quarta-feira, março 4

Vicky Cristina Barcelona


Já vimos o filme.Woody Allen continua igual a si próprio. Os seus filmes são quase sempre bons. Este não é excepção. A história é muito bem construída, o texto sempre vivo e muito cadenciado (sem quebras) a realização e a fotografia irrepreensíveis. Os actores são extraordinários. Tudo isto não faz um filme brilhante mas torna-o muito bom. Para nós esta incursão de Woddy à Europa tem sido muito interessante pois, tal como nós, este realizador é um amante das cidades e actualmente os seus filmes têm sido uma homenagem a belas cidades. Assim como a belas mulheres.


Para Allen trabalhar deve ser só quase prazer. Poder escolher quase tudo (cenário, guião, actores) é um luxo. Poder escolher extraordinárias actrizes como Scarlett Johansson e Penélope Cruz é o luxo absoluto.

O tema de fundo dos filmes é quase sempre o mesmo. Assenta na dificuldade de conciliar as expectativas (ou preconceitos) que cada um tem relativamente ao amor, ou mesmo às relações humanas em geral, e o que de facto se sente quando essas expectativas, aparentemente, se concretizam. Nunca deixando os envolvidos satisfeitos. Woody mostra ser um céptico sobre a possibilidade de comunicação efectiva entre quem se ama, deixando sempre nos seus filmes a marca dessa impossibilidade. O Amor para Woody não cresce, não se desenvolve, não se transforma, apenas produz desencontros para de seguida se degradar. Sem mais. Não há esperança nem redenção. Existem apenas experiências, umas mais interessantes que outras, mas só.



Neste sentido Allen é muito contemporâneo. Amar é apenas mais uma experiência, quando acaba vem outra num eterno retorno. Apesar de acharmos este tema bem tratado e humorado (a melhor forma de sobreviver é rir de nós próprios) ao nunca apresentar alternativas, na nossa humilde opinião, a Arte deste realizador fica mais limitada. E não fosse o seu enorme talento podia mesmo aborrecer.

A não perder, mesmo assim…

segunda-feira, março 2

Sem remédio?


Ontem foi assassinado o Chefe de Estado Maior das Forças Armadas, hoje foi a vez de Nino Vieira.

É com grande tristeza que assistimos às dificuldades dos países Africanos. Particularmente os que falam Português.

Cada vez mais todos nos perguntamos da viabilidade de alguns Estados.

Cores


cores


nélio filipe


2008

quinta-feira, fevereiro 26

Palavras Sábias


"Se soubéssemos quantas e quantas vezes as nossas palavras são mal interpretadas, haveria muito mais silêncio neste mundo"


Oscar Wilde

quarta-feira, fevereiro 25

Divulgação

Dia 27 de Fevereiro de 2009
Sexta-feira, às 20:00h

Jantar Cultural sobre Transformações Urbanas, Modos de Vida e Políticas Urbanas, por

Isabel Guerra.


"A sessão analisa as transformações nas cidades e os seus impactes nos modos de vida dos habitantes, considerando que as actuais transformações das cidades num contexto de uma economia mundializada têm profundos efeitos socio-espaciais quer nas transformações de ocupação territorial quer nos modos de vida urbanos. Simultaneamente aumenta a complexidade das formas de gestão urbana, num contexto marcado pela crise do modelo de desenvolvimento actual que arrasta consigo a procura de novas formas de regulação social e de “viver em conjunto

A intervenção e governação urbana está assim confrontada com a complexidade crescente das formas territoriais e urbanas e a procura de novas formas de pensar e fazer a cidade o que leva a um movimento de racionalização da acção pública que corresponde ao emprego sistemático de procedimentos formalizados e a bases de informação científica.
Apresentam-se ainda as 5 principais tensões na cidade moderna: a qualidade , a vida colectiva, a segregação socio-espacial, a segurança e as formas de gestão, comentando as potenciais formas de intervenção e gestão urbana face a essas tensões."



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domingo, fevereiro 22

Cinema de volta?!!!


Talvez por o mundo real estar tão difícil, as expectativas tão baixas e os noticiários tão catastróficos o cinema um grande tem sido grande refúgio para apagar as tristezas, sem descarregar muito as carteiras. Em Portugal esta tendência parece ser uma realidade com os números de Janeiro a revelarem um aumento de bilheteira em ralação a Dezembro. Para tantos que tinham dado o Cinema como um negócio acabado, são notícias surpreendentes. O Cinema parece estar para ficar.



