Loja de frescos em Cáceres.
sexta-feira, janeiro 12
quarta-feira, janeiro 10
terça-feira, janeiro 9
segunda-feira, janeiro 8
Um(a) Polis (com) sentido
Falar da polis a propósito do Polis, constitui um bom motivo para reflectir sobre o seu sentido, ou a ausência dele, para os próximos anos.
Melhorar a qualidade de vida urbana constitui, em si, um esforço louvável. O desejo de “construir” cidade é o reflexo do gosto e empenho que os cidadãos demonstram pela sua vida comunitária nas suas diversas dimensões. E esta obra é sempre tarefa colectiva. Sabemos que ao escrever este artigo corremos riscos. Reflectir criticamente sobre uma “obra emblemática para a cidade”, como alguém já lhe chamou, pode parecer apenas vontade de dizer mal. A inexistência de intervenções com significado urbano, nos últimos anos, torna o exercício ainda mais arriscado, por poder parecer fútil ou excêntrico, dada a pobreza em que vivemos. Não é essa a nossa intenção. Apenas pretendemos abrir esta discussão porque entendemos que a cidade se deve e pode fazer de maneira diferente. De forma inteligente e criativa mas, simultâneamente, exigente. A escassez dos recursos assim o determina. Mas essa exigência aprofunda-se pelo confronto esclarecido através do debate. Não da mera lógica maniqueísta entre executivo e oposição, mas pela imposição da razão.
O Polis de Setúbal surge tardiamente no contexto do desenvolvimento deste programa a nível nacional. Conjuntamente com o Plano de Pormenor do Vale da Rosa, aparece como uma espécie de “moeda de troca” pela defesa da co-incineração feita pelo Presidente da Câmara de então, Mata Cáceres. A sua concepção apressada e a natural falta de visão de politicas urbanas por parte dos decisores que nos têm governado, plasmou-se na primeira proposta de intervenção para o Polis, denominado “Plano Estratégico de Setúbal” (PES). Este tem vindo a alterar-se. Não por vontade politica de o mudar, visto a nova maioria eleita desde 2001 o ter adoptado acriticamente, mas por adaptações “pragmáticas” ditadas pela realidade económica vivida desde então. A sua desadequação programática acentuou esta necessidade.
Para não nos perdermos em aspectos mais longínquos ou mesmo de concretização duvidosa acerca do previsto no Programa Polis, concentremo-nos nas três intervenções que estão, ou parcialmente realizadas – «Parque José Afonso» e «Parque Urbano de Albarquel» – ou em fase aproximada de arranque – «Reabilitação e Revitalização da Av. Luísa Todi» (os nomes são os dados pelo Programa Polis).
No “Parque” José Afonso, foi realizado um “pórtico” que enquadra um auditório com capacidade para 2500 pessoas (números oficiais). Esta estrutura era para ter sido, no programa inicial, acompanhada de uma outra, mais leve, para a realização de feiras temáticas e de um parque de estacionamento subterrâneo, que não se realizou por falta de interesse no “negócio” por parte dos privados. O investimento público foi para mais de 4 milhões de euros, na dita estrutura e arranjo exterior. Dando de barato a qualidade arquitectónica da intervenção vamos apenas referir – nos à sua oportunidade. Para se fazer esta intervenção foram retirados do Largo José Afonso, a Academia de Dança e o Grupo Desportivo, servindo, ainda, de pretexto para se “deslocalizar” a Feira de Santiago para as Manteigadas – dando, ai, origem a outro Parque (será praga!!?). Isto tudo com o objectivo de «requalificar» e «manter o carácter identitário do espaço com as representações sociais da população» assim como para atrair «novos públicos» segundo o PES. Seria cómico se não fosse trágico. Numa cidade carente de tudo é “obra”! Para perceber o desvio do que faz falta à cidade basta referir o adiantado estado de degradação do Fórum Municipal Luísa Todi onde se realiza, entre muitos outros, o evento cultural com maior projecção da cidade: o Festival de Cinema de Tróia. Apesar de este edifício também se situar dentro da zona de intervenção, ninguém se terá lembrado dele? Não poderia este constituir um espaço de «requalificação urbana», sendo ele próprio (re) qualificado?
