quinta-feira, agosto 7

Início de Viagem

Casino do Mónaco noite.

Cannes final da tarde


Primeiro dia

A viagem começou bem cedo. O nascer do Sol foi já a caminho de Madrid.

Atravessar a Meseta Ibérica, até à Catalunha, não é brincadeira. Mas foi espectacular.

Segundo dia

Atravessar a fronteira para França. Tomar banho perto de Canne . Fazer o percurso do Formula 1 em Monte Carlo (Mónaco) e atravessar dezenas de túneis até Génova, para ai dormir, foi a aventura do segundo dia.



Praia perto da Cannes (Mediterrâneo)


Hotel em Girona



Carros muitos carros




Nascer do Sol em Espanha





sexta-feira, agosto 1

Água em Marte



A sonda Phoenix descobriu água em Marte, o que segundo a comunidade científica coloca, de novo, a possibilidade da existência de vida, passada ou presente, naquele planeta.

Acreditamos que estas descobertas são, para a humanidade, uma enorme possibilidade de futuro. O aumento demográfico tendencial e a necessidade de aumentar e melhorar o nível de vida para toda a humanidade só podem ter como consequência a expansão do homem para o “espaço”. Sabemos que parece ficção científica, mas ao longo da história, foi sempre assim que se resolverem os excessos demográficos e o esgotamento dos recursos, saindo para o “espaço” desconhecido. Até agora, ao que parece, foi sempre no nosso pequeno planeta. Mas assim que a tecnologia o permitir (ou a necessidade o exigir), alguém duvida que colonizaremos outros planetas ou os seus satélites?

O conceito de sustentabilidade é um conceito equivoco, apesar de respeitável. Nunca será possível manter para as “próximas gerações os recursos que possuímos”. O aumento da riqueza dos últimos séculos só foi possível com um enorme aumento de consumo de recursos e um combustível muito potente, o petróleo, que nos permitiu uma fonte energética, barata de obter e altamente rentável, apesar de esgotável. Logo não “legável” às gerações vindouras. A dependência do petróleo é muito superior à que o senso comum e alguma elite ambientalista querem fazer crer, para a manutenção do nosso modo de vida. Apesar de as energias alternativas estarem a dar os primeiros passos sérios, alguém dúvida que se o petróleo acabasse amanhã a nossa civilização entraria num colapso? Muito provavelmente maior do que a denominada “Queda do Império Romano”?

Para a humanidade continuar a “crescer e multiplicar-se”, a sua verdadeira natureza – apesar de esta simples evidência, entre nós, andar um pouco esquecida - só vemos uma hipótese, ir buscar espaço e recursos fora do nosso planeta. Não existe alternativa.

Sendo aparentemente fora do tempo estas descobertas são, talvez, dos factos contemporâneos mais relevantes para a nossa história comum.


Ver mais em

Agosto


Intenso

Rui Mendez

2008

domingo, julho 27

Descobertas








Esta praia foi a descoberta do Verão. Ali para os lados de Lagos. Maravilhosa. Faziaa lembrar a Arrábida mas no Algarve. Quase sem gente. Só para nós. E os amigos, claro. Mas só os especiais.

É bom saber que mesmo entre as multidões ainda se descobrem pequenos tesouros.


segunda-feira, julho 21

Amy Winehouse



Esta é, eventualmente, a cantora Pop da década. O próximo Mito do início do século XXI. Tem tudo para isso. Voz, carisma e talento não faltam. Mas, mais importante de tudo, é nova e transporta consigo o lastro da tragédia. A tragédia é um elemento indispensável à criação do Mito. E sendo jovem é, absolutamente, indispensável.