Daqui a pouco os Óscares vão consagrar alguns dos muitos bons filmes que se fizeram no ano que passou. Por isso muita atenção porque o Óscar vai para…



Boa Madrugada!




segunda-feira, fevereiro 16

Uma Ditadura Democrática?


Chávez parece estar a iniciar uma nova forma de construir uma ditadura, por via democrática. Muitos ditadores já chegaram ao poder por via democrática, mas nenhum foi construindo a ditadura por via democrática. Com actos democráticos (eleições, referendos). Passo a passo vai-se construindo uma ditadura. Esta parece ser a revolução de Hugo. Mas este regime assenta no Petróleo (como muitos outros). Vamos ver se com a quebra do seu valor esta versão amigável de chegar à Ditadura se pode manter a prazo de forma não violenta?

Mas não tenhamos ilusões. Uma Ditadura mesmo referendada, não deixa de ser isso mesmo. Uma Ditadura.

domingo, fevereiro 15

Um grande A


* O maior A do mundo *

* Rod * Rodrigo Silva

2008
Um A de Azeitão, um A de Atenção, um A de Alegria, um A de Automóveis, Um A de Amizade.
Nunca uma sexta-feira treze foi, para nós, assim... Até sempre Aldino.

quinta-feira, fevereiro 12

Uma parte do país político parece acreditar no regresso de Robin dos Bosques.



Outra parte do país político parece crer que o Pinóquio desta vez não se safa da Baleia.



No meio disto tudo onde pára o Zé Povinho. Está cada vez mais ausente por falta de presença.

Por outro lado o discurso político-partidário parece-nos cada vez mais deslocado e menos ouvido. Será só sensação nossa.




A ameaça de encerramento da Bordalo Pinheiro será apenas uma metáfora? ou o povo parece estar mesmo esquecido por tão (só aparentemente) adormecido.

Sol !!!


Do alto da Serra de Bornes

Miguel Afonso

2008

quarta-feira, fevereiro 11

Viva a diferença!


Durante muitos anos os homossexuais lutaram pelo seu direito à diferença. Hoje lutam pelo direito à igualdade. No primeiro caso pretendia-se o reconhecimento de uma forma diversa de amar e de viver a sexualidade face à maioria. No segundo pretende-se tornar equivalente o que é diferente.


Concordamos com as razões da primeira, discordamos da segunda. O direito à diferença como o respeito pelas minorias é absolutamente central num Estado de Direito Democrático, faz parte da sua natureza intrínseca. Mas tornar igual o que é diferente já é outra coisa. As uniões de facto, com direitos equivalentes ao casamento mas com algumas diferenças foi um passo com vista assegurar os aspectos legais de quem não se queria (ou podia) casar. O alargamento deste conceito a alguns outros campos e o seu aprofundamento parece-nos suficiente para garantir a igualdade consagrada na lei e na constituição. Agora tratar igual o que é diferente já nos parece com pouco sentido.


A instituição do casamento é das mais perenes em todas as civilizações conhecidas. Todas as pessoas sabem o que é. Ao alargar o conceito este deixa de ser reconhecível e passa a ser outra coisa. Vai alterar-se o seu conteúdo para além dos aspectos meramente formais.


No futuro, se o conceito de casamento for alargado, deixará de ter o mesmo significado. As sociedades vão, por isso, necessariamente ter de arranjar um nome novo para esta união, para a voltar a distinguir das outras. Não por qualquer ideia de desigualdade mas porque pura e simplesmente não podemos chamar (e entender como) amarelo ao vermelho por mais que alguns o queiram fazer, pois mesmo com o mesmo nome, quando as vemos e nomeamos serão sempre cores diferentes.


A igualdade não é igualitarismo e o respeito também não. Viva a diferença!

domingo, fevereiro 8

Carmen Miranda



Foi uma das primeiras a perceber o valor de criar uma imagem de marca. E apesar de algo Kitsch, funcionou, talvez por isso mesmo. Um ícone do século XX.

Confessamos que das primeiras vezes que vimos a personagem (ainda muito menino) ficámos muito impressionados pela lusa brasileira. Talvez por isso sentimos a necessidade de registar aqui o seu centésimo aniversário do seu nascimento a 9 de Fevereiro 1909.

Ai as horas que não param


As Horas


vitor tripologos


2009


sexta-feira, fevereiro 6

Acelerar antes do choque? talvez não seja prudente...