Passemos ao «Parque Urbano de Albarquel», o único digno dessa designação. Esta intervenção parece-nos a que mais sentido faz e que mais benefícios poderá trazer aos Setubalenses e a quem nos visita. Recuperar uma praia urbana para Setúbal é, para além de um reencontro com a sua história, um potente elemento de «aproximação da cidade ao Rio», com as inerentes valências ambientais, lúdicas e turísticas que, inevitavelmente, trará. No entanto a gestão de um espaço limitado por duas “zonas fronteira”, o rio e a serra, não é fácil. E o programa proposto não nos parece suficiente para manter “vivo” o parque. Um «ringue/campo» um «café bar com esplanada» e «dois edifícios de apoio» para «associações recreativas», não nos parece chegar para manter um espaço com estas características afastado de uma degradação a prazo. Já temos algumas experiências na cidade – e fora dela - que nos permitem perceber os seus riscos. Um uso multifuncional, um pouco mais intenso e com horários diferenciados era importante para manter qualificado um percurso com este potencial. A desejada Marina podia ajudar a resolver boa parte do problema, mas, na sua ausência, devem-se procurar, desde já, alternativas.
Por último a «Reabilitação e Revitalização da Av. Luísa Todi» parece-nos a mais desprovida de sentido. Falaremos apenas em dois:
Esta avenida é dos poucos espaços urbanos em Setúbal que não têm necessidade de “reabilitação”. É um espaço com “carácter” que não “envergonha” ninguém. Apesar de ser passível de melhorias, especialmente na sua requalificação pontual (ex: os tão característicos “assadores” de peixe que, tão mal integrados estão, e sobre o qual o Polis não se pronuncia). Admitimos, no entanto, que necessite de alguma “revitalização”. Contudo a responsabilidade não é “sua” mas das suas zonas adjacentes. Esta está situada entre: a “baixa” (comercial), a zona portuária (serviços) e a zona piscatória. Tudo espaços decadentes, monofuncionais, sem população residente e a necessitarem de reconversão urbana urgente. É, por isso, difícil de entender o porquê de intervir na melhor parte, deixando as que verdadeiramente necessitam, sem resposta.
Outro aspecto intrigante é a alteração da circulação viária, suprindo a via norte da avenida e criando «um novo itinerário giratório» entre a via sul e a Rua da Saúde/Av. Jaime Rebelo (via portuária). Para além da fase das obras, que vai gerar um previsível caos na cidade, este novo traçado viário na Luísa Todi parece-nos ir agravar o trânsito em Setúbal, sem se resolver nada do que é verdadeiramente urgente: recuperar o centro histórico e a zona ribeirinha levando para lá novos habitantes e novas funcionalidades urbanas, valorizando toda a zona patrimonialmente mais rica aproximando a cidade do rio.
A Luísa Todi, continua a ser a única verdadeira circular que temos, na ligação entre as suas partes ocidental/oriental, fruto da fractura urbana exercida pelo caminho-de-ferro. É uma realidade indesejável mas é a nossa realidade e, tão cedo, não se vislumbra outra. No entanto, querem acabar com ela, gastando para isso 12,5 milhões de euros, sem trazer vantagens que o justifiquem. Temos horror ao desperdício, justifica-se tal opção? Pensamos que não.
Mas este conjunto de más opções é difícil de corrigir e ainda mais de travar. Politicamente é quase impossível. Da parte da maioria camarária, não se vislumbra qualquer esperança de mudança. Resta-nos apelar ao bem senso. E debater intensamente o melhor para a cidade. Parte do que atrás referimos poderá ainda ser corrigido mas para isso é necessário muito empenho, coragem e visão. Estarão os diversos actores disponíveis para ter um Polis com sentido?
Publicado hoje no Jornal de Setúbal
(Imagem do Programa Programa Polis - Av. Luisa Todi)
sexta-feira, janeiro 5
quinta-feira, janeiro 4
terça-feira, janeiro 2
Salamanca
Este óptimo hábito urbano de que o Espanhois não abdicaram. O andar na Rua. A cidade não é dos carros e dos "excluídos". É de todos.
