quarta-feira, abril 16

Um novo membro na familia



Tinha-mos pensado que nunca mais. Mas a célebre frase, “nunca digas nunca”, mais uma vez voltou a impor-se. Em miúdo, pensámos, ser até veterinário, tal era o amor pelos animais. A dedicação era tal que trocava, durante as férias de verão, com uns primos alentejanos – que tinham a sorte de ter um “monte” com animais – a praia pelo campo.
Por volta dos treze anos tivemos uma gata que durou, lá por casa, pouco mais de um ano. Os pais não permitiram mais tempo. As chatices eram demais – diziam eles – e acabaram por levar a gata para uma quinta de uns amigos. A tristeza foi muita.

Talvez, desde então, não mais quisemos ter mais nenhum gato (ou cão). Mas, a família, que já tinha tentado várias vezes antes, sem termos cedido, agora conseguiu. Os pequenos têm, hoje, quase a idade que tínhamos então e não resistimos. O destino ajudou. Alguém telefonou a dizer que tínhamos um à nossa espera. Um belo gatinho surgiu, por coincidência muito parecido com o da nossa infância, ao qual não foi possível resistir…
O seu nome é Sol.








quarta-feira, abril 9

A propósito da qualidade da Paisagem


Um bom planeamento da paisagem, e também um bom desenho, tem três regras:
Proteger o que temos; seleccionar para trabalhar; inventar.
Por esta ordem de importância. Devemos proteger o que temos, depois trabalhar de forma selectiva e só depois inventar. Se começarmos por inventar perdemos, porque é muito provável que a invenção não corresponda ao que esperamos. A protecção deve estar em primeiro lugar, mas não uniforme, não está em todos os lugares
.”

Carl Steinitz * em entrevista a Cristina Castel-Branco in Arquitectura & Vida, Março de 2008.

*Arquitecto, Professor de Arquitectura Paisagística e Planeamento em Harvard.

sexta-feira, abril 4

Quem não é por nós é... contra a Escola Pública

O Secretário de Estado da Educação Valter Lemos descobriu a pólvora:

«Está em curso uma campanha contra e Escola Pública em Portugal.» disse hoje peremptório.

A técnica retórica por trás desta afirmação faz lembrar outros tempos. Não é nova e muito menos original. Diz até muito sobre quem a usa. Durante o Estado Novo, quando alguém denunciava algo que estava mal no País, logo era acusado de antipatriota ou, na melhor das hipoteses, de... Comunista.
O senhor Secretário de Estado parece querer confundir a necessária “saída do armário” da situação em que se encontra a “disciplina” nas escolas – que obviamente não é de hoje, mas que por diversas razões se encontrava fora da agenda mediática – com o “ataque” à Escola Pública.

“Olhe que não, olhe que não”.

Texturas


Gerês
Março 2008

quarta-feira, abril 2

Santiago de Compostela


Março 2008

uma cidade mágica, como dizia um colega Galego, nos idos de 1994. Jorge de seu nome, se a memória não nos atraiçoa.

sábado, março 22

Páscoa

Filipe Pereira

Interior do Mosteirode Alcobaça
2008

Porque será que todos querem arranjar culpados?



Olhando para o que está escrito num artigo publicado hoje no Público (P2) sobre os comentários ao vídeo colocado no You Tube, sobre o “incidente” ocorrido na Escola Secundária Carolina Michaëlis, no Porto, ocorreu-nos perguntar:

Porque será que todos querem arranjar culpados?

Os Professores culpam os Pais, o Ministério, a Ministra, o Sistema, o Novo Estatuto do Aluno, “alguns Professores”, os Alunos, etc.

A sociedade culpa os Pais, “alguns Alunos”, os Professores, o Sistema, o Ministério, a Ministra, o Novo Estatuto do Aluno, o País.

O Ministério e o Governo culpam, os anteriores governos, especialmente o seu imediatamente anterior, os Professores, ou finge não existir razões para tanto alarme.

Os Partidos da Oposição culpam, o actual Governo, a Ministra, o Ministério, o Novo Estatuto do Aluno.

Os País culpam, os Professores, o Sistema, o Ministério, a Ministra, o Novo Estatuto do Aluno, “alguns alunos”, etc, etc…

Quando se anda sempre à procura da culpa significa apenas uma coisa: ninguém quer assumir a sua. Ou seja, mandando a responsabilidade para cima de alguém, ficamos todos mais aliviados. Não obrigando ninguém a assumir a sua quota-parte da responsabilidade, todos ficam bem, mas nada se resolve. Ficando tudo na mesma.

Só vemos alguma hipótese séria de tentativa de solução do problema da disciplina, quando todos os envolvidos, na medida das suas responsabilidades, procurem saber o que cada um pode fazer para resolver o problema.

Se continuarem a procurar a culpa, ela por cá, segundo dizem, “morre sempre solteira”.

sexta-feira, março 21

O Telemóvel como alerta?


O vídeo divulgado no You Tube, gravado em telemóvel, tem escandalizado o País. Sob o título 9.º C em grande!, mostra uma aluna do 3.º ciclo da Escola Secundária Carolina Michaëlis, no Porto, a agarrar e a puxar o braço da sua professora de Francês por esta lhe ter tirado o telemóvel. É de facto chocante, para quem não sabe o que hoje se está a passar nas escolas. Para os que sabem não é de espantar.

Passamos a explicar. Hoje, uma sala de aula, é um dos sítios mais tensos, com maior desassossego e mais difícil de controlar do nosso espaço público (ou semi-publico).

Não que seja assim em todas as aulas, mas acontece em muitas. E é uma ilusão pensar que esta realidade se circunscreve apenas às periferias das áreas metropolitanas. Não. Neste aspecto o País tornou-se igual. É um gigantesco subúrbio. A forma como os alunos no ensino básico se comportam dentro da sala de aula é equivalente em todo o País. No secundário está mais atenuado, mas com tendência a alastrar. Com a possibilidade de alargamento do ensino obrigatório até ao 12ºAno, esta realidade vai tornar-se equivalente, se algo não mudar.

A maior violência é entre os próprios alunos. Contrariamente ao que se faz passar na opinião pública é entre os pares que existem mais problemas. Mas, por vezes, essa falta de “saber estar” volta-se contra os professores. Como aconteceu no caso agora “filmado”.

