quinta-feira, maio 14
quarta-feira, maio 13
Fé

Foto Jornal Público
Procissão de Nossa Senhora da Conceição
Bela Vista em Setúbal
É necessário ter muita Fé, não só em Deus (que é um privilégio de alguns), mas, fundamentalmente, nos homens para mudar as coisas. O pior é acreditar que os dados já estão definitivamente lançados e que nada se pode fazer. Bem-haja os que ontem tiveram a coragem de continuar a acreditar, em Setúbal, particularmente, na Bela Vista.
Também somos daqueles que recusamos a resignação. É preciso dar futuro a estes jovens, que consideram ser indiferente viver ou morrer e para isso é necessário acreditar que tudo pode mudar basta ter a disponibilidade de acreditar. Não é fácil mas é possível. Vamos tentar.
terça-feira, maio 12
Letras como expressão

4 estações...
Elsa Sousa Faria
2009
Desde a invenção da escrita que a letra é utilizada como forma de expressão visual. A arquitectura tem sido um dos seus veículos. Lembramo-nos do ensaio de Robert Ventury, nos anos 70 que, entre outras coisas, referia a importância da escrita como símbolo urbano por excelência (Venturi, Robert, Denise Scott Brown, and Steven Izenour. Learning from Las Vegas: The Forgotten Symbolism of Architectural Form. Cambridge, MA: MIT Press, 1977).
Las Vegas, precursora do néon, demonstrava à saciedade que a escrita podia e devia ser uma forma de expressão na cidade. Particularmente a partir da publicidade e da possibilidade de a tornar artística, com o advento da Pop Arte. Hoje com os novos meios de comunicação e as novas capacidades técnicas e tecnológicas (o binómio arte & técnica é inesgotável), a escrita assume cada vez mais um papel de comunicação/expressão em todos os campos da arte, particularmente no da arquitectura. Com resultados cada vez mais interessantes.
terça-feira, maio 5
domingo, maio 3
segunda-feira, abril 27
Solidão observada ou vivida?..

Na marcha da solidão
Patricia Cohen
2008
A solidão é um “estado de espírito”, mais do que uma realidade. Fazendo parte da natureza humana é essencial ao crescimento e amadurecimento individual. Boa para a produção intelectual e artística. Boa para o espírito. Mas nem sempre é virtuosa. A solidão indesejada não é um a bênção, pode até revelar-se um tormento.
Esta foto revela uma solidão algo ambígua e por isso é tão interessante e ilustra tão bem o próprio conceito. Para quem vê projecta uma bela imagem, mas ao longe sem se ver o rosto da personagem, sem lhe fazermos perguntas, sem nos determos com o outro. Pode ser desejada ou indesejada, observada ou vivida mas faz parte, sem dúvida nenhuma, da nossa caminhada.
sábado, abril 25
quinta-feira, abril 23
terça-feira, abril 21
domingo, abril 19
Frank Lloyd Wright 2
A Robie House de FLW (1906-1909) foi o expoente máximo daquilo que se convencionou a “Prairie Houses” (casas da pradaria), baseada na paisagem característica do Midwest, nos arredores de Chicago. A harmonização com o lugar ou contexto foi sempre uma das preocupações deste arquitecto. A valorização e aproximação do meio natural através da arquitectura eram uma forma de transcendência espiritual e mesmo física.
As silhuetas amplas, as proporções baixas, o embasamento saliente, o jogo de planos e os telhados com declive suave eram uma forma de acentuar a silhueta horizontal das casas. Este foi o seu primeiro período de glória. Outros se lhe seguiriam.

No entanto, não só no exterior há novidade. O interior também se vai alterar sendo a Robie House exemplo maduro dessa mudança. Os espaços abertos e fluidos, sem necessidade de fechar, sendo as separações produzidas por “truques” arquitectónicos iniciam o que se viria a chamar a “destruição da caixa” que marcava a arquitectura ate então. A utilização do tijolo, da madeira e do vidro, tudo trabalhado numa cultura material ainda muito artesanal mas aprimorado pelo desenho de Wright caracterizam a linguagem arquitectónica deste autor. Este e´ dos seus exemplos maiores, uma das suas várias obras de arte.