Muitos gostariam de ter razão. De estar certos nas soluções que apresentam. Nem que seja necessário continuar a iludir. Mas os imponderáveis ainda são grandes. Os reajustes ainda só estão no inicio. Há que aguardar. Sem precipitações. Fazendo o estritamente necessário. Preservar o possível.


Fazendo o paralelo com um acidente de automóvel, a maioria das pessoas, incluindo os líderes mundiais, ainda estão na fase antes de o carro bater, onde a sensação da vertigem antes do choque inevitável se mistura com a vã esperança de que nada daquilo esteja de facto a acontecer. Travar é a reacção natural. Nada mais parece ser sensato fazer. Depois da colisão há que verificar os estragos e perceber o que é necessário fazer, mas esse é já um bom sinal. Por muito mal que esteja a viatura, pelo menos estamos vivos. A sensação ainda é estranha mas só a partir daqui poderemos começar a fazer uma avaliação realista. Nesta crise económica ainda estamos na fase de travar, apesar de existirem alguns que propõem continuar a acelerar. O choque ainda não se deu. Vamos por isso aguardar, preparando os airbags e acreditando que tudo vai correr pelo melhor. Acelerar no momento da colisão não nos parece ser muito prudente. Os danos podem ser maiores.

terça-feira, fevereiro 3

Outro olhar, outro som


Fly
David Sousa

2008



Num certo sentido estamos a viver um período difícil, a muitos níveis, mas é em tempos como estes que nos podemos aperceber de outras dimensões da vida que estão mais esquecidas e que vale a pena relembrar.

Ao sair da rotina, somos forçados, a olhar para onde não é habitual e a ouvir o que já não dávamos atenção. Se estivermos disponíveis poderemos ficar surpreendidos e nessa surpresa encontrarmos forças para superar as dificuldades. Tudo depende de que ângulo escolhermos olhar e quais os sons que vamos querer ouvir.

Today I’m happy


] no rEino das pÉtalas [


Marques Tavares Carlos


2008

sexta-feira, janeiro 30

Divulgação

Acupunctura Urbana e Reabilitação
– Os pequenos projectos e os grandes planos –

Conversa apresentação do projecto de remodelação do edifício da Rua da Trindade nº 18 da autoria do arquitecto Paulo Serôdio. O projecto, até hoje não construído, dará o mote a uma conversa à volta da relação entre as intervenções arquitectónicas pontuais e os grandes planos de reabilitação. O exemplo da Baixa-Chiado será ainda abordado pelos arquitectos Ricardo Carvalho e Filipe Mónica, que intervieram já na zona, e pelo arquitecto Manuel Salgado, actual Vereador do Pelouro do Urbanismo da Câmara Municipal de Lisboa.
1 Fevereiro 16h Acupunctura Urbana e Reabilitação: os pequenos projectos e os grandes planos

entrada livre
Morada Rua da Trindade, nº 18 (ao Largo do Carmo)
Transportes Metro Baixa-Chiado, Eléctrico 28, Autocarros 58 e 790
Contacto
projecto.chao@gmail.com

+ info em:
http://www.projectochao.blogspot.com/ http://www.myspace.com/projectochao/
Chão é um projecto que propõe a ocupação temporária de espaços urbanos devolutos ou em transição, através de actividades concebidas a partir da especificidade de cada local.
Rua da Trindade, 18. Erguido numa pequena parcela do terreno outrora pertencente ao Convento da Trindade, o edifício nº 18 da Rua da Trindade, ao Largo do Carmo, foi ocupado durante o século XX pela "Reparadora Electro-Mecânica D. Moura", pela oficina metalúrgica de "D. Moura, Sucessores, Lda", e, consecutivamente, pelos escritórios e gabinetes de projecto e de desenho das empresas FRINIL (Frio Naval e Industrial) e ENI (Electricidade Naval e Industrial). Em 2001 o edifício foi adquirido pelo arquitecto Paulo Serôdio, que projectou a sua remodelação em habitações. O projecto nunca foi construído e, presentemente, o edifício encontra-se à venda.

terça-feira, janeiro 27

"low cost" em expansão


A McDonald’s prepara-se para abrir mais 1000 novos restaurantes e criar mais 12 mil postos de trabalho. Em contra corrente, esta medida parece vir a confirmar que quanto maior a crise mais o conceito “low cost” se vai expandir. No modo de vida que temos todos necessitamos de continuar a consumir, mas como em termos gerais, teremos menos dinheiro para o fazer o custo do que adquirimos tem de ser mais barato. Não há alternativa.


