quarta-feira, maio 14

Elas andam por ai


Depois de muitos episódios, a já mundialmente famosa série o “Sexo e a Cidade”, volta novamente. Agora em versão cinematográfica. Esta série muito “moderna” e extremamente “light”, retrata uma espécie de novo modelo da mulher urbana, emancipada e consumista. Os homens, para elas, passam a ser só mais uma “marca” a adquirir. Interessante, para poucos, completamente assustador para muitos. Principalmente para os "velhos conquistadores" que passam de caçadores a presas.
Apesar da leveza e dos equívocos que promove a série é, dentro do género, bem feita e divertida. O filme não deverá passar disso mesmo. No entanto, elas parecem não deixar de querer andar por ai…

sábado, maio 10

sexta-feira, maio 9

O Estado vai deixar de construir bairros sociais




Esta pode ser considerada, a ser implementada, uma medida histórica. Será o fim dos bairros sociais. Em vez de mandar construir mais fogos o Estado irá dinamizar o mercado de arrendamento. Sendo ele próprio a adquirir ou arrendar imóveis, para constituir uma bolsa de fogos com que possa resolver algumas das carências habitacionais.
Aqui há uns anos, num seminário de mestrado, perguntamos a uma especialista em habitação social, porque é que o Estado tinha de decidir onde os pobres vão morar e como moram, quando não o faz com os restantes cidadãos? Ao que a técnica não conseguiu responder. A resposta é difícil, mas as consequências destas políticas urbanas têm sido responsáveis pela fragmentação urbana e desintegração social a que hoje assistimos nas nossas cidades. E é um fenómeno que afectou todo o mundo ocidental. O Estado, através da construção de bairros sociais, promoveu a “guetização” urbana. Os condomínios fechados, foram apenas a resposta contrária à mesma visão do problema mas desta vez promovida pelos “ricos”. Tudo isto é contrario à ideia de cidade. Resolver o problema da habitação é um fim nobre em si, mas existem muitas outras maneiras de o fazer. Só por isso aplaudimos o Plano Estratégico da Habitação (PEH), apesar de ainda não o conhecermos na integra.

O PEH foi apresentado esta semana às autarquias, é um documento que prevê uma alteração profunda nas políticas públicas, em que o Estado é retirado do seu papel de interventor directo e provisor das populações, para o colocar em funções de maior regulação e fiscalização. O papel principal vai ser atribuído às câmaras municipais e a execução da estratégia deverá dar lugar a muitas parcerias público-privadas.Este documento, elaborado por uma equipa técnica multidisciplinar, integrada, entro outros, por Nuno Portas, Augusto Mateus e Isabel Guerra, vai agora entrar em debate público. Este Plano Estratégico de Habitação, depois de aprovado, irá definir as prioridades das políticas públicas de habitação até 2013.

quarta-feira, maio 7

Bob Geldof

É extraordinário ser-se pago para se dizer o que se pensa. Ter essa liberdade e possibilidade é verdadeiramente importante para tornar o mundo num sitio mais saudável. Quando formos “grandes” gostávamos de poder viver assim.
No entanto, quem paga uma acção (o BES e o Expresso), que pretendia ser sobre o desenvolvimento sustentável, conceito hoje muito maleável, pode ver o seu objectivo “comercial” transformado em algo inesperado. Bob Geldof ao chamar «criminosos» à classe dirigente Angolana, mostrou que essa atitude, não sendo sustentável, não pode ser tolerada. Com isso fez de algo que pretendia ser politicamente correcto, numa espécie de operação de charme sem cor nem sabor, num acontecimento verdadeiramente interessante.
Grande Geldof.

Texturas


Pedro Gomes
2008

terça-feira, maio 6

A escravatura do Imobiliário


«Euforia pertence ao passado

O "aperto" das exigências contrasta com a euforia do início da década de 2000, altura em que, como recorda Reis Campos, presidente da Federação de Construção, as instituições faziam avaliações muito generosas, contando muitas vezes com a previsível valorização no futuro, de modo a poder acomodar não só o financiamento da casa, mas também a compra de recheio e até de automóveis.Essa euforia pertence ao passado, até porque, ao contrário dos anos de valorização constante do parque habitacional, em boa parte gerado pela falta de oferta em termos de arrendamento, o cenário actual é completamente diferente, em que alguns segmentos e algumas localizações continuam a valorizar-se, mas depois há um conjunto alargado de imóveis que se desvaloriza, em especial nas zonas periféricas. Por outro lado, e além da envolvente macroeconómica mais desfavorável, tem-se verificado um decréscimo considerável de construção de novas habitações. O que neste momento existe à venda é, portanto, um número muito mais elevado de imóveis usados/antigos, cujo valor vai diminuindo com o passar dos anos. Esta situação é ainda agravada pelo facto de grande parte dos imóveis à venda se concentrar nas zonas periféricas das grandes cidades, que cresceram desordenadamente a partir da década de 80, e são exactamente aquelas que sofrem maiores desvalorizações.
»