Não se pense que este “estado de sítio” numa sala de aula é excepcional. Não estamos a falar da situação em concreto. Estamos a referimo-nos ao ambiente, ao “caldo de cultura” que aparece retratado no vídeo. E os pais e a sociedade, em geral, não têm a mínima consciência do que se está a passar. Hoje os professores são essencialmente monitores que evitam situações de conflito entre os alunos. E por vezes sobra para os próprios. O saber transmite-se pouco ou quase nada. E esta é uma das razões do nosso insucesso educativo, não a única, mas das mais importantes. E este problema só se pode enfrentar mudando o olhar de toda a sociedade sobre a disciplina na escola. Ela tem de ser encarada como uma questão séria. É muito mais importante para o sucesso do que a avaliação dos professores, apesar desta também o ser.

Sem um ambiente de sossego e concentração, na sala de aula, não se pode aprender em condições. Pensamos que todos concordam. Sem esta condição de partida poucos conseguem aprender e, normalmente, só os vindos de famílias mais estruturadas e instruídas. Esses aprendem, porque podem aprender fora da escola. Têm outros espaços para o poderem fazer. Quem só pode aprender na escola, e aprende pouco fora dela, não aprende de todo. Um mau sistema penaliza sempre os mais “fracos”. É da natureza das coisas. E por essa razão o nosso sistema de ensino é dos que mais reproduzem as desigualdades de partida dos seus alunos. E esta situação tem de mudar.

No ano passado apareceram umas imagens de um filme no interior de uma sala de aula numa escola de Lisboa. Os alunos andavam em cima das mesas passeando alegremente. A reacção do Ministério da Educação foi persecutória em relação a quem tinha filmado tais imagens e tinha permitido a sua divulgação. Não mostrando preocupação com o comportamento dos alunos. Se a memoria não nos atraiçoa foram imagens captadas por um circuito de vigilância interno da escola. Mas recordamos o Secretário de Estado que, confrontado com as imagens, se preocupou mais em tentar saber qual era a escola do que em explicar, ou em tentar, as imagens que estavam a ser transmitidas. O discurso foi sempre de desvalorização do incidente, classificando-o sempre como tal. Como um facto isolado. Quase que apetece incentivar os alunos a filmarem estes incidentes, pois eles, sabemos não serão punidos por isso. Já os professores…têm de viver quase em vergonha por estas cenas atingirem o cerne da sua dignidade profissional e muitas vezes lhes dizerem que são eles que não têm a autoridade que deviam para poderem ensinar. Para além de enxovalhados ainda passam por incompetentes profissionalmente por não porem os “meninos na ordem”.

Sabemos que atacar uma classe profissional é mais simples que responsabilizar toda a sociedade e, em particular as famílias para a importância de melhorar a disciplina nas escolas. Mas esse também tem de ser o caminho. Se assim não for, pouco ou nada vai mudar no nosso ensino. SE este triste incidente tiver a capacidade de tornar a sociedade mais alerta ao problema já foi um ganho. Terá sido um efeito colateral na intenção daquele menino mal educado, ao gravar o incidente, mas diz o ditado "que escreve Deus por linhas tortas"...

No Público hoje:

«Questionada sobre as preocupações então manifestadas pelo procurador--geral da República - que acusara a ministra de "minimizar a dimensão da violência nas escolas" -, Lurdes Rodrigues respondeu: "Não podemos desvalorizar um caso de violência. Mas não temos nas escolas um clima de violência generalizada"

quinta-feira, março 20

Barcos


Luís Torgal

Na doca pesca em Setúbal a

6 de Fevereiro de 2008


Fotografia publicada no www.olhares.com, que o meu caro amigo Torgal me apresentou. Recomendo vivamente este site a todos os amantes de fotografia. Pode-se encontrar por lá exxxxtraordinário material.

Obrigado Luís.

domingo, março 16

Haverá?



Um filme duro e seco como o personagem principal, Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis) e a vida que levavam estes homens do Petróleo na transição do século XIX para o XX.
A banda sonora de Haverá Sangue é, também ela, de arrepiar o que ajuda a construir um ambiente quase sempre sinistro. Grande parte da narrativa é despovoada de sentimentos. Só a competição e a ganância permanecem em torno da vontade de ter mais e mais… Petróleo.
No fim o homem (Daniel) acaba sozinho com o seu império. Para alguns as relações humanas são apenas instrumentais e, por isso, a evitar sempre que possível. Pode, por vezes, parecer mais fácil cumprir a existência em torno de coisas ou objectos, mas a nossa fatal necessidade do outro sempre surge para atrapalhar. Dificilmente se consegue fugir da necessidade dessa relação. Na nossa humilde opinião, é dessa impossibilidade que este filme fala.
A interpretação de Daniel é fenomenal.
Vale a pena ver. Sem alaridos.

sexta-feira, março 14

Dividido mas solidário



Já vai quase uma semana sobre a “marcha dos professores” em Lisboa, após duas semanas de marchas em várias cidades por todo o País. Ainda aqui não falámos sobre este assunto mas é um dos temas que mais nos tem ocupado a atenção possível entre os diversos afazeres. No entanto, e a pedido de várias famílias, cá vai o que nos ocorre dizer sobre esta matéria:

Foi das situações em que nos sentimos mais divididos. Se por um lado, estamos de acordo que a forma, e por vezes o conteúdo, de algumas “reformas” na Educação (assim como de outras áreas da governação) estavam a ser mal conduzidas, por outro, consideramos indispensável que estas se realizem. O País não pode continuar bloqueado, sem realizar o que é indispensável para melhorar. Na Educação como em muitos outros domínios.

Por exemplo, a Avaliação é importante, não só para a profissão de professor, como para todos os Sistemas, incluindo o de Ensino. Mas mandar Avaliação para cima dos professores não, só por si, a resolução de todos os problemas. E é mesmo duvidoso que seja de alguns dos que se pretendem, como a diminuição do Abandono. Uma má Avaliação pode ser um factor de fracasso de qualquer sistema e não o seu sucesso. Tudo depende…E a proposta pelo Actual Ministério é deveras duvidosa a muitos níveis.

Começando por não se perceber qual o perfil do professor – ou do aluno - que se quer ter como exemplar. Caricaturando, mas nem tanto, um professor que seja rigoroso na avaliação dos seus alunos, pode provocar abandono aqueles que não acompanham o seu grau de exigência. Mas os seus alunos ficam a saber, mesmo o que tenham uma positiva sofrida. Enquanto outro que pretenda manter os alunos dentro da aula terá, necessariamente, estratégias diferentes. Poderá mesmo ter alunos que apenas frequentem as aulas sem aprenderem nada da disciplina em questão.

