Foi por demais evidente a diferença de atitude e de discurso da Dr.ª Manuela Ferreira Leite, relativamente a outros líderes e a outros candidatos.
O PSD é um instrumento ao serviço do País, quando deixar de o ser passa a ser irrelevante, tornando-se apenas uma caricatura de si próprio.
O primeiro passo está dado: recolocar o PSD no caminho da credibilidade. Agora falta começar a construir a alternativa.
segunda-feira, abril 28
António Cunha Vaz

No Público 2 de hoje:
«Se Menezes se recandidatasse contra Manuela Ferreira Leite, ganhava. A política é um circo. Ser agente de comunicação, em simultâneo, de vários bancos concorrentes, de políticos e de um clube de futebol pode ser bom para todos. Exercer influência não é crime»
Dito por António Cunha Vaz, um homem que parece «estar farto de estar na sombra.»
Esta entrevista revela bem quem realiza hoje o trabalho de “ilusão” que domina os vários aspectos da nossa vida politica, económica e mesmo cultural. Interessante como testemunho “antropológico” da nossa contemporaneidade. Estes homens parecem mandar mais do deviam e querer influenciar muito para além do que mereciam.
«Se Menezes se recandidatasse contra Manuela Ferreira Leite, ganhava. A política é um circo. Ser agente de comunicação, em simultâneo, de vários bancos concorrentes, de políticos e de um clube de futebol pode ser bom para todos. Exercer influência não é crime»
Dito por António Cunha Vaz, um homem que parece «estar farto de estar na sombra.»
Esta entrevista revela bem quem realiza hoje o trabalho de “ilusão” que domina os vários aspectos da nossa vida politica, económica e mesmo cultural. Interessante como testemunho “antropológico” da nossa contemporaneidade. Estes homens parecem mandar mais do deviam e querer influenciar muito para além do que mereciam.
quinta-feira, abril 24
Tirem-nos deste filme...
Iremos assistir à segunda parte do mesmo filme? Mas desta vez mais trágico, ou cómico, como quiserem.
Na 1ª Parte, Durão Barroso saiu para a “Europa” quando percebeu que era mais fácil o País mudar de Primeiro-ministro do que ele mudar o País. Deixou Santana para acabar o serviço. Este, que tem de si próprio a ideia de um predestinado, não resistiu. Achou que (afinal)a sua hora sempre tinha chegado. O resultado foi o que se viu.
Na 2ª Parte, Luís Filipe Menezes decidiu demitir-se e ficar em Gaia à espera do dia seguinte às eleições de 2009, quando percebeu que era mais fácil deixar de ser líder do PSD do que vir a tornar-se Primeiro – ministro. Quer deixar a Santana a nobre tarefa de perder por ele em 2009. O resultado ainda não se viu, mas prevê-se. Se as estrelas voltarem a fazer das suas, pode bem provocar um pesadelo ao PSD e tornar 2009 num sonho para o PS.
Será que o PSD quer sair deste filme? Será que ainda pode ou quer?
Na 1ª Parte, Durão Barroso saiu para a “Europa” quando percebeu que era mais fácil o País mudar de Primeiro-ministro do que ele mudar o País. Deixou Santana para acabar o serviço. Este, que tem de si próprio a ideia de um predestinado, não resistiu. Achou que (afinal)a sua hora sempre tinha chegado. O resultado foi o que se viu.
Na 2ª Parte, Luís Filipe Menezes decidiu demitir-se e ficar em Gaia à espera do dia seguinte às eleições de 2009, quando percebeu que era mais fácil deixar de ser líder do PSD do que vir a tornar-se Primeiro – ministro. Quer deixar a Santana a nobre tarefa de perder por ele em 2009. O resultado ainda não se viu, mas prevê-se. Se as estrelas voltarem a fazer das suas, pode bem provocar um pesadelo ao PSD e tornar 2009 num sonho para o PS.
Será que o PSD quer sair deste filme? Será que ainda pode ou quer?
terça-feira, abril 22
sábado, abril 19
Estrada Romana
sexta-feira, abril 18
De que PSD precisa Portugal?