Hoje no Público

O que podemos concluir é que depois de se ter facilitado tudo (Bancos), de se querer ter tudo (Consumidores) e de se ter construído de toda a maneira (Construtores, Autarquias e Estado), os que vão pagar são essencialmente os mesmos: Os das periferias mais desqualificadas. As classes médias mais baixas.

Este é um bom exemplo do que acontece quando a Administração Pública não faz o que lhe compete e deixa margem demais à iniciativa privada, que muito prezamos, mas que tende a ter uma visão restrita do interesse público. O (des) ordenamento do Território e a falta de qualidade geral do Espaço Urbano, para além de prejudicar o dia a dia de todos, vai tornar ainda mais pobres as classes médias que se deixaram vislumbrar por este engodo. Esses acreditaram que poderiam continuar a melhorar sua condição de vida apoiada no crédito e não nos salários, tornando toda a sua vida dependente dessa ilusão. Agora são os mesmos Bancos que lhes vão tirando a possibilidade de voltar a trás, ao atribuírem valores inferiores ao seu património, não permitido a venda do mesmo, a não ser a custos muito inferiores. Para estas pessoas vai ser cada vez mais difícil sair desta situação. A pobreza irá aumentar mesmo para os que têm algum património. O imobiliário pode estar a tornar-se num motivo de escravatura. Trabalhar, literalmente, para a casa vai ser cada vez mais verdadeiro.

Quando temos um Estado e uma Sociedade que não põe como finalidade última o interesse público, quem fica sempre mais prejudicado são as camadas da população desfavorecidas. A pobreza de espírito está, muitas vezes, correlacionada com a pobreza material.

segunda-feira, abril 28

O início da mudança?

Foi por demais evidente a diferença de atitude e de discurso da Dr.ª Manuela Ferreira Leite, relativamente a outros líderes e a outros candidatos.
O PSD é um instrumento ao serviço do País, quando deixar de o ser passa a ser irrelevante, tornando-se apenas uma caricatura de si próprio.
O primeiro passo está dado: recolocar o PSD no caminho da credibilidade. Agora falta começar a construir a alternativa.

António Cunha Vaz



No Público 2 de hoje:

«Se Menezes se recandidatasse contra Manuela Ferreira Leite, ganhava. A política é um circo. Ser agente de comunicação, em simultâneo, de vários bancos concorrentes, de políticos e de um clube de futebol pode ser bom para todos. Exercer influência não é crime»

Dito por António Cunha Vaz, um homem que parece «estar farto de estar na sombra


Esta entrevista revela bem quem realiza hoje o trabalho de “ilusão” que domina os vários aspectos da nossa vida politica, económica e mesmo cultural. Interessante como testemunho “antropológico” da nossa contemporaneidade. Estes homens parecem mandar mais do deviam e querer influenciar muito para além do que mereciam.

Ai, ai eo fim de semana que já lá vai...


Galé
Abril 2008

quinta-feira, abril 24

Tirem-nos deste filme...

Iremos assistir à segunda parte do mesmo filme? Mas desta vez mais trágico, ou cómico, como quiserem.

Na 1ª Parte, Durão Barroso saiu para a “Europa” quando percebeu que era mais fácil o País mudar de Primeiro-ministro do que ele mudar o País. Deixou Santana para acabar o serviço. Este, que tem de si próprio a ideia de um predestinado, não resistiu. Achou que (afinal)a sua hora sempre tinha chegado. O resultado foi o que se viu.

Na 2ª Parte, Luís Filipe Menezes decidiu demitir-se e ficar em Gaia à espera do dia seguinte às eleições de 2009, quando percebeu que era mais fácil deixar de ser líder do PSD do que vir a tornar-se Primeiro – ministro. Quer deixar a Santana a nobre tarefa de perder por ele em 2009. O resultado ainda não se viu, mas prevê-se. Se as estrelas voltarem a fazer das suas, pode bem provocar um pesadelo ao PSD e tornar 2009 num sonho para o PS.

Será que o PSD quer sair deste filme? Será que ainda pode ou quer?

sábado, abril 19

Estrada Romana


Gerês

2008

Andar numa estrada com cerca de 2000 anos de história (s), é sempre um acto que impõe respeito... percebemos o quão vã é a existência, mas também que tantos outros, tal como nós, acreditaram que valia a pena abrir e fazer o caminho.

sexta-feira, abril 18

De que PSD precisa Portugal?