quarta-feira, abril 15
terça-feira, abril 14
domingo, abril 12
sexta-feira, abril 10
quinta-feira, abril 9
Frank Lloyd Wright

Se ainda acreditássemos em Heróis Frank Lloyd Wright seria, para nós, um dos nossos maiores. Neste caso no âmbito da arquitectura e de uma certa forma até do urbanismo, porque Wright também reflectiu uma forma crítica, criativa e num certo sentido visionária, sobre o fenómeno urbano, apesar de ter tido menos relevância no debate disciplinar. Por razões relacionadas com o curso da história, mas que podem hoje ser revisitadas. Broadacre City, pensamos, será olhado com renovada atenção nos próximos anos. As cidades estão a evoluir para cidades território, mesmo as europeias o que conjuntamente com as questões da sustentabilidade vão obrigar a repensar as dicotomias: urbano/rural, “natural”/artificial, etc.

Mas do ponto de vista arquitectónico FLW foi e é considerado um dos grandes arquitectos que marcaram o século XX. E um dos que melhor articulou a ruptura do modernismo com os valores da natureza. A sua inspiração não foi o paradigma industrial mas as potencialidades que a técnica construtiva colocou à criatividade num mundo necessariamente novo, sem ter de ser mecânico. Nesse sentido este arquitecto sempre se adaptou mal ao mundo industrial e colectivista, encarnando uma visão mais humanista e até individualista do homem moderno. Mais Americano do que Europeu no contexto da trajectória do século XX. Apesar de ter sido muito apreciado também na Europa.

Outro aspecto que nos parece relevante é o facto de se reinventar continuamente. Quem o faz está mais sujeito ao erro e ao engano. Mas apesar disso a sua obra revelasse quase sempre de uma enorme criatividade e muitas vezes genial. Mas a sua criatividade não se deixou fechar nas armadilhas da linguagem saltando em frente quando algo de novo se tornava importante. Apesar de ter sido uma das primeiras estrelas da arquitectura, no sentido contemporâneo nunca deixou que isso o tornasse prisioneiro da sua imagem.
Vamos por isso dedicar este mês a este arquitecto a propósito dos 50 anos da sua morte.
terça-feira, abril 7
sexta-feira, abril 3
terça-feira, março 31
Vale a pena olhar para isto

O estacionamento e a invasão generalizada do automóvel no meio urbano estão a tornar-se insuportáveis. Mesmo numa sociedade que chegou tarde à modernidade, como a nossa, onde o carro foi endeusado (e ainda é) este fenómeno está a acontecer.
Este “movimento” contra os automóveis em cima dos passeios organizou-se e imprimiu autocolantes que são colocados nos carros que roubam espaço ao peão.
Não é nosso objectivo, aqui aprovar ou rejeitar este tipo de abordagem, mas que a cidade tem de adquirir outro tipo de equilíbrio entre o peão e o automóvel é indiscutível. E esta “guerra”, entre nós, está só a dar os primeiros passos.
A acompanhar com atenção.
segunda-feira, março 30
domingo, março 29
sábado, março 28
Arame farpado

[__um fio de gestos fechados__]
bruno silva
2009
Sentimos um certo respeito e fascínio pelo arame farpado. Sempre nos intrigou a sua existência. O porquê da sua existência. Um arame interrompido por uma abrupta circunstância, farpado, que nos assusta que nos arrepia é inesquecível. Esta foi a nossa primeira experiência de fronteira, de limite territorial. Ainda hoje ela nos intimida nos agride como algo que nos limita a liberdade. Ou antes, torna a liberdade hesitante, temerosa próxima de algo sofrível.
No campo o arame farpado foi-nos apresentado como limite de propriedade, algo que não pode e não deve ser ultrapassado. Conhecer isto na infância torna esta imagem mais forte. Muito próxima. Ainda hoje, apesar de compreender, nos intriga o facto de o nosso primo ser açoitado pelo pai, por se ter cortado no arame farpado. Um duplo castigo sobre a inocência de um desafio. Ambos queríamos apenas brincar. E desta brincadeira surgiu a vontade de ultrapassar o perigo de vencer o medo, de ir para além do que é nosso. Do que é permitido.
A fronteira e o limite existem. Estão lá. Sempre lá à nossa espera. Mas é bom que existam porque nos confrontam, nos submetem ou nos fazem transcender, com mais ou menos cicatrizes as barreiras da vida, sem as quais seriamos infinitamente menos humanos. Quem nunca viu e/ou transpôs o arame farpado é com certeza mais limitado. Quem nunca se deteve sobre o risco de o transpor é mais pobre de vida. Menos consciente de si. Mais intolerante com os outros.
quinta-feira, março 26
quarta-feira, março 25
“Os maus pais são os que acham que a criança tem direito a tudo"

