quarta-feira, junho 11

E depois do "circo" quem governará o Pais?





Perante esta situação de paralisia generalizada do País num completo desrespeito pela Lei Portuguesa, provocada pelo bloqueio dos camionistas, ficámos a saber que o Governo deixou de existir. O primeiro-ministro parece só saber gritar com os fracos, com os que não representam uma verdadeira ameaça. Perante uma crise grave eclipsa-se. Deixa correr. Ele, o restante Governo e o partido que o apoia. Quem verdeiramente lidera hoje o País?





A resposta não é fácil. A ideia por parte do Governo, é ver se "isto" passa, entre um jogo e outro da selecção nacional. Mas imaginem se a selecção perder. O povo alienado ficará sem o “circo” quando o “pão” parece já estar mais do que ameaçado. Com esta crise de autoridade de Estado, a juntar a todas as outras, tudo aparenta estar por um fio. O desenrolar dos próximos dias da nação estão mais dependentes do Sr. Scolari do que do nosso Eng. Sócrates. Este Governo estratégicamente ausente parece, de repente, ter deixado de existir. Estará a nossa governabilidade actual assim tão dependente da sorte de um treinador de Futebol? Parece-nos bem que sim. Seja como for, não se prevê nada de bom, nem agora nem mais tarde. Este Verão que já prometia vir a ser escaldante pode vir a aquecer ainda mais após o Euro 2008. E depois do "circo" quem governará o Pais?


terça-feira, junho 10

Bocas

boquinha doce

José Ferreira

2008

"Convoy" o comboio dos duros




Parece antever-se uma nova manifestação de camionistas. Segundo as noticias estão a preparar um cerco a Lisboa e Porto. Um “Comboio dos Duros”. Sempre que os camionistas se manifestam lembramo-nos deste filme. Este retratava as aventuras de uma coluna de camiões liderada por Rubber Duck (Kris Kristofferson) através dos estados de Novo México, Texas e Arizona como protesto pelos abusos do perturbado polícia (Xerife) Lyle Wallace, pondo tudo por onde passavam de “pantanas”. Dessas memórias de infância ficou o regozijo da luta contra a injustiça, aqui personificada pelo xerife. Transpondo isso para a nossa realidade, a respostas a algumas perguntas são mais difíceis: A luta dos nossos camionistas será justa? E o causador da injustiça, quem será? O governo? O Petróleo? A Globalização?

Esta luta é um protesto de um sector, como no caso das pescas, que se sente particularmente prejudicado pela conjuntura. Mas o apoio a um sector afectado por algo que não é criado por responsabilidade directa do Governo não poderá estender-se a muitos outros protestos de sectores igualmente prejudicados? A ajuda pontual aos transportes não será sentida como uma injustiça para outros? Ou poderá ser este já um sinal, como em 24 de Junho 1994, o bloqueio da ponte anunciou o fim do Cavaquismo? Talvez ainda não, mas os sinais nesse sentido começam a avolumar-se. Este bloqueio dos camionistas tem, apesar de tudo, características muito diferentes: pretende ter dimensão nacional e internacional, na medida em que condiciona exportações e importações. E pretende condicionar a mobilidade rodoviária principalmente em torno das grandes cidades de Lisboa e Porto e nas fronteiras. Parece que alguns bens de consumo já começam a faltar nos grandes fornecedores.

Vivemos tempos paradoxais. Ainda nos últimos dias em Serralves (Porto)67 mil visitantes, durante 40 horas gratuitas, entraram no Museu. Em Setúbal, onde residimos, sente-se grande adesão de público aos vários eventos, mais populares ou eruditos. As esplanadas estão cheias de gente a ver e a comentar os diversos jogos do Euro 2008. Mas simultaneamente a este País contrapõe-se um outro em agonia. A questão é saber se a adesão a toda esta festa é apenas alienação. Se for, um qualquer rastilho pode atiçar o barril de pólvora. Resta saber se este protesto será feito e sentido como um "um comboio de duros" ou se ficará apenas como mais um fenómeno fruto da época?