A situação actual do PSD é critica. Todos o sabemos. Infelizmente o que mais temíamos relativamente à liderança de Luís Filipe Menezes (LFM) veio a confirmar-se. E a actual demissão, com a consequente marcação de eleições para daqui a um mês só vem confirmar o pior. LFM quer apenas as “bases” do PSD, ou seja, a parte destas que lhe permita manter o poder interno. O País deixou, definitivamente, de lhe interessar. O mais provável é que se recandidate, ou alguém por ele, o que para o caso é indiferente.

Novamente o PSD vai a eleições e com isso tem de colocar a si próprio a pergunta certa. E essa deverá ser:

A quem serve o PSD?

A questão é muito importante, pois dela podem derivar duas respostas antagónicas. O PSD com um “dono” e voltado para si próprio ou um PSD com um líder ao serviço do País.

Se seguir a primeira hipótese o PSD corre dois riscos sérios:
Descaracterizar-se e, com isso, tornar-se num partido insignificante na sociedade portuguesa. Passamos a explicar:

Ao descaracterizar-se, deixando de representar o seu eleitorado tradicional, passará só a representar uma (pequena) parte do partido original. Ficarão no activo (e mesmo como militantes) apenas os que mais nada sabem fazer e que dependem, ou dependeram sempre do Partido, para resolver a sua vida profissional e aqueles que encaram o PSD como um clube ou uma colectividade. Este últimos, por muito que aconteça, não deixarão de defender o seu partido, mesmo quando tudo começar a ruir à sua volta. Estas duas categorias de militantes são importantes, mesmo indispensáveis, para o funcionamento de qualquer partido, mas acrescentam pouco do ponto de vista eleitoral. Estes ficarão sempre - no PSD como em qualquer outro partido - mas só com eles poderá o PSD chegar ao governo do País? Pensamos que não.

Se assim continuar o PSD poderá tornar-se cada vez mais pequeno e ao reduzir a sua influência social deixará de contar como verdadeira alternativa nacional perdendo, a prazo, o estatuto de alternativa governativa.

Aliás, a estratégia seguida nos últimos anos tem provado o que atrás referimos. O seu “núcleo duro” eleitoral tem vindo a reduzir-se de eleição em eleição. Este fenómeno só não acontece nas eleições autárquicas. Mas quererá o PSD ficar reduzido “apenas” a um partido local? Pensamos que não.

Se seguir a segunda hipótese o País poderá ficar a ganhar, mesmo se o PSD perder as eleições, o eleitorado ganhará uma alternativa, que actualmente não vislumbra. Deixando alguma esperança para o futuro. No entanto, como explicámos atrás, só seguindo esta hipótese o PSD poderá vislumbrar ser governo. Seja em 2009 ou em 2013.

Por tudo isto é fundamental que todos os que pensam ser o PSD indispensável à vida politica nacional, assim como para a qualidade da democracia portuguesa se unam para derrotar quem pretende apenas preservar o “seu PSD”. O País reclama-o.

quarta-feira, abril 16

Texturas


Gerês

2008

Um novo membro na familia



Tinha-mos pensado que nunca mais. Mas a célebre frase, “nunca digas nunca”, mais uma vez voltou a impor-se. Em miúdo, pensámos, ser até veterinário, tal era o amor pelos animais. A dedicação era tal que trocava, durante as férias de verão, com uns primos alentejanos – que tinham a sorte de ter um “monte” com animais – a praia pelo campo.
Por volta dos treze anos tivemos uma gata que durou, lá por casa, pouco mais de um ano. Os pais não permitiram mais tempo. As chatices eram demais – diziam eles – e acabaram por levar a gata para uma quinta de uns amigos. A tristeza foi muita.

Talvez, desde então, não mais quisemos ter mais nenhum gato (ou cão). Mas, a família, que já tinha tentado várias vezes antes, sem termos cedido, agora conseguiu. Os pequenos têm, hoje, quase a idade que tínhamos então e não resistimos. O destino ajudou. Alguém telefonou a dizer que tínhamos um à nossa espera. Um belo gatinho surgiu, por coincidência muito parecido com o da nossa infância, ao qual não foi possível resistir…
O seu nome é Sol.








quarta-feira, abril 9

A propósito da qualidade da Paisagem


Um bom planeamento da paisagem, e também um bom desenho, tem três regras:
Proteger o que temos; seleccionar para trabalhar; inventar.
Por esta ordem de importância. Devemos proteger o que temos, depois trabalhar de forma selectiva e só depois inventar. Se começarmos por inventar perdemos, porque é muito provável que a invenção não corresponda ao que esperamos. A protecção deve estar em primeiro lugar, mas não uniforme, não está em todos os lugares
.”

