Paulo Pisco
terça-feira, dezembro 11
quinta-feira, dezembro 6
A Pobreza, África e a Agricultura
Hoje em entrevista ao Público a coordenadora executiva da Campanha para os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio das Nações Unidas, Eveline Herfkens refere que:
“Onde há guerra e conflitos, não há progressos. Não se pode ter desenvolvimento sem paz. As regiões sem paz não estão a progredir de todo; ao contrário, estão a regredir.”
“Mas, enquanto os países ricos não garantirem o acesso de produtores pobres aos seus mercados, os países pobres não conseguirão sair da pobreza. Não conseguiremos atingir o objectivo de erradicar a pobreza para metade se não permitirmos que os pobres, dois terços dos quais vivem em zonas rurais, possam ganhar a vida.”
O primeiro aspecto diz respeito ao próprios, ou seja, enquanto oligarquias étnicas governarem os seus países como se fossem cotadas particulares, todo ao povo irá sofrer. Pouco ou nada pode fazer a comunidade internacional.
Relativamente ao segundo aspecto, estamos perante um dos maiores desafios ás democracias ocidentais, nomeadamente à Comunidade Europeia: Ou mantemos o proteccionismo à nossa agricultura e mantendo os nossos agricultores a viver “artificialmente”, prejudicando os países mais pobres, ou abrimos os mercados, colocando os agricultores europeus numa situação mais difícil, mas dando efectivas possibilidades de melhoria das condições de vida dos africanos. Esta questão está longe de ser simples. Remete, não só para o futuro dos agricultores europeus, mas para todos os seus efeitos colaterais, dos quais se destaca as questões ambientais e do ordenamento do território. Para além das culturais, obviamente. No seu sentido mais amplo. Reduzir a agricultura é uma mudança radical no contexto da história europeia.
Esta matéria é das mais complexas de resolver. Aqui não é só o branco e o preto, existem muitos tons de cinzentos possíveis.
“Onde há guerra e conflitos, não há progressos. Não se pode ter desenvolvimento sem paz. As regiões sem paz não estão a progredir de todo; ao contrário, estão a regredir.”
“Mas, enquanto os países ricos não garantirem o acesso de produtores pobres aos seus mercados, os países pobres não conseguirão sair da pobreza. Não conseguiremos atingir o objectivo de erradicar a pobreza para metade se não permitirmos que os pobres, dois terços dos quais vivem em zonas rurais, possam ganhar a vida.”
O primeiro aspecto diz respeito ao próprios, ou seja, enquanto oligarquias étnicas governarem os seus países como se fossem cotadas particulares, todo ao povo irá sofrer. Pouco ou nada pode fazer a comunidade internacional.
Relativamente ao segundo aspecto, estamos perante um dos maiores desafios ás democracias ocidentais, nomeadamente à Comunidade Europeia: Ou mantemos o proteccionismo à nossa agricultura e mantendo os nossos agricultores a viver “artificialmente”, prejudicando os países mais pobres, ou abrimos os mercados, colocando os agricultores europeus numa situação mais difícil, mas dando efectivas possibilidades de melhoria das condições de vida dos africanos. Esta questão está longe de ser simples. Remete, não só para o futuro dos agricultores europeus, mas para todos os seus efeitos colaterais, dos quais se destaca as questões ambientais e do ordenamento do território. Para além das culturais, obviamente. No seu sentido mais amplo. Reduzir a agricultura é uma mudança radical no contexto da história europeia.
Esta matéria é das mais complexas de resolver. Aqui não é só o branco e o preto, existem muitos tons de cinzentos possíveis.
segunda-feira, dezembro 3
sábado, dezembro 1
A reforma da educação na Florida (EUA) I
Nesta ultima 4ºFeira, dia 28 de Novembro, na Fundação Calouste Gulbenkian podemos ter o prazer de assistir à exposição de Patrícia Levesque (PL) sobre a “Reforma da Educação na Florida” (REF). O Seminário foi promovido pelo Fórum para a Liberdade de Educação (http://www.liberdade-educacao.org/) que tem trazido para o debate nacional a necessidade introduzir maior liberdade de escolha para as famílias. Acreditando que esta trará benefícios, não só para as famílias como para a educação no seu conjunto.