Winehouse, foi para nós, até há bem pouco tempo, apenas um nome. Com frequência os seus escândalos vêm noticiados. Confessamos que conhecia pouco da sua obra. Apenas o que passava na rádio com mais frequência. Mas só após o seu concerto em Lisboa, no Rock in Rio, a nossa “consciência” auditiva se apercebeu do seu real valor. Contrariamente à maioria das pessoas o seu concerto não constituiu, para nós, uma desilusão. Antes pelo contrário. Só a partir de então, não sabemos se por antipatia pelo julgamento “moral” que fizeram da criatura por actuar para além do estado de bêbada, resolvemos dar uma oportunidade séria a Amy e ouvir com atenção a sua obra. E que obra. É de facto muito boa. Só nos admiramos, em certa medida, do sucesso que tem entre os jovens. Pois a sua sonoridade, especialmente a de Back to Black, é de outros tempos, apesar da sua voz invulgar tornar tudo intemporal.

Os ventos parecem estar pouco contemplativos com a autodestruição. Está toda a gente com a paranóia do politicamente correcto, onde a saúde surge como um dos novos Deuses. Por isso todos condenam as “drogas” e o álcool” ingerido por Winehouse (nome sugestivo). Ainda mais quando o faz sem pedir desculpa a ninguém. No entanto, o que não percebem é que a “juventude” se pela por ter uma “incompreendida” por ídolo. E que os mais velhos, condenando a personagem, só a alimentam. O “fosso de gerações”, apesar de ninguém já querer ser velho, ainda tem o seu peso.

Até Amy percebeu isso. A cada escândalo que faz vende mais discos. Gozar o prato é, apesar de tudo, a maneira mais inteligente de jogar este jogo. Sabendo que cada geração reclama o seu mártir, temos dúvidas se a ironia de Amy irá permitir que ela se torne no próximo.(?)

No que a nós nos diz respeito só a sua música interessa. Sem julgamento moral, apenas o estético. E, esse é, indiscutivelmente, muito positivo.

Deus a conserve.



ISTAMBUL - MEMÓRIAS DE UMA CIDADE




Orhan Pamuk, foi, do ponto de vista literário, a nossa descoberta deste verão. A Editorial Presença acabou de editar (15-7-2008) a sua primeira edição em português. Ainda estamos a ler o livro mas a leitura está rápida, apesar dos muitos afazeres (meio férias meio trabalho).




Pamuk reúne neste livro, publicado no ano em que ganhou o seu prémio Nobel, dois temas que me fascinam: A Biografia e a Cidade. O género literário biográfico ou, como no caso, autobiográfico é-nos particularmente caro. As cidades são para nós a mais fascinante obra humana. A mais complexa e impenetrável, e por isso mesmo, fascinante realização do homem. Mais correctamente dos homens, pois é fruto de um conjunto de vontades e não de uma só. E só existe no tempo. Ao longo dele, dependente dele.

Este autor Turco, que ainda estudou Arquitectura, mas a tempo se tornou escritor, é um verdadeiro apaixonado pela cidade. A sua cidade de Istambul. E através dela nos vai contando a sua própria história de vida, descrita de forma crua, mas simples. Sempre acompanhada por fotografias e gravuras. A preto e branco. Contrastadas e nostálgicas como a sua escrita.

domingo, julho 13

Amanhã - Coimbra


1º Encontro português de jovens investigadores na área do planeamento regional e urbano