Carl Steinitz * em entrevista a Cristina Castel-Branco in Arquitectura & Vida, Março de 2008.

*Arquitecto, Professor de Arquitectura Paisagística e Planeamento em Harvard.

sexta-feira, abril 4

Quem não é por nós é... contra a Escola Pública

O Secretário de Estado da Educação Valter Lemos descobriu a pólvora:

«Está em curso uma campanha contra e Escola Pública em Portugal.» disse hoje peremptório.

A técnica retórica por trás desta afirmação faz lembrar outros tempos. Não é nova e muito menos original. Diz até muito sobre quem a usa. Durante o Estado Novo, quando alguém denunciava algo que estava mal no País, logo era acusado de antipatriota ou, na melhor das hipoteses, de... Comunista.
O senhor Secretário de Estado parece querer confundir a necessária “saída do armário” da situação em que se encontra a “disciplina” nas escolas – que obviamente não é de hoje, mas que por diversas razões se encontrava fora da agenda mediática – com o “ataque” à Escola Pública.

“Olhe que não, olhe que não”.

Texturas


Gerês
Março 2008

quarta-feira, abril 2

Santiago de Compostela


Março 2008

uma cidade mágica, como dizia um colega Galego, nos idos de 1994. Jorge de seu nome, se a memória não nos atraiçoa.

sábado, março 22

Páscoa

Filipe Pereira

Interior do Mosteirode Alcobaça
2008

Porque será que todos querem arranjar culpados?



Olhando para o que está escrito num artigo publicado hoje no Público (P2) sobre os comentários ao vídeo colocado no You Tube, sobre o “incidente” ocorrido na Escola Secundária Carolina Michaëlis, no Porto, ocorreu-nos perguntar:

Porque será que todos querem arranjar culpados?

Os Professores culpam os Pais, o Ministério, a Ministra, o Sistema, o Novo Estatuto do Aluno, “alguns Professores”, os Alunos, etc.

A sociedade culpa os Pais, “alguns Alunos”, os Professores, o Sistema, o Ministério, a Ministra, o Novo Estatuto do Aluno, o País.

O Ministério e o Governo culpam, os anteriores governos, especialmente o seu imediatamente anterior, os Professores, ou finge não existir razões para tanto alarme.

Os Partidos da Oposição culpam, o actual Governo, a Ministra, o Ministério, o Novo Estatuto do Aluno.

Os País culpam, os Professores, o Sistema, o Ministério, a Ministra, o Novo Estatuto do Aluno, “alguns alunos”, etc, etc…

Quando se anda sempre à procura da culpa significa apenas uma coisa: ninguém quer assumir a sua. Ou seja, mandando a responsabilidade para cima de alguém, ficamos todos mais aliviados. Não obrigando ninguém a assumir a sua quota-parte da responsabilidade, todos ficam bem, mas nada se resolve. Ficando tudo na mesma.

Só vemos alguma hipótese séria de tentativa de solução do problema da disciplina, quando todos os envolvidos, na medida das suas responsabilidades, procurem saber o que cada um pode fazer para resolver o problema.

Se continuarem a procurar a culpa, ela por cá, segundo dizem, “morre sempre solteira”.

sexta-feira, março 21

O Telemóvel como alerta?


O vídeo divulgado no You Tube, gravado em telemóvel, tem escandalizado o País. Sob o título 9.º C em grande!, mostra uma aluna do 3.º ciclo da Escola Secundária Carolina Michaëlis, no Porto, a agarrar e a puxar o braço da sua professora de Francês por esta lhe ter tirado o telemóvel. É de facto chocante, para quem não sabe o que hoje se está a passar nas escolas. Para os que sabem não é de espantar.

Passamos a explicar. Hoje, uma sala de aula, é um dos sítios mais tensos, com maior desassossego e mais difícil de controlar do nosso espaço público (ou semi-publico).

Não que seja assim em todas as aulas, mas acontece em muitas. E é uma ilusão pensar que esta realidade se circunscreve apenas às periferias das áreas metropolitanas. Não. Neste aspecto o País tornou-se igual. É um gigantesco subúrbio. A forma como os alunos no ensino básico se comportam dentro da sala de aula é equivalente em todo o País. No secundário está mais atenuado, mas com tendência a alastrar. Com a possibilidade de alargamento do ensino obrigatório até ao 12ºAno, esta realidade vai tornar-se equivalente, se algo não mudar.