Patricia é a “Executive Director of the Foundation for Florida Future”, uma organização de politicas publicas que tem sido a principal impulsionadora da REF. A sua deslocação a Portugal para este evento já vem no seguimento de uma visita de Jef Bush, o Governador da Florida, (sim o irmão de George W. B.) que se tinha deslocado à uns meses para uma sessão também na FCG.A sua exposição e proporcionou-nos um estimulante debate, onde participaram o Professor Marçal Grilo e o Professor Júlio Pedrosa como “pontas de lança” para a discussão. Tivemos o privilégio de ter sido convidados pelo Dr. Fernando Adão da Fonseca para participar no dia seguinte num workshop de perguntas e respostas com um número restrito de participantes com PL, tendo a oportunidade de aprofundar as matérias em questão o que foi extremamente gratificante e permitiu um aprofundamento das opções técnicas envolvidas em todo o processo da REF.
Termos tido a possibilidade de assistir a esta explicação permitiu-nos consolidar a ideia de que muito do que por cá se tem discutido acerca da liberdade de escolha, cheque ensino e escolas privadas versus publicas, é superficial, assente em preconceitos e com pouca consistência. Quer da parte de quem defende quer de quem as ataca. Com honrosas excepções: Como por exemplo o Prof. Marçal Grilo, que nesta sessão se atreveu a classificar algumas dessas propostas de «tontas».
A reforma educativa na Florida, com uma prática de 10 anos de implementação, já permite ver alguns resultados. E são bons. A todos os níveis: No número de diplomados na taxa de abandono e aproveitamento escolar e na melhoria dos resultados comparativos entre os exames dos diversos estados dos EUA. Passando de inferiores à média nacional para significativamente superiores, em inglês e matemática. Esta reforma baseou-se num conjunto de princípios simples e numa efectiva operacionalização e monitorização de todo um sistema de controle.
O que a Reforma propôs foi:
Padrões
Accountability pública
Prémios e Consequências
Escolha.
Detalharemos cada um destes aspectos num futuro post.
Patricia é a “Executive Director of the Foundation for Florida Future”, uma organização de politicas publicas que tem sido a principal impulsionadora da REF. A sua deslocação a Portugal para este evento já vem no seguimento de uma visita de Jef Bush, o Governador da Florida, (sim o irmão de George W. B.) que se tinha deslocado à uns meses para uma sessão também na FCG.A sua exposição e proporcionou-nos um estimulante debate, onde participaram o Professor Marçal Grilo e o Professor Júlio Pedrosa como “pontas de lança” para a discussão. Tivemos o privilégio de ter sido convidados pelo Dr. Fernando Adão da Fonseca para participar no dia seguinte num workshop de perguntas e respostas com um número restrito de participantes com PL, tendo a oportunidade de aprofundar as matérias em questão o que foi extremamente gratificante e permitiu um aprofundamento das opções técnicas envolvidas em todo o processo da REF.
Termos tido a possibilidade de assistir a esta explicação permitiu-nos consolidar a ideia de que muito do que por cá se tem discutido acerca da liberdade de escolha, cheque ensino e escolas privadas versus publicas, é superficial, assente em preconceitos e com pouca consistência. Quer da parte de quem defende quer de quem as ataca. Com honrosas excepções: Como por exemplo o Prof. Marçal Grilo, que nesta sessão se atreveu a classificar algumas dessas propostas de «tontas».
A reforma educativa na Florida, com uma prática de 10 anos de implementação, já permite ver alguns resultados. E são bons. A todos os níveis: No número de diplomados na taxa de abandono e aproveitamento escolar e na melhoria dos resultados comparativos entre os exames dos diversos estados dos EUA. Passando de inferiores à média nacional para significativamente superiores, em inglês e matemática. Esta reforma baseou-se num conjunto de princípios simples e numa efectiva operacionalização e monitorização de todo um sistema de controle.
O que a Reforma propôs foi:
Padrões
Accountability pública
Prémios e Consequências
Escolha.
Detalharemos cada um destes aspectos num futuro post.
quarta-feira, novembro 28
domingo, novembro 25
quinta-feira, novembro 22
Uma boa proposta, se for para concretizar
Hoje voltamos a ouvir o que já tínhamos ouvido de Luís Filipe Menezes (LFM) antes de se ter tornado líder do PSD: Pedir a reforma eleitoral, quer relativamente às Autarquias Locais, quer às Legislativas. A primeira, no sentido da “Parlamentarização” das Câmaras Municipais, com o reforço dos poderes das Assembleia Municipais e com a eleição directa do Presidente de Câmara, escolhendo este os seus “vereadores”, podendo até substitui-los a meio do mandato. A segunda no sentido da aproximação dos eleitos dos eleitores criando os círculos uninominais, mantendo um circulo nacional.