Departamento de Engenharia Civil da FCT - Universidade de Coimbra



«Dirigido a jovens investigadores, bem como aos seus orientadores académicos, este encontro pretende colmatar a ausência de espaços de partilha de experiências de investigação na área do planeamento regional e urbano. Pretende-se também motivar a criação de plataformas de trabalho extra-instituições e que no futuro possam servir a prática de planeamento.
O encontro, que se pretende informal, é vocacionado para investigadores que tenham desenvolvido pelo menos um ano de investigação no âmbito da sua tese de doutoramento e que ainda não a tenham concluído. O objectivo não é apresentar resultados, mas sim discutir e relacionar objectivos e métodos de investigação.Cada investigador é convidado a enviar um “extended abstract” com duas páginas A4, de acordo com modelo disponibilizado, até ao dia 2 de Junho (prolongamento do prazo). Este deverá descrever a investigação em curso, indicando os seus objectivos e métodos, e deverá ser anexado à ficha de inscrição com os dados de identificação necessários. A aceitação dos trabalhos será comunicada até 15 de Junho e o programa final será divulgado a 20 de Junho.
Serão seleccionados 15 investigadores para apresentar comunicação no encontro, de acordo com a relevância do trabalho para os objectivos de debate e partilha de experiências enunciados. Os investigadores seleccionados deverão preparar uma apresentação de Power Point com cerca de 15 slides para uma comunicação de um máximo de 15 minutos, a cumprir rigorosamente, permitindo concentrar o encontro num único dia e assegurando o necessário espaço para o debate. As línguas admitidas para o encontro são o Português e o Inglês. Todos os orientadores dos investigadores participantes serão convidados a assistir. »

Nós fomos um dos investigadores seleccionados e estaremos a apresentar o ponto da situação do nosso doutoramento, pelas 10.45 da manhã. A comunicação terá o titulo da tese:


“Urbanismo Escolar nas Cidades Médias em Portugal”


O ENCONTRO DECORRERÁ NO POLO II DA UC, DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL, LABORATÓRIO DE URBANISMO E TRANSPORTES - SALA SA 3.6 A PARTIR DAS 9H30 DO DIA 14.O7.


A não perder...

Hoje


de volta à Figueira da Foz. Saudades do Mar e da zona dos casinos, como é por aqui conhecida. Sempre uma atmosfera nostalgica, decadente mas inspiradora.

quarta-feira, julho 9

Novidades




Hoje na Newsletter da Ordem dos Arquitectos SRS - Edição nº 70 – 9 Julho 2008

«Concurso público para o Mercado do Livramento de Setúbal

Em preparação

Os Serviços de concursos preparam um concurso para o Mercado do Livramento, em Setúbal, uma construção do início do segundo quartel do século XX, na Avenida Luísa Todi.

Pretende-se, com o concurso, manter as características formais de arquitectura do edifício, modernizando-o e adaptando-o às actuais exigências funcionais. Entre outras, fazem parte das intenções da Câmara Municipal de Setúbal:

Criação de um pólo museológico dedicado à Metrologia Reforços estruturais Trabalhos de impermeabilização e instalações eléctricas Reorganização funcional Construção de novas bancadas e redes de água/esgotos respectivas Novos acessos ao primeiro andar e galeria Novas instalações sanitárias Nova Cobertura Novos pavimentos Cuidados ao nível da pintura e vãos.
»

Bocas



sede

Sara Sa

2008

quarta-feira, julho 2

Uma aposta arriscada


A entrevista de Manuela Ferreira Leite (MFL) ao programa Cartas na Mesa (TVI), de Constança Cunha e Sá (CCS), foi estranha para os tempos de hoje. Foi uma entrevista chata. Chata porque não foi uma entrevista de charme. Não vendeu ilusões. Não fez promessas avulsas. Não foi atrás dos fait-divers habituais.

Às perguntas sem importância respondeu com alguma irritação. Só falou do que lhe parecia importante. Falou de coisas simples e prosaicas como: “não devemos gastar o dinheiro que não temos”; não se podem fazer investimentos que hipotequem as próximas décadas do país”, “não se deve esperar que a oposição, enquanto oposição faça propostas alternativas, mas que pergunte ao governo como está a governar”; “a união entre homossexuais não se deve chamar casamento, nem ter o mesmo estatuto” (citado de memória). Tudo coisas simples, sem segundas intenções e por isso muito difícil de entender pelo nosso discurso comunicacional. Foi interessante ver como CCS tentava “furar” com as rasteiras do costume, mas a resposta nunca ia para o sentido pretendido.

A aposta de MFL é simples e clara. Falar do que é importante e falar verdade. Deixar o resto. É uma aposta arriscada. Muito pouco “fotogénica”. No nosso entender é a aposta certa, o que não quer dizer que seja uma aposta vencedora. Nem sempre a razão ganha nas urnas.

