quinta-feira, abril 29

A Alemanha está a brincar com o fogo

é nossa convicção que se a Comunidade deixa "cair" a Grécia será o principio do fim da Europa tal como a temos conhecido até hoje. Se num primeiro momento de crise "real" se pôe em causa a ajuda aos mais fracos (obviamente não aligeiramos as suas responsabilidades)pelos mais fortes será o acicatar de todos os medos e o (re)florescer de todos os nacionalismos. Quer de um lado quer do outro.

terça-feira, abril 27

Da Turquia





Estivemos nos últimos 15 dias na Turquia num ERASMUS INTENSIVE PROGRAMME:

European Built and Human Environment Master Class - E-BuHu-MC II 2010 - coordinate by University of Salford (UK) and hosted by University of Sakarya (Turkey), in Istanbul & Sakarya from April 8th to April 22nd 2010.

Onde o Instituto Superior Técnico também participou com uma delegação de professores e postgraduate considerável. Foi uma experiência notável sobre todos os pontos de vista. Não é que tenha sido perfeito mas foi daquelas situações onde até os aspectos menos positivos foram importantes no processo.


A coordenação é de Salford e a sua delegação de Ingleses só tinha os professores, o resto era gente de todo o mundo com forte representação de muçulmanos o que nos permitiu ter como amigos pessoas que rezavam 5 vezes por dia e um mundo e uma cultura bem diferentes da nossa. Incluindo na sua delegação também turcos, para além dos que participaram pela Universidade de Sakarya. Com a delegação espanhola vieram também vários participantes da América do sul. Do resto da Europa tivemos Checos, Irlandeses, Espanhóis e uma holandesa.


Mas foi notável como toda esta gente trabalhou e se divertiu com uma naturalidade impressionante. A humanidade está mais próxima do que possamos inicialmente pensar.


O projecto do workshop era criar uma alternativa ao Bósforo, que cria-se um segundo canal entre o Mar de Marmara (liga com o Mediterrâneo) e o Mar Negro que possui uma série de países (Balcãs) entre os quais a Rússia. A alternativa seria em território Turco mas com uma dimensão internacional e simultaneamente local muito interessante. Para resolver tudo isto tínhamos as mais diversas formações técnicas mas onde as áreas de gestão e engenharias eram dominantes. O objectivo era criar uma estratégia de implementação de um projecto que fosse concretizável e fazível. Das questões políticas às de concretização técnica. Para o fazer criaram-se grupos com diferentes nacionalidades e Backgrounds. Ao longo dos dias íamos tendo MasterClasses que nos ajudavam a desenvolver as diversas fases do projecto. Interessante, não?


Mas paralelamente fomos tendo visitas de campo quer em Sakarya quer em Istambul, os dois locais por onde se dividiu o evento. O que nos permitiu ter uma visão mais profunda da Turquia, facto ajudado pelos esclarecimentos e explicações dados pelos colegas e professor turcos. Viajar com locais é sempre muito mais interessante. Sem eles é muito mais difícil ultrapassar a contingência de ser “apenas” turista. Passamos a ser parceiros e amigos. Muito mais interessante.


Da Turquia ficou-nos a sensação de um país em modernização e crescimento acelerado. É um facto que tivemos nas zonas mais dinâmicas do país mas pensamos que mesmo a velocidades diferentes a explosão desenvolvimentista turca está por todo o território. Por isso quando perguntava aos colegas turcos se integrar a União Europeia continuava a ser um objectivo eles diziam, com o seu orgulho pátrio, que essa questão já não os preocupava. Nós no lugar deles pensaríamos o mesmo. A sensação com que ficamos é que nós tínhamos mais a ganhar com a sua entrada do que eles. Eles continuam a acreditar no futuro manifesta desde logo na sua taxa de natalidade (70 milhões hoje 100 milhões previsivelmente em 2030), nós, europeus nem por isso. Estamos cada vez mais velhos e amedrontados…


Dos turcos ficou-nos a ideia de uma enorme afabilidade e de valores comuns apesar das diferenças. Eles são muito mais cosmopolitas que nós portugueses. Podem não acreditar mas em plena baixa de Adapazari (Sakarya) entrámos numa loja de música e partilhámos com musicos turcos a sua música e a nossa tendo eles no fim tocado Paco de Lucia em nossa homenagem. Dentro da Turquia existem muitas etnias e diferentes religiões, apesar da muçulmana ser maioritária. Andar na rua dava-nos a sensação de estarmos no centro da Europa há uns anos atrás. Víamos gentes muito diferenciadas mesmo fisicamente. Mas precocemente envelhecidos. Sim, ai sentimos a diferença que faz o desenvolvimento no aspecto físico das pessoas, especialmente nas mais velhas, que não eram assim tantas, pois a sua esperança de vida anda muito atrás da europeia. Mas entre nós e os nossos colegas turcos havia muito em comum. Mais do que as diferenças. Até já o vinho a cerveja faziam parte dos nossos laços apesar de eles terem ascendência muçulmana, a laicização da sociedade turca, especialmente nas suas elites e nos mais novos é um facto.