A Festa do Cinema


A 24ª edição do Festroia está a correr. A sensação que temos, não sendo especialistas, é que o certame está definitivamente numa fase de consolidação e expansão. Depois de grandes dificuldades económicas o Festroia parece estar num ciclo ascendente, quer em termos de programação quer em termos de saúde financeira. Só falta Setúbal ter as suas salas de cinema em melhores condições – Fórum Luísa Todi e Auditório Municipal Charlot – apesar de se ter alargado para o IPJ, em Setúbal, e para fora no Casino de Lisboa e para o Auditório Fernando Lopes Graça (Almada). Esta estratégia de crescimento regional articulada com a restante Área Metropolitana é de grande alcance. Alargar os públicos e os patrocinadores é essencial à sobrevivência de um evento desta natureza. A escala internacional só se consegue com uma “massa critica” suficientemente forte para tornar o festival aliciante. E esta tem de ter dimensão regional. O centro deve continuar a ser Setúbal, mas deverá ser um evento associado ao todo regional.
Este ano, excepcionalmente, tivemos a oportunidade de conseguir arranjar maior disponibilidade do que é habitual para poder assistir a mais filmes. Normalmente pouco mais conseguíamos que os filmes da inauguração e do fecho. E, já não era mau.
Felizmente este ano pode ser diferente. É uma oportunidade de ver filmes que nunca poderíamos ter a hipótese de ver. A maioria deles não se encontra no circuito comercial. Muitos são de facto bastante interessantes propondo “estéticas” e formas de narrativa diferentes. Nem sempre completamente conseguidas, mas estimulantes. Permitem sair do “lugar comum” a que quase sempre estamos remetidos quando dependemos das distribuições de massas.
Ao longo a semana destacaremos alguns dos que mais gostamos.
Setúbal continua em festa. E uma festa de qualidade – apesar das más condições das salas – e cosmopolita. Dá gosto ver.

quarta-feira, junho 4

Portugal Profundo


Momentos Rurais

Rui Pires

2008

Como fugir`ao "efeito tenaz"?

O primeiro-ministro José Sócrates (JS) vai ter, a partir de agora, a sua prova de fogo. Verdadeiramente desde que foi eleito ainda não passou ainda por nenhuma dificuldade politica séria, tirando talvez, o “caso licenciatura”. Chegou ao poder e à maioria absoluta, ao colo da nação por esta estar cansada do desvario da governação anterior. Desde então faz uma governação à sua medida, podendo tomar as medidas que acha por bem tomar e governando mais pela palavra e pela imagem do que pela qualidade da acção. Mas a facilidade parece estar a acabar. Do ponto de vista político JS tem tido alguma habilidade para manter um certo conforto ao nível da opinião pública, mas a maré parece estar a mudar. Senão vejamos:

O “comício da esquerdas” realizado ontem, onde a presença de Manuel Alegre, junto com Louçã e companhia, vem causar um grande mau estar ao PS. JS que tem governado apoiado num eleitorado central tem hostilizado “alguma esquerda” que tem sentido um grande desconforto e está disponível para afrontar este PS.

Sábado passado foi eleita Manuela Ferreira Leite para a liderança do PSD e pelas características da personagem a bagunça que tem reinado no maior partido da oposição está prestes a acabar. O que torna o passeio de JS mais difícil.

E por último, mas não menos importante, a crise económica com a escalada dos preços que provoca a aceleração da reestruturação de muitos sectores que por força de já estarem muito fragilizados não vão conseguir sobreviver. Tudo isto vai, como sempre afectar os mais desprotegidos, os mais frágeis.

JS escolheu um caminho que se pode agora manifestar-se muito apertado, podendo ficar sujeito ao “efeito tenaz”, entalado entre a esquerda e a direita politica:

O centro-direita tendo alguém que o represente vai começar a ser mais critica da sua governação. O apoio inicial por parte deste eleitorado pode estar a acabar.