No nosso entender estas reformas do sistema político são necessárias há muito tempo e há muito que se discutem sem nunca se chegarem a concretizar. Não sabemos se é para levar a sério, mas gostaríamos que fosse. Esta reforma politica juntamente com a reorganização administrativa das estrutura intermédia do Estado, vulgo regionalização, poderia racionalizar o nosso sistema político-administrativo. Essa racionalização, por trazer transformações ao nível da territorialização das regiões daria um novo fôlego à nossa administração e mesmo ao nosso sistema político/partidário, acabando com “velhas tradições” ao reorganizar os actores, rompia o “statu quo” e possivelmente libertava novas energias. Temos a convicção que estas mudanças ajudariam muito a transformar a qualidade da nossa democracia. Esperemos que LFM esteja realmente convicto destas propostas e que o PS o acompanhe, pois só serão realizáveis com amplo acordo parlamentar.
quarta-feira, novembro 21
domingo, novembro 18
Divulgação
9h30 Abertura
Ministra da Educação
Presidente da Fundação Calouste Gulbenkian
10h00/10h45 Conferência
Sucesso só vem antes
do trabalho no dicionário
Alexandre Castro Caldas
10h45 INTERVALO
11h00/13h00 Presidente: Alexandre Castro Caldas
Relações entre Neuro-Ciências
e Educação
Isabel Hub Faria / Sarah Blakemore
13h00 PAUSA PARA ALMOÇO
14h30/17h00 Presidente: Manuel Carmelo Rosa
Sucesso ou Insucesso
Escolar
Luis César Queiroz Ribeiro / Madalena Matos /
José Verdasca
17h00 INTERVALO
17h15 Mesa Redonda
Moderador: António José Teixeira
Nuno Crato / Maria José Nogueira Pinto /
José Ferreira Gomes
20 de Novembro
9h30/13h00 Presidente: Jaime Reis
Economia da Educação
e Formação de Capital
Humano
Anna Vignolles / Pedro Teixeira /
António Candeias
13h00 PAUSA PARA ALMOÇO
14h30/17h00 Presidente: Eduardo Marçal Grilo
Sociedade Civil e Formação
de Capital Social
Michael Woolcock / Victor Pérez Díaz /
João Freire
17h00 INTERVALO
17h15 Conferência
Educação e Capital Social
John Field
18h00 Sessão de Encerramento
Eduardo Marçal Grilo / Manuel Villaverde
Cabral / António José Teixeira
Ministra da Educação
Presidente da Fundação Calouste Gulbenkian
10h00/10h45 Conferência
Sucesso só vem antes
do trabalho no dicionário
Alexandre Castro Caldas
10h45 INTERVALO
11h00/13h00 Presidente: Alexandre Castro Caldas
Relações entre Neuro-Ciências
e Educação
Isabel Hub Faria / Sarah Blakemore
13h00 PAUSA PARA ALMOÇO
14h30/17h00 Presidente: Manuel Carmelo Rosa
Sucesso ou Insucesso
Escolar
Luis César Queiroz Ribeiro / Madalena Matos /
José Verdasca
17h00 INTERVALO
17h15 Mesa Redonda
Moderador: António José Teixeira
Nuno Crato / Maria José Nogueira Pinto /
José Ferreira Gomes
20 de Novembro
9h30/13h00 Presidente: Jaime Reis
Economia da Educação
e Formação de Capital
Humano
Anna Vignolles / Pedro Teixeira /
António Candeias
13h00 PAUSA PARA ALMOÇO
14h30/17h00 Presidente: Eduardo Marçal Grilo
Sociedade Civil e Formação
de Capital Social
Michael Woolcock / Victor Pérez Díaz /
João Freire
17h00 INTERVALO
17h15 Conferência
Educação e Capital Social
John Field
18h00 Sessão de Encerramento
Eduardo Marçal Grilo / Manuel Villaverde
Cabral / António José Teixeira
quinta-feira, novembro 15
segunda-feira, novembro 12
Da ciência
sábado, novembro 10
Georges Dussaud outra vez
Porto 2007
Hoje no Público:
"Não me interessa o Porto turístico. Esse está já identificado e documentado que chegue, e o meu papel de fotógrafo não passa por aí. A mim interessa-me captar os instantes de luz, e a realidade física ou humana que ela ilumina ou obscurece. Interessa-me procurar a poesia que pode estar escondida na cidade - e essa não está no circuito turístico", justifica Dussaud.
