quarta-feira, janeiro 16

Sinais

Existe, novamente, no discurso político do PSD uma vontade de “controlar” a comunicação social através dos comentadores escolhidos para os programas de discussão politica exigindo “pluralismo” na opinião. Segundo Luís Filipe Menezes, devem manter-se, na mesma os livres-pensadores (até quando), mas têm de se introduzir uns alinhados com as direcções partidárias nestes programas de televisão. É certo que o governo pensa e sempre que pode faz, a mesma coisa, mas fá-lo de forma discreta, por outros meios.
Será esta a melhor forma de defender o pluralismo é reclamando tratamento de favor na comunicação social? Não. Este não é o caminho eficaz para o conseguir. Tal como na sucessão da Caixa Geral de Depósitos, Luís Filipe Menezes, vai dando sinais do que parece ser o seu entendimento para a construção de um País com menos peso do Estado. E esse não se vislumbra diferente do que nos é oferecido por Sócrates, antes pelo contrário...

segunda-feira, janeiro 14

Ano Novo, novas oportunidades para Setúbal?


Perante um cenário económico, nacional e mesmo internacional, no mínimo, de grande indefinição, eis que surge uma boa notícia e com ela uma oportunidade se abre para Setúbal e a sua região. Falamos, obviamente, da decisão tomada pelo governo na última semana: o Novo Aeroporto Lisboa (NAL) no Campo de Tiro de Alcochete.

Politicamente a decisão tardava. Um novo aeroporto internacional era urgente. O esgotamento da Portela ameaçava, ainda mais, a já periférica situação em que nos encontramos face a Madrid, à restante Europa e ao Mundo. Apesar de tornar muito duvidosa a determinação governativa na condução deste processo, é sempre preferível a melhor decisão. Aplaudimos. Mas não esquecemos que esta se ficou a dever ao empenho da “sociedade civil” e de alguma oposição, que se bateram contra a irracionalidade, exigindo explicações sobre o porquê de uma opção que, quanto mais se discutia, mais parecia apenas e só…uma obsessão. Vale pois a pena continuar a lutar pelas melhores opções. Alcochete parece ser a melhor; para o país, para a região e, também, para a cidade.

Portugal fica com uma solução aeroportuária que pode ser de crescimento lento mas sem limites. Permite um controle de custos – ao se articular com a Portela durante os próximos anos – gradual e ajustado às reais necessidades de tráfego aéreo do país sem, no entanto, estar condicionado em crescimento. Tendo espaço para se tornar numa grande plataforma internacional entre a América, a Europa e África, de acordo com o apontado pelos estudos do LNEC. Como noutros tempos, a boa condução de um investimento, pode ajudar esta periferia geográfica a ser novamente central.

A Península de Setúbal, com grande ligação ao sul e a Espanha, vai poder equilibrar-se, a nível do ordenamento do território, com a margem norte do Tejo, no contexto da Área Metropolitana de Lisboa. Esse desequilíbrio era muito negativo para a “margem sul”. Tornava mais difícil a vida das suas populações, muito dependentes do lado norte, e das suas sobras. A metrópole que é a grande Lisboa se for mais harmoniosa, económica e socialmente é também mais sustentável ambientalmente. A coesão territorial entre as duas margens só podem beneficiar todos. Uma nova ponte simbólica, mas, também, real (veja-se Chelas/Barreiro com o TGV) está a ser lançada. A região poderá voltar ser um elo de ligação entre Portugal e o mundo, onde se inclui Espanha, assim como entre o norte e o sul do país.

A Setúbal é dada uma oportunidade que não se pode desperdiçar. Sendo com Lisboa a única cidade com identidade urbana dada pela história nas imediações do NAL e estando próxima de um pólo turístico, que se pretende de referência: Tróia. Esta, vê reforçada a sua posição estratégica enquanto ponto de passagem. Ser só um ponto nesse percurso ou ser também de paragem é uma questão decisiva para o seu desenvolvimento. Para se poder atrair turismo mais exigente tem que ter algo que os outros não tenham. E o que temos é suficiente? Pensamos que não. Temos: Paisagem (Arrábida e Estuário do Sado) a Cidade histórica (muito degradada e com comércio decadente) e Mão-de-obra (pouco qualificada). Que fazer? Apesar de se ter, aparentemente, condições potenciais, falta realizar o potencial para se oferecer alguma qualidade. Agora muito vai depender dos Setubalenses. Atrevemo-nos, pois a sugerir alguma coisa.