Tempo


'it is your flesh that I wear'

rattus

2008

quarta-feira, junho 25

Junho outra vez



O mês de Junho tem sido marcante nas nossas vidas. Desde Sempre. De falecimento, casamento e nascimento, surpresas e outros eventos, temos tido de tudo um pouco. O deste ano não foi excepção. Por isso temos andado ausentes. Muito se tem passado entretanto.

O nosso pai chegou aos 71 anos e a nossa filha aos 11. Os dois (nesta foto) num diálogo de gerações encontram-se, pequenos mas firmes, perante a imensidão do mundo que os rodeia. Mas não o temem. A sua firmeza está na continuidade desse diálogo. Mesmo quando a racionalidade (ainda ou já) não o habita e apenas a ternura perdura, o amor permanece e tudo o resto sobra.

Hoje em dia, é cada vez mais difícil manter este contacto entre gerações. Todos são arrumados entre: infantários, escolas, escritórios ou lares. Todos muito espartilhados por compartimentos. Os velhos com velhos, as crianças com crianças. Muito pouco, uns com os outros. De tal forma que, às tantas, ninguém consegue comunicar. Primeiro entre gerações, depois intra, e por fim, nem mesmo com o seu próprio espelho.

O que não percebemos, ou geralmente temos dificuldade em entender, é que o ser humano só existe em relação. E só nessa relação somos alguém. O simples desconhecimento desta realidade leva a que, por preguiça, comodismo, pragmatismo, simples egoísmo ou aparente conforto, percamos o essencial por ausência do outro. No entanto, sem relação resta apenas a solidão.

Foi esta verdade, simples mas tão subtil, que Junho nos trouxe outra vez. Obrigado.

Caminhos


"Subindo os degraus da cultura "

António Manuel Pinto da Silva

2008

sexta-feira, junho 13

Um dia Feliz




Foi por um acaso, ou talvez não, que nos casámos neste dia. Queríamos casar num dia de semana. Uma sexta de preferência. Como alguns dos convidados – só a família nuclear - trabalhavam em Lisboa, aproveitámos o feriado. Mas casámos em Setúbal. Já lá vão 13 anos. Não satisfeitos voltámos a fazê-lo à dois anos atrás, mas desta vez na Igreja. Onze anos depois, no mesmo dia lá voltámos a casar. É necessário alguma convicção, convenhamos.

Hoje temos novamente uma sexta-feira, 13 de Junho, como em 1995. Casamos o casamento, como se diz. Santo António o “Santo casamenteiro” tornou-se assim o nosso padroeiro, quase que por acaso, ou talvez não... Não nos arrependemos, antes pelo contrário.

Bom dia de Santo António, ou boa sexta-feira 13 conforme o preferirem, para todos. Para nós será com certeza.

Rosa



para o nosso amor.

quarta-feira, junho 11

Bocas


kissing lips

Filipe Pombo

2008

E depois do "circo" quem governará o Pais?





Perante esta situação de paralisia generalizada do País num completo desrespeito pela Lei Portuguesa, provocada pelo bloqueio dos camionistas, ficámos a saber que o Governo deixou de existir. O primeiro-ministro parece só saber gritar com os fracos, com os que não representam uma verdadeira ameaça. Perante uma crise grave eclipsa-se. Deixa correr. Ele, o restante Governo e o partido que o apoia. Quem verdeiramente lidera hoje o País?





