sexta-feira, junho 13

Um dia Feliz




Foi por um acaso, ou talvez não, que nos casámos neste dia. Queríamos casar num dia de semana. Uma sexta de preferência. Como alguns dos convidados – só a família nuclear - trabalhavam em Lisboa, aproveitámos o feriado. Mas casámos em Setúbal. Já lá vão 13 anos. Não satisfeitos voltámos a fazê-lo à dois anos atrás, mas desta vez na Igreja. Onze anos depois, no mesmo dia lá voltámos a casar. É necessário alguma convicção, convenhamos.

Hoje temos novamente uma sexta-feira, 13 de Junho, como em 1995. Casamos o casamento, como se diz. Santo António o “Santo casamenteiro” tornou-se assim o nosso padroeiro, quase que por acaso, ou talvez não... Não nos arrependemos, antes pelo contrário.

Bom dia de Santo António, ou boa sexta-feira 13 conforme o preferirem, para todos. Para nós será com certeza.

Rosa



para o nosso amor.

quarta-feira, junho 11

Bocas


kissing lips

Filipe Pombo

2008

E depois do "circo" quem governará o Pais?





Perante esta situação de paralisia generalizada do País num completo desrespeito pela Lei Portuguesa, provocada pelo bloqueio dos camionistas, ficámos a saber que o Governo deixou de existir. O primeiro-ministro parece só saber gritar com os fracos, com os que não representam uma verdadeira ameaça. Perante uma crise grave eclipsa-se. Deixa correr. Ele, o restante Governo e o partido que o apoia. Quem verdeiramente lidera hoje o País?





A resposta não é fácil. A ideia por parte do Governo, é ver se "isto" passa, entre um jogo e outro da selecção nacional. Mas imaginem se a selecção perder. O povo alienado ficará sem o “circo” quando o “pão” parece já estar mais do que ameaçado. Com esta crise de autoridade de Estado, a juntar a todas as outras, tudo aparenta estar por um fio. O desenrolar dos próximos dias da nação estão mais dependentes do Sr. Scolari do que do nosso Eng. Sócrates. Este Governo estratégicamente ausente parece, de repente, ter deixado de existir. Estará a nossa governabilidade actual assim tão dependente da sorte de um treinador de Futebol? Parece-nos bem que sim. Seja como for, não se prevê nada de bom, nem agora nem mais tarde. Este Verão que já prometia vir a ser escaldante pode vir a aquecer ainda mais após o Euro 2008. E depois do "circo" quem governará o Pais?


terça-feira, junho 10

Bocas

boquinha doce

José Ferreira

2008

"Convoy" o comboio dos duros




Parece antever-se uma nova manifestação de camionistas. Segundo as noticias estão a preparar um cerco a Lisboa e Porto. Um “Comboio dos Duros”. Sempre que os camionistas se manifestam lembramo-nos deste filme. Este retratava as aventuras de uma coluna de camiões liderada por Rubber Duck (Kris Kristofferson) através dos estados de Novo México, Texas e Arizona como protesto pelos abusos do perturbado polícia (Xerife) Lyle Wallace, pondo tudo por onde passavam de “pantanas”. Dessas memórias de infância ficou o regozijo da luta contra a injustiça, aqui personificada pelo xerife. Transpondo isso para a nossa realidade, a respostas a algumas perguntas são mais difíceis: A luta dos nossos camionistas será justa? E o causador da injustiça, quem será? O governo? O Petróleo? A Globalização?

Esta luta é um protesto de um sector, como no caso das pescas, que se sente particularmente prejudicado pela conjuntura. Mas o apoio a um sector afectado por algo que não é criado por responsabilidade directa do Governo não poderá estender-se a muitos outros protestos de sectores igualmente prejudicados? A ajuda pontual aos transportes não será sentida como uma injustiça para outros? Ou poderá ser este já um sinal, como em 24 de Junho 1994, o bloqueio da ponte anunciou o fim do Cavaquismo? Talvez ainda não, mas os sinais nesse sentido começam a avolumar-se. Este bloqueio dos camionistas tem, apesar de tudo, características muito diferentes: pretende ter dimensão nacional e internacional, na medida em que condiciona exportações e importações. E pretende condicionar a mobilidade rodoviária principalmente em torno das grandes cidades de Lisboa e Porto e nas fronteiras. Parece que alguns bens de consumo já começam a faltar nos grandes fornecedores.