Hoje no P2 vem uma entrevista Aldo Naouri um Pediatra francês, autor de 14 livros sobre educação. Vale a pena ler estes excertos que contestam abertamente a sociedade permissiva em que vivemos. A "Sociedade dos Direitos". Particularmente em relação às crianças, mas não só. A ler obrigatoriamente. A entrevista é de Bárbara Wong.
“Defende que os pais são muito permissivos e que devem exercer mais a autoridade. Como é que chegou a essa conclusão?
Quando os bebés vêm ao mundo, passam por um processo muito violento que é o da expulsão do corpo da mãe. Desde o primeiro dia que os pais procuram ajudá-los a adaptar-se e quando o bebé chora, a resposta dos pais é imediata na procura do seu conforto. Os pais acorrem imediatamente e o bebé compreende-o. O que defendo é que o bebé precisa de regras desde cedo, porque se estas não lhe forem ensinadas, ele permanecerá um bebé para o resto da vida.
O modo como os pais educam, por vezes, não é em reacção à forma como foram educados? Ou seja, eles tiveram pais rigorosos e autoritários, logo, são mais democráticos?
Justamente, quando os pais se tornam pais, por vezes, recordam que há algum ressentimento em relação aos seus pais e não querem repetir, nem querem que os seus filhos o sintam mais tarde. O que digo a esses pais é que as crianças estão condenadas a amá-los, porque foram eles que as educaram. É inútil entrar no jogo da sedução, esse é que é perigoso. Quando dizemos "não", estamos a impor limites, estamos a dizer à criança: "O teu percurso é por cima desta ponte e esta tem parapeitos para que não caias à água." Se os pais disserem "não" com tranquilidade, a criança não vai contestar. (…)

Qual é a sua opinião sobre as novas famílias, as monoparentais, as homossexuais, as divorciadas que voltam a casar... Podem ou não ser boas educadoras?

Qual é a sua opinião sobre as novas famílias, as monoparentais, as homossexuais, as divorciadas que voltam a casar... Podem ou não ser boas educadoras?
Em nome do egoísmo pessoal tomamos decisões que são prejudiciais para as crianças. As crianças filhas de pais divorciados divorciam-se mais rapidamente. As crianças de famílias monoparentais são crianças sós. Quanto aos casais homossexuais, a criança é como que um produto. Temos direito à felicidade, à saúde, a tudo o que queremos e também a uma criança. Isso é desumanizante.”
terça-feira, março 24
segunda-feira, março 23
Gotan Project
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Gotan Project Live
é um CD que junta as duas tournées deste grupo fantástico:
La revancha del tango tour & lunático tour.
Já conhecíamos algumas faixas mas muitas foram novidade para nós. E que novidade. É de facto um projecto de excepção. É verdade que temos um ouvido, um olhar e uma atitude eclética e que adoramos o Tango. Musica e Dança. Mas este grupo consegue fundir tudo isto com uma sonoridade contemporânea, sem se tornar repetitivo ou monótono.
Para ouvir e dançar muito… porque são sempre necessários dois para um Tango.
domingo, março 22
Divulgação