Para além do perfil desejado para o “bom professor”- ou “bom aluno” - a forma como se lançou este processo está a levar as escolas ao desespero. O que é, por si, uma consequência negativa de algo que se pretendia ser positivo. E o problema não é só a “complexidade” da Avaliação proposta mas a falta de critérios objectivos para a realizar. Sem se saber o que se pretende ter como “qualidade de ensino” como podemos seleccionar critérios?

Os aspectos críticos sobre a forma e o conteúdo das reformas, não são tudo. Somos favoráveis a que estas se realizem. Achamos mesmo que são indispensáveis. Mas não contra todas as pessoas. Só contra aquelas que apenas querem manter o seu pequeno quinhão de adquirido, sem se preocupar com a qualidade dos serviços ou do seu desempenho. Se não se lançarem as reformas de forma inteligente e inteligível não se fazem com ninguém. E estas não se realizam só no papel.

Outra dificuldade que sentimos foi a de temermos que a inflexibilidade governativa se agudizasse e conduzisse o actual executivo a um beco sem saída. Face a uma conflitualidade social imanente a inflexibilidade dos governantes revela falta de inteligência e mesmo impreparação para a governação. E se esta se vier a revelar vamos ter o futuro mais complicado pois o eleitorado não quererá repetir uma maioria absoluta tão cedo, o que torna as “reformas” mais difíceis de implementar, se não mesmo impossíveis.

Portugal necessita de recuperar alguns atrasos estruturais para ir de encontro aos seus parceiros europeus, para mudar vamos todos ter de mudar um pouco e para que isso aconteça temos de ter estabilidade governativa e politicas esclarecidas e reformistas. Mas para o conseguir temos de confiar uns nos outros, mesmo estando em campos diferentes. Como dizia o outro “ o que tem de ser tem muita força” mas pode ser com mais ou menos sofrimento dos envolvidos.

Por último, voltando à “marcha” pensamos que esta introduziu uma nova forma de lutar pelas causas laborais. De tal forma que os sindicatos foram obrigados a ir a reboque. Os professores viram, como classe, o seu prestígio aumentar pela forma como se manifestaram: Civilizada, ordeiramente e à sua própria custa (evitando prejudicar os alunos e suas famílias) marcharam pelo direito à indignação e à recuperação do merecido respeito profissional.




quarta-feira, março 5

A difícil travessia


Vivemos tempos difíceis. Mas isso já todos o sabemos. Já o sabíamos, antes até de o termos constatado. Com a adesão à Europa, quase todos suspeitaram que nada mais ia ser como antes. Mesmo quando o País parecia estar a melhorar os “Velhos do Restelo” apareciam para nos lembrar que era apenas uma doce ilusão. A modernidade não surge como um passo de mágica.

Mas a abertura ao exterior e a crescente urbanização da população não deixaram grande margem para o recuo. As expectativas de vir a ter um nível de vida equivalente aos restantes europeus ficaram marcados na nossa consciência colectiva. Mesmo sabendo, agora, o trabalho que isso dá.

Estamos como que a meio da ponte. Entre o que éramos e o que gostaríamos de ser. É preciso ter coragem mas nem sempre acreditamos que seja possível. A maioria das vezes desconfiamos de quase tudo: de nós, dos outros, deles. Especialmente destes últimos. D’eles. E eles são os que nos governam, ou os que são governados, os que mandam ou os mandados, os que ensinam ou os que são ensinados, tudo conforme as perspectivas, do lugar que cada um ocupa, a cada momento. Mas era importante perceber que não podemos ficar para sempre no meio da ponte. Temos que andar para a frente. Não de forma inconsciente, pois pior que voltar para trás, é despirmo-nos e cairmos. Mas de forma lúcida e inteligente sem desperdiçarmos as boas vontades e capacidades existentes para realizarmos uma boa travessia. A melhor possível e não a pior possível.

Vem tudo isto a propósito do que se passa entre o Governo e o País. O primeiro quer levar o segundo a modernizar-se. Para isso resolveu levar a cabo uma série de medidas para o efeito. Essas medidas vêm com a marca de reformas associadas a uma ideia de “modernidade”, onde muitas vezes parece que isso basta para as legitimar. E não basta. Para além da retórica é necessário que as medidas sejam realmente boas, bem pensadas e testadas, para depois serem generalizadas e implementadas.

E isto está a falhar. A determinação não pode ser confundida com teimosia. A determinação exige um acompanhamento atento da medida para que esta chegue, efectivamente, aos seus objectivos. E muitas vezes não serve cortar a direito, porque os danos podem ser superiores aos resultados. Muitas vezes têm que se realizar acertos e isso não é um acto de fraqueza mas de inteligência. O importante não é ter razão é reconhecer-se a razão.

O Governo actual está empenhado em fazer um retrato optimista do País e em considerar a sua intervenção como o principal responsável por isso. Esta estratégia, ao generalizar-se, pode levar o discurso a descolar da realidade. E se isso acontecer dificilmente se consegue restabelecer a comunicação com os governados. Um governo deve fazer um discurso mobilizador, mas isso não pode ser confundido com autismo, ou com a perda do sentido da realidade. Toda a gente acha uma certa piada aos lunáticos mas ninguém quer ser governado por eles. E com o País a sofrer um período de grande dificuldade e quebra de expectativas, é fácil o excesso de optimismo não ser reconhecido como razoável. É um erro confundir vontade de mudança com excesso de confiança. Reconhecer o erro sem perder o objectivo do que se pretende, tem de ser incorporado no quotidiano político, quer por parte dos governantes quer dos governados.

Mudar os governantes não muda, por si, a necessidade de atravessar a ponte. O País tem de exigir a qualidade na travessia e não ficar na constante hesitação sobre a necessidade de a atravessar. O erro pode ser corrigido sem mudar de desafio. A melhoria da qualidade da travessia passa por todos. Até por aqueles que acham que deveríamos voltar para trás.