Vivemos tempos paradoxais. Ainda nos últimos dias em Serralves (Porto)67 mil visitantes, durante 40 horas gratuitas, entraram no Museu. Em Setúbal, onde residimos, sente-se grande adesão de público aos vários eventos, mais populares ou eruditos. As esplanadas estão cheias de gente a ver e a comentar os diversos jogos do Euro 2008. Mas simultaneamente a este País contrapõe-se um outro em agonia. A questão é saber se a adesão a toda esta festa é apenas alienação. Se for, um qualquer rastilho pode atiçar o barril de pólvora. Resta saber se este protesto será feito e sentido como um "um comboio de duros" ou se ficará apenas como mais um fenómeno fruto da época?


A Festa do Cinema


A 24ª edição do Festroia está a correr. A sensação que temos, não sendo especialistas, é que o certame está definitivamente numa fase de consolidação e expansão. Depois de grandes dificuldades económicas o Festroia parece estar num ciclo ascendente, quer em termos de programação quer em termos de saúde financeira. Só falta Setúbal ter as suas salas de cinema em melhores condições – Fórum Luísa Todi e Auditório Municipal Charlot – apesar de se ter alargado para o IPJ, em Setúbal, e para fora no Casino de Lisboa e para o Auditório Fernando Lopes Graça (Almada). Esta estratégia de crescimento regional articulada com a restante Área Metropolitana é de grande alcance. Alargar os públicos e os patrocinadores é essencial à sobrevivência de um evento desta natureza. A escala internacional só se consegue com uma “massa critica” suficientemente forte para tornar o festival aliciante. E esta tem de ter dimensão regional. O centro deve continuar a ser Setúbal, mas deverá ser um evento associado ao todo regional.
Este ano, excepcionalmente, tivemos a oportunidade de conseguir arranjar maior disponibilidade do que é habitual para poder assistir a mais filmes. Normalmente pouco mais conseguíamos que os filmes da inauguração e do fecho. E, já não era mau.
Felizmente este ano pode ser diferente. É uma oportunidade de ver filmes que nunca poderíamos ter a hipótese de ver. A maioria deles não se encontra no circuito comercial. Muitos são de facto bastante interessantes propondo “estéticas” e formas de narrativa diferentes. Nem sempre completamente conseguidas, mas estimulantes. Permitem sair do “lugar comum” a que quase sempre estamos remetidos quando dependemos das distribuições de massas.
Ao longo a semana destacaremos alguns dos que mais gostamos.
Setúbal continua em festa. E uma festa de qualidade – apesar das más condições das salas – e cosmopolita. Dá gosto ver.

quarta-feira, junho 4

Portugal Profundo


Momentos Rurais

Rui Pires

2008

Como fugir`ao "efeito tenaz"?

O primeiro-ministro José Sócrates (JS) vai ter, a partir de agora, a sua prova de fogo. Verdadeiramente desde que foi eleito ainda não passou ainda por nenhuma dificuldade politica séria, tirando talvez, o “caso licenciatura”. Chegou ao poder e à maioria absoluta, ao colo da nação por esta estar cansada do desvario da governação anterior. Desde então faz uma governação à sua medida, podendo tomar as medidas que acha por bem tomar e governando mais pela palavra e pela imagem do que pela qualidade da acção. Mas a facilidade parece estar a acabar. Do ponto de vista político JS tem tido alguma habilidade para manter um certo conforto ao nível da opinião pública, mas a maré parece estar a mudar. Senão vejamos:

O “comício da esquerdas” realizado ontem, onde a presença de Manuel Alegre, junto com Louçã e companhia, vem causar um grande mau estar ao PS. JS que tem governado apoiado num eleitorado central tem hostilizado “alguma esquerda” que tem sentido um grande desconforto e está disponível para afrontar este PS.

Sábado passado foi eleita Manuela Ferreira Leite para a liderança do PSD e pelas características da personagem a bagunça que tem reinado no maior partido da oposição está prestes a acabar. O que torna o passeio de JS mais difícil.