A maior violência é entre os próprios alunos. Contrariamente ao que se faz passar na opinião pública é entre os pares que existem mais problemas. Mas, por vezes, essa falta de “saber estar” volta-se contra os professores. Como aconteceu no caso agora “filmado”.

Não se pense que este “estado de sítio” numa sala de aula é excepcional. Não estamos a falar da situação em concreto. Estamos a referimo-nos ao ambiente, ao “caldo de cultura” que aparece retratado no vídeo. E os pais e a sociedade, em geral, não têm a mínima consciência do que se está a passar. Hoje os professores são essencialmente monitores que evitam situações de conflito entre os alunos. E por vezes sobra para os próprios. O saber transmite-se pouco ou quase nada. E esta é uma das razões do nosso insucesso educativo, não a única, mas das mais importantes. E este problema só se pode enfrentar mudando o olhar de toda a sociedade sobre a disciplina na escola. Ela tem de ser encarada como uma questão séria. É muito mais importante para o sucesso do que a avaliação dos professores, apesar desta também o ser.

Sem um ambiente de sossego e concentração, na sala de aula, não se pode aprender em condições. Pensamos que todos concordam. Sem esta condição de partida poucos conseguem aprender e, normalmente, só os vindos de famílias mais estruturadas e instruídas. Esses aprendem, porque podem aprender fora da escola. Têm outros espaços para o poderem fazer. Quem só pode aprender na escola, e aprende pouco fora dela, não aprende de todo. Um mau sistema penaliza sempre os mais “fracos”. É da natureza das coisas. E por essa razão o nosso sistema de ensino é dos que mais reproduzem as desigualdades de partida dos seus alunos. E esta situação tem de mudar.

No ano passado apareceram umas imagens de um filme no interior de uma sala de aula numa escola de Lisboa. Os alunos andavam em cima das mesas passeando alegremente. A reacção do Ministério da Educação foi persecutória em relação a quem tinha filmado tais imagens e tinha permitido a sua divulgação. Não mostrando preocupação com o comportamento dos alunos. Se a memoria não nos atraiçoa foram imagens captadas por um circuito de vigilância interno da escola. Mas recordamos o Secretário de Estado que, confrontado com as imagens, se preocupou mais em tentar saber qual era a escola do que em explicar, ou em tentar, as imagens que estavam a ser transmitidas. O discurso foi sempre de desvalorização do incidente, classificando-o sempre como tal. Como um facto isolado. Quase que apetece incentivar os alunos a filmarem estes incidentes, pois eles, sabemos não serão punidos por isso. Já os professores…têm de viver quase em vergonha por estas cenas atingirem o cerne da sua dignidade profissional e muitas vezes lhes dizerem que são eles que não têm a autoridade que deviam para poderem ensinar. Para além de enxovalhados ainda passam por incompetentes profissionalmente por não porem os “meninos na ordem”.

Sabemos que atacar uma classe profissional é mais simples que responsabilizar toda a sociedade e, em particular as famílias para a importância de melhorar a disciplina nas escolas. Mas esse também tem de ser o caminho. Se assim não for, pouco ou nada vai mudar no nosso ensino. SE este triste incidente tiver a capacidade de tornar a sociedade mais alerta ao problema já foi um ganho. Terá sido um efeito colateral na intenção daquele menino mal educado, ao gravar o incidente, mas diz o ditado "que escreve Deus por linhas tortas"...

No Público hoje:

«Questionada sobre as preocupações então manifestadas pelo procurador--geral da República - que acusara a ministra de "minimizar a dimensão da violência nas escolas" -, Lurdes Rodrigues respondeu: "Não podemos desvalorizar um caso de violência. Mas não temos nas escolas um clima de violência generalizada"

quinta-feira, março 20

Barcos


Luís Torgal

Na doca pesca em Setúbal a

6 de Fevereiro de 2008


Fotografia publicada no www.olhares.com, que o meu caro amigo Torgal me apresentou. Recomendo vivamente este site a todos os amantes de fotografia. Pode-se encontrar por lá exxxxtraordinário material.

Obrigado Luís.

domingo, março 16

Haverá?