Parabéns ao PÚBLICO


O melhor jornalismo escrito. E, actualmente, o jornal mais livre face aos poderes instituidos. A edição de hoje é, mais uma vez, a prova disso mesmo.
Faz 18 anos. Esperamos que a "maioridade" acrescente, sem retirar o essencial: A qualidade do Jornalismo.

segunda-feira, março 3

Estão de volta


Hoje pela manhã, como fazem todos os anos, ao longo dos séculos e dos milénios, elas chegaram. Vindas de Sul, em bando, as Andorinhas, ai estão para confirmar a antecipação da Primavera.
Assistir a este espectáculo é participar em algo maior. Faz-nos sentir que, apesar das aparências, existem coisas que ( felizmente) não mudam. Graças a Deus.

sexta-feira, fevereiro 29

Parabéns


A rádio que mudou o panorama informativo em Portugal faz hoje 20 anos. Um verdadeiro serviço público que é privado.
Obrigado por existires TSF.

quinta-feira, fevereiro 28

Um comprimido ou um copo de água?



Um estudo realizado recentemente põe em causa a eficácia dos anti depressivos em depressões leves ou moderadas. Dizem mesmo que poderá não existir grande diferença entre tomar um comprimido ou beber um copo de água com açúcar.

Obviamente, dito de uma forma simplista, esta conclusão põe em causa o verdadeiro efeito destes comprimidos que nos “curam” da tristeza. Receitas simplistas provocam “curas” simplistas. Os desequilíbrios entre o corpo, a mente e o espírito não se conseguem resolver dessa maneira. Exige mais esforço e trabalho por parte do terapeuta e do doente. Mas tratar de nós passou a ser mais uma forma de consumo, onde a rapidez e as modas são determinantes nas tendências da procura da cura. A responsabilidade individual na procura de um verdadeiro sentido para a vida é assunto pouco apelativo hoje em dia. Mas colocar toda a cura fora e não dentro do indivíduo, começa a parecer não resolver muitos dos problemas sentidos por quem se encontra em sofrimento.

Assim deixar tudo entregue ao comprimido parece, em muitos casos, não adiantar mais que beber um bom copo de água com açúcar. Vale a pena pensar nisto…

segunda-feira, fevereiro 25

e o Oscar foi para



Daniel Day-Lewis - que acompanhamos desde a Insustentável Leveza do Ser, inspirado no romance de Milan Kundera – ganhou a tão apreciada estatueta na categoria de melhor actor. Apesar de pouco convencional para Hollywood, só aceita trabalhar em filmes que pelo qual se interessa verdadeiramente, foi reconhecido pela academia por ser, de facto, um extraordinário actor.

Fica aqui a nossa homenagem, apesar de ainda não termos tido a oportunidade de ver “Sangue Negro”, o filme que o fez receber este Oscar. Só por isso deverá valer a pena não perder.




quarta-feira, fevereiro 20

Divulgação


Para tentar evitar o que se passou no anterior dia 18 de Fevereiro (2º Feira) aqui divulgamos o pedido da Câmara Municipal de Setúbal.

«As previsões do Instituto de Meteorologia apontam para a ocorrência de chuva intensa no final de dia 22 e durante todo o dia 23 no concelho de Setúbal.


Perante este cenário, a Protecção Civil recomenda a adopção de medidas preventivas por parte dos munícipes, como a limpeza dos algerozes e sumidouros nos quintais.Nas zonas tradicionais de cheias, é aconselhável o estacionamento dos automóveis em áreas mais elevadas, evitando-se toda a área a sul da Variante da Várzea e o centro de Vila Nogueira de Azeitão.Se a garagem, cave, elevador ou outras instalações do edifício são vulneráveis, não convém utilizá-las quando se verificarem situações de forte precipitação, enquanto os proprietários dos estabelecimentos devem proteger os seus bens, deslocando-os para níveis superiores.Para evitar a entrada de água, as portas da rua devem ser protegidas com um anteparo de madeira, metal ou sacos de areia.As marés-cheias estão previstas, no dia 22, para as 03h39 e as 15h57, e, no dia 23, às 04h14 e às 16h30.” »

terça-feira, fevereiro 19

Já era tempo

Fidel entendeu (ou alguém por ele), finalmente, reformar-se. Inevitavelmente algo vai ter de mudar em Cuba. Esperemos que seja a favor do seu povo. O preço de "preservar" a sua romântica revolução tem sido demasiado alto e bem pago por todos os cubanos.

Diz-se que

José Sócrates passou bem na entrevista de ontem.
O que nos pareceu mais relevante foi a aparente determinação e confiança na sua tarefa. Num País onde os últimos primeiros-ministros fugiram ou foram “empurrados” para sair, não é coisa de somenos.

segunda-feira, fevereiro 18

"E Depois do Adeus"...tanta chuva.

Não podia vir mais a propósito. Ontem estreou, na RTP1, o novo programa de Maria Elisa. Começou, este, por abordar o tema das cheias: as de 1967, as de 1983 e as de 1997. Várias análises- e testemunhos- tecnico-politicas tentaram enquadrar/recordar o problema. Mas o mais curioso é que na mesma altura se inícia uma enorme chuvada que ainda não terminou...Quase parecia um teste. É caso para dizer: estranha coincidência.

Finalmente chuva, muita chuva lá fora...


terça-feira, fevereiro 12

Texturas


Cabo Carvoeiro
2008

A esquizofrenia da Nação

Algo de estranho se passa. Apesar do salutar debate em torno do Novo Aeroporto de Lisboa (NAL), pretende-se criar um clima de ficção. Do ponto de vista técnico as entidades envolvidas aparecem, nomeadamente o LNEC, desenvolvendo aquilo que é suposto: desenvolver um estudo comparativo entre as duas soluções em “cima da mesa”, Campo de Tiro de Alcochete (CTA) e a Ota. No entanto, a decisão já está tomada. Mas apesar disto, estivemos, ontem num seminário no LNEC, promovido pelos ministérios, do ambiente e obras públicas, onde se deu início à discussão pública do NAL.


Hoje está a correr um seminário (onde também estaremos), novamente no LNEC, mas desta vez promovida pela Ordem dos Engenheiros, onde a “nova travessia do Tejo” está a ser discutida. O ministro da obras públicas, Mário Lino, também participa, mas o decisão do governo está já tomada em Conselho de Ministros. A ponte será, segundo o Governo, Chelas-Barreiro e em modo rodo-ferroviário.
Perante este cenário a “esquizofrenia” está iminente. De duas uma:

Todos discutem, o já decido, como se não o estivesse, esperando chegar à melhor decisão?

Ou fazem todos parte de uma grande encenação onde estando tudo decidido, faz-se de conta que não, para dar um ar mais participado à coisa?

Estranha situação, esta. Propomos duas possiveis interpretações:

Estaremos todos doidos?

