domingo, julho 13

Hoje


de volta à Figueira da Foz. Saudades do Mar e da zona dos casinos, como é por aqui conhecida. Sempre uma atmosfera nostalgica, decadente mas inspiradora.

quarta-feira, julho 9

Novidades




Hoje na Newsletter da Ordem dos Arquitectos SRS - Edição nº 70 – 9 Julho 2008

«Concurso público para o Mercado do Livramento de Setúbal

Em preparação

Os Serviços de concursos preparam um concurso para o Mercado do Livramento, em Setúbal, uma construção do início do segundo quartel do século XX, na Avenida Luísa Todi.

Pretende-se, com o concurso, manter as características formais de arquitectura do edifício, modernizando-o e adaptando-o às actuais exigências funcionais. Entre outras, fazem parte das intenções da Câmara Municipal de Setúbal:

Criação de um pólo museológico dedicado à Metrologia Reforços estruturais Trabalhos de impermeabilização e instalações eléctricas Reorganização funcional Construção de novas bancadas e redes de água/esgotos respectivas Novos acessos ao primeiro andar e galeria Novas instalações sanitárias Nova Cobertura Novos pavimentos Cuidados ao nível da pintura e vãos.
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Bocas



sede

Sara Sa

2008

quarta-feira, julho 2

Uma aposta arriscada


A entrevista de Manuela Ferreira Leite (MFL) ao programa Cartas na Mesa (TVI), de Constança Cunha e Sá (CCS), foi estranha para os tempos de hoje. Foi uma entrevista chata. Chata porque não foi uma entrevista de charme. Não vendeu ilusões. Não fez promessas avulsas. Não foi atrás dos fait-divers habituais.

Às perguntas sem importância respondeu com alguma irritação. Só falou do que lhe parecia importante. Falou de coisas simples e prosaicas como: “não devemos gastar o dinheiro que não temos”; não se podem fazer investimentos que hipotequem as próximas décadas do país”, “não se deve esperar que a oposição, enquanto oposição faça propostas alternativas, mas que pergunte ao governo como está a governar”; “a união entre homossexuais não se deve chamar casamento, nem ter o mesmo estatuto” (citado de memória). Tudo coisas simples, sem segundas intenções e por isso muito difícil de entender pelo nosso discurso comunicacional. Foi interessante ver como CCS tentava “furar” com as rasteiras do costume, mas a resposta nunca ia para o sentido pretendido.

A aposta de MFL é simples e clara. Falar do que é importante e falar verdade. Deixar o resto. É uma aposta arriscada. Muito pouco “fotogénica”. No nosso entender é a aposta certa, o que não quer dizer que seja uma aposta vencedora. Nem sempre a razão ganha nas urnas.

Tempo


'it is your flesh that I wear'

rattus

2008

quarta-feira, junho 25

Junho outra vez



O mês de Junho tem sido marcante nas nossas vidas. Desde Sempre. De falecimento, casamento e nascimento, surpresas e outros eventos, temos tido de tudo um pouco. O deste ano não foi excepção. Por isso temos andado ausentes. Muito se tem passado entretanto.

O nosso pai chegou aos 71 anos e a nossa filha aos 11. Os dois (nesta foto) num diálogo de gerações encontram-se, pequenos mas firmes, perante a imensidão do mundo que os rodeia. Mas não o temem. A sua firmeza está na continuidade desse diálogo. Mesmo quando a racionalidade (ainda ou já) não o habita e apenas a ternura perdura, o amor permanece e tudo o resto sobra.

Hoje em dia, é cada vez mais difícil manter este contacto entre gerações. Todos são arrumados entre: infantários, escolas, escritórios ou lares. Todos muito espartilhados por compartimentos. Os velhos com velhos, as crianças com crianças. Muito pouco, uns com os outros. De tal forma que, às tantas, ninguém consegue comunicar. Primeiro entre gerações, depois intra, e por fim, nem mesmo com o seu próprio espelho.

O que não percebemos, ou geralmente temos dificuldade em entender, é que o ser humano só existe em relação. E só nessa relação somos alguém. O simples desconhecimento desta realidade leva a que, por preguiça, comodismo, pragmatismo, simples egoísmo ou aparente conforto, percamos o essencial por ausência do outro. No entanto, sem relação resta apenas a solidão.

Foi esta verdade, simples mas tão subtil, que Junho nos trouxe outra vez. Obrigado.

Caminhos


"Subindo os degraus da cultura "

António Manuel Pinto da Silva

2008

sexta-feira, junho 13

Um dia Feliz




Foi por um acaso, ou talvez não, que nos casámos neste dia. Queríamos casar num dia de semana. Uma sexta de preferência. Como alguns dos convidados – só a família nuclear - trabalhavam em Lisboa, aproveitámos o feriado. Mas casámos em Setúbal. Já lá vão 13 anos. Não satisfeitos voltámos a fazê-lo à dois anos atrás, mas desta vez na Igreja. Onze anos depois, no mesmo dia lá voltámos a casar. É necessário alguma convicção, convenhamos.

Hoje temos novamente uma sexta-feira, 13 de Junho, como em 1995. Casamos o casamento, como se diz. Santo António o “Santo casamenteiro” tornou-se assim o nosso padroeiro, quase que por acaso, ou talvez não... Não nos arrependemos, antes pelo contrário.

Bom dia de Santo António, ou boa sexta-feira 13 conforme o preferirem, para todos. Para nós será com certeza.

Rosa



para o nosso amor.

quarta-feira, junho 11

Bocas


kissing lips

Filipe Pombo

2008

E depois do "circo" quem governará o Pais?