Um filme duro e seco como o personagem principal, Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis) e a vida que levavam estes homens do Petróleo na transição do século XIX para o XX.
A banda sonora de Haverá Sangue é, também ela, de arrepiar o que ajuda a construir um ambiente quase sempre sinistro. Grande parte da narrativa é despovoada de sentimentos. Só a competição e a ganância permanecem em torno da vontade de ter mais e mais… Petróleo.
No fim o homem (Daniel) acaba sozinho com o seu império. Para alguns as relações humanas são apenas instrumentais e, por isso, a evitar sempre que possível. Pode, por vezes, parecer mais fácil cumprir a existência em torno de coisas ou objectos, mas a nossa fatal necessidade do outro sempre surge para atrapalhar. Dificilmente se consegue fugir da necessidade dessa relação. Na nossa humilde opinião, é dessa impossibilidade que este filme fala.
A interpretação de Daniel é fenomenal.
Vale a pena ver. Sem alaridos.

sexta-feira, março 14

Dividido mas solidário



Já vai quase uma semana sobre a “marcha dos professores” em Lisboa, após duas semanas de marchas em várias cidades por todo o País. Ainda aqui não falámos sobre este assunto mas é um dos temas que mais nos tem ocupado a atenção possível entre os diversos afazeres. No entanto, e a pedido de várias famílias, cá vai o que nos ocorre dizer sobre esta matéria:

Foi das situações em que nos sentimos mais divididos. Se por um lado, estamos de acordo que a forma, e por vezes o conteúdo, de algumas “reformas” na Educação (assim como de outras áreas da governação) estavam a ser mal conduzidas, por outro, consideramos indispensável que estas se realizem. O País não pode continuar bloqueado, sem realizar o que é indispensável para melhorar. Na Educação como em muitos outros domínios.

Por exemplo, a Avaliação é importante, não só para a profissão de professor, como para todos os Sistemas, incluindo o de Ensino. Mas mandar Avaliação para cima dos professores não, só por si, a resolução de todos os problemas. E é mesmo duvidoso que seja de alguns dos que se pretendem, como a diminuição do Abandono. Uma má Avaliação pode ser um factor de fracasso de qualquer sistema e não o seu sucesso. Tudo depende…E a proposta pelo Actual Ministério é deveras duvidosa a muitos níveis.

Começando por não se perceber qual o perfil do professor – ou do aluno - que se quer ter como exemplar. Caricaturando, mas nem tanto, um professor que seja rigoroso na avaliação dos seus alunos, pode provocar abandono aqueles que não acompanham o seu grau de exigência. Mas os seus alunos ficam a saber, mesmo o que tenham uma positiva sofrida. Enquanto outro que pretenda manter os alunos dentro da aula terá, necessariamente, estratégias diferentes. Poderá mesmo ter alunos que apenas frequentem as aulas sem aprenderem nada da disciplina em questão.

Para além do perfil desejado para o “bom professor”- ou “bom aluno” - a forma como se lançou este processo está a levar as escolas ao desespero. O que é, por si, uma consequência negativa de algo que se pretendia ser positivo. E o problema não é só a “complexidade” da Avaliação proposta mas a falta de critérios objectivos para a realizar. Sem se saber o que se pretende ter como “qualidade de ensino” como podemos seleccionar critérios?

Os aspectos críticos sobre a forma e o conteúdo das reformas, não são tudo. Somos favoráveis a que estas se realizem. Achamos mesmo que são indispensáveis. Mas não contra todas as pessoas. Só contra aquelas que apenas querem manter o seu pequeno quinhão de adquirido, sem se preocupar com a qualidade dos serviços ou do seu desempenho. Se não se lançarem as reformas de forma inteligente e inteligível não se fazem com ninguém. E estas não se realizam só no papel.

Outra dificuldade que sentimos foi a de temermos que a inflexibilidade governativa se agudizasse e conduzisse o actual executivo a um beco sem saída. Face a uma conflitualidade social imanente a inflexibilidade dos governantes revela falta de inteligência e mesmo impreparação para a governação. E se esta se vier a revelar vamos ter o futuro mais complicado pois o eleitorado não quererá repetir uma maioria absoluta tão cedo, o que torna as “reformas” mais difíceis de implementar, se não mesmo impossíveis.

Portugal necessita de recuperar alguns atrasos estruturais para ir de encontro aos seus parceiros europeus, para mudar vamos todos ter de mudar um pouco e para que isso aconteça temos de ter estabilidade governativa e politicas esclarecidas e reformistas. Mas para o conseguir temos de confiar uns nos outros, mesmo estando em campos diferentes. Como dizia o outro “ o que tem de ser tem muita força” mas pode ser com mais ou menos sofrimento dos envolvidos.