A esquerda muito zangada com JS não lhe vai perdoar o caminho escolhido, mesmo a do PS a chamada ala “Alegrista”. Vai querer medir forças.

Por outro lado, a crise económica vem tornar ineficaz qualquer discurso sobre o assunto. Tendo JS apostado muito nos resultados económicos, com o controlo do défice à cabeça, todo o seu discurso político parece estar comprometido.

A partir de agora vamos poder perceber se o primeiro-ministro tem ou não capacidade de enfrentar reais dificuldades políticas. O tempo da luta contra as classes profissionais parece estar definitivamente esgotado, assim como o discurso sobre o descrédito da governação passada. A vitória sobre o défice (ainda que periclitante) não parece poder, por si, criar uma base de apoio ao governo e muito menos encher a barriga a alguém.

Que irá fazer JS para fugir à tenaz?

segunda-feira, junho 2

Noite cheia de arquitectura





No Programa Câmara Clara a propósito da maior exposição sobre a obra e a vida de Le Corbusier.

Em conversa com Paula Moura Pinheiro, Ana Tostões, a arquitecta especialista em História da Arquitectura Moderna, e o arquitecto João Luís Carrilho da Graça, um dos mais “neo-modernistas”




De seguida tivemos um documentário de Sidney Pollak, desaparecido esta semana.
Amigo de Frank Gehry, Esboços de FG é um documentário de 2006, uma biografia notável do célebre arquitecto que incide sobre o seu processo criativo, desde os primeiros desenhos à obra construída.

Duas abordagens, sobre dois arquitectos, que apesar de terem muito pouco em comum experimentaram e inovaram na arquitectura.

A Arquitectura e o serviço público de televisão ao seu mais alto nível.

terça-feira, maio 27

Caminhos


ponte dos ingleses

simao pereira de magalhaes

2007

Divulgação - HOJE

Cada vez mais casas,
Cada vez menos gente

Teatro São Luiz, 27 de Maio de 2008

(mais) uma sessão cívica
"UM DIA POR LISBOA – Fazer e Não Fazer"


A sessão de dia 27 de Maio será dividida em 3 painéis, entre as 18h e as 23h. em que vão participar diversas personalidades:




18h – 19.30h - O despovoamento da cidade de Lisboa e a dispersão metropolitana

19.30h – 20.30h - Construção vs. reabilitação

21h – 22h - Imobiliário e direitos adquiridos vs. interesse público

22h – 23h - Debate institucional


Vão estar presentes entre outros:
Augusto Mateus, Manuel Graça Dias, João Cleto (Movimento Porta 65 Fechada), Luís Campos e Cunha, Leonor Coutinho, Carlos Pimenta, Isabel Guerra



Debate final

João Ferrão, Secretaria de Estado do Ordenamento do Território e das Cidades

Manuel Salgado, Câmara Municipal de Lisboa

Fonseca Ferreira, CCDRLVT

Carlos Humberto, Junta Metropolitana de Lisboa (e presidente da Câmara Municipal do Barreiro)


Moderação: Luísa Schmidt e Nuno Artur Silva

Mais informações através do contacto telefónico: 213 864

terça-feira, maio 20

Lawrence Grossberg


Ontem saiu no Público uma entrevista de Lawrence Grossberg que passo a citar alguns excertos a ter em conta.

«É um dos mais importantes pensadores de estudos culturais americanos, foi uma voz central nos debates sobre o pós-modernismo nos anos 1980 e teve papel essencial na legitimação do estudo da música popular e "cultura jovem" na universidade. Filosofia da comunicação, políticas de juventude ou as possibilidades e limitações na emergência de formações alternativas de modernidade, são temas presentes no seu trabalho.
Há uma semana deu uma conferência na Universidade Católica, em Lisboa, sobre Estudos Culturais e Problemas da Modernidade. Para ele, os estudos culturais são em primeiro lugar política e, só depois, cultura popular. Na sua última obra, denuncia a "guerra aos jovens" que é, afinal, segundo ele, a tradução de um contexto onde ninguém acredita no futuro. (...)