A situação actual do PSD é critica. Todos o sabemos. Infelizmente o que mais temíamos relativamente à liderança de Luís Filipe Menezes (LFM) veio a confirmar-se. E a actual demissão, com a consequente marcação de eleições para daqui a um mês só vem confirmar o pior. LFM quer apenas as “bases” do PSD, ou seja, a parte destas que lhe permita manter o poder interno. O País deixou, definitivamente, de lhe interessar. O mais provável é que se recandidate, ou alguém por ele, o que para o caso é indiferente.
Novamente o PSD vai a eleições e com isso tem de colocar a si próprio a pergunta certa. E essa deverá ser:
A quem serve o PSD?
A questão é muito importante, pois dela podem derivar duas respostas antagónicas. O PSD com um “dono” e voltado para si próprio ou um PSD com um líder ao serviço do País.
Se seguir a primeira hipótese o PSD corre dois riscos sérios:
Descaracterizar-se e, com isso, tornar-se num partido insignificante na sociedade portuguesa. Passamos a explicar:
Ao descaracterizar-se, deixando de representar o seu eleitorado tradicional, passará só a representar uma (pequena) parte do partido original. Ficarão no activo (e mesmo como militantes) apenas os que mais nada sabem fazer e que dependem, ou dependeram sempre do Partido, para resolver a sua vida profissional e aqueles que encaram o PSD como um clube ou uma colectividade. Este últimos, por muito que aconteça, não deixarão de defender o seu partido, mesmo quando tudo começar a ruir à sua volta. Estas duas categorias de militantes são importantes, mesmo indispensáveis, para o funcionamento de qualquer partido, mas acrescentam pouco do ponto de vista eleitoral. Estes ficarão sempre - no PSD como em qualquer outro partido - mas só com eles poderá o PSD chegar ao governo do País? Pensamos que não.
Se assim continuar o PSD poderá tornar-se cada vez mais pequeno e ao reduzir a sua influência social deixará de contar como verdadeira alternativa nacional perdendo, a prazo, o estatuto de alternativa governativa.
Aliás, a estratégia seguida nos últimos anos tem provado o que atrás referimos. O seu “núcleo duro” eleitoral tem vindo a reduzir-se de eleição em eleição. Este fenómeno só não acontece nas eleições autárquicas. Mas quererá o PSD ficar reduzido “apenas” a um partido local? Pensamos que não.
Se seguir a segunda hipótese o País poderá ficar a ganhar, mesmo se o PSD perder as eleições, o eleitorado ganhará uma alternativa, que actualmente não vislumbra. Deixando alguma esperança para o futuro. No entanto, como explicámos atrás, só seguindo esta hipótese o PSD poderá vislumbrar ser governo. Seja em 2009 ou em 2013.
Por tudo isto é fundamental que todos os que pensam ser o PSD indispensável à vida politica nacional, assim como para a qualidade da democracia portuguesa se unam para derrotar quem pretende apenas preservar o “seu PSD”. O País reclama-o.
Novamente o PSD vai a eleições e com isso tem de colocar a si próprio a pergunta certa. E essa deverá ser:
A quem serve o PSD?
A questão é muito importante, pois dela podem derivar duas respostas antagónicas. O PSD com um “dono” e voltado para si próprio ou um PSD com um líder ao serviço do País.
Se seguir a primeira hipótese o PSD corre dois riscos sérios:
Descaracterizar-se e, com isso, tornar-se num partido insignificante na sociedade portuguesa. Passamos a explicar:
Ao descaracterizar-se, deixando de representar o seu eleitorado tradicional, passará só a representar uma (pequena) parte do partido original. Ficarão no activo (e mesmo como militantes) apenas os que mais nada sabem fazer e que dependem, ou dependeram sempre do Partido, para resolver a sua vida profissional e aqueles que encaram o PSD como um clube ou uma colectividade. Este últimos, por muito que aconteça, não deixarão de defender o seu partido, mesmo quando tudo começar a ruir à sua volta. Estas duas categorias de militantes são importantes, mesmo indispensáveis, para o funcionamento de qualquer partido, mas acrescentam pouco do ponto de vista eleitoral. Estes ficarão sempre - no PSD como em qualquer outro partido - mas só com eles poderá o PSD chegar ao governo do País? Pensamos que não.