Ou a ficção tomou, definitivamente, conta da Nação?
Aceitam-se esclarecimentos.

domingo, fevereiro 3

Ricardo Reis


Português, nascido no Porto e criado em Leça da Palmeira, é actualmente, com 29 anos, Professor na Universidade de Princeton (EUA). Fez toda a sua formação até ao Secundário perto de casa. Saiu para Londres para fazer a licenciatura (London School of Economics) e concluída esta, segue para os Estados Unidos onde realiza o Phd em Harvard. Por cá tem escrito crónicas no “Diário Económico”. É considerado um dos promissores economistas da sua geração, a nível mundial.

Deu ao “Expresso” uma entrevista, que publicou este Sábado, de onde salientamos o seguinte:

«Exp. – Quando olha para Portugal, tende a ter um olhar pessimista ou optimista?

R.R. – Optimista. Mas isso também tem a haver com a personalidade. Há 20 anos a Irlanda era tão pobre ou mais que Portugal. Hoje é mais rica que a Inglaterra. Era um País altamente Católico como Portugal, e com uma grande rigidez numa série de mercados, como Portugal. Em 20 anos conseguiu. Estas coisas dão-me esperança e dizem-me que não é impossível que Portugal dê o salto. Depois, as pessoas são altamente empreendedoras em Portugal e têm uma capacidade de adaptação que lhes dá grandes vantagens.

Exp. – O que falhou no País nos últimos vinte anos?

R.R -Penso que duas grandes lacunas em Portugal são o sistema de Justiça – muito mau, muito lentos e muito burocrático – e a presença excessiva do Estado na economia. Confrange-me que um bom aluno saído da faculdade tenha como emprego de sonho ir trabalhar para um ministério. Não são os ministérios que fazem o País andar para a frente. No entanto as melhores cabeças em Portugal não sonham em criar uma empresa (…) O papel central do Estado é muito preocupante.

Exp. - Como é que explica que quando a economia está a crescer mais que nos últimos anos, as pessoas estejam novamente a ficar pessimistas?

R.R. – Há um facto que tem estado muito no centro das discussões do EUA mas pouco em Portugal: é que nos últimos anos tem havido um alargamento relativamente grande da desigualdade. Mas este aumento da desigualdade nos EUA nos últimos dez anos é muito diferente do que vimos no século XX, porque se deve ao aumento da recompensa das pessoas altamente qualificadas. A ideia de desigualdade entre os capitalistas e o trabalhador está hoje muito desactualizada. O que tem acontecido é um aumento da desigualdade entre profissões e também dentro das profissões. E o retorno da educação aumentou brutalmente.»


Em sintese: Podemos ser diferentes e mais ricos. Temos emprendedorismo e capacidade de adaptação. Aspectos muito importantes.
Temos demasiado Estado e até as elites estão demasiado presas ao seus mecanismos de reprodução. Temos de tirar o Estado do centro das nossa procupações.
As novas desigualdades começam a ser entre profissões e dentro das profissões.


É sempre interessante um olhar exterior.


sexta-feira, fevereiro 1

Diva de Veneza


Sempre que chega o Carnaval lembramo-nos de Annie Lennox. A Associação, julgamos, é simples. E deve-se ao Carnaval de Veneza que esta Diva ajudou a globalizar, nos idos 1992. A sua voz, já desde o tempo dos Eurythmics, com Dave Stewart, deixou-nos sempre uma sensação de força. Toda a sua presença emanava carisma. Pensamos não ter sido, à toa, a escolha de Veneza e do seu Carnaval para cenário de todos os telediscos deste álbum, justamente, Diva. Esta cenografia era palco ideal para a figura mais “operática” da nossa cena Pop.

Vale a pena matar saudades. Bom Carnaval.

segunda-feira, janeiro 28

Ficção e mudança

Nos últimos dias temos assistido a algo que parece estar a mudar, ou a dar um novo sentido, à forma como se tem olhado para a economia nos últimos anos.
O mercado pouco regulado começa a ser olhado com alguma desconfiança até por aqueles que mais têm ganho com a sua desregulamentação: os especuladores financeiros.
George Soros avançou, num artigo recente (Público 24.01.08), «que esta é a crise mais grave dos últimos 60 anos», onde apela a uma maior intervenção das autoridades. Os mercados não se equilibram por si próprios. A complexidade dos produtos financeiros tornou o seu “controle” bem mais difícil.
Durante o fim-de-semana em Davos, Dominique Strauss-Kahn, que lidera actualmente o FMI, defendeu um incremento das politicas orçamentais expansionistas, contra a “consolidação orçamental” defendida habitualmente pelo FMI. Esta alteração surge dentro de um contexto de reconhecimento de uma crise mais profunda nos mercados do que, até agora, se poderia pensar.

Toda esta situação leva-nos a pensar duas coisas: uma é estarmos de facto a iniciar um novo período histórico, onde muito do que se julgava adquirido, parece prestes a mudar. Outra é serem os “mercados” tão ficcionais quanto uma boa história de Hollywood. Vamos ver se 2008 não acaba com algum final surpreendente. Ainda por cima, com a greve dos “guionistas” nos EUA, poderá ser inesperado.

domingo, janeiro 20

Movimento Cívico “Pró-Margem Sul”

Na última 5ºFeira, dia 17 de Janeiro, estivemos na conferência de imprensa para a apresentação do Movimento Cívico “Pró-Margem Sul” ao qual, tivemos a honra de ser convidados para integrar. Este movimento lançado por iniciativa da LASA (Liga dos Amigos de Setúbal e Azeitão), tinha como principal objectivo fazer “lóbi” pela localização na margem sul do Tejo do Novo Aeroporto de Lisboa (NAL). Tendo sido, entretanto, tomada a decisão pelo governo de o colocar no Campo de Tiro de Alcochete, achou-se por bem manter o “movimento”, para se acompanhar os próximos desenvolvimentos. A decisão da localização é apenas um dos aspectos. Tudo o resto se mantém em aberto. Para quem vive na região a oportunidade é imensa mas ameaças também são muitas. Por essa razão pareceu-nos ser importante manter um grupo de reflexão, vindo da sociedade civil, sobre o futuro desenvolvimento desta infraestrutura.

Vamos de seguida colocar algumas questões que foram levantadas ao longo da cessão e que por si só merecem a nossa atenção:

O NAL deve ser o mais próximo possível de Lisboa para ser competitivo. O que deixa ainda em aberto a sua exacta localização.