A própria categoria "jovem" transformou-se. Era uma idade, agora é uma ideologia. Aquilo que definia o ser "jovem" atravessa agora todas as idades.
Essa é outra questão fascinante. A geração baby-boomer, que é a minha, cresceu a pensar que a sua identidade estava na juventude. Crescemos com esta ideia que tínhamos que parecer, agir e vestir, como se tivéssemos sempre 20 anos. Não sei se é mau, nem acho que seja recusa de crescer, mas realmente isso cria um problema para os jovens que são, realmente, jovens. De repente, toda a gente é jovem. Quer dizer, com nuances, consumo a mesma música que os meus filhos.
A partir dos anos 80 a noção do que era ser "jovem" já nada tinha a ver com um corpo. Tinha um significado cultural e político. Estava em ligação com a ausência de um sentido para o futuro e percebi isso quando os adolescentes começaram a falar-me do seu ressentimento por serem adolescentes. Sentiam que tinham sido abandonados, porque à sua volta percebiam que já ninguém se sentia responsável pelo seu futuro. (…)

Mas no seu último livro vai mais longe, dizendo que os "jovens" se transformaram num problema para os mais velhos. Porquê?
Porque eles personificam o futuro, que é qualquer coisa em que deixámos de acreditar. A partir do meio do século XX, quando a "cultura jovem" se impôs, a juventude começou a ser vista como símbolo dos valores americanos. Incorporavam o sonho americano. O futuro ia ser dourado e os jovens tinham que ser moldados para que lhes fosse permitido representar essa ideia de futuro.
Mas isso mudou, porque a noção de futuro também mudou.
Hoje não há uma guerra contra os jovens, mas há uma guerra contra o futuro. Há uma presença acentuada de discursos apocalípticos e, os jovens, que representam o futuro, sofrem as consequências. Qualquer coisa que sempre demos como adquirido, como ter uma carreira ou uma pensão de velhice, é posto em causa. O problema é que se não acreditamos no futuro, não podemos ser responsáveis pelo que vai acontecer.
Ou seja, não podemos ser responsáveis pelos jovens?
Exacto. Nesse sentido, eles têm que ser qualquer coisa que pode ser controlada, porque não nos queremos sentir culpados - por não terem acesso à medicina, por serem toxicodependentes ou por não investirmos na educação pública ou na universidade.
Simplesmente, porque não acreditamos que a nossa responsabilidade é investir no presente e preparar o futuro. O contexto social mudou tanto que é difícil aceitar ou abraçar o risco. Os adolescentes estão preocupados com o futuro económico de uma forma que a minha geração não estava. (…)»

quinta-feira, maio 15

A escolha...


Pedro Passos Coelho (PPC) ao não se ter demarcado das declarações (e intenções) de Luís Filipe Menezes (LFM), proferidas hoje na SIC Noticias, acerca de Manuela Ferreira Leite, fica com a sua candidatura definitivamente amarrada a uma lógica de vingança e ajuste de contas. Não dele mas de outros, o que ainda é mais redutor.

As declarações de “bom rapaz” querendo estar de bem com todos não chegam para fazer um líder. A retórica liberal e moderna, por si, significam pouco. Para convencer o PSD, e o País, de que representa alguma mudança tem de fazer diferente e isso não se compadece com ausência de “espinha dorsal”. Com o seu silêncio PPC revelou que a lógica do voto é, para ele, muito mais importante do que a real vontade mudar a trangetória do Partido dos últimos anos. A "juventude" não é um valor. É uma circunstância. Passa com o tempo e muitas vezes, antes de tempo. Com este silêncio PPC explicitou a sua escolha: receber a herança que LFM entendeu deixar-lhe. Registámos.