2º EPIPRU
Caro Investigador/Investigadora
O 2º Encontro português de jovens investigadores na área do planeamento regional e urbano terá lugar na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, a 14 de Maio de 2009, desta feita associado e precedendo a 2ª Conferência do Centro de Investigação do Território, Transportes e Ambiente – CITTA – que decorrerá a 15 de Maio. Este encontro é especialmente dirigido a investigadores junior de todas as formações relacionadas com o planeamento regional e urbano e pretende colmatar a ausência de espaços de partilha de experiências de investigação na área em Portugal. O encontro é vocacionado não só para investigadores que se encontram numa fase intermédia da sua tese de doutoramento, mas também para investigadores em fase inicial de trabalho do seu doutoramento. O objectivo é debater objectivos, questões metodológicas e desafios, e não tanto apresentar resultados. O 2º EPIPRU contará com a presença de investigadores senior convidados na qualidade de oradores. Cada investigador é convidado a enviar um extended abstract com 1000 palavras, de acordo com o modelo disponível em http://epipru.blogspot.com, até ao dia 15 de Abril. Este deverá descrever a investigação em curso, apresentando a temática, os seus objectivos e metodologia, e deverá ser anexado à ficha de inscrição com os dados de identificação necessários. A aceitação dos trabalhos será comunicada até 27 de Abril e o programa final será divulgado a 4 de Maio. Os investigadores seleccionados deverão preparar uma apresentação de Power Point nas condições a divulgar conjuntamente com a aceitação dos trabalhos, tendo como premissa a concentração do encontro num único dia e assegurando o espaço necessário para o debate. As línguas admitidas para o encontro são o Português e o Inglês. Os orientadores dos investigadores participantes serão convidados a assistir. Solicitamos e agradecemos desde já a divulgação deste encontro entre colegas. Contamos com a vossa participação.
Organização:Joana Fazenda Mourão - Nuno Norte Pinto - Sílvia Ávila de Sousa
Colaboração:Ruben Fernandes
Apoio:CITTA – Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto – http://citta.fe.up.pt ________________________________________________________________________________ Dear
Sir/Madam
The 2nd Portuguese meeting of urban and regional planning young researchers will take place at the Faculty of Engineering of the University of Porto (FEUP), Portugal, in May 14th, 2009, in association with the 2nd Conference of the Research Center for Territory, Transportation and Environment – CITTA. EPIPRU 2009 is oriented for junior researchers in urban and regional planning from all academic backgrounds and it aims to create a forum for them to present and discuss their researches, filling a gap for this type of meetings in Portugal. Researchers are invited to present not only results from ongoing PhD research but also to discuss methodological issues that arise in early research stages. The meeting will also have the participation of senior researchers that will be invited to give lectures on selected subjects. Researchers are invited to submit an extended abstract with up to 1000 words, according to the template available at http://epipru.blogspot.com until April 15th. The abstract should describe the ongoing research, theme, goals and methodology, and must be attached to the participation form. Acceptance will be communicated by April 27th and the final program will be published by May 4th. The admitted languages are Portuguese and English.
Organization:Joana Fazenda Mourão- Nuno Norte Pinto - Sílvia Ávila de Sousa
Collaboration:Ruben Fernandes
With the support of :CITTA – Faculty of Engineering of the University of Porto – http://citta.fe.up.pt
sexta-feira, março 20
quinta-feira, março 19
terça-feira, março 17
É bom ter boas Ideias
domingo, março 15
O reencontro da Primavera

Todos os anos é a mesma coisa. Mas todos os anos a alegria é imensa quando regressam. Há muito que já falávamos delas. Quando rompeu o calor, neste últimos dias, dizíamos que já cheirava a Primavera mas faltavam ainda as nossas Andorinhas para o confirmar.
É verdade, desde há onze anos, logo no segundo da nossa mudança cá para casa, que um casal de Andorinhas nos acompanha todas as Primaveras e nos deixam no Outono, criando pelo caminho as suas ninhadas. São nossos hóspedes. Da melhor maneira, partilhamos casa sem nos atrapalharmos, mas sentimos com alegria a companhia. Sabemos que estão lá e até acompanhamos os seus diversos rituais: o namoro, a construção do ninho, o crescimento das crias e a sua saída com os primeiros frios.
Não nos cansamos de celebrar este acontecimento apesar de singelo, cíclico e perene contém, em si, uma das mais belas facetas da existência: o reencontro. A alegria faz-se desse reencontro anual entre nós e elas, na companhia que nos fazemos e no milagre que é realizar vida e poder partilhá-la. Todas as Primaveras.
O dia da Cáritas