As suas acessibilidades devem ser alvo de grande ponderação. Quer pela sua contribuição para o encurtar das distâncias, quer por questões de ordenamento do território e de custo de investimento. Como se sabe até a ponte Chelas/Barreiro não é consensual e torná-la também rodoviária ainda menos. Mas as duvidas não são só estas.

A forma como este processo vai ser conduzido é outro dos factores críticos identificados. Deixar a condução deste processo entregue à actual Administração, Nacional, Regional e Local, parece ser pouco recomendável. Será eventualmente necessário criar um organismo próprio com competências especiais para lançar e acompanhar este projecto. Este, sendo um projecto faseado, tem alguma urgência inicial. Relacionada com a competição à escala Ibérica que assume. Do ponto de vista aeronáutico mas não só. Mas a preocupação é de ocupação do território. Deve ser mantido um dos seus factores competitivos: a sua capacidade de expansão. E esta não é só directamente ligada ao número de pistas, mas da “cidade aeroportuária” que se tem de planear e definir conceptualmente. Pois não se trata de uma verdadeira cidade, mas de um pólo com diversas especialidades e funcionalidades.

Ficam aqui enumeradas algumas das questões pendentes e que merecem a atenção de todos. Especialmente dos que mais directamente serão afectados por elas no seu quotidiano. Os habitantes da nossa região.

quinta-feira, janeiro 17

Regionalizar??.....


Como é que se pode falar em Regionalização e esperar que alguém leve o assunto a sério. O País, ou parte dele, identificou a urgência de controlar e reformar o “monstro” há mais de uma década mas pouco se vê nesse sentido. Se dominar a Administração Central do Estado é assim tão difícil e se a Administração Local começa a ser outro pesadelo como se pode pensar em criar mais uma, pensará o português comum? Não é possível levar a sério. Se for a referendo é para perder, como mostram as sondagens.
Damos, gratuitamente a seguinte sugestão: Será melhor começar por tornar a administração existente eficaz e funcional e só depois começar a discutir uma (nova) Regionalização.
Em teoria, um nível de articulação regional, é imprescindível para a racionalização do planeamento e para a respectiva implementação de politicas e acções de âmbito mais alargado que o municipal. Mas se não se consegue articular e tornar eficaz o que existe, criar um novo patamar só dá para desconfiar…

quarta-feira, janeiro 16

Sinais

Existe, novamente, no discurso político do PSD uma vontade de “controlar” a comunicação social através dos comentadores escolhidos para os programas de discussão politica exigindo “pluralismo” na opinião. Segundo Luís Filipe Menezes, devem manter-se, na mesma os livres-pensadores (até quando), mas têm de se introduzir uns alinhados com as direcções partidárias nestes programas de televisão. É certo que o governo pensa e sempre que pode faz, a mesma coisa, mas fá-lo de forma discreta, por outros meios.
Será esta a melhor forma de defender o pluralismo é reclamando tratamento de favor na comunicação social? Não. Este não é o caminho eficaz para o conseguir. Tal como na sucessão da Caixa Geral de Depósitos, Luís Filipe Menezes, vai dando sinais do que parece ser o seu entendimento para a construção de um País com menos peso do Estado. E esse não se vislumbra diferente do que nos é oferecido por Sócrates, antes pelo contrário...

segunda-feira, janeiro 14

Ano Novo, novas oportunidades para Setúbal?


Perante um cenário económico, nacional e mesmo internacional, no mínimo, de grande indefinição, eis que surge uma boa notícia e com ela uma oportunidade se abre para Setúbal e a sua região. Falamos, obviamente, da decisão tomada pelo governo na última semana: o Novo Aeroporto Lisboa (NAL) no Campo de Tiro de Alcochete.

Politicamente a decisão tardava. Um novo aeroporto internacional era urgente. O esgotamento da Portela ameaçava, ainda mais, a já periférica situação em que nos encontramos face a Madrid, à restante Europa e ao Mundo. Apesar de tornar muito duvidosa a determinação governativa na condução deste processo, é sempre preferível a melhor decisão. Aplaudimos. Mas não esquecemos que esta se ficou a dever ao empenho da “sociedade civil” e de alguma oposição, que se bateram contra a irracionalidade, exigindo explicações sobre o porquê de uma opção que, quanto mais se discutia, mais parecia apenas e só…uma obsessão. Vale pois a pena continuar a lutar pelas melhores opções. Alcochete parece ser a melhor; para o país, para a região e, também, para a cidade.

Portugal fica com uma solução aeroportuária que pode ser de crescimento lento mas sem limites. Permite um controle de custos – ao se articular com a Portela durante os próximos anos – gradual e ajustado às reais necessidades de tráfego aéreo do país sem, no entanto, estar condicionado em crescimento. Tendo espaço para se tornar numa grande plataforma internacional entre a América, a Europa e África, de acordo com o apontado pelos estudos do LNEC. Como noutros tempos, a boa condução de um investimento, pode ajudar esta periferia geográfica a ser novamente central.

A Península de Setúbal, com grande ligação ao sul e a Espanha, vai poder equilibrar-se, a nível do ordenamento do território, com a margem norte do Tejo, no contexto da Área Metropolitana de Lisboa. Esse desequilíbrio era muito negativo para a “margem sul”. Tornava mais difícil a vida das suas populações, muito dependentes do lado norte, e das suas sobras. A metrópole que é a grande Lisboa se for mais harmoniosa, económica e socialmente é também mais sustentável ambientalmente. A coesão territorial entre as duas margens só podem beneficiar todos. Uma nova ponte simbólica, mas, também, real (veja-se Chelas/Barreiro com o TGV) está a ser lançada. A região poderá voltar ser um elo de ligação entre Portugal e o mundo, onde se inclui Espanha, assim como entre o norte e o sul do país.

A Setúbal é dada uma oportunidade que não se pode desperdiçar. Sendo com Lisboa a única cidade com identidade urbana dada pela história nas imediações do NAL e estando próxima de um pólo turístico, que se pretende de referência: Tróia. Esta, vê reforçada a sua posição estratégica enquanto ponto de passagem. Ser só um ponto nesse percurso ou ser também de paragem é uma questão decisiva para o seu desenvolvimento. Para se poder atrair turismo mais exigente tem que ter algo que os outros não tenham. E o que temos é suficiente? Pensamos que não. Temos: Paisagem (Arrábida e Estuário do Sado) a Cidade histórica (muito degradada e com comércio decadente) e Mão-de-obra (pouco qualificada). Que fazer? Apesar de se ter, aparentemente, condições potenciais, falta realizar o potencial para se oferecer alguma qualidade. Agora muito vai depender dos Setubalenses. Atrevemo-nos, pois a sugerir alguma coisa.