Se assim continuar o PSD poderá tornar-se cada vez mais pequeno e ao reduzir a sua influência social deixará de contar como verdadeira alternativa nacional perdendo, a prazo, o estatuto de alternativa governativa.
Aliás, a estratégia seguida nos últimos anos tem provado o que atrás referimos. O seu “núcleo duro” eleitoral tem vindo a reduzir-se de eleição em eleição. Este fenómeno só não acontece nas eleições autárquicas. Mas quererá o PSD ficar reduzido “apenas” a um partido local? Pensamos que não.
Se seguir a segunda hipótese o País poderá ficar a ganhar, mesmo se o PSD perder as eleições, o eleitorado ganhará uma alternativa, que actualmente não vislumbra. Deixando alguma esperança para o futuro. No entanto, como explicámos atrás, só seguindo esta hipótese o PSD poderá vislumbrar ser governo. Seja em 2009 ou em 2013.
Por tudo isto é fundamental que todos os que pensam ser o PSD indispensável à vida politica nacional, assim como para a qualidade da democracia portuguesa se unam para derrotar quem pretende apenas preservar o “seu PSD”. O País reclama-o.
quarta-feira, abril 16
Um novo membro na familia
Tinha-mos pensado que nunca mais. Mas a célebre frase, “nunca digas nunca”, mais uma vez voltou a impor-se. Em miúdo, pensámos, ser até veterinário, tal era o amor pelos animais. A dedicação era tal que trocava, durante as férias de verão, com uns primos alentejanos – que tinham a sorte de ter um “monte” com animais – a praia pelo campo.
Por volta dos treze anos tivemos uma gata que durou, lá por casa, pouco mais de um ano. Os pais não permitiram mais tempo. As chatices eram demais – diziam eles – e acabaram por levar a gata para uma quinta de uns amigos. A tristeza foi muita.
Talvez, desde então, não mais quisemos ter mais nenhum gato (ou cão). Mas, a família, que já tinha tentado várias vezes antes, sem termos cedido, agora conseguiu. Os pequenos têm, hoje, quase a idade que tínhamos então e não resistimos. O destino ajudou. Alguém telefonou a dizer que tínhamos um à nossa espera. Um belo gatinho surgiu, por coincidência muito parecido com o da nossa infância, ao qual não foi possível resistir…
O seu nome é Sol.
domingo, abril 13
quarta-feira, abril 9
A propósito da qualidade da Paisagem

“Um bom planeamento da paisagem, e também um bom desenho, tem três regras:
Proteger o que temos; seleccionar para trabalhar; inventar.
Por esta ordem de importância. Devemos proteger o que temos, depois trabalhar de forma selectiva e só depois inventar. Se começarmos por inventar perdemos, porque é muito provável que a invenção não corresponda ao que esperamos. A protecção deve estar em primeiro lugar, mas não uniforme, não está em todos os lugares.”
Carl Steinitz * em entrevista a Cristina Castel-Branco in Arquitectura & Vida, Março de 2008.
*Arquitecto, Professor de Arquitectura Paisagística e Planeamento em Harvard.
Proteger o que temos; seleccionar para trabalhar; inventar.
Por esta ordem de importância. Devemos proteger o que temos, depois trabalhar de forma selectiva e só depois inventar. Se começarmos por inventar perdemos, porque é muito provável que a invenção não corresponda ao que esperamos. A protecção deve estar em primeiro lugar, mas não uniforme, não está em todos os lugares.”
Carl Steinitz * em entrevista a Cristina Castel-Branco in Arquitectura & Vida, Março de 2008.
*Arquitecto, Professor de Arquitectura Paisagística e Planeamento em Harvard.
domingo, abril 6
sexta-feira, abril 4
Quem não é por nós é... contra a Escola Pública
O Secretário de Estado da Educação Valter Lemos descobriu a pólvora:
«Está em curso uma campanha contra e Escola Pública em Portugal.» disse hoje peremptório.
A técnica retórica por trás desta afirmação faz lembrar outros tempos. Não é nova e muito menos original. Diz até muito sobre quem a usa. Durante o Estado Novo, quando alguém denunciava algo que estava mal no País, logo era acusado de antipatriota ou, na melhor das hipoteses, de... Comunista.
«Está em curso uma campanha contra e Escola Pública em Portugal.» disse hoje peremptório.
A técnica retórica por trás desta afirmação faz lembrar outros tempos. Não é nova e muito menos original. Diz até muito sobre quem a usa. Durante o Estado Novo, quando alguém denunciava algo que estava mal no País, logo era acusado de antipatriota ou, na melhor das hipoteses, de... Comunista.
O senhor Secretário de Estado parece querer confundir a necessária “saída do armário” da situação em que se encontra a “disciplina” nas escolas – que obviamente não é de hoje, mas que por diversas razões se encontrava fora da agenda mediática – com o “ataque” à Escola Pública.
“Olhe que não, olhe que não”.
“Olhe que não, olhe que não”.
quarta-feira, abril 2
Santiago de Compostela
sábado, março 29
segunda-feira, março 24
sábado, março 22
Porque será que todos querem arranjar culpados?
Olhando para o que está escrito num artigo publicado hoje no Público (P2) sobre os comentários ao vídeo colocado no You Tube, sobre o “incidente” ocorrido na Escola Secundária Carolina Michaëlis, no Porto, ocorreu-nos perguntar:
Porque será que todos querem arranjar culpados?
Os Professores culpam os Pais, o Ministério, a Ministra, o Sistema, o Novo Estatuto do Aluno, “alguns Professores”, os Alunos, etc.
A sociedade culpa os Pais, “alguns Alunos”, os Professores, o Sistema, o Ministério, a Ministra, o Novo Estatuto do Aluno, o País.
O Ministério e o Governo culpam, os anteriores governos, especialmente o seu imediatamente anterior, os Professores, ou finge não existir razões para tanto alarme.
Os Partidos da Oposição culpam, o actual Governo, a Ministra, o Ministério, o Novo Estatuto do Aluno.
Os País culpam, os Professores, o Sistema, o Ministério, a Ministra, o Novo Estatuto do Aluno, “alguns alunos”, etc, etc…
Quando se anda sempre à procura da culpa significa apenas uma coisa: ninguém quer assumir a sua. Ou seja, mandando a responsabilidade para cima de alguém, ficamos todos mais aliviados. Não obrigando ninguém a assumir a sua quota-parte da responsabilidade, todos ficam bem, mas nada se resolve. Ficando tudo na mesma.
Só vemos alguma hipótese séria de tentativa de solução do problema da disciplina, quando todos os envolvidos, na medida das suas responsabilidades, procurem saber o que cada um pode fazer para resolver o problema.
Se continuarem a procurar a culpa, ela por cá, segundo dizem, “morre sempre solteira”.
sexta-feira, março 21
O Telemóvel como alerta?

O vídeo divulgado no You Tube, gravado em telemóvel, tem escandalizado o País. Sob o título 9.º C em grande!, mostra uma aluna do 3.º ciclo da Escola Secundária Carolina Michaëlis, no Porto, a agarrar e a puxar o braço da sua professora de Francês por esta lhe ter tirado o telemóvel. É de facto chocante, para quem não sabe o que hoje se está a passar nas escolas. Para os que sabem não é de espantar.
Passamos a explicar. Hoje, uma sala de aula, é um dos sítios mais tensos, com maior desassossego e mais difícil de controlar do nosso espaço público (ou semi-publico).
Não que seja assim em todas as aulas, mas acontece em muitas. E é uma ilusão pensar que esta realidade se circunscreve apenas às periferias das áreas metropolitanas. Não. Neste aspecto o País tornou-se igual. É um gigantesco subúrbio. A forma como os alunos no ensino básico se comportam dentro da sala de aula é equivalente em todo o País. No secundário está mais atenuado, mas com tendência a alastrar. Com a possibilidade de alargamento do ensino obrigatório até ao 12ºAno, esta realidade vai tornar-se equivalente, se algo não mudar.