Caminhos

o fim do mundo... continua

nuno chaves

2007

quarta-feira, maio 14

Elas andam por ai


Depois de muitos episódios, a já mundialmente famosa série o “Sexo e a Cidade”, volta novamente. Agora em versão cinematográfica. Esta série muito “moderna” e extremamente “light”, retrata uma espécie de novo modelo da mulher urbana, emancipada e consumista. Os homens, para elas, passam a ser só mais uma “marca” a adquirir. Interessante, para poucos, completamente assustador para muitos. Principalmente para os "velhos conquistadores" que passam de caçadores a presas.
Apesar da leveza e dos equívocos que promove a série é, dentro do género, bem feita e divertida. O filme não deverá passar disso mesmo. No entanto, elas parecem não deixar de querer andar por ai…

sábado, maio 10

sexta-feira, maio 9

O Estado vai deixar de construir bairros sociais




Esta pode ser considerada, a ser implementada, uma medida histórica. Será o fim dos bairros sociais. Em vez de mandar construir mais fogos o Estado irá dinamizar o mercado de arrendamento. Sendo ele próprio a adquirir ou arrendar imóveis, para constituir uma bolsa de fogos com que possa resolver algumas das carências habitacionais.
Aqui há uns anos, num seminário de mestrado, perguntamos a uma especialista em habitação social, porque é que o Estado tinha de decidir onde os pobres vão morar e como moram, quando não o faz com os restantes cidadãos? Ao que a técnica não conseguiu responder. A resposta é difícil, mas as consequências destas políticas urbanas têm sido responsáveis pela fragmentação urbana e desintegração social a que hoje assistimos nas nossas cidades. E é um fenómeno que afectou todo o mundo ocidental. O Estado, através da construção de bairros sociais, promoveu a “guetização” urbana. Os condomínios fechados, foram apenas a resposta contrária à mesma visão do problema mas desta vez promovida pelos “ricos”. Tudo isto é contrario à ideia de cidade. Resolver o problema da habitação é um fim nobre em si, mas existem muitas outras maneiras de o fazer. Só por isso aplaudimos o Plano Estratégico da Habitação (PEH), apesar de ainda não o conhecermos na integra.

O PEH foi apresentado esta semana às autarquias, é um documento que prevê uma alteração profunda nas políticas públicas, em que o Estado é retirado do seu papel de interventor directo e provisor das populações, para o colocar em funções de maior regulação e fiscalização. O papel principal vai ser atribuído às câmaras municipais e a execução da estratégia deverá dar lugar a muitas parcerias público-privadas.Este documento, elaborado por uma equipa técnica multidisciplinar, integrada, entro outros, por Nuno Portas, Augusto Mateus e Isabel Guerra, vai agora entrar em debate público. Este Plano Estratégico de Habitação, depois de aprovado, irá definir as prioridades das políticas públicas de habitação até 2013.

quarta-feira, maio 7

Bob Geldof

É extraordinário ser-se pago para se dizer o que se pensa. Ter essa liberdade e possibilidade é verdadeiramente importante para tornar o mundo num sitio mais saudável. Quando formos “grandes” gostávamos de poder viver assim.
No entanto, quem paga uma acção (o BES e o Expresso), que pretendia ser sobre o desenvolvimento sustentável, conceito hoje muito maleável, pode ver o seu objectivo “comercial” transformado em algo inesperado. Bob Geldof ao chamar «criminosos» à classe dirigente Angolana, mostrou que essa atitude, não sendo sustentável, não pode ser tolerada. Com isso fez de algo que pretendia ser politicamente correcto, numa espécie de operação de charme sem cor nem sabor, num acontecimento verdadeiramente interessante.
Grande Geldof.