À paisagem “basta” conservá-la (o que já não é pouco) e permitir o seu usufruto sem excessos, criando e incentivando o turismo “ambiental”, de preferência despoluindo o Rio Sado. A cidade tem de se reabilitar, não só o seu centro histórico, mas também os bairros. Principalmente os mais degradados e “guetizados”. Mas toda a cidade tem de ganhar uma nova atitude, harmonizando-se com a sua envolvente, tornando-se mais “verde” e mais agradável ao cidadão e, por consequência, a quem nos visita. As zonas antigas têm uma dimensão considerável e por força de não terem sofrido grandes mudanças mantêm-se quase intactas, apesar do mau estado. É necessário voltar a encher de gente. Dos que saíram mas também de novos habitantes, conservando os “velhos”. Mantendo o seu carácter urbano, mas mais cosmopolita. Criando comércio e restauração de referência. Únicos. Só de cá. Mas com qualidade. O turismo urbano tem um enorme potencial. A articulação dos meios de transporte entre si e com o tecido urbano também é estratégica, principalmente na ligação entre Lisboa, o NAL e Tróia. Junto a estas “estações”, para além da restauração e comércio convencionais poderiam estar associada a diversão nocturna. É essencial melhorar substancialmente toda a frente de Rio, preservar a pesca que sobreviveu e oferecer actividades de náutica de recreio. A criação de um ou dois pólos culturais com programação bem divulgada complementavam a oferta. Por último, mas o mais importante nesta regeneração urbana: a educação e a formação. A escola e a qualificação têm de ser uma prioridade, estar relacionadas entre si, com a cidade e o tecido económico e empresarial da região. Dirigidas, não só às novas gerações mas a todas as faixas etárias. Reconverter o tecido social e produtivo é urgente e isso faz-se “ensinando a pescar e não dando o peixe”. Só melhorando a qualidade das pessoas podemos melhorar o resto.

No fundo é necessário criar, promover e explorar na cidade e no concelho o que não existe na região. Oferecer melhores produtos e serviços e apostar na diferenciação. Se assim não for poderemos ficar apenas a ver passar comboios, aviões e navios.
Bom ano.


Publicado hoje no "Jornal de Setúbal"

quarta-feira, janeiro 9

Divulgação


“PARA ALÉM DO PRINCÍPIO DO PRAZER”

Iniciam-se Quinta-Feira

10 de Janeiro de 2008 às 21.30 h

Na Fábrica Braço de Prata- Sala Prado Coelho

Sessões de Encontro-Debate Psicanalítico

O Centro Português de Psicanálise propõe-se debater nas segundas Quintas-Feiras de
cada mês, um conjunto de temas, a partir de um questionamento sempre premente da
actualidade e subordinado ao título “ Para além do princípio do prazer”.
Pretendemos dar voz a uma perspectiva analítica assente na radicalidade e singularidade
do inconsciente e na fala de cada um como manifestação do seu desejo enquanto sujeito.
Estará em debate o modo como os discursos dominantes circulam e qual o lugar da
Psicanálise face ao consumismo conformista e ao predomínio da lógica utilitarista.
No primeiro debate, com a participação de Maria Belo, psicóloga e psicanalista,
abordaremos a temática subjacente ao título deste ciclo.
Ficam convidados todos os interessados em participar no primeiro debate a realizar no
próximo dia 10 de Janeiro pelas 21.30 na Fábrica do Braço de Prata.
Entrada Livre

segunda-feira, janeiro 7

O Pacheco, Luiz


soubemos que nos deixou durante este fim-de-semana. Ficámos mais pobres. Mas não vamos aqui fazer aquilo que o próprio acharia abjecto, um elogio póstumo. Apenas manifestar algum respeito por quem nos faz pensar.

Luiz Pacheco (LP) era no panorama intelectual e mesmo existencial um fenómeno raro entre nós. Apesar de admirarmos nos outros um certo pendor para a desgraça, até porque nos deixa sempre mais confortáveis na nossa ilustre mediocridade, preferimos sempre aquela que se justifica pela doença, má sorte ou, sendo intelectual, a incompreensão e a injustiça do País face ao génio. LP não cabia em nenhuma destas categorias. Não era doente, apesar da vida de “excessos” que levou, não teve má sorte, cultivou-a e o seu génio foi reconhecido. A pequena dimensão do País e o facto de se estar a lixar para o sistema reverencial da “coltura” portuguesa não lhe permitiu viver com conforto. Mas todos lhe reconheceram o génio.

Nunca se queixou, antes denunciou quem vivia da tensa do Estado sem o merecer ou de que quem produzia literatura como se fosse um funcionário público, todos os dias. Não fazia qualquer concessão. Foi o mais próximo que tivemos de um libertário radical no século XX português.
O que é interessante registar é que foi durante o Estado Novo que viveu boa parte da sua vida adulta (muito ligado aos meios surrealistas). Tempos de ditadura. Mas se LP tivesse tido a sua juventude hoje seria um homem mais perseguido e menos livre. No mínimo seria preso. Pedófilo, além de ser bissexual sujeitou toda a sua família a um ambiente pouco recomendável, para os padrões vigentes. Viveu no limite, até da sobrevivência.

Sem qualquer apologia, literária ou ao modo de vida de LP aqui fica a nossa admiração e respeito pela diferença. Uma das mais admiráveis características do homem. E quem assume com a radicalidade com que Pacheco o fez merece ainda mais respeito por não ser gratuita. Pensar nele e na sua obra faz-nos reflectir sobre as nossas opções relativizando-as. E isso é… muito.

quinta-feira, janeiro 3

Petróleo a 100



Estará o mundo, tal como o conhecemos, “condenado” a afundar-se com esta matéria-prima? Muito provavelmente não. Mas ao ter chegado aos 100 dólares, algo parece estar definitivamente a mudar. Dizem os especialistas que entrámos na linha descendente da sua produção. Sendo a procura crescente, não se prevêem mudanças no curso dos custos. Mesmo estabilizando, a prazo, não parará de aumentar o seu preço. O modelo de desenvolvimento adoptado por cada vez maior número de seres humanos assim faz crer. No entanto, os seus custos crescentes terão consequências. Já estão a ter, nomeadamente nas nossas opções individuais. Em Portugal o aumento de custos de combustível já fazem sentir a diminuição da utilização do transporte individual.