Exemplar foi ver, no primeiro dia do ano, familias inteiras a passearem na rua com as suas melhores vestes, onde as senhoras se destacavam nos seus casacos de peles, politicamente pouco correcto sabemos, mas demonstrativo da importância dada à cidade. A sua cidade merece o melhor no ano nuevo.
Café Novelty,Plaza de S. Boal, à direita com o Palacio de San Boal, actual Academia de las Artes.
A típica Plaza Mayor, um aspecto comum a quase todas as grandes cidades de Espanha, toda realizada de um único "traço" durante o século XVIII. Uma das maiores de Espanha. Onde estiveram, de acordo com los periódicos locais, cerca de 4000 personas. Entre os quais nosotros. Cantámos o hino de Portugal, antes da meia noite. Éramos muitos em Salamanca na noche vieja.
Salamanca, conhecida pela sua vida universitária, é muito mais que isso. Cidade a não esquecer.
sábado, dezembro 30
quinta-feira, dezembro 28
O Porto sempre D'ouro.

Rever o Porto é sempre uma delícia. Tivemos sorte. Estava um dia de sol esplendoroso. Estivemos por lá no dia 26 de Dezembro, o dia em Rui Rio não tinha concedido “ponte”. Recordam-se? O “povo” parecia satisfeito. As ruas estavam limpas e os serviços e o comércio abertos.
Fomos em “visita de estudo” particular, estudar como anda a correr o Porto Vivo – A Sociedade de Reabilitação Urbana criada para intervir na cidade “velha”. A experiência parece estar a correr bem. Apesar de demorada pela natureza da intervenção, por ser uma operação de grande complexidade e pioneira no país. Logo muito experimental. O tempo da cidade é sempre mais longo que o dos homens.
Almoçamos no Guarany, um belo café, "à antiga" mas recuperado, em plena Avenida dos Aliados. E ainda tivemos o bónus de poder visitar a magnifica livraria Lello, assim como de conhecer a Casa da Musica e passear no Parque da Cidade ao fim da tarde. Um dia em cheio que devo ao meu patrício do norte.
Mas o que mais fascina é sempre o Douro e a sua relação com as duas margens. Magistral.
domingo, dezembro 24
sábado, dezembro 23
Amadeo de Souza-Cardoso V
terça-feira, dezembro 19
segunda-feira, dezembro 18
Fernando Lopes Graça
Acabou agora o documentário sobre Fernando Lopes Graça na RTP1. Pena ser tão tarde. Parece ser só visível para os “sem sono” ou aos profissionais noctívagos. O direito a assistir a um pouco de “cultura erudita” na televisão só a estes parece reservado.
“No ano em que se comemora o centenário do nascimento de Fernando Lopes Graça, o documentário propõe uma viagem pela vida e obra deste grande músico e maestro, tendo como pano de fundo uma entrevista gravada em 1993, um ano antes da sua morte.” Diz a nota televisiva.
Conhecemos pouco da sua obra. Mas esta merecia ser mais reconhecida e divulgada. Por ser menos acessível ao grande público pelo grau de erudição, FLG, não teve a divulgação de outros, mais populares, cantores e compositores de intervenção. Tendo quase caido no esquecimento "auditivo" nos últimos anos. Mas é, agora, possível ter acesso a uma colectânea da sua obra que a pode tornar mais acessível a novas gerações.
No entanto do documentário saltou uma questão sobre a qual há muito reflectimos. Não deixa de ser curioso que, apesar de viver num regime ditatorial, profundamente nacionalista, existiu uma geração de grandes vultos da nossa cultura que procuraram insistentemente uma nova síntese para a cultura e expressão portuguesa. Profundamente ligados a uma certa ideia de identidade portuguesa. Apesar de muitos deles terem sido opositores ao regime salazarista. FLG inclui-se neste rol. Mas podíamos destacar, Fernando Távora na arquitectura, Orlando Ribeiro na Geografia, Miguel Torga na literatura, Agostinho da Silva na filosofia, só para citar alguns.