Por último, voltando à “marcha” pensamos que esta introduziu uma nova forma de lutar pelas causas laborais. De tal forma que os sindicatos foram obrigados a ir a reboque. Os professores viram, como classe, o seu prestígio aumentar pela forma como se manifestaram: Civilizada, ordeiramente e à sua própria custa (evitando prejudicar os alunos e suas famílias) marcharam pelo direito à indignação e à recuperação do merecido respeito profissional.




quarta-feira, março 5

A difícil travessia


Vivemos tempos difíceis. Mas isso já todos o sabemos. Já o sabíamos, antes até de o termos constatado. Com a adesão à Europa, quase todos suspeitaram que nada mais ia ser como antes. Mesmo quando o País parecia estar a melhorar os “Velhos do Restelo” apareciam para nos lembrar que era apenas uma doce ilusão. A modernidade não surge como um passo de mágica.

Mas a abertura ao exterior e a crescente urbanização da população não deixaram grande margem para o recuo. As expectativas de vir a ter um nível de vida equivalente aos restantes europeus ficaram marcados na nossa consciência colectiva. Mesmo sabendo, agora, o trabalho que isso dá.

Estamos como que a meio da ponte. Entre o que éramos e o que gostaríamos de ser. É preciso ter coragem mas nem sempre acreditamos que seja possível. A maioria das vezes desconfiamos de quase tudo: de nós, dos outros, deles. Especialmente destes últimos. D’eles. E eles são os que nos governam, ou os que são governados, os que mandam ou os mandados, os que ensinam ou os que são ensinados, tudo conforme as perspectivas, do lugar que cada um ocupa, a cada momento. Mas era importante perceber que não podemos ficar para sempre no meio da ponte. Temos que andar para a frente. Não de forma inconsciente, pois pior que voltar para trás, é despirmo-nos e cairmos. Mas de forma lúcida e inteligente sem desperdiçarmos as boas vontades e capacidades existentes para realizarmos uma boa travessia. A melhor possível e não a pior possível.

Vem tudo isto a propósito do que se passa entre o Governo e o País. O primeiro quer levar o segundo a modernizar-se. Para isso resolveu levar a cabo uma série de medidas para o efeito. Essas medidas vêm com a marca de reformas associadas a uma ideia de “modernidade”, onde muitas vezes parece que isso basta para as legitimar. E não basta. Para além da retórica é necessário que as medidas sejam realmente boas, bem pensadas e testadas, para depois serem generalizadas e implementadas.

E isto está a falhar. A determinação não pode ser confundida com teimosia. A determinação exige um acompanhamento atento da medida para que esta chegue, efectivamente, aos seus objectivos. E muitas vezes não serve cortar a direito, porque os danos podem ser superiores aos resultados. Muitas vezes têm que se realizar acertos e isso não é um acto de fraqueza mas de inteligência. O importante não é ter razão é reconhecer-se a razão.

O Governo actual está empenhado em fazer um retrato optimista do País e em considerar a sua intervenção como o principal responsável por isso. Esta estratégia, ao generalizar-se, pode levar o discurso a descolar da realidade. E se isso acontecer dificilmente se consegue restabelecer a comunicação com os governados. Um governo deve fazer um discurso mobilizador, mas isso não pode ser confundido com autismo, ou com a perda do sentido da realidade. Toda a gente acha uma certa piada aos lunáticos mas ninguém quer ser governado por eles. E com o País a sofrer um período de grande dificuldade e quebra de expectativas, é fácil o excesso de optimismo não ser reconhecido como razoável. É um erro confundir vontade de mudança com excesso de confiança. Reconhecer o erro sem perder o objectivo do que se pretende, tem de ser incorporado no quotidiano político, quer por parte dos governantes quer dos governados.

Mudar os governantes não muda, por si, a necessidade de atravessar a ponte. O País tem de exigir a qualidade na travessia e não ficar na constante hesitação sobre a necessidade de a atravessar. O erro pode ser corrigido sem mudar de desafio. A melhoria da qualidade da travessia passa por todos. Até por aqueles que acham que deveríamos voltar para trás.

Parabéns ao PÚBLICO


O melhor jornalismo escrito. E, actualmente, o jornal mais livre face aos poderes instituidos. A edição de hoje é, mais uma vez, a prova disso mesmo.
Faz 18 anos. Esperamos que a "maioridade" acrescente, sem retirar o essencial: A qualidade do Jornalismo.

segunda-feira, março 3

Estão de volta


Hoje pela manhã, como fazem todos os anos, ao longo dos séculos e dos milénios, elas chegaram. Vindas de Sul, em bando, as Andorinhas, ai estão para confirmar a antecipação da Primavera.
Assistir a este espectáculo é participar em algo maior. Faz-nos sentir que, apesar das aparências, existem coisas que ( felizmente) não mudam. Graças a Deus.

sexta-feira, fevereiro 29

Parabéns


A rádio que mudou o panorama informativo em Portugal faz hoje 20 anos. Um verdadeiro serviço público que é privado.
Obrigado por existires TSF.

quinta-feira, fevereiro 28

Um comprimido ou um copo de água?