À paisagem “basta” conservá-la (o que já não é pouco) e permitir o seu usufruto sem excessos, criando e incentivando o turismo “ambiental”, de preferência despoluindo o Rio Sado. A cidade tem de se reabilitar, não só o seu centro histórico, mas também os bairros. Principalmente os mais degradados e “guetizados”. Mas toda a cidade tem de ganhar uma nova atitude, harmonizando-se com a sua envolvente, tornando-se mais “verde” e mais agradável ao cidadão e, por consequência, a quem nos visita. As zonas antigas têm uma dimensão considerável e por força de não terem sofrido grandes mudanças mantêm-se quase intactas, apesar do mau estado. É necessário voltar a encher de gente. Dos que saíram mas também de novos habitantes, conservando os “velhos”. Mantendo o seu carácter urbano, mas mais cosmopolita. Criando comércio e restauração de referência. Únicos. Só de cá. Mas com qualidade. O turismo urbano tem um enorme potencial. A articulação dos meios de transporte entre si e com o tecido urbano também é estratégica, principalmente na ligação entre Lisboa, o NAL e Tróia. Junto a estas “estações”, para além da restauração e comércio convencionais poderiam estar associada a diversão nocturna. É essencial melhorar substancialmente toda a frente de Rio, preservar a pesca que sobreviveu e oferecer actividades de náutica de recreio. A criação de um ou dois pólos culturais com programação bem divulgada complementavam a oferta. Por último, mas o mais importante nesta regeneração urbana: a educação e a formação. A escola e a qualificação têm de ser uma prioridade, estar relacionadas entre si, com a cidade e o tecido económico e empresarial da região. Dirigidas, não só às novas gerações mas a todas as faixas etárias. Reconverter o tecido social e produtivo é urgente e isso faz-se “ensinando a pescar e não dando o peixe”. Só melhorando a qualidade das pessoas podemos melhorar o resto.

No fundo é necessário criar, promover e explorar na cidade e no concelho o que não existe na região. Oferecer melhores produtos e serviços e apostar na diferenciação. Se assim não for poderemos ficar apenas a ver passar comboios, aviões e navios.
Bom ano.


Publicado hoje no "Jornal de Setúbal"

quarta-feira, janeiro 9

Divulgação


“PARA ALÉM DO PRINCÍPIO DO PRAZER”

Iniciam-se Quinta-Feira

10 de Janeiro de 2008 às 21.30 h

Na Fábrica Braço de Prata- Sala Prado Coelho

Sessões de Encontro-Debate Psicanalítico

O Centro Português de Psicanálise propõe-se debater nas segundas Quintas-Feiras de
cada mês, um conjunto de temas, a partir de um questionamento sempre premente da
actualidade e subordinado ao título “ Para além do princípio do prazer”.
Pretendemos dar voz a uma perspectiva analítica assente na radicalidade e singularidade
do inconsciente e na fala de cada um como manifestação do seu desejo enquanto sujeito.
Estará em debate o modo como os discursos dominantes circulam e qual o lugar da
Psicanálise face ao consumismo conformista e ao predomínio da lógica utilitarista.
No primeiro debate, com a participação de Maria Belo, psicóloga e psicanalista,
abordaremos a temática subjacente ao título deste ciclo.
Ficam convidados todos os interessados em participar no primeiro debate a realizar no
próximo dia 10 de Janeiro pelas 21.30 na Fábrica do Braço de Prata.
Entrada Livre

segunda-feira, janeiro 7

O Pacheco, Luiz


soubemos que nos deixou durante este fim-de-semana. Ficámos mais pobres. Mas não vamos aqui fazer aquilo que o próprio acharia abjecto, um elogio póstumo. Apenas manifestar algum respeito por quem nos faz pensar.

Luiz Pacheco (LP) era no panorama intelectual e mesmo existencial um fenómeno raro entre nós. Apesar de admirarmos nos outros um certo pendor para a desgraça, até porque nos deixa sempre mais confortáveis na nossa ilustre mediocridade, preferimos sempre aquela que se justifica pela doença, má sorte ou, sendo intelectual, a incompreensão e a injustiça do País face ao génio. LP não cabia em nenhuma destas categorias. Não era doente, apesar da vida de “excessos” que levou, não teve má sorte, cultivou-a e o seu génio foi reconhecido. A pequena dimensão do País e o facto de se estar a lixar para o sistema reverencial da “coltura” portuguesa não lhe permitiu viver com conforto. Mas todos lhe reconheceram o génio.