O interesse pela raiz popular da nossa cultura – talvez a nossa única expressão verdadeiramente genuína, como referia Maria Belo no outro dia – foi comum aos dois extremos ideológicos do regime, Comunismo e Fascismo. A procura de uma ideia de genuína “portugalidade” servia de legitimidade ideológica. O povo rural e fechado mas cheio de identidade era a fonte. Uns procuravam mantê-lo imóvel outros procuravam a sua “libertação” mas ambos os “lados” o veneraram, nas suas características mais profundas, ou pelo menos nas suas formas de expressão cultural.
"Fernando Lopes Graça"
Realização de Graça Castanheira
18-12-2006 01:00
Nascido em Tomar, Portugal, em 1906, Fernando Lopes Graça morreu em 1994. O compositor e musicólogo, criou um estilo intimamente ligado às raízes da música popular portuguesa. Encarcerado durante o regime do Estado Novo, Lopes Graça, foi elevado a herói após o 25 de Abril de 1974. Dedicou o seu Requiem, em 1981, às vítimas do fascismo português.
Agustina III
sábado, dezembro 16
quinta-feira, dezembro 14
Onze Artistas
Resultado de organização conjunta da FLAD e da Câmara Municipal de Setúbal, apresenta trabalhos de: Helena Almeida, Michael Biberstein, Fernando Calhau, Alberto Carneiro, José Pedro Croft, Ana Hatherly, Álvaro Lapa, António Palolo, João Queiroz, Rui Sanches e António Sena. Todas as obras fazem parte da Colecção da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento e foram fruto de uma selecção por parte da Câmara das obras a expor.
A exposição reúne um conjunto de obras, de autores ,com percursos artísticos notáveis, no nosso contexto artístico. Apesar de pequena, pelas limitações do Espaço, está bem organizada e o desenho do espaço está interessante, aumentando a sua exiguidade. A não perder.
A entrada e o nome dos artistas 
Da série "O Ecrã no peito"
Sem título
1999

Série "O Ecrã no peito"
1999
Sem título
1992
Carta Cheia de esperança
1973
Arte-corpo/corpo Arte
1976/78
Estivemos na exposição no contexto de uma visita de estudo com uma das turma de Artes Visuais da Escola Secundária Dom Manuel Martins.
A visita guiada, pelo arquitecto da exposição, Manuel Augusto Araújo.
Os professores e o guia, em frente a um quadro de António Palolo, numa fotografia publicada no site da CMS.
terça-feira, dezembro 12
segunda-feira, dezembro 11
A Árvore de Natal Reciclada
domingo, dezembro 10
No tempo do Cinema

Deu há pouco um documentário lindíssimo sobre João Benárd da Costa (JBC). Valeu a pena ser visto. Boa parte dele passou-se na Arrábida, uma das paisagens de eleição de JBC, ligado a esta desde a sua infância. E dentro desta o Convento Franciscano o lugar de eleição. Os monges sabiam como ninguém escolher os seus lugares. Aos Franciscanos, com pouco mais podiam se satisfazer, tal a frugalidade existencial a que se obrigavam. Contemplar era quase o que lhes restava, para além da oração, e neste caso não teriam do que se queixar. JBC fala de um pouco de tudo, mas como sempre mais de cinema. E muitos falam sobre ele e sobre o que este “monstro” da nossa cultura foi representando para as várias gerações de portugueses, mais ou menos eruditos.
Os testemunhos de muitos atestam só por si a sua relevância e transversalidade num universo tão limitado quanto o que se viveu, e, de certa forma, ainda se vive em Portugal: Alberto Vaz da Silva, Vasco Pulido Valente, Alberto Seixas Santos, João Mário Grilo, Jorge Silva Melo, Miguel Lobo Antunes, Fernando Lopes, Maria João Seixas, Agustina Bessa-Luís, Manoel de Oliveira, Manuel S. Fonseca, Rita Azevedo Gomes, José Manuel Costa, Paulo Filipe Monteiro, Guilherme d' Oliveira Martins, Lucília Alvoeiro, Maria Alice Castro e dos 4 filhos, João Pedro, Mónica, Sofia e Ana.