Texturas


Pedro Gomes
2008

terça-feira, maio 6

A escravatura do Imobiliário


«Euforia pertence ao passado

O "aperto" das exigências contrasta com a euforia do início da década de 2000, altura em que, como recorda Reis Campos, presidente da Federação de Construção, as instituições faziam avaliações muito generosas, contando muitas vezes com a previsível valorização no futuro, de modo a poder acomodar não só o financiamento da casa, mas também a compra de recheio e até de automóveis.Essa euforia pertence ao passado, até porque, ao contrário dos anos de valorização constante do parque habitacional, em boa parte gerado pela falta de oferta em termos de arrendamento, o cenário actual é completamente diferente, em que alguns segmentos e algumas localizações continuam a valorizar-se, mas depois há um conjunto alargado de imóveis que se desvaloriza, em especial nas zonas periféricas. Por outro lado, e além da envolvente macroeconómica mais desfavorável, tem-se verificado um decréscimo considerável de construção de novas habitações. O que neste momento existe à venda é, portanto, um número muito mais elevado de imóveis usados/antigos, cujo valor vai diminuindo com o passar dos anos. Esta situação é ainda agravada pelo facto de grande parte dos imóveis à venda se concentrar nas zonas periféricas das grandes cidades, que cresceram desordenadamente a partir da década de 80, e são exactamente aquelas que sofrem maiores desvalorizações.
»

Hoje no Público

O que podemos concluir é que depois de se ter facilitado tudo (Bancos), de se querer ter tudo (Consumidores) e de se ter construído de toda a maneira (Construtores, Autarquias e Estado), os que vão pagar são essencialmente os mesmos: Os das periferias mais desqualificadas. As classes médias mais baixas.

Este é um bom exemplo do que acontece quando a Administração Pública não faz o que lhe compete e deixa margem demais à iniciativa privada, que muito prezamos, mas que tende a ter uma visão restrita do interesse público. O (des) ordenamento do Território e a falta de qualidade geral do Espaço Urbano, para além de prejudicar o dia a dia de todos, vai tornar ainda mais pobres as classes médias que se deixaram vislumbrar por este engodo. Esses acreditaram que poderiam continuar a melhorar sua condição de vida apoiada no crédito e não nos salários, tornando toda a sua vida dependente dessa ilusão. Agora são os mesmos Bancos que lhes vão tirando a possibilidade de voltar a trás, ao atribuírem valores inferiores ao seu património, não permitido a venda do mesmo, a não ser a custos muito inferiores. Para estas pessoas vai ser cada vez mais difícil sair desta situação. A pobreza irá aumentar mesmo para os que têm algum património. O imobiliário pode estar a tornar-se num motivo de escravatura. Trabalhar, literalmente, para a casa vai ser cada vez mais verdadeiro.

Quando temos um Estado e uma Sociedade que não põe como finalidade última o interesse público, quem fica sempre mais prejudicado são as camadas da população desfavorecidas. A pobreza de espírito está, muitas vezes, correlacionada com a pobreza material.

segunda-feira, abril 28

O início da mudança?

Foi por demais evidente a diferença de atitude e de discurso da Dr.ª Manuela Ferreira Leite, relativamente a outros líderes e a outros candidatos.
O PSD é um instrumento ao serviço do País, quando deixar de o ser passa a ser irrelevante, tornando-se apenas uma caricatura de si próprio.
O primeiro passo está dado: recolocar o PSD no caminho da credibilidade. Agora falta começar a construir a alternativa.

António Cunha Vaz



No Público 2 de hoje:

«Se Menezes se recandidatasse contra Manuela Ferreira Leite, ganhava. A política é um circo. Ser agente de comunicação, em simultâneo, de vários bancos concorrentes, de políticos e de um clube de futebol pode ser bom para todos. Exercer influência não é crime»

Dito por António Cunha Vaz, um homem que parece «estar farto de estar na sombra


Esta entrevista revela bem quem realiza hoje o trabalho de “ilusão” que domina os vários aspectos da nossa vida politica, económica e mesmo cultural. Interessante como testemunho “antropológico” da nossa contemporaneidade. Estes homens parecem mandar mais do deviam e querer influenciar muito para além do que mereciam.