Concordamos e subscrevemos este ponto de vista. Isto é também o que nos interessa mais numa cidade, quando a visitamos.
Porto 2007
Saudades do frio
terça-feira, novembro 6
Regresso ao passado
Já era previsível mas nunca pensámos possível que fosse apenas isto. Mas foi. O “duelo” não foi ao sol, apesar do tempo que temos lá fora.
segunda-feira, novembro 5
Sebastião Salgado
domingo, novembro 4
sexta-feira, novembro 2
quinta-feira, novembro 1
domingo, outubro 28
«Vale a pena mandar os filhos à escola?»

Foi a pergunta realizada esta semana num artigo do Público (23.10.07), por Maria Filomena Mónica (MFM). O argumento central era o de que «os pais só mandam os filhos à escola quando nisso vêem um benefício». O que parece ser relativamente obvio, acreditando numa certa dose de racionalidade nas opções que os pais, que na sua grande maioria desejam o melhor para os seus filhos, fazem e fizeram ao longo dos tempos.
Esta pergunta provocatória faz repensar sobre a natureza do “problema” em análise e na sua formulação. A educação é um bem em si? Ou é um instrumento para se conseguir uma vida melhor, para os próprios e para a sociedade? Tradicionalmente os portugueses foram pouco crédulos nas virtudes do ensino, pelo menos do ponto de vista prático, governantes e governados pouco fizeram para mudar a situação. A vontade de alargar o ensino a todos viu em dois momentos históricos um impulso: Na primeira republica, tendo ficado mais pela palavra do que pela efectivação no terreno - para aprender é necessário escolas e professores e eles eram praticamente inexistentes fora dos grandes centros urbanos do inicio do século XX – e com a reforma de Veiga Simão já no entrar da década de 70 que veio a continuar o seu impulso depois de 1974 com o regime democrático. A primeira foi travada pelo Estado Novo a segunda ainda está em curso, mas com problemas estruturais para se efectivar. O 9ºAno – obrigatório desde 1986 – está praticamente adquirido, apesar do Abandono escolar ainda existente. Mas a realidade do País já não é rural, os filhos já não são necessários para ajudar nos trabalhos do campo…e assim é preferível ficarem na escola até… poderem trabalhar. A escola como “depósito” mais do que como investimento num futuro melhor continua a ser uma realidade. Porquê? Segundo MFM a “racionalidade dos pais” continua a fazer sentido. «Um momento houve, em 1974, em que tudo pareceu possível. Mas a esperança de que Portugal se pudesse tornar numa sociedade meritocrática está em vias de desaparecer. A maioria dos pais considera, mais uma vez, que não é através da escola que se sobe na vida, mas através de "cunhas"» Esta é uma realidade de que pouco se fala, mas continua a ser um dos travões à nossa modernização e um dos aspectos a que a democracia ainda não deu cabal resposta. A sociedade portuguesa, apesar de diferente continua muito pouco dinâmica.
MFM acrescenta que «Os filhos dos mais desfavorecidos, mesmo com curso superior têm muita dificuldade em vingar. A revolução contribuiu para que muitos acreditassem ser a educação o caminho para uma vida melhor. Ao longo das últimas três décadas, os pais fizeram enormes sacrifícios para levar os filhos até à universidade. Não é raro encontrarmos empregadas de limpeza ou taxistas - os indivíduos das chamadas classes baixas com quem os intelectuais têm contacto - que alimentaram sonhos quanto à mobilidade social dos descendentes. Vendo-os desempregados, sentem-se, como é óbvio, ludibriados.» Sem perspectivas de mudança de vida para que vale um tão grande investimento? O abandono escolar poderá ser resolvido pela escola? Dificilmente. Está mais na mão da família e da sociedade. Depende da percepção que for dada pela realidade, para se perceber que a opção “racional” passa pela escola, a sociedade portuguesa tem de mostrar mais mobilidade e permitir que os que mais se esforçam e trabalham sejam recompensados e ser perceptivel que esse esforço e capacidade também passam e se desenvolve na escola. Se continuarmos a ver só os filhos dos privilegiados em posições de destaque, pouco podem acreditar nas vantagens da escola, para si e para os seus filhos, aqueles que não o são.
quarta-feira, outubro 24
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