A palavra grega agápê é muito difícil de traduzir. Esta palavra escreve-se, conforme as traduções do Novo Testamento, ou como amor ou como caridade. Mas o seu verdadeiro significado andará entre estes dois conceitos. O seu conteúdo pode mesmo ultrapassá-los noutras dimensões. Por facilidade de discurso vamos assumir o termo como Caridade.
Nos tempos que correm, mais materialistas, a caridade assume para a generalidade das pessoas uma expressão de dádiva material aos outros. Mas a caridade vai muito para além disso que já não será pouco. Apesar de para muitos se resumir à “caridadezinha”. Dar aos “coitadinhos”…
No entanto, na Caridade somos todos “coitadinhos”, pois todos necessitamos de dar e receber, fundamentalmente: amor, atenção, consideração, paciências, alimento, de forma gratuita. Partilhando.
A palavra Caridade parece derivar do grego kharis (graça) e deve ser de graça e por graça que a devemos praticar e promover.
A Cáritas tem hoje o seu Dia. Esta organização promove a Caridade por acções concretas de ajuda ao próximo, especialmente aos mais necessitados, como forma primeira de evangelização, ajudando a todos os que nela estão envolvidos.
Mas independentemente de pertencermos formalmente à Cáritas, aqueles que dão e que recebem participam da mesma caridade, nunca sabendo onde começa a acção de dar e a de receber, pois todos os que estão a partilhar participam da mesma graça.
Nos tempos que correm, mais materialistas, a caridade assume para a generalidade das pessoas uma expressão de dádiva material aos outros. Mas a caridade vai muito para além disso que já não será pouco. Apesar de para muitos se resumir à “caridadezinha”. Dar aos “coitadinhos”…
No entanto, na Caridade somos todos “coitadinhos”, pois todos necessitamos de dar e receber, fundamentalmente: amor, atenção, consideração, paciências, alimento, de forma gratuita. Partilhando.
A palavra Caridade parece derivar do grego kharis (graça) e deve ser de graça e por graça que a devemos praticar e promover.
A Cáritas tem hoje o seu Dia. Esta organização promove a Caridade por acções concretas de ajuda ao próximo, especialmente aos mais necessitados, como forma primeira de evangelização, ajudando a todos os que nela estão envolvidos.
Mas independentemente de pertencermos formalmente à Cáritas, aqueles que dão e que recebem participam da mesma caridade, nunca sabendo onde começa a acção de dar e a de receber, pois todos os que estão a partilhar participam da mesma graça.
quarta-feira, março 11
segunda-feira, março 9
A Troca

A Troca é um filme surpreendente a vários níveis. Toda a sua estética evoca um outro tempo. A fotografia remete-nos para um postal dos anos vinte, década onde se passa a acção. A caracterização das personagens, fundamentalmente a protagonista Christine Collins (Angelina Jolie) é muito marcada por essa excessiva maquilhagem tão característica da fotografia da época. O tempo da acção é lento. É um outro tempo onde a Rádio dominava o espaço comunicacional e os carros e os eléctricos de Los Angeles ainda deslizavam pelas ruas onde os transeuntes dominavam. Parte do filme remete para uma certa nostalgia de um tempo que já não temos.

Dai que a brutalidade da história, o desaparecimento o assassínio em série das crianças assim como o tratamento brutal dado a Miss Collins, uma mãe solteira, pela Policia se torna ainda mais gritante. A acção é quase sempre tranquila. A violência está lá mas de forma subliminar “debaixo da pele” sem vir à superfície, só raramente se expondo.
O filme é uma homenagem à mulher. À mulher que recusa a submissão. O trabalho de actriz da protagonista é notável e a história (mesmo sendo real, ou apesar disso) um hino aos valores simples e perenes: à coragem, ao compromisso, à perseverança, ao amor, à esperança, à justiça.
E é também um tributo à América. Nos seus valores fundadores. Apesar de parte do Estado (representado ali pela Policia e pelo Mayor de LA) não ter estado ao serviço dos cidadãos, não os protegendo, a sociedade e o sistema judicial conseguem vencer a injustiça. A América é aqui mostrada no que ela tem de melhor, justamente porque consegue corrigir o que tem de pior. O que é mau não é cometer erros, mau é não querer, ou não conseguir, corrigir esses mesmos erros. Muito a propósito dos tempos que correm.
A Evidência dita de maneira crua
domingo, março 8
sexta-feira, março 6
Divulgação
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