Por isso os produtos aceitáveis mas onde a participação do consumidor será cada vez mais exigida, para baixar os custos de produção e distribuição (MsDonald’s, IKEA, Zara, etc), vão ter cada vez mais aceitação. Não será de estranhar que mais destas marcas “low cost” venham a crescer nos próximos tempos. Será nessas marcas o maior crescimento do emprego nos meses que se seguem.


Para continuar e manter a democratização do consumo será no "low cost"que a classe média (cada vez mais baixa) irá encontrar a saída para a sua crise. O acesso ao crédito fácil, que iludiu a questão durante os últimos anos, parece ter acabado, resta pois comprar tudo mais baratinho...

Já começou a campanha eleitoral


Hoje, o jornal Público, chama a atenção para o facto de o Primeiro-Ministro (PM) se ter referido, no dia de ontem durante a cerimónia de apresentação de um relatório de Avaliação internacional (Políticas de valorização do primeiro ciclo do ensino básico em Portugal), à ministra da educação sempre no passado. Expressões como: " Quero felicitá-la e dizer que foi um gosto trabalhar consigo"e "valeu a pena resistir, não desistir, enfrentar as dificuldades” foram recorrentes.

Esta forma verbal em tom retrospectivo, no nosso modesto entender, quer dizer que o Governo e o PM já entraram em época de balanço. E das duas uma: ou as eleições vão ser antes do verão (possivelmente com as europeias) ou no caso de não ser possível (por oposição do Presidente da Republica) Sócrates vai preparar uma remodelação profunda no executivo (retirando os ministros mais incómodos) para chegar às eleições de cara lavada e com nova equipa constituída. Tudo irá depender do calendário eleitoral.
Mas o tom e o tempo, esse, é já de prestação de contas. A campanha eleitoral já começou.

quarta-feira, janeiro 21

Cidade das Artes e das Ciências - Valência



Ciudad de las Artes y las Ciencias

Bruno Rodrigues

2008

Esta foto de Valência fez-nos lembrar a nossa passagem por esta cidade Espanhola e da qual perdemos as fotografias (acidentes da tecnologia). Apesar de a termos visitado com entusiasmo estar neste espaço deixou-nos alguma inquietude no espírito.

Esta zona da cidade é “produzida” pelo arquitecto engenheiro Santiago Calatrava que é natural da cidade. Apesar de ser um Arquitecto que muito admiramos (em Portugal projectou a Gare do Oriente), esta Cidade das Artes e das Ciências, coloca-nos a questão da cidade como obra de arte: O que é? Será possível ou desejável?

No nosso entender a cidade é a mais bela obra humana por ser a que melhor espelha a sua vivência comum. Encerra, em si, tudo o que é humano. Não como obra de autor. De um autor. Mas como obra colectiva. Para além disso só pode existir no tempo e com tempo. Nenhuma cidade é verdadeiramente contemporânea, se for, está morta. A cidade é a sua própria história feita de homens, instituições e matéria e afirma-se na sua diversidade. Interna e externa.

Como Imagem Cidade das Artes e das Ciências de Valência é muito interessante, mas como vivência quotidiana, será? Conseguirá este pedaço de cidade sobreviver “pura” neste seu ar de parque temático nos próximos anos? Ou a cidade com um todo irá recriá-la tornando-a num devaneio do tempo? O nosso tempo.

Esta vontade de resolver o mundo de uma penada é muito de arquitecto autor e de cidadão consumidor, mas no nosso modesto entender, a cidade como obra de arte não pode ser vista como produto ou obra acabada e pronta a consumir. Ela faz-se do tempo e do espírito humano e isso não se consome. Vive-se experiencia-se. A cidade obra de arte é composta de muita coisa, onde a sua expressão visual é parte apenas. O todo, esse, é muito mais…

terça-feira, janeiro 20

Barack Obama toma hoje posse.

Oboma vai tornar-se hoje Presidente dos EUA. Muita expectativa está criada. Para mudar esta é muito importante. Mas excessiva expectativa pode causar desilusão à mínima contrariedade. Um homem pode fazer alguma diferença, mas ao ser representante ou líder de um país não pode fazer essa diferença sozinho. Terá de contar com o sentir da nação. Esta já demonstrou desejar a mudança vamos ver se está mesmo preparada para ela.

quarta-feira, janeiro 14

A necessidade de Pedras Autênticas...