Ai, ai eo fim de semana que já lá vai...


Galé
Abril 2008

quinta-feira, abril 24

Tirem-nos deste filme...

Iremos assistir à segunda parte do mesmo filme? Mas desta vez mais trágico, ou cómico, como quiserem.

Na 1ª Parte, Durão Barroso saiu para a “Europa” quando percebeu que era mais fácil o País mudar de Primeiro-ministro do que ele mudar o País. Deixou Santana para acabar o serviço. Este, que tem de si próprio a ideia de um predestinado, não resistiu. Achou que (afinal)a sua hora sempre tinha chegado. O resultado foi o que se viu.

Na 2ª Parte, Luís Filipe Menezes decidiu demitir-se e ficar em Gaia à espera do dia seguinte às eleições de 2009, quando percebeu que era mais fácil deixar de ser líder do PSD do que vir a tornar-se Primeiro – ministro. Quer deixar a Santana a nobre tarefa de perder por ele em 2009. O resultado ainda não se viu, mas prevê-se. Se as estrelas voltarem a fazer das suas, pode bem provocar um pesadelo ao PSD e tornar 2009 num sonho para o PS.

Será que o PSD quer sair deste filme? Será que ainda pode ou quer?

sábado, abril 19

Estrada Romana


Gerês

2008

Andar numa estrada com cerca de 2000 anos de história (s), é sempre um acto que impõe respeito... percebemos o quão vã é a existência, mas também que tantos outros, tal como nós, acreditaram que valia a pena abrir e fazer o caminho.

sexta-feira, abril 18

De que PSD precisa Portugal?

A situação actual do PSD é critica. Todos o sabemos. Infelizmente o que mais temíamos relativamente à liderança de Luís Filipe Menezes (LFM) veio a confirmar-se. E a actual demissão, com a consequente marcação de eleições para daqui a um mês só vem confirmar o pior. LFM quer apenas as “bases” do PSD, ou seja, a parte destas que lhe permita manter o poder interno. O País deixou, definitivamente, de lhe interessar. O mais provável é que se recandidate, ou alguém por ele, o que para o caso é indiferente.

Novamente o PSD vai a eleições e com isso tem de colocar a si próprio a pergunta certa. E essa deverá ser:

A quem serve o PSD?

A questão é muito importante, pois dela podem derivar duas respostas antagónicas. O PSD com um “dono” e voltado para si próprio ou um PSD com um líder ao serviço do País.

Se seguir a primeira hipótese o PSD corre dois riscos sérios:
Descaracterizar-se e, com isso, tornar-se num partido insignificante na sociedade portuguesa. Passamos a explicar:

Ao descaracterizar-se, deixando de representar o seu eleitorado tradicional, passará só a representar uma (pequena) parte do partido original. Ficarão no activo (e mesmo como militantes) apenas os que mais nada sabem fazer e que dependem, ou dependeram sempre do Partido, para resolver a sua vida profissional e aqueles que encaram o PSD como um clube ou uma colectividade. Este últimos, por muito que aconteça, não deixarão de defender o seu partido, mesmo quando tudo começar a ruir à sua volta. Estas duas categorias de militantes são importantes, mesmo indispensáveis, para o funcionamento de qualquer partido, mas acrescentam pouco do ponto de vista eleitoral. Estes ficarão sempre - no PSD como em qualquer outro partido - mas só com eles poderá o PSD chegar ao governo do País? Pensamos que não.

Se assim continuar o PSD poderá tornar-se cada vez mais pequeno e ao reduzir a sua influência social deixará de contar como verdadeira alternativa nacional perdendo, a prazo, o estatuto de alternativa governativa.