E por último, mas não menos importante, a crise económica com a escalada dos preços que provoca a aceleração da reestruturação de muitos sectores que por força de já estarem muito fragilizados não vão conseguir sobreviver. Tudo isto vai, como sempre afectar os mais desprotegidos, os mais frágeis.

JS escolheu um caminho que se pode agora manifestar-se muito apertado, podendo ficar sujeito ao “efeito tenaz”, entalado entre a esquerda e a direita politica:

O centro-direita tendo alguém que o represente vai começar a ser mais critica da sua governação. O apoio inicial por parte deste eleitorado pode estar a acabar.

A esquerda muito zangada com JS não lhe vai perdoar o caminho escolhido, mesmo a do PS a chamada ala “Alegrista”. Vai querer medir forças.

Por outro lado, a crise económica vem tornar ineficaz qualquer discurso sobre o assunto. Tendo JS apostado muito nos resultados económicos, com o controlo do défice à cabeça, todo o seu discurso político parece estar comprometido.

A partir de agora vamos poder perceber se o primeiro-ministro tem ou não capacidade de enfrentar reais dificuldades políticas. O tempo da luta contra as classes profissionais parece estar definitivamente esgotado, assim como o discurso sobre o descrédito da governação passada. A vitória sobre o défice (ainda que periclitante) não parece poder, por si, criar uma base de apoio ao governo e muito menos encher a barriga a alguém.

Que irá fazer JS para fugir à tenaz?

segunda-feira, junho 2

Noite cheia de arquitectura





No Programa Câmara Clara a propósito da maior exposição sobre a obra e a vida de Le Corbusier.

Em conversa com Paula Moura Pinheiro, Ana Tostões, a arquitecta especialista em História da Arquitectura Moderna, e o arquitecto João Luís Carrilho da Graça, um dos mais “neo-modernistas”




De seguida tivemos um documentário de Sidney Pollak, desaparecido esta semana.
Amigo de Frank Gehry, Esboços de FG é um documentário de 2006, uma biografia notável do célebre arquitecto que incide sobre o seu processo criativo, desde os primeiros desenhos à obra construída.

Duas abordagens, sobre dois arquitectos, que apesar de terem muito pouco em comum experimentaram e inovaram na arquitectura.

A Arquitectura e o serviço público de televisão ao seu mais alto nível.

terça-feira, maio 27

Caminhos


ponte dos ingleses

simao pereira de magalhaes

2007

Divulgação - HOJE

Cada vez mais casas,
Cada vez menos gente

Teatro São Luiz, 27 de Maio de 2008

(mais) uma sessão cívica
"UM DIA POR LISBOA – Fazer e Não Fazer"


A sessão de dia 27 de Maio será dividida em 3 painéis, entre as 18h e as 23h. em que vão participar diversas personalidades:




18h – 19.30h - O despovoamento da cidade de Lisboa e a dispersão metropolitana

19.30h – 20.30h - Construção vs. reabilitação

21h – 22h - Imobiliário e direitos adquiridos vs. interesse público

22h – 23h - Debate institucional


Vão estar presentes entre outros:
Augusto Mateus, Manuel Graça Dias, João Cleto (Movimento Porta 65 Fechada), Luís Campos e Cunha, Leonor Coutinho, Carlos Pimenta, Isabel Guerra



Debate final

João Ferrão, Secretaria de Estado do Ordenamento do Território e das Cidades

Manuel Salgado, Câmara Municipal de Lisboa

Fonseca Ferreira, CCDRLVT

Carlos Humberto, Junta Metropolitana de Lisboa (e presidente da Câmara Municipal do Barreiro)


Moderação: Luísa Schmidt e Nuno Artur Silva

Mais informações através do contacto telefónico: 213 864

terça-feira, maio 20

Lawrence Grossberg


Ontem saiu no Público uma entrevista de Lawrence Grossberg que passo a citar alguns excertos a ter em conta.