A maior violência é entre os próprios alunos. Contrariamente ao que se faz passar na opinião pública é entre os pares que existem mais problemas. Mas, por vezes, essa falta de “saber estar” volta-se contra os professores. Como aconteceu no caso agora “filmado”.
Não se pense que este “estado de sítio” numa sala de aula é excepcional. Não estamos a falar da situação em concreto. Estamos a referimo-nos ao ambiente, ao “caldo de cultura” que aparece retratado no vídeo. E os pais e a sociedade, em geral, não têm a mínima consciência do que se está a passar. Hoje os professores são essencialmente monitores que evitam situações de conflito entre os alunos. E por vezes sobra para os próprios. O saber transmite-se pouco ou quase nada. E esta é uma das razões do nosso insucesso educativo, não a única, mas das mais importantes. E este problema só se pode enfrentar mudando o olhar de toda a sociedade sobre a disciplina na escola. Ela tem de ser encarada como uma questão séria. É muito mais importante para o sucesso do que a avaliação dos professores, apesar desta também o ser.
Sem um ambiente de sossego e concentração, na sala de aula, não se pode aprender em condições. Pensamos que todos concordam. Sem esta condição de partida poucos conseguem aprender e, normalmente, só os vindos de famílias mais estruturadas e instruídas. Esses aprendem, porque podem aprender fora da escola. Têm outros espaços para o poderem fazer. Quem só pode aprender na escola, e aprende pouco fora dela, não aprende de todo. Um mau sistema penaliza sempre os mais “fracos”. É da natureza das coisas. E por essa razão o nosso sistema de ensino é dos que mais reproduzem as desigualdades de partida dos seus alunos. E esta situação tem de mudar.
No ano passado apareceram umas imagens de um filme no interior de uma sala de aula numa escola de Lisboa. Os alunos andavam em cima das mesas passeando alegremente. A reacção do Ministério da Educação foi persecutória em relação a quem tinha filmado tais imagens e tinha permitido a sua divulgação. Não mostrando preocupação com o comportamento dos alunos. Se a memoria não nos atraiçoa foram imagens captadas por um circuito de vigilância interno da escola. Mas recordamos o Secretário de Estado que, confrontado com as imagens, se preocupou mais em tentar saber qual era a escola do que em explicar, ou em tentar, as imagens que estavam a ser transmitidas. O discurso foi sempre de desvalorização do incidente, classificando-o sempre como tal. Como um facto isolado. Quase que apetece incentivar os alunos a filmarem estes incidentes, pois eles, sabemos não serão punidos por isso. Já os professores…têm de viver quase em vergonha por estas cenas atingirem o cerne da sua dignidade profissional e muitas vezes lhes dizerem que são eles que não têm a autoridade que deviam para poderem ensinar. Para além de enxovalhados ainda passam por incompetentes profissionalmente por não porem os “meninos na ordem”.
Sabemos que atacar uma classe profissional é mais simples que responsabilizar toda a sociedade e, em particular as famílias para a importância de melhorar a disciplina nas escolas. Mas esse também tem de ser o caminho. Se assim não for, pouco ou nada vai mudar no nosso ensino. SE este triste incidente tiver a capacidade de tornar a sociedade mais alerta ao problema já foi um ganho. Terá sido um efeito colateral na intenção daquele menino mal educado, ao gravar o incidente, mas diz o ditado "que escreve Deus por linhas tortas"...
No Público hoje:
«Questionada sobre as preocupações então manifestadas pelo procurador--geral da República - que acusara a ministra de "minimizar a dimensão da violência nas escolas" -, Lurdes Rodrigues respondeu: "Não podemos desvalorizar um caso de violência. Mas não temos nas escolas um clima de violência generalizada".»
Passamos a explicar. Hoje, uma sala de aula, é um dos sítios mais tensos, com maior desassossego e mais difícil de controlar do nosso espaço público (ou semi-publico).