Este senhor é um daqueles casos a quem o país deve muito. A muitos níveis, sendo o mais visível o cinema. Mas sendo, sobretudo um ser culto e “nobre” no verdadeiro sentido da palavra, nunca o reclamou. Sempre universal mas ao mesmo tempo claro, no seu grau de erudição. Já tivemos a oportunidade de o ver e ouvir algumas vezes, na sua Cinemateca, experiência essa, sempre enriquecedora.
A última grande lição que este senhor nos deu foi o facto de não se querer reformar (da Cinemateca), apesar de a tutela – ou os burocratas do Ministério da Cultura – o desejarem. Mas felizmente, para todos nós, JBC gosta do que faz e encontra nisso a melhor forma de continuar a viver. A todos os níveis exemplar.
A Turquia outra vez...

Apoiamos.
sábado, dezembro 9
sexta-feira, dezembro 8
O político do "bom senso"
Ontem Rui Rio (RR) – actual Presidente da Câmara do Porto – deu uma entrevista muito pouco politicamente correcta RTP1. Disse diversas coisas simples, mas de grande alcance, apesar da entrevistadora lhe ter tentado constantemente “minar” a entrevista.
Começou, Judite de Sousa (JS), por tentar (numa postura muito corporativa) (re) confirmar a imagem de homem pouco dado a hábitos democráticos, insinuando que querer “controlar” as entrevistas não era admissível. RR limitou-se a insistir que "O jornalista é dono da pergunta, eu sou dono da resposta". O que RR verificava era que: o jornalista tinha a liberdade de lhe perguntar o que quisesse, o que é normal e salutar em democracia, mas a resposta dele não podia ser deturpada pelo jornalista com vista a não a dar a ideia que ele queria transmitir, mas a dar a ideia que este queria transmitir sobre ele.
O interessante foi verificar ao “vivo e a cores”- em directo - que JS esteve constantemente a tentar fazer o mesmo. Mas naquela circunstância todos nós podemos verificar como actua a comunicação social quando se sente atingida. RR faz o que todos os políticos de “cara lavada” deveriam fazer. Mostrar a mesma consideração pela comunicação social que esta demonstra por ele. Não é politicamente correcto, nos nossos dias, mas RR tem a vantagem de nunca ter ficado a dever favores à comunicação social. Ganhou sempre contra as expectativas desta. E esta não lhe perdoa o facto.
Relativamente ao “escândalo” da perseguição à cultura do Porto RR, limitou-se a dizer que: sendo o dinheiro pouco, investia o dinheiro dos contribuintes em opções estratégicas para a cidade (ex. Serralves, Casa da Música) com vista à afirmação da cidade, em termos nacionais e internacionais e depois investia na ligação da escola à “cultura”, através de projectos específicos (apoio à leitura, etc.). Abandonando a entrega de dinheiro avulso (subsídios) mas continuando a apoiar de outras formas (obras, transportes, etc.). Sabemos que é discutível, como tudo na vida, mas é claro. Também nós achamos que gastar milhares de euros a apoiar quem se limita a fazer com o dinheiro dos outros “performances” em circuito fechado, não é uma politica cultural correcta. E a criação de novos públicos? – Perguntarão alguns. A esses basta dizer que, após tantos anos da mesma conversa, ainda não os conseguiram criar. Quando os criarem, vale a pena apoiá-los…
Sobre política e futebol continuou a dizer que deveriam estar separados e que ambas as actividades ganhavam com isso. Defendeu a separação entre a política e o futebol e garantiu que "não seria deputado se fosse presidente da Liga de Clubes", como acontece actualmente com Hermínio Loureiro, apesar de ser seu amigo.
Sobre Cavaco disse: “Ao colaborar com o Governo, está a fazer o que o País precisa. Entre dois amores, tem que optar pelo País".
Evidências que contrariam muito do manual de “bom politico” actualmente usado no país. RR fala de “fora” da linguagem do politicamente correcto, ou habitual. Fala a linguagem do cidadão comum, do homem “com bom senso”. