ainda mais. Mas é bom perceber que muito do que mudou foi por “fora”. Por dentro ainda conservamos muita da “pobreza” que observamos nestas imagens, tendo perdido alguma da sua riqueza.

É sempre bom perceber o que somos enquanto nação, para não nos deprimirmos muito nem embandeirarmos demais.

A não perder.

terça-feira, julho 24

Luís Filipe Menezes


resolveu avançar, quando tudo fazia prever o contrário. Pensamos ser um acto positivo. Na entrevista da SIC noticias esteve bem. A coragem de avançar é, nos tempos que correm, em si um factor positivo. Querer mudar e dar a cara por isso é algo cada vez mais raro. Só por isso vale a pena aplaudir.

segunda-feira, julho 23

Erva


Uma nova série norte americana que começou hoje na RTP2. Na linha de “Donas de casa desesperadas”, parece ser mais no “osso” na crítica ao estilo de vida sub urbano tipicamente americano e só aparentemente sem mácula. Onde todos fingem disfarçar o que todos sabem, em torno daquele pequeno mundo que é a zona residencial onde moram. Uma vida pouco interessante exposta a uma critica ácida e mordaz, sem contemplações.A acompanhar com atenção.

domingo, julho 22

Cantos Livres II

Fomos assistir ao espectáculo “Cantos Livres”. Em família. José Mário Branco, Francisco Fanhais e Tino Flores ainda estão em grande forma. A voz ainda lá está. O sentido das letras e das conversas tidas são, conforme o orador ou o poeta, mais universais ou mais "datadas".
Dependendo da qualidade de cada um. O calor humano e fraterno de um momento quase intimista naquela sala do “Luísa Todi” soube bem. Até as crianças gostaram bastante. Quem não aprecia o calor humano de uma noite vivida e partilhada, com público e cantores.

Sentimos no entanto que para muitos outros significou a memória do tempo que nunca foi mas sobre o qual se sonhou bastante sem se chegar a viver. Para esses estas canções são já só memória. Por vezes amarga. Para outros um momento importante e inesquecível da nossa história. Mas o que continua a valer é esse encontro. Mesmo com temas passados, até “fora de moda” mas que se sentem sempre positivamente.

Cantar esse grande compositor/autor/cantor, Zeca é, e será no futuro, uma homenagem ao melhor da nossa cultura musical.

domingo, julho 15

Mas

estes resultados podem, se bem analisados, ser esclarecedores do panorama politico nacional num futuro próximo.

Resultados em Lisboa


Estes resultados em Lisboa são muito curiosos. Parece-nos relativamente claro o seguinte:

Os Lisboetas não querem eleições antecipadas, querem que lhes resolvam os problemas;

António Costa e o governo continuam em alta;

Carmona não é penalizado, como anterior Presidente de Câmara;

O PSD fica com o ónus de tudo o que de mau aconteceu neste processo.

Helena Roseta apesar de ter uma mensagem e uma atitude “interessante” não consegue ultrapassar a barreira do “candidato simpático”, sem perfil de governação.

Os pequenos partidos do arco parlamentar estão cada vez mais pequenos;

Os outros não existem;

A “direita” actual corre alguns riscos de sobrevivência.

Os filhos da "geração instalada" não têm filhos

Durante a última semana várias noticias e artigos de opinião sublinharam a suspeita que temos, de alguns anos a esta parte, que um novo conflito politico e social se pré anuncia.

O INE informou que atingimos em Portugal o número mais baixo de nascimentos desde que existem registos. Tendo esta tendência sido muito acentuada nos últimos anos. Este número é, quanto a nós, reflexo de uma mudança acelerada e profunda que a sociedade portuguesa atravessa. Esta tendência, generalizada na Europa, é, agora mais acentuada entre nós. Porquê?

Existirão, com certeza, várias razões para justificar esse fenómeno mas é na dificuldade em vislumbrar expectativas “positivas de vida” que poderemos encontrar boa parte da explicação. Quem não acredita no futuro, dificilmente encontra motivos para o prolongar. E ter filhos é também um sinal de esperança. De vontade de prolongar a nossa existência. O que parece estar a deixar de existir. Até porque as novas gerações vão ter um encargo crescente não com os filhos mas com os pais, ainda que não directamente mas de forma indirecta.

As novas gerações vivem um problema complicado e de tipo novo. Mais exigentes e individualistas vêm-se “entaladas” num mundo desigual. Com maior instrução que a geração que os precedeu vem a sua expectativa de vida muito diminuída. Vivem num território mais desarticulado, perdem mais tempo em transportes, não têm perspectivas a longo prazo, o que torna a sua vida menos previsível, sendo obrigados a trabalhar mais e por menos dinheiro. Os laços familiares e conjugais também já deixaram de ser valores seguros. Ambicionam a mesma segurança que os seus pais tiveram mas percebem que não é possível voltar para trás. O mundo hoje está diferente, mais pequeno e outras regiões do globo também querem viver “tão bem” como nós. E isso gera uma forte competição, que aparentemente não irá diminuir, antes pelo contrário.

E tudo isto acontece ao mesmo tempo que a “geração instalada” - como lhe chamou o Editorial do Expresso do último Sábado - dos seus pais e avós, vive numa situação relativamente confortável. Com empregos inamovíveis ou reformada precocemente está com muitos anos de vida pela frente e sem estar disposta a “perder” nada do que lhes foi prometido. Os famosos “direitos adquiridos”. Tudo isto é recente em Portugal o que torna, entre nós, a sua percepção mais aguda.

Esta desigualdade geracional pode vir a tornar-se num dos grandes conflitos futuros. As novas gerações vão ter cada vez mais a percepção que têm a suas carreira profissionais condicionadas ou mesmo fechadas. Sem qualquer perspectiva de reforma e em perda crescente de “direitos sociais” vão sentir que estão a pagar excessivamente o bem-estar de outros. Com a previsível perda dos vínculos geracionais de entre ajuda – de pais para filhos – vai-se acentuar a noção de desigualdade. O mito da eterna juventude que graça numa sociedade cada vez mais envelhecida está a gerar hábitos diferentes nesta população. Com maior poder aquisitivo e mais saúde por mais anos, os novos velhos tendem a estar mais centrados nos seus próprios objectivos e menos nos dos filhos e netos dos quais cada vez menos dependem. A inversão da pirâmide etária vai agudizar o problema. Em democracia a maioria ganha. E a maioria cada vez mais velha vai tornar mais difícil qualquer mudança. Ninguém quer perder o que já tem.

Toda esta conjuntura pode ser o gérmen do conflito de tipo novo que referimos inicialmente, agora já não entre classes sociais mas entre gerações. Mas onde a diferença de idades não reflecte qualquer mudança cultural ou ideológica – como no Maio de 68 – mas apenas a necessidade de sobreviver em condições de relativa igualdade.

Com esta percepção do mundo, da espécie e da família “arriscar” ter filhos não é decisão fácil e por isso cada vez são menos os que a tomam. Será natural? Talvez, mas aumenta o problema. Menos filhos é sempre igual a mais velhos.

sexta-feira, julho 6

A virtudeZita

Zita Seabra

Vimos ontem a entrevista com Judite de Sousa na RTP1, a propósito do lançamento do seu livro “Foi assim”. Ainda não tive a oportunidade de o adquirir e ainda menos de o ler, com a excepção algumas partes que foram alvo da pré-publicação do jornal “Público” no dia 1 de Julho de 2007. Mas deixou-nos a vontade de o fazer.
No entanto não era sobre o livro mas sobre a entrevista que, para já queríamos reflectir. Porque nos parece pouco comum, entre os “ex-camaradas”.

Desde há muito que acompanhamos o percurso político de Zita. Dos tempos heróicos do PCP à sua dissidência. Da travessia no “deserto” à “imperdoável” aproximação ao PSD. Houve nesta ex-comunista algo de diferente. Algo que a diferenciou de muitos outros. A franqueza e até a honestidade intelectual que colocou em todo o processo. Alguém que rompe com toda uma vida de activista convicta e não se desculpa nem “reconstrói” a sua história é digno de admiração. Quem tem ou teve a coragem, vindo do comunismo, de dizer que é uma ideologia que não conduz senão ao totalitarismo? Muito poucos. Só por isso Zita merecia a nossa atenção. Mas esta não deixa o seu “passado negro” com os que lá ficaram. Não. Assume toda a sua (ir) responsabilidade por ter lutado daquele lado. Mais, diz que o fez com toda a convicção. Sem dúvidas. Como se quer de uma verdadeira comunista. Mas diz também quando as começa a ter. O que tentou fazer, enquanto acreditou que o comunismo era “reformável” e de como percebeu que não o podia ser de facto. Tudo isto é relatado sem subterfúgios. Sem tangas. Apenas com objectividade. Assumindo a sua verdade dos factos. É muito raro entre nós. E é essa crueza de Zita que a torna proscrita para boa parte da esquerda que nunca teve a coragem para o fazer. Nunca a teve a liberdade pessoal e intelectual para o dizer.

Mas Zita cometeu mais um pecado. Tornou-se do PSD. E isso tornou-a para a maioria da esquerda um mulher “sem moralidade” politica. Pois afastar-se do Comunismo é tolerável mas “sair” do espaço da esquerda isso já é imoralidade. Sim porque para muita gente a superioridade da esquerda é “moral”.

Zita com esta entrevista e supomos com este livro, não pretendeu fazer um ajuste de contas com a sua história. Apenas relatá-la. E isso, em si, já é muito saudável. Uma virtude. Redime o seu passado? Não, mas acrescenta.

sábado, junho 30

Estrada


Fazermo-nos à estrada tem sempre um sabor de aventura. Entre o ponto de partida e oponto de chegada a estrada ocupa o caminho. O espaço entre os lugares. O tempo em que o imaginário deixa o presente e se projecta no futuro.

quarta-feira, junho 27

Goodbye Tony


João Bosco Jacó de Azevedo

Gostando ou não marcou esta década. A "esquerda democrática" não mais voltará a ser mesma.

sábado, junho 23

Uma década


Luís Torgal


Já fez dez anos a nossa filha. Foi em 1997 que nasceu. Pelas 18.30. Num dia de calor. Muito calor. Tem sido, desde então, uma luz nas nossas vidas.
Parabéns Mariana.
Aqui fica uma flor.

sexta-feira, junho 22

Amarcord


A família


A senhora da tabacaria.



A "canalha"


Volpina



Amarcord é um belo filme. Aconselhável a nostálgicos. No dia em que o nosso pai faz 70 anos, foi uma espécie de prenda dada pela RTP1. Apesar de a hora ser muito tardia.

Este é um filme sobre uma realidade que definitivamente mudou. Que já não é reconhecivel pela grande maioria das novas gerações. Tendo nós vivido a infância já nos anos 70, o “ar do tempo”que se respira no filme está muito próximo das nossas memórias. O filme retrata os anos 30, infância de Fellini, o seu realizador. Apesar de ter sido realizado só nos inícios da década de 70. Existem um conjunto de aspectos que são semelhantes: A importância da família alargada, a convivência lenta da vizinhança, uma certa pobreza material mas uma enorme riqueza vivencial. Não nos referimos à multiplicidade de experiências - que não podiam existir num mundo essencialmente rural e provinciano de Rimini, vila natal de Fellini, onde se passa a acção - mas à sua intensidade.
Tudo o que é essencial aqui é retratado de forma exacerbada, quase caricatural.
A importância da família. A educação aparece, mais ligada à imagem dos professores do que aos seus conteúdos, no caso um pouco “absurdos”, no mínimo. Assim como as figuras que os tranmitiam.
A descoberta do amor e o desejo onde Gradisca, Volpina ou a senhora da tabacaria, ocupam o imaginário dos jovens que se perdem por qualquer forma mais voluptuosa.
A comunidade, a politica e a religiosa envolvente é aqui muito presente marcada. Vivia-se a ascensão do fascismo de Mussolini. Com tudo o que isso tem de risível.
Até o aparecimento desta “moda” então recente, das idas a banhos durante o verão é aqui retratada. È bom esclarecer que Rimini é actualmente o “Algarve” lá do sitio.
Mas tudo isto misturado com uma grande dose de “surrealismo” que marca as nossas memórias de infância. Mas (não) serão todas assim? Talvez. Mas a riqueza vivencial essa não sei se não se terá definitivamente perdido. Num mundo de experiências, só aparentemente mais diversificadas, a diversidade só chega quando estão sentados no sofá. E essa não sei se constituirá memória futura? Se chegará.
Mas Amarcord de Fellini é apesar de tudo um filme que poderá ajudar a perceber um mundo que deixou de existir, mas que ainda constitui a memória de muitos entre nós. Particularmente os do sul. Supomos. Num País que só há pouco deixou de ser essencialmente rural este universo ainda faz sentido. Hoje, e apesar de continuar provinciano tornou-se um gigantesco subúrbio. As memórias serão outras.

O filme, esse, uma delicia a não perder.

segunda-feira, junho 18

Divulgação

Convite

"A recente decisão do Governo de efectuar um novo estudo para a análise comparativa da localização futura do aeroporto que substituirá a Portela, e claramente referindo Alcochete como essa alternativa, levanta questões importantes para a região e naturalmente para a sua capital de distrito que é a cidade de Setúbal.
A capacidade potenciadora do investimento e de desenvolvimento económico que um equipamento deste tipo comporta exige que sejamos esclarecidos sobre causas e efeitos e sobre todos os factores presentes e que estão subjacentes à construção deste equipamento, caso naturalmente se venha a concretizar na margem Sul do País.

Por um lado, os investimentos a concretizar na área da península de Setúbal, não só nas infra-estruturas da cidade aeroportuária mas também na construção das acessibilidades, podem ser decisivos no arranque do desenvolvimento económico e na criação de emprego numa região que como é sabido apresenta índices baixos de empregabilidade. É portanto uma oportunidade para a Península de Setúbal e para as empresas aqui sediadas que poderão beneficiar das acessibilidades construídas e os impactos financeiros podem vir a revelar-se na região de uma forma positiva.

Por outro lado, nesta região que tem apresentado os indicadores mais excelsos de protecção e de preocupações ambientais, a zona de Alcochete localizado nas bacias sedimentares do rio Tejo e do rio Sado que inclui algumas zonas especiais de protecção da natureza europeia, ganhou em 2004 o Prémio de Defesa Nacional e Ambiente e está próximo a uma rota de migração de aves pelo que o impacto que a construção de um aeroporto e a sua utilização pode acarretar são assuntos que importa acautelar e discutir com maior ou menor profundidade.

Considerando estes aspectos, a do desenvolvimento económico e a defesa estrita de uma política ambiental, a LASA entende que este assunto é de grande interesse público e da maior actualidade. E uma vez que a proximidade dos meses de Verão não permitiria discuti-lo senão próximo do fim do ano, numa altura em que deverão estarem concluídos os estudos e tomada uma decisão, a LASA considera oportuno neste momento, fazer uma discussão pública sobre os reflexos e os impactos que a construção de um novo aeroporto na margem Sul implicará sobre todos os nós.

Entende também a Lasa que o debate deverá servir para esclarecer algumas das questões mais importantes que rodeiam o assunto, caso dos temas da ecologia e do ambiente, do tráfego aéreo e do direito e também a clarificação de outros locais apropriados e identificados como alternativas à solução OTA.

Assim, a Liga dos Amigos de Setúbal e Azeitão vai promover um debate público sobre a construção do novo aeroporto na margem Sul, em Julho. Pretendemos ouvir os Setubalenses e Azeitonenses, as instituições da cidade e do concelho, para além de instituições representativas do distrito. Deverá ser uma primeira discussão pública de natureza mais genérica a que se deverá seguir no final do corrente ano de uma outra, mais específica.

A Liga dos Amigos de Setúbal e Azeitão convida V.EX.ª a estar presente no debate sobre a “Construção do Novo Aeroporto na Margem Sul”, a realizar no dia 3 de Julho pelas 21 horas no Clube Setubalense. Serão oradores no debate, o General Lemos Ferreira, o Professor Paulino Pereira e o Professor José Manuel Palma.

Esperando contar com a vossa honrosa presença na iniciativa, apresentamos os nossos mais sinceros cumprimentos.


Setúbal, Cidade do Rio Azul, 15 de Junho de 2007
Pela Direcção


Carlos Alberto Pires da Silveira
Presidente
"

segunda-feira, junho 11

Maldito Status



Parece que o dito nos dá cabo da existência. Hoje vamos ter o início de uma série sobre o assunto, que parece valer a pena. A ver vamos.

Na RTP2 pelas 23.45h.

Titulo: Mundos: A Ansiedade Do Status

Sinopse: Somos mais ricos do que nunca. Vivemos mais tempo, temos mais bens e perdemo-nos em grandes luxos. Então, porque não conseguimos ser mais felizes?! Contudo, existe uma preocupação acima de tudo que nos consegue tirar o sono: "o status". Terei sucesso? Será que tenho o carro e as roupas certas? Será que as pessoas pensam que sou um falhado?
Série documental de Alain de Botton, escritor e apresentador de televisão.

Divulgação

A Ad Urbem está a promover um encontro para apresentação e discussão dos projectos de revisão em curso dos diplomas legais do urbanismo e da construção, intitulada, Jornadas de Direito do Urbanismo e da Construção "Os novos regimes legais".

As jornadas realizar-se-ão no próximo dia 14 de Junho, no Auditório principal do LNEC, Laboratório Nacional de Engenharia Civil, na Av. do Brasil, n.º 101, em Lisboa.

Neste momento encontram-se em fase final de aprovação vários diplomas que vão alterar substancialmente o direito do urbanismo e da construção, nomeadamente:- a proposta de lei n.º 116/X/2, respeitante ao regime jurídico de qualificação profissional exigível aos técnicos responsáveis pela elaboração e subscrição de projectos, pela fiscalização de obra e pela direcção de obra;- o projecto de revisão do Decreto-Lei n.º 38382, Regulamento Geral das Edificações Urbanas; - a proposta de revisão do Decreto-Lei n.º 380/99, respeitante ao regime jurídico dos instrumentos degestão territorial;- a proposta de revisão do Decreto-Lei n.º 555/99, respeitante ao regime jurídico de urbanização e edificação.A Direcção da Ad Urbem propõem-se assim realizar um encontro para apresentação e discussão das referidas propostas de lei.
A entrada é livre. Por razões de ordem logística, pede-se a todos os interessados que se inscrevam previamente, por fax ou por correio electrónico, para os contactos da Ad Urbem.

Para mais informações:www.adurbem.pt

Telf. 21 844 37 92 / Fax. 21 844 30 28
Email: adurbem@mail.telepac.pt