Nunca se queixou, antes denunciou quem vivia da tensa do Estado sem o merecer ou de que quem produzia literatura como se fosse um funcionário público, todos os dias. Não fazia qualquer concessão. Foi o mais próximo que tivemos de um libertário radical no século XX português.
O que é interessante registar é que foi durante o Estado Novo que viveu boa parte da sua vida adulta (muito ligado aos meios surrealistas). Tempos de ditadura. Mas se LP tivesse tido a sua juventude hoje seria um homem mais perseguido e menos livre. No mínimo seria preso. Pedófilo, além de ser bissexual sujeitou toda a sua família a um ambiente pouco recomendável, para os padrões vigentes. Viveu no limite, até da sobrevivência.

Sem qualquer apologia, literária ou ao modo de vida de LP aqui fica a nossa admiração e respeito pela diferença. Uma das mais admiráveis características do homem. E quem assume com a radicalidade com que Pacheco o fez merece ainda mais respeito por não ser gratuita. Pensar nele e na sua obra faz-nos reflectir sobre as nossas opções relativizando-as. E isso é… muito.

quinta-feira, janeiro 3

Petróleo a 100



Estará o mundo, tal como o conhecemos, “condenado” a afundar-se com esta matéria-prima? Muito provavelmente não. Mas ao ter chegado aos 100 dólares, algo parece estar definitivamente a mudar. Dizem os especialistas que entrámos na linha descendente da sua produção. Sendo a procura crescente, não se prevêem mudanças no curso dos custos. Mesmo estabilizando, a prazo, não parará de aumentar o seu preço. O modelo de desenvolvimento adoptado por cada vez maior número de seres humanos assim faz crer. No entanto, os seus custos crescentes terão consequências. Já estão a ter, nomeadamente nas nossas opções individuais. Em Portugal o aumento de custos de combustível já fazem sentir a diminuição da utilização do transporte individual.

Suspeitámos que o mercado, neste particular, terá mais efeitos entre nós, que muitas tentativas frustradas ao nível do planeamento das nossas cidades para melhorar a mobilidade. Especialmente na diminuição do uso do automóvel. Não vos parece?

Mas o condicionamento energético vai ter outras consequências imediatas. O modelo de desenvolvimento vai ter de mudar. O consumo puro e duro, como motor da economia vai ter de ser reponderado. E se consumir menos passar a ser sinal de melhor nível de vida? A economia, como outras áreas da existência humana, tem muito de “construção mental” e esta esteve, quase sempre, ligada às necessidades de sobrevivência dos povos. Quando assim não foi terminaram as civilizações, sendo substituídas por outras…

quinta-feira, dezembro 20

segunda-feira, dezembro 17

Sobre política


Um dia destes passou por Setúbal Rui Gomes da Silva (RGS), actual vice-presidente de Luís Filipe Menezes (LFM). Perante a Assembleia Distrital do PSD cá do sítio proferiu uma série de intenções politicas da actual direcção nacional:

Uma das que referiu, a alteração à actual Lei Eleitoral para Assembleia da República, supostamente a negociar-se com o Partido Socialista. Sobre esta disse estar-se a encontrar novos círculos, que talvez não cheguem bem a ser uninominais, mas que assentavam na sub divisão dos actuais distritos.
A outra foi sobre o “Partido Empresa”, dizendo que os novos profissionais seriam só para assessorar directamente o Presidente do Partido, sendo um corpo muito “reduzido”.

Quando podemos intervir dissemos ter algumas dúvidas, nós e todos os outros que acompanham a acção politica da actual direcção, em perceber o que é estratégico e o que é táctico na condução de alguns dossiers. Mas que começa a parecer ser a táctica o que prevalece. Para ilustrar esta nossa “sensação” falámos desses dois aspectos:

Sobre a “nova lei” parecia-nos, no mínimo “estranho” que, sendo LFM um defensor confesso da regionalização e estando o actual Governo a reorganizar a Administração Pública toda em função de cinco regiões (basta ler o PRACE), que se propusesse a divisão territorial com base nos actuais distritos, há tanto tempo em vias de extinção. Era natural prever a nova territorialização da lei eleitoral para as legislativas em função do “desenho” das cinco regiões que se configuram ser a base para uma futura regionalização, seja ela politica ou meramente administrativa. Isto se o assunto é para levar a sério…

Relativamente ao “Partido Empresa” era bom perceber quem iria pagar a despesa. Apesar de ser favorável à profissionalização de algumas áreas do desenvolvimento da acção politica, dentro de um Partido à que ter algumas cautelas. Porque, como todos sabemos, o mais fácil é criar “empregos”. Pagá-los ou extingui-los é bem mais complicado. Era importante saber, ao mesmo tempo que se pensa a sua necessidade, quem, como e porquê irá pagar esses novos encargos. Isto tudo num Partido que não tem dinheiro para manter a maioria das Sedes Locais.