"Em certo sentido, toda vida, quando narrada, é exem­plar; escrevemos para atacar ou para defender um sistema do mundo, para definir um método que nos é próprio. E não é menos verdade que pela idealização ou pela crítica mordaz a todo custo, pelo detalhe fortemente exagerado ou pruden­temente omitido, desqualificam-se quase todos os biógrafos: o homem construído substitui o homem compreendido. Nunca perder de vista o gráfico de uma vida humana, que não se compõe, digam o que disserem, de uma horizontal e de duas perpendiculares, mas de três linhas sinuosas, prolongadas até o infinito, incessantemente reaproximadas e que divergem sem cessar: o que o homem julgou ser, o que ele quis ser, e o que ele foi.

Façamos o que fizermos, reconstruímos sempre o mo­numento à nossa maneira. Mas já é muito utilizar unicamen­te pedras autênticas.

Todo ser que viveu a aventura humana sou eu."

in Caderno de notas das “Memórias de Adriano”, Marguerite Yourcenar

segunda-feira, janeiro 12

Intimidade


O desenho como forma de intimidade. Desenhar é também uma forma de entender, apreender e mesmo controlar o mundo que nos rodeia. É ao mesmo tempo um acto quase mágico de recriação desse mesmo mundo a partir de uma folha em branco. Neste sentido é uma actividade intima, particular, recatada.

segunda-feira, janeiro 5

Colaboração



Foto Beleza

Brideshead Revisited




Reviver o Passado em Brideshead foi uma série que nos apanhou na adolescência. Mais tarde tivemos a oportunidade de ler o livro que lhe deu origem, de Evelyn Waugh. Foi daquelas Séries que pela sua qualidade, na altura (e já vão mais de vinte anos), nos pareceu à altura do livro.

O Filme realizado agora era, após tão grande sucesso da Série, um acto arriscado. Confessamos a nossa dúvida acerca da sua possibilidade enquanto filme que se conseguisse autonomizar. Consegue. É, em si, uma obra que vai sobreviver.

Está aparentemente mais centrada no drama amoroso, a triangulação amorosa entre Sebastian a sua irmã, Júlia e Charles o amigo. E se não nos falha a memória, existe mesmo uma alteração na história original para apimentar o enredo. Júlia não esteve em Veneza, durante a viagem de Sebastian e Charles na visita a Lord Marchmain, seu pai. Mas é só na aparência que isso acontece.

No filme, como no livro, o conflito passa-se a vários níveis: o familiar, o social, o histórico e também o religioso que perpassa todos os outros, como a argamassa que une e divide, os dramas individuais de cada um. Charles o “artista” como Sebastian sempre o apresentou, representa o homem livre, até de Deus, que tenta ajudar os dois amigos a romper com o peso da família e da religião encarnado na figura da mãe Lady Marchmain: primeiro através de Sebastian e depois de Júlia. Mas o que ele só mais tarde descobre é que apesar do seu descomprometimento também ele tinha ficado preso a Brideshead mais do que julgava… E nem o seu amor por Júlia é suficiente para mudar. Júlia tenta mas Charles quer livrá-la de Deus para a proteger, mas esta é na sua “misericórdia” que encontra aconchego.


Tudo isto se torna mais evidente com o regresso de Lord Marchmain a Brideshead. Pois até ele que fugiu a maior parte da sua vida de tudo que esta casa representava, vivendo em Veneza com a amante, regressa ai para morrer. E o que se trava com ele para aceitar ou não a extrema-unção é o peso da segurança que na morte acaba por vencer. Charles tem dificuldade em aceitar esta realidade, mas acaba por reconhecer a sua principal falta “quis demasiado” e isso é quase impossível de conseguir…
Ironicamente só Sebastian rompe de forma radical com tudo o que herdara, tornando-se auxiliar num hospital de Marrocos.


Um filme sobre os dramas humanos mais profundos, a não perder.

quinta-feira, janeiro 1

Voltar ao Desenho



Paulo Pisco

Castelo de Marvão

2008

O Desenho como forma de registo é sempre o melhor dos recursos para fixar o olhar, o espaço e a forma. O tempo é o seu maior adversário. Mas vencer o tempo e conquistar o espaço é um dos objectivos das viagens, não e?