Um estudo realizado recentemente põe em causa a eficácia dos anti depressivos em depressões leves ou moderadas. Dizem mesmo que poderá não existir grande diferença entre tomar um comprimido ou beber um copo de água com açúcar.

Obviamente, dito de uma forma simplista, esta conclusão põe em causa o verdadeiro efeito destes comprimidos que nos “curam” da tristeza. Receitas simplistas provocam “curas” simplistas. Os desequilíbrios entre o corpo, a mente e o espírito não se conseguem resolver dessa maneira. Exige mais esforço e trabalho por parte do terapeuta e do doente. Mas tratar de nós passou a ser mais uma forma de consumo, onde a rapidez e as modas são determinantes nas tendências da procura da cura. A responsabilidade individual na procura de um verdadeiro sentido para a vida é assunto pouco apelativo hoje em dia. Mas colocar toda a cura fora e não dentro do indivíduo, começa a parecer não resolver muitos dos problemas sentidos por quem se encontra em sofrimento.

Assim deixar tudo entregue ao comprimido parece, em muitos casos, não adiantar mais que beber um bom copo de água com açúcar. Vale a pena pensar nisto…

segunda-feira, fevereiro 25

e o Oscar foi para



Daniel Day-Lewis - que acompanhamos desde a Insustentável Leveza do Ser, inspirado no romance de Milan Kundera – ganhou a tão apreciada estatueta na categoria de melhor actor. Apesar de pouco convencional para Hollywood, só aceita trabalhar em filmes que pelo qual se interessa verdadeiramente, foi reconhecido pela academia por ser, de facto, um extraordinário actor.

Fica aqui a nossa homenagem, apesar de ainda não termos tido a oportunidade de ver “Sangue Negro”, o filme que o fez receber este Oscar. Só por isso deverá valer a pena não perder.




quarta-feira, fevereiro 20

Divulgação


Para tentar evitar o que se passou no anterior dia 18 de Fevereiro (2º Feira) aqui divulgamos o pedido da Câmara Municipal de Setúbal.

«As previsões do Instituto de Meteorologia apontam para a ocorrência de chuva intensa no final de dia 22 e durante todo o dia 23 no concelho de Setúbal.


Perante este cenário, a Protecção Civil recomenda a adopção de medidas preventivas por parte dos munícipes, como a limpeza dos algerozes e sumidouros nos quintais.Nas zonas tradicionais de cheias, é aconselhável o estacionamento dos automóveis em áreas mais elevadas, evitando-se toda a área a sul da Variante da Várzea e o centro de Vila Nogueira de Azeitão.Se a garagem, cave, elevador ou outras instalações do edifício são vulneráveis, não convém utilizá-las quando se verificarem situações de forte precipitação, enquanto os proprietários dos estabelecimentos devem proteger os seus bens, deslocando-os para níveis superiores.Para evitar a entrada de água, as portas da rua devem ser protegidas com um anteparo de madeira, metal ou sacos de areia.As marés-cheias estão previstas, no dia 22, para as 03h39 e as 15h57, e, no dia 23, às 04h14 e às 16h30.” »

terça-feira, fevereiro 19

Já era tempo

Fidel entendeu (ou alguém por ele), finalmente, reformar-se. Inevitavelmente algo vai ter de mudar em Cuba. Esperemos que seja a favor do seu povo. O preço de "preservar" a sua romântica revolução tem sido demasiado alto e bem pago por todos os cubanos.

Diz-se que

José Sócrates passou bem na entrevista de ontem.
O que nos pareceu mais relevante foi a aparente determinação e confiança na sua tarefa. Num País onde os últimos primeiros-ministros fugiram ou foram “empurrados” para sair, não é coisa de somenos.

segunda-feira, fevereiro 18

"E Depois do Adeus"...tanta chuva.

Não podia vir mais a propósito. Ontem estreou, na RTP1, o novo programa de Maria Elisa. Começou, este, por abordar o tema das cheias: as de 1967, as de 1983 e as de 1997. Várias análises- e testemunhos- tecnico-politicas tentaram enquadrar/recordar o problema. Mas o mais curioso é que na mesma altura se inícia uma enorme chuvada que ainda não terminou...Quase parecia um teste. É caso para dizer: estranha coincidência.

Finalmente chuva, muita chuva lá fora...