A nada disto respondeu RGS. Disse apenas saber que LFM era um homem muito bem preparado e com ideias para o País. Uma espécie de homem providencial.

Da “nova lei eleitoral” para as Legislativas soubemos pelo “Público”, há uns dias, que o PSD “resolveu deixar amadurecer o assunto” o que nos pareceu da mais elementar sensatez.
Sobre o “Partido Empresa” pouco mais se sabe, o que pode fazer antever as piores expectativas…

Quanto à fé em LFM, que RGS recomendou, é para nós relativo a Deus. A César exigimos saber o que o move e como se move, o que pensa ser estratégico e como o conduz no plano táctico.

A Política, apesar de actualmente não parecer, é assunto racional e sempre escrutinada criticamente. Pensar diferente é morrer politicamente a prazo. Basta olhar para o PCP para perceber que a fé na política morre, mesmo que demasiado lentamente.

Sesimbra II

Paulo Pisco 2007

quarta-feira, dezembro 12

Voltar ao comboio


Voltámos a ir para Lisboa em transporte público (tp). Ao ir para a faculdade começámos a usar o autocarro, a partir do quinto ano da licenciatura, nos ido de 1994, passámos para o transporte individual. O carro, essa nova armadura que cada vez mais tendemos a usar e abusar. Felizmente, de então para cá, só nos deslocámos a Lisboa em situações especiais. Normalmente em lazer e nessas circunstâncias fugimos sempre ao “apelo” do tp por comodidade e até por economia. Passámos a ser quatro.

Nos últimos meses e fruto do regresso à universidade, voltámos a confrontarmo-nos com a inevitável opção. Ir ou não de carro. Confessamos, que apesar da má consciência, ainda fomos na dita viatura durante os primeiros tempos. Até que experimentámos o comboio. O saudoso. Confessamos que somos fãs. Mas ao voltar a usar fomos ainda mais surpreendidos. É mesmo muito agradável. E ainda por cima temos o bónus de poder ir a pé por uma das mais belas zonas da cidade de Lisboa: a Avenida de Roma na direcção da Praça de Londres. Beber o café na “Mexicana” e depois subir para o “Técnico” (IST), é sem dúvida um grande privilégio. Pelo menos para um apaixonado pelas cidades, como este que vos escreve.

A opção comboio é muito racional, para além de ser agradável e mais amiga do ambiente. Apesar de genericamente se gastar um pouco mais de tempo (+/- 1 hora viagem de Setúbal a Lisboa)) nas deslocações esse facto pode ser compensado com o aproveitamento da viagem, quer para adiantar algum trabalho – e.g. lendo ou telefonando – quer para falar com alguém que não se vê há muito tempo, ou simplesmente para dormitar ou usufruir as paisagens. Do ponto de vista económico o bilhete (carteira de dez pré-comprados) mesmo para quem não compra o passe, por ir apenas alguns dias, é muito compensador. Fica um pouco mais que as portagens, isto para quem vai de Setúbal. Tudo somado vale muito a pena. Para quem se desloca par um ponto próximo da estação, como é o caso, vale muito a pena. Poupa-se o combustível, o estacionamento e ganha-se qualidade de vida. Para nós e para os outros.

Foi uma das descobertas felizes deste Outono.
Experimente, tenha essa coragem. Seja racional.

terça-feira, dezembro 11

Manoel de Oliveira




Os nossos parabéns a uma das mais singulares personalidades da cultura portuguesa. Manuel de oliveira completa hoje 99 anos. É das criaturas, no sentido Bíblico, mais criativas que temos por cá. De uma lucidez quase ofuscante. Deu ao Expresso, deste fim-de-semana, uma entrevista que merece ser lida por todos aqueles que acreditam na criação. No seu sentido mais profundo. Naquilo que de único cada ser humano possui.

«Há um poeta, o Teixeira de Pascoaes, que disse esta coisa terrível, e ao mesmo tempo compreensível: o espírito é como o ar que respiramos. O espírito é uno e universal e cada um respira o espírito que faz a sua personalidade

A nossa singela homenagem ao génio, que não tem qualquer vontade de se reformar. Um verdadeiro hino à vida.