Perante esta situação de paralisia generalizada do País num completo desrespeito pela Lei Portuguesa, provocada pelo bloqueio dos camionistas, ficámos a saber que o Governo deixou de existir. O primeiro-ministro parece só saber gritar com os fracos, com os que não representam uma verdadeira ameaça. Perante uma crise grave eclipsa-se. Deixa correr. Ele, o restante Governo e o partido que o apoia. Quem verdeiramente lidera hoje o País?





A resposta não é fácil. A ideia por parte do Governo, é ver se "isto" passa, entre um jogo e outro da selecção nacional. Mas imaginem se a selecção perder. O povo alienado ficará sem o “circo” quando o “pão” parece já estar mais do que ameaçado. Com esta crise de autoridade de Estado, a juntar a todas as outras, tudo aparenta estar por um fio. O desenrolar dos próximos dias da nação estão mais dependentes do Sr. Scolari do que do nosso Eng. Sócrates. Este Governo estratégicamente ausente parece, de repente, ter deixado de existir. Estará a nossa governabilidade actual assim tão dependente da sorte de um treinador de Futebol? Parece-nos bem que sim. Seja como for, não se prevê nada de bom, nem agora nem mais tarde. Este Verão que já prometia vir a ser escaldante pode vir a aquecer ainda mais após o Euro 2008. E depois do "circo" quem governará o Pais?


terça-feira, junho 10

Bocas

boquinha doce

José Ferreira

2008

"Convoy" o comboio dos duros




Parece antever-se uma nova manifestação de camionistas. Segundo as noticias estão a preparar um cerco a Lisboa e Porto. Um “Comboio dos Duros”. Sempre que os camionistas se manifestam lembramo-nos deste filme. Este retratava as aventuras de uma coluna de camiões liderada por Rubber Duck (Kris Kristofferson) através dos estados de Novo México, Texas e Arizona como protesto pelos abusos do perturbado polícia (Xerife) Lyle Wallace, pondo tudo por onde passavam de “pantanas”. Dessas memórias de infância ficou o regozijo da luta contra a injustiça, aqui personificada pelo xerife. Transpondo isso para a nossa realidade, a respostas a algumas perguntas são mais difíceis: A luta dos nossos camionistas será justa? E o causador da injustiça, quem será? O governo? O Petróleo? A Globalização?

Esta luta é um protesto de um sector, como no caso das pescas, que se sente particularmente prejudicado pela conjuntura. Mas o apoio a um sector afectado por algo que não é criado por responsabilidade directa do Governo não poderá estender-se a muitos outros protestos de sectores igualmente prejudicados? A ajuda pontual aos transportes não será sentida como uma injustiça para outros? Ou poderá ser este já um sinal, como em 24 de Junho 1994, o bloqueio da ponte anunciou o fim do Cavaquismo? Talvez ainda não, mas os sinais nesse sentido começam a avolumar-se. Este bloqueio dos camionistas tem, apesar de tudo, características muito diferentes: pretende ter dimensão nacional e internacional, na medida em que condiciona exportações e importações. E pretende condicionar a mobilidade rodoviária principalmente em torno das grandes cidades de Lisboa e Porto e nas fronteiras. Parece que alguns bens de consumo já começam a faltar nos grandes fornecedores.

Vivemos tempos paradoxais. Ainda nos últimos dias em Serralves (Porto)67 mil visitantes, durante 40 horas gratuitas, entraram no Museu. Em Setúbal, onde residimos, sente-se grande adesão de público aos vários eventos, mais populares ou eruditos. As esplanadas estão cheias de gente a ver e a comentar os diversos jogos do Euro 2008. Mas simultaneamente a este País contrapõe-se um outro em agonia. A questão é saber se a adesão a toda esta festa é apenas alienação. Se for, um qualquer rastilho pode atiçar o barril de pólvora. Resta saber se este protesto será feito e sentido como um "um comboio de duros" ou se ficará apenas como mais um fenómeno fruto da época?


A Festa do Cinema


A 24ª edição do Festroia está a correr. A sensação que temos, não sendo especialistas, é que o certame está definitivamente numa fase de consolidação e expansão. Depois de grandes dificuldades económicas o Festroia parece estar num ciclo ascendente, quer em termos de programação quer em termos de saúde financeira. Só falta Setúbal ter as suas salas de cinema em melhores condições – Fórum Luísa Todi e Auditório Municipal Charlot – apesar de se ter alargado para o IPJ, em Setúbal, e para fora no Casino de Lisboa e para o Auditório Fernando Lopes Graça (Almada). Esta estratégia de crescimento regional articulada com a restante Área Metropolitana é de grande alcance. Alargar os públicos e os patrocinadores é essencial à sobrevivência de um evento desta natureza. A escala internacional só se consegue com uma “massa critica” suficientemente forte para tornar o festival aliciante. E esta tem de ter dimensão regional. O centro deve continuar a ser Setúbal, mas deverá ser um evento associado ao todo regional.
Este ano, excepcionalmente, tivemos a oportunidade de conseguir arranjar maior disponibilidade do que é habitual para poder assistir a mais filmes. Normalmente pouco mais conseguíamos que os filmes da inauguração e do fecho. E, já não era mau.
Felizmente este ano pode ser diferente. É uma oportunidade de ver filmes que nunca poderíamos ter a hipótese de ver. A maioria deles não se encontra no circuito comercial. Muitos são de facto bastante interessantes propondo “estéticas” e formas de narrativa diferentes. Nem sempre completamente conseguidas, mas estimulantes. Permitem sair do “lugar comum” a que quase sempre estamos remetidos quando dependemos das distribuições de massas.
Ao longo a semana destacaremos alguns dos que mais gostamos.
Setúbal continua em festa. E uma festa de qualidade – apesar das más condições das salas – e cosmopolita. Dá gosto ver.