A resposta não é fácil. A ideia por parte do Governo, é ver se "isto" passa, entre um jogo e outro da selecção nacional. Mas imaginem se a selecção perder. O povo alienado ficará sem o “circo” quando o “pão” parece já estar mais do que ameaçado. Com esta crise de autoridade de Estado, a juntar a todas as outras, tudo aparenta estar por um fio. O desenrolar dos próximos dias da nação estão mais dependentes do Sr. Scolari do que do nosso Eng. Sócrates. Este Governo estratégicamente ausente parece, de repente, ter deixado de existir. Estará a nossa governabilidade actual assim tão dependente da sorte de um treinador de Futebol? Parece-nos bem que sim. Seja como for, não se prevê nada de bom, nem agora nem mais tarde. Este Verão que já prometia vir a ser escaldante pode vir a aquecer ainda mais após o Euro 2008. E depois do "circo" quem governará o Pais?


terça-feira, junho 10

Bocas

boquinha doce

José Ferreira

2008

"Convoy" o comboio dos duros




Parece antever-se uma nova manifestação de camionistas. Segundo as noticias estão a preparar um cerco a Lisboa e Porto. Um “Comboio dos Duros”. Sempre que os camionistas se manifestam lembramo-nos deste filme. Este retratava as aventuras de uma coluna de camiões liderada por Rubber Duck (Kris Kristofferson) através dos estados de Novo México, Texas e Arizona como protesto pelos abusos do perturbado polícia (Xerife) Lyle Wallace, pondo tudo por onde passavam de “pantanas”. Dessas memórias de infância ficou o regozijo da luta contra a injustiça, aqui personificada pelo xerife. Transpondo isso para a nossa realidade, a respostas a algumas perguntas são mais difíceis: A luta dos nossos camionistas será justa? E o causador da injustiça, quem será? O governo? O Petróleo? A Globalização?

Esta luta é um protesto de um sector, como no caso das pescas, que se sente particularmente prejudicado pela conjuntura. Mas o apoio a um sector afectado por algo que não é criado por responsabilidade directa do Governo não poderá estender-se a muitos outros protestos de sectores igualmente prejudicados? A ajuda pontual aos transportes não será sentida como uma injustiça para outros? Ou poderá ser este já um sinal, como em 24 de Junho 1994, o bloqueio da ponte anunciou o fim do Cavaquismo? Talvez ainda não, mas os sinais nesse sentido começam a avolumar-se. Este bloqueio dos camionistas tem, apesar de tudo, características muito diferentes: pretende ter dimensão nacional e internacional, na medida em que condiciona exportações e importações. E pretende condicionar a mobilidade rodoviária principalmente em torno das grandes cidades de Lisboa e Porto e nas fronteiras. Parece que alguns bens de consumo já começam a faltar nos grandes fornecedores.

Vivemos tempos paradoxais. Ainda nos últimos dias em Serralves (Porto)67 mil visitantes, durante 40 horas gratuitas, entraram no Museu. Em Setúbal, onde residimos, sente-se grande adesão de público aos vários eventos, mais populares ou eruditos. As esplanadas estão cheias de gente a ver e a comentar os diversos jogos do Euro 2008. Mas simultaneamente a este País contrapõe-se um outro em agonia. A questão é saber se a adesão a toda esta festa é apenas alienação. Se for, um qualquer rastilho pode atiçar o barril de pólvora. Resta saber se este protesto será feito e sentido como um "um comboio de duros" ou se ficará apenas como mais um fenómeno fruto da época?