Não que seja assim em todas as aulas, mas acontece em muitas. E é uma ilusão pensar que esta realidade se circunscreve apenas às periferias das áreas metropolitanas. Não. Neste aspecto o País tornou-se igual. É um gigantesco subúrbio. A forma como os alunos no ensino básico se comportam dentro da sala de aula é equivalente em todo o País. No secundário está mais atenuado, mas com tendência a alastrar. Com a possibilidade de alargamento do ensino obrigatório até ao 12ºAno, esta realidade vai tornar-se equivalente, se algo não mudar.
A maior violência é entre os próprios alunos. Contrariamente ao que se faz passar na opinião pública é entre os pares que existem mais problemas. Mas, por vezes, essa falta de “saber estar” volta-se contra os professores. Como aconteceu no caso agora “filmado”.
Não se pense que este “estado de sítio” numa sala de aula é excepcional. Não estamos a falar da situação em concreto. Estamos a referimo-nos ao ambiente, ao “caldo de cultura” que aparece retratado no vídeo. E os pais e a sociedade, em geral, não têm a mínima consciência do que se está a passar. Hoje os professores são essencialmente monitores que evitam situações de conflito entre os alunos. E por vezes sobra para os próprios. O saber transmite-se pouco ou quase nada. E esta é uma das razões do nosso insucesso educativo, não a única, mas das mais importantes. E este problema só se pode enfrentar mudando o olhar de toda a sociedade sobre a disciplina na escola. Ela tem de ser encarada como uma questão séria. É muito mais importante para o sucesso do que a avaliação dos professores, apesar desta também o ser.
Sem um ambiente de sossego e concentração, na sala de aula, não se pode aprender em condições. Pensamos que todos concordam. Sem esta condição de partida poucos conseguem aprender e, normalmente, só os vindos de famílias mais estruturadas e instruídas. Esses aprendem, porque podem aprender fora da escola. Têm outros espaços para o poderem fazer. Quem só pode aprender na escola, e aprende pouco fora dela, não aprende de todo. Um mau sistema penaliza sempre os mais “fracos”. É da natureza das coisas. E por essa razão o nosso sistema de ensino é dos que mais reproduzem as desigualdades de partida dos seus alunos. E esta situação tem de mudar.
No ano passado apareceram umas imagens de um filme no interior de uma sala de aula numa escola de Lisboa. Os alunos andavam em cima das mesas passeando alegremente. A reacção do Ministério da Educação foi persecutória em relação a quem tinha filmado tais imagens e tinha permitido a sua divulgação. Não mostrando preocupação com o comportamento dos alunos. Se a memoria não nos atraiçoa foram imagens captadas por um circuito de vigilância interno da escola. Mas recordamos o Secretário de Estado que, confrontado com as imagens, se preocupou mais em tentar saber qual era a escola do que em explicar, ou em tentar, as imagens que estavam a ser transmitidas. O discurso foi sempre de desvalorização do incidente, classificando-o sempre como tal. Como um facto isolado. Quase que apetece incentivar os alunos a filmarem estes incidentes, pois eles, sabemos não serão punidos por isso. Já os professores…têm de viver quase em vergonha por estas cenas atingirem o cerne da sua dignidade profissional e muitas vezes lhes dizerem que são eles que não têm a autoridade que deviam para poderem ensinar. Para além de enxovalhados ainda passam por incompetentes profissionalmente por não porem os “meninos na ordem”.
Sabemos que atacar uma classe profissional é mais simples que responsabilizar toda a sociedade e, em particular as famílias para a importância de melhorar a disciplina nas escolas. Mas esse também tem de ser o caminho. Se assim não for, pouco ou nada vai mudar no nosso ensino. SE este triste incidente tiver a capacidade de tornar a sociedade mais alerta ao problema já foi um ganho. Terá sido um efeito colateral na intenção daquele menino mal educado, ao gravar o incidente, mas diz o ditado "que escreve Deus por linhas tortas"...
No Público hoje:
«Questionada sobre as preocupações então manifestadas pelo procurador--geral da República - que acusara a ministra de "minimizar a dimensão da violência nas escolas" -, Lurdes Rodrigues respondeu: "Não podemos desvalorizar um caso de violência. Mas não temos nas escolas um clima de violência generalizada".»
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