Suspeitámos que o mercado, neste particular, terá mais efeitos entre nós, que muitas tentativas frustradas ao nível do planeamento das nossas cidades para melhorar a mobilidade. Especialmente na diminuição do uso do automóvel. Não vos parece?

Mas o condicionamento energético vai ter outras consequências imediatas. O modelo de desenvolvimento vai ter de mudar. O consumo puro e duro, como motor da economia vai ter de ser reponderado. E se consumir menos passar a ser sinal de melhor nível de vida? A economia, como outras áreas da existência humana, tem muito de “construção mental” e esta esteve, quase sempre, ligada às necessidades de sobrevivência dos povos. Quando assim não foi terminaram as civilizações, sendo substituídas por outras…

quinta-feira, dezembro 20

segunda-feira, dezembro 17

Sobre política


Um dia destes passou por Setúbal Rui Gomes da Silva (RGS), actual vice-presidente de Luís Filipe Menezes (LFM). Perante a Assembleia Distrital do PSD cá do sítio proferiu uma série de intenções politicas da actual direcção nacional:

Uma das que referiu, a alteração à actual Lei Eleitoral para Assembleia da República, supostamente a negociar-se com o Partido Socialista. Sobre esta disse estar-se a encontrar novos círculos, que talvez não cheguem bem a ser uninominais, mas que assentavam na sub divisão dos actuais distritos.
A outra foi sobre o “Partido Empresa”, dizendo que os novos profissionais seriam só para assessorar directamente o Presidente do Partido, sendo um corpo muito “reduzido”.

Quando podemos intervir dissemos ter algumas dúvidas, nós e todos os outros que acompanham a acção politica da actual direcção, em perceber o que é estratégico e o que é táctico na condução de alguns dossiers. Mas que começa a parecer ser a táctica o que prevalece. Para ilustrar esta nossa “sensação” falámos desses dois aspectos:

Sobre a “nova lei” parecia-nos, no mínimo “estranho” que, sendo LFM um defensor confesso da regionalização e estando o actual Governo a reorganizar a Administração Pública toda em função de cinco regiões (basta ler o PRACE), que se propusesse a divisão territorial com base nos actuais distritos, há tanto tempo em vias de extinção. Era natural prever a nova territorialização da lei eleitoral para as legislativas em função do “desenho” das cinco regiões que se configuram ser a base para uma futura regionalização, seja ela politica ou meramente administrativa. Isto se o assunto é para levar a sério…

Relativamente ao “Partido Empresa” era bom perceber quem iria pagar a despesa. Apesar de ser favorável à profissionalização de algumas áreas do desenvolvimento da acção politica, dentro de um Partido à que ter algumas cautelas. Porque, como todos sabemos, o mais fácil é criar “empregos”. Pagá-los ou extingui-los é bem mais complicado. Era importante saber, ao mesmo tempo que se pensa a sua necessidade, quem, como e porquê irá pagar esses novos encargos. Isto tudo num Partido que não tem dinheiro para manter a maioria das Sedes Locais.

A nada disto respondeu RGS. Disse apenas saber que LFM era um homem muito bem preparado e com ideias para o País. Uma espécie de homem providencial.

Da “nova lei eleitoral” para as Legislativas soubemos pelo “Público”, há uns dias, que o PSD “resolveu deixar amadurecer o assunto” o que nos pareceu da mais elementar sensatez.
Sobre o “Partido Empresa” pouco mais se sabe, o que pode fazer antever as piores expectativas…

Quanto à fé em LFM, que RGS recomendou, é para nós relativo a Deus. A César exigimos saber o que o move e como se move, o que pensa ser estratégico e como o conduz no plano táctico.

A Política, apesar de actualmente não parecer, é assunto racional e sempre escrutinada criticamente. Pensar diferente é morrer politicamente a prazo. Basta olhar para o PCP para perceber que a fé na política morre, mesmo que demasiado lentamente.

Sesimbra II

Paulo Pisco 2007

quarta-feira, dezembro 12

Voltar ao comboio


Voltámos a ir para Lisboa em transporte público (tp). Ao ir para a faculdade começámos a usar o autocarro, a partir do quinto ano da licenciatura, nos ido de 1994, passámos para o transporte individual. O carro, essa nova armadura que cada vez mais tendemos a usar e abusar. Felizmente, de então para cá, só nos deslocámos a Lisboa em situações especiais. Normalmente em lazer e nessas circunstâncias fugimos sempre ao “apelo” do tp por comodidade e até por economia. Passámos a ser quatro.

Nos últimos meses e fruto do regresso à universidade, voltámos a confrontarmo-nos com a inevitável opção. Ir ou não de carro. Confessamos, que apesar da má consciência, ainda fomos na dita viatura durante os primeiros tempos. Até que experimentámos o comboio. O saudoso. Confessamos que somos fãs. Mas ao voltar a usar fomos ainda mais surpreendidos. É mesmo muito agradável. E ainda por cima temos o bónus de poder ir a pé por uma das mais belas zonas da cidade de Lisboa: a Avenida de Roma na direcção da Praça de Londres. Beber o café na “Mexicana” e depois subir para o “Técnico” (IST), é sem dúvida um grande privilégio. Pelo menos para um apaixonado pelas cidades, como este que vos escreve.

A opção comboio é muito racional, para além de ser agradável e mais amiga do ambiente. Apesar de genericamente se gastar um pouco mais de tempo (+/- 1 hora viagem de Setúbal a Lisboa)) nas deslocações esse facto pode ser compensado com o aproveitamento da viagem, quer para adiantar algum trabalho – e.g. lendo ou telefonando – quer para falar com alguém que não se vê há muito tempo, ou simplesmente para dormitar ou usufruir as paisagens. Do ponto de vista económico o bilhete (carteira de dez pré-comprados) mesmo para quem não compra o passe, por ir apenas alguns dias, é muito compensador. Fica um pouco mais que as portagens, isto para quem vai de Setúbal. Tudo somado vale muito a pena. Para quem se desloca par um ponto próximo da estação, como é o caso, vale muito a pena. Poupa-se o combustível, o estacionamento e ganha-se qualidade de vida. Para nós e para os outros.

Foi uma das descobertas felizes deste Outono.
Experimente, tenha essa coragem. Seja racional.