«É um dos mais importantes pensadores de estudos culturais americanos, foi uma voz central nos debates sobre o pós-modernismo nos anos 1980 e teve papel essencial na legitimação do estudo da música popular e "cultura jovem" na universidade. Filosofia da comunicação, políticas de juventude ou as possibilidades e limitações na emergência de formações alternativas de modernidade, são temas presentes no seu trabalho.
Há uma semana deu uma conferência na Universidade Católica, em Lisboa, sobre Estudos Culturais e Problemas da Modernidade. Para ele, os estudos culturais são em primeiro lugar política e, só depois, cultura popular. Na sua última obra, denuncia a "guerra aos jovens" que é, afinal, segundo ele, a tradução de um contexto onde ninguém acredita no futuro. (...)


A própria categoria "jovem" transformou-se. Era uma idade, agora é uma ideologia. Aquilo que definia o ser "jovem" atravessa agora todas as idades.
Essa é outra questão fascinante. A geração baby-boomer, que é a minha, cresceu a pensar que a sua identidade estava na juventude. Crescemos com esta ideia que tínhamos que parecer, agir e vestir, como se tivéssemos sempre 20 anos. Não sei se é mau, nem acho que seja recusa de crescer, mas realmente isso cria um problema para os jovens que são, realmente, jovens. De repente, toda a gente é jovem. Quer dizer, com nuances, consumo a mesma música que os meus filhos.
A partir dos anos 80 a noção do que era ser "jovem" já nada tinha a ver com um corpo. Tinha um significado cultural e político. Estava em ligação com a ausência de um sentido para o futuro e percebi isso quando os adolescentes começaram a falar-me do seu ressentimento por serem adolescentes. Sentiam que tinham sido abandonados, porque à sua volta percebiam que já ninguém se sentia responsável pelo seu futuro. (…)

Mas no seu último livro vai mais longe, dizendo que os "jovens" se transformaram num problema para os mais velhos. Porquê?
Porque eles personificam o futuro, que é qualquer coisa em que deixámos de acreditar. A partir do meio do século XX, quando a "cultura jovem" se impôs, a juventude começou a ser vista como símbolo dos valores americanos. Incorporavam o sonho americano. O futuro ia ser dourado e os jovens tinham que ser moldados para que lhes fosse permitido representar essa ideia de futuro.
Mas isso mudou, porque a noção de futuro também mudou.
Hoje não há uma guerra contra os jovens, mas há uma guerra contra o futuro. Há uma presença acentuada de discursos apocalípticos e, os jovens, que representam o futuro, sofrem as consequências. Qualquer coisa que sempre demos como adquirido, como ter uma carreira ou uma pensão de velhice, é posto em causa. O problema é que se não acreditamos no futuro, não podemos ser responsáveis pelo que vai acontecer.
Ou seja, não podemos ser responsáveis pelos jovens?
Exacto. Nesse sentido, eles têm que ser qualquer coisa que pode ser controlada, porque não nos queremos sentir culpados - por não terem acesso à medicina, por serem toxicodependentes ou por não investirmos na educação pública ou na universidade.
Simplesmente, porque não acreditamos que a nossa responsabilidade é investir no presente e preparar o futuro. O contexto social mudou tanto que é difícil aceitar ou abraçar o risco. Os adolescentes estão preocupados com o futuro económico de uma forma que a minha geração não estava. (…)»

quinta-feira, maio 15

A escolha...


Pedro Passos Coelho (PPC) ao não se ter demarcado das declarações (e intenções) de Luís Filipe Menezes (LFM), proferidas hoje na SIC Noticias, acerca de Manuela Ferreira Leite, fica com a sua candidatura definitivamente amarrada a uma lógica de vingança e ajuste de contas. Não dele mas de outros, o que ainda é mais redutor.

As declarações de “bom rapaz” querendo estar de bem com todos não chegam para fazer um líder. A retórica liberal e moderna, por si, significam pouco. Para convencer o PSD, e o País, de que representa alguma mudança tem de fazer diferente e isso não se compadece com ausência de “espinha dorsal”. Com o seu silêncio PPC revelou que a lógica do voto é, para ele, muito mais importante do que a real vontade mudar a trangetória do Partido dos últimos anos. A "juventude" não é um valor. É uma circunstância. Passa com o tempo e muitas vezes, antes de tempo. Com este silêncio PPC explicitou a sua escolha: receber a herança que LFM entendeu deixar-lhe. Registámos.