Aliás, a estratégia seguida nos últimos anos tem provado o que atrás referimos. O seu “núcleo duro” eleitoral tem vindo a reduzir-se de eleição em eleição. Este fenómeno só não acontece nas eleições autárquicas. Mas quererá o PSD ficar reduzido “apenas” a um partido local? Pensamos que não.

Se seguir a segunda hipótese o País poderá ficar a ganhar, mesmo se o PSD perder as eleições, o eleitorado ganhará uma alternativa, que actualmente não vislumbra. Deixando alguma esperança para o futuro. No entanto, como explicámos atrás, só seguindo esta hipótese o PSD poderá vislumbrar ser governo. Seja em 2009 ou em 2013.

Por tudo isto é fundamental que todos os que pensam ser o PSD indispensável à vida politica nacional, assim como para a qualidade da democracia portuguesa se unam para derrotar quem pretende apenas preservar o “seu PSD”. O País reclama-o.

quarta-feira, abril 16

Texturas


Gerês

2008

Um novo membro na familia



Tinha-mos pensado que nunca mais. Mas a célebre frase, “nunca digas nunca”, mais uma vez voltou a impor-se. Em miúdo, pensámos, ser até veterinário, tal era o amor pelos animais. A dedicação era tal que trocava, durante as férias de verão, com uns primos alentejanos – que tinham a sorte de ter um “monte” com animais – a praia pelo campo.
Por volta dos treze anos tivemos uma gata que durou, lá por casa, pouco mais de um ano. Os pais não permitiram mais tempo. As chatices eram demais – diziam eles – e acabaram por levar a gata para uma quinta de uns amigos. A tristeza foi muita.

Talvez, desde então, não mais quisemos ter mais nenhum gato (ou cão). Mas, a família, que já tinha tentado várias vezes antes, sem termos cedido, agora conseguiu. Os pequenos têm, hoje, quase a idade que tínhamos então e não resistimos. O destino ajudou. Alguém telefonou a dizer que tínhamos um à nossa espera. Um belo gatinho surgiu, por coincidência muito parecido com o da nossa infância, ao qual não foi possível resistir…
O seu nome é Sol.








quarta-feira, abril 9

A propósito da qualidade da Paisagem


Um bom planeamento da paisagem, e também um bom desenho, tem três regras:
Proteger o que temos; seleccionar para trabalhar; inventar.
Por esta ordem de importância. Devemos proteger o que temos, depois trabalhar de forma selectiva e só depois inventar. Se começarmos por inventar perdemos, porque é muito provável que a invenção não corresponda ao que esperamos. A protecção deve estar em primeiro lugar, mas não uniforme, não está em todos os lugares
.”

Carl Steinitz * em entrevista a Cristina Castel-Branco in Arquitectura & Vida, Março de 2008.

*Arquitecto, Professor de Arquitectura Paisagística e Planeamento em Harvard.

sexta-feira, abril 4

Quem não é por nós é... contra a Escola Pública

O Secretário de Estado da Educação Valter Lemos descobriu a pólvora:

«Está em curso uma campanha contra e Escola Pública em Portugal.» disse hoje peremptório.

A técnica retórica por trás desta afirmação faz lembrar outros tempos. Não é nova e muito menos original. Diz até muito sobre quem a usa. Durante o Estado Novo, quando alguém denunciava algo que estava mal no País, logo era acusado de antipatriota ou, na melhor das hipoteses, de... Comunista.
O senhor Secretário de Estado parece querer confundir a necessária “saída do armário” da situação em que se encontra a “disciplina” nas escolas – que obviamente não é de hoje, mas que por diversas razões se encontrava fora da agenda mediática – com o “ataque” à Escola Pública.

“Olhe que não, olhe que não”.

Texturas


Gerês
Março 2008

quarta-feira, abril 2

Santiago de Compostela


Março 2008

uma cidade mágica, como dizia um colega Galego, nos idos de 1994. Jorge de seu nome, se a memória não nos atraiçoa.