De todo o programa fica-nos uma sensação de grande satisfação e de termos ganho mais um punhado de amigos para a vida…




até sempre E-BuHU- MC.

domingo, abril 11

Sakarya - Turkey



Sakarya Campus com o lago ao fundo



Praça da Estação de Caminho de fFerro em Sakarya




Jardim Hataturque



Rua comercial coberta


Autocarro de pequenas dimensões




domingo, março 21

Setúbal with Prada

Do you know that? Setúbal is now in Prada postcard sunglasses collection. It is good for the image, we hope... Chick.

domingo, março 7

Joana Vasconcelos



Fomos ontem ver a sua exposição. O CCB transbordava de vida. De gente. De todas as idades. Portugueses e estrangeiros. Belém era o centro da cidade. Este ambiente formava um enquadramento verdadeiramente cosmopolita que envolve como uma áurea a obra de Joana Vasconcelos. Uma artista grande que pensa grande. Rara entre nós portanto.

E o que tem Joana. Ela é, em nossa opinião, a primeira artista portuguesa verdadeiramente Pop. Sendo também muito conceptual. De uma forma muito sintética ela retira de escala objectos dando-lhe outro significado, mas utilizando elementos da nossa cultura popular, jogando conceptualmente com paradoxos nossos, mas tornando-os universais. E por isso consegue ser entendida em todo o mundo. Apesar de ser muito “portuguesa” não só na materialidade mas também na forma como constrói a suas narrativas. Como olha o mundo.

Só a nossa cultura popular é verdadeiramente interessante. A nossa cultura erudita, quase sempre menor, foi na sua maioria copiada sem rasgo do que vinha de fora. A expressão popular acaba por ser mais original e diversa. Joana Vasconcelos pega nessa forma de expressão e na sua materialidade e torna-a universal. Utilizando para isso muitos dos mecanismos utilizados pela Pop Art. Mas menos em torno de objectos de consumo e mais em torno de materiais e técnicas artesanais. Muito nosso, que nunca nos vergámos ao mundo industrial preferindo sempre o arranjinho doméstico. Mesmo entre objectos produzidos em série. Tudo isto está na obra de Joana. Um dos mais interessantes olhares contemporâneos sobre a nossa cultura.

A não perder.








sexta-feira, março 5

Fechados não...


Hoje ao ler as notícias somos surpreendidos por várias que nos deixam um pouco perplexos:

Um estudo da Deco revela que 1/3 das crianças passam mais de 9 horas no infantário e que muitos pais reclamam o alargamento do horário.

O caso de bullyng que sobressalta o País fazendo saltar para as primeiras paginas a preocupação com o tema. Um aluno do sexto ano, que alegadamente se mandou ao rio Tua, da Escola Básica 2,3 Luciano Cordeiro, em Mirandela, num acto de desespero por ter sido alvo de constante perseguição por parte de outros colegas.

Não conseguimos evitar juntar estas duas informações e reflectir sobre a sua relação. Não deixa de ser um paradoxo a sociedade querer fechar os alunos nas escolas durante cada vez mais horas, com uma verdadeira obsessão securitária, onde nada nem ninguém pode entrar, ou sair, mas onde a natureza humana se revela implacável criando mecanismos de violência dentro da escola. Entre os alunos.

Tanta obsessão securitária resvala sempre nestes paradoxos. A violência é inerente à condição humana. Não conseguimos criar mundos acéticos. A violência tem de ser vivida, controlada e expurgada, preferencialmente, da melhor maneira possível, mas nem sempre é possível evitar. Mas temos que viver com ela.

Querendo evitar, o contacto dos alunos com o exterior, com o resto da urbanidade, levando estes de carro para casa, onde permanecem fechados também, os adultos não percebem o erro que estão a cometer. A grande concentração de alunos das mesmas idades, com pouca interacção de adultos, leva a comportamentos tendencialmente mais violentos. Deve haver poucos sítios mais tensos hoje em dia que algumas salas de aula. A violência inter-pares é por isso igualmente nefasta. E quanto mais concentradas no espaço e no tempo pior.

Por isso pareceu-nos evidente que quanto mais fechados e entregues a si próprios as crianças estiverem pior. Muito tempo concentradas em espaços específicos irá criar mais violência. É inevitável. Com a retirada da família e a sua alteração a sociedade (cidade) tem de criar outras formas de interacção entre gerações dentro e fora das escolas, onde os professores e funcionários não são suficientes. Em alguns países, ao nível dos infantários, dá-se um tempo aos pais (por parte das entidades patronais e dos infantários) para irem a meio do dia passar um pouco de tempo com os seus filhos. Esta pode ser parte da solução envolvendo não só os pais (não chega) mas fazendo participar toda a comunidade nessa interacção que pode ser realizada de múltiplas formas. Com riscos como tudo na vida, mas tornando a vida entre gerações mais interessante e colaborante.

Para isso a escola tem de ser mais permeável à cidade e esta mais amigável para as crianças e jovens. Só sendo mais urbanas as relações se podem harmonizar e resolver mais facilmente. Com tenções mas incorporando-as nos processos relacionais, deixando-as resolver por si e agindo com autoridade quando isso não é possível. Mais gente na rua e na escola são factor de segurança e não o contrário. A segurança é essencialmente um estado de espírito. Há que fomentá-lo. Encarcerar moles de crianças não parece ser a solução. Essa violência acaba sempre por se revelar, deixando-nos admiravelmente surpreendidos.
Fechados não...

Parabéns ao nosso Jornal de eleição