Sesimbra


Dezembro 2007

Paulo Pisco

quinta-feira, dezembro 6

A Pobreza, África e a Agricultura

Sebastião Salgado

Hoje em entrevista ao Público a coordenadora executiva da Campanha para os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio das Nações Unidas, Eveline Herfkens refere que:

“Onde há guerra e conflitos, não há progressos. Não se pode ter desenvolvimento sem paz. As regiões sem paz não estão a progredir de todo; ao contrário, estão a regredir.”

“Mas, enquanto os países ricos não garantirem o acesso de produtores pobres aos seus mercados, os países pobres não conseguirão sair da pobreza. Não conseguiremos atingir o objectivo de erradicar a pobreza para metade se não permitirmos que os pobres, dois terços dos quais vivem em zonas rurais, possam ganhar a vida.”


O primeiro aspecto diz respeito ao próprios, ou seja, enquanto oligarquias étnicas governarem os seus países como se fossem cotadas particulares, todo ao povo irá sofrer. Pouco ou nada pode fazer a comunidade internacional.

Relativamente ao segundo aspecto, estamos perante um dos maiores desafios ás democracias ocidentais, nomeadamente à Comunidade Europeia: Ou mantemos o proteccionismo à nossa agricultura e mantendo os nossos agricultores a viver “artificialmente”, prejudicando os países mais pobres, ou abrimos os mercados, colocando os agricultores europeus numa situação mais difícil, mas dando efectivas possibilidades de melhoria das condições de vida dos africanos. Esta questão está longe de ser simples. Remete, não só para o futuro dos agricultores europeus, mas para todos os seus efeitos colaterais, dos quais se destaca as questões ambientais e do ordenamento do território. Para além das culturais, obviamente. No seu sentido mais amplo. Reduzir a agricultura é uma mudança radical no contexto da história europeia.

Esta matéria é das mais complexas de resolver. Aqui não é só o branco e o preto, existem muitos tons de cinzentos possíveis.

sábado, dezembro 1

A reforma da educação na Florida (EUA) I

Nesta ultima 4ºFeira, dia 28 de Novembro, na Fundação Calouste Gulbenkian podemos ter o prazer de assistir à exposição de Patrícia Levesque (PL) sobre a “Reforma da Educação na Florida” (REF). O Seminário foi promovido pelo Fórum para a Liberdade de Educação (http://www.liberdade-educacao.org/) que tem trazido para o debate nacional a necessidade introduzir maior liberdade de escolha para as famílias. Acreditando que esta trará benefícios, não só para as famílias como para a educação no seu conjunto.

Patricia é a “Executive Director of the Foundation for Florida Future”, uma organização de politicas publicas que tem sido a principal impulsionadora da REF. A sua deslocação a Portugal para este evento já vem no seguimento de uma visita de Jef Bush, o Governador da Florida, (sim o irmão de George W. B.) que se tinha deslocado à uns meses para uma sessão também na FCG.A sua exposição e proporcionou-nos um estimulante debate, onde participaram o Professor Marçal Grilo e o Professor Júlio Pedrosa como “pontas de lança” para a discussão. Tivemos o privilégio de ter sido convidados pelo Dr. Fernando Adão da Fonseca para participar no dia seguinte num workshop de perguntas e respostas com um número restrito de participantes com PL, tendo a oportunidade de aprofundar as matérias em questão o que foi extremamente gratificante e permitiu um aprofundamento das opções técnicas envolvidas em todo o processo da REF.

Termos tido a possibilidade de assistir a esta explicação permitiu-nos consolidar a ideia de que muito do que por cá se tem discutido acerca da liberdade de escolha, cheque ensino e escolas privadas versus publicas, é superficial, assente em preconceitos e com pouca consistência. Quer da parte de quem defende quer de quem as ataca. Com honrosas excepções: Como por exemplo o Prof. Marçal Grilo, que nesta sessão se atreveu a classificar algumas dessas propostas de «tontas».

A reforma educativa na Florida, com uma prática de 10 anos de implementação, já permite ver alguns resultados. E são bons. A todos os níveis: No número de diplomados na taxa de abandono e aproveitamento escolar e na melhoria dos resultados comparativos entre os exames dos diversos estados dos EUA. Passando de inferiores à média nacional para significativamente superiores, em inglês e matemática. Esta reforma baseou-se num conjunto de princípios simples e numa efectiva operacionalização e monitorização de todo um sistema de controle.
O que a Reforma propôs foi:
Padrões
Accountability pública
Prémios e Consequências
Escolha.
Detalharemos cada um destes aspectos num futuro post.