A Festa do Cinema


A 24ª edição do Festroia está a correr. A sensação que temos, não sendo especialistas, é que o certame está definitivamente numa fase de consolidação e expansão. Depois de grandes dificuldades económicas o Festroia parece estar num ciclo ascendente, quer em termos de programação quer em termos de saúde financeira. Só falta Setúbal ter as suas salas de cinema em melhores condições – Fórum Luísa Todi e Auditório Municipal Charlot – apesar de se ter alargado para o IPJ, em Setúbal, e para fora no Casino de Lisboa e para o Auditório Fernando Lopes Graça (Almada). Esta estratégia de crescimento regional articulada com a restante Área Metropolitana é de grande alcance. Alargar os públicos e os patrocinadores é essencial à sobrevivência de um evento desta natureza. A escala internacional só se consegue com uma “massa critica” suficientemente forte para tornar o festival aliciante. E esta tem de ter dimensão regional. O centro deve continuar a ser Setúbal, mas deverá ser um evento associado ao todo regional.
Este ano, excepcionalmente, tivemos a oportunidade de conseguir arranjar maior disponibilidade do que é habitual para poder assistir a mais filmes. Normalmente pouco mais conseguíamos que os filmes da inauguração e do fecho. E, já não era mau.
Felizmente este ano pode ser diferente. É uma oportunidade de ver filmes que nunca poderíamos ter a hipótese de ver. A maioria deles não se encontra no circuito comercial. Muitos são de facto bastante interessantes propondo “estéticas” e formas de narrativa diferentes. Nem sempre completamente conseguidas, mas estimulantes. Permitem sair do “lugar comum” a que quase sempre estamos remetidos quando dependemos das distribuições de massas.
Ao longo a semana destacaremos alguns dos que mais gostamos.
Setúbal continua em festa. E uma festa de qualidade – apesar das más condições das salas – e cosmopolita. Dá gosto ver.

quarta-feira, junho 4

Portugal Profundo


Momentos Rurais

Rui Pires

2008

Como fugir`ao "efeito tenaz"?

O primeiro-ministro José Sócrates (JS) vai ter, a partir de agora, a sua prova de fogo. Verdadeiramente desde que foi eleito ainda não passou ainda por nenhuma dificuldade politica séria, tirando talvez, o “caso licenciatura”. Chegou ao poder e à maioria absoluta, ao colo da nação por esta estar cansada do desvario da governação anterior. Desde então faz uma governação à sua medida, podendo tomar as medidas que acha por bem tomar e governando mais pela palavra e pela imagem do que pela qualidade da acção. Mas a facilidade parece estar a acabar. Do ponto de vista político JS tem tido alguma habilidade para manter um certo conforto ao nível da opinião pública, mas a maré parece estar a mudar. Senão vejamos:

O “comício da esquerdas” realizado ontem, onde a presença de Manuel Alegre, junto com Louçã e companhia, vem causar um grande mau estar ao PS. JS que tem governado apoiado num eleitorado central tem hostilizado “alguma esquerda” que tem sentido um grande desconforto e está disponível para afrontar este PS.

Sábado passado foi eleita Manuela Ferreira Leite para a liderança do PSD e pelas características da personagem a bagunça que tem reinado no maior partido da oposição está prestes a acabar. O que torna o passeio de JS mais difícil.

E por último, mas não menos importante, a crise económica com a escalada dos preços que provoca a aceleração da reestruturação de muitos sectores que por força de já estarem muito fragilizados não vão conseguir sobreviver. Tudo isto vai, como sempre afectar os mais desprotegidos, os mais frágeis.

JS escolheu um caminho que se pode agora manifestar-se muito apertado, podendo ficar sujeito ao “efeito tenaz”, entalado entre a esquerda e a direita politica:

O centro-direita tendo alguém que o represente vai começar a ser mais critica da sua governação. O apoio inicial por parte deste eleitorado pode estar a acabar.

A esquerda muito zangada com JS não lhe vai perdoar o caminho escolhido, mesmo a do PS a chamada ala “Alegrista”. Vai querer medir forças.

Por outro lado, a crise económica vem tornar ineficaz qualquer discurso sobre o assunto. Tendo JS apostado muito nos resultados económicos, com o controlo do défice à cabeça, todo o seu discurso político parece estar comprometido.

A partir de agora vamos poder perceber se o primeiro-ministro tem ou não capacidade de enfrentar reais dificuldades políticas. O tempo da luta contra as classes profissionais parece estar definitivamente esgotado, assim como o discurso sobre o descrédito da governação passada. A vitória sobre o défice (ainda que periclitante) não parece poder, por si, criar uma base de apoio ao governo e muito menos encher a barriga a alguém.

Que irá fazer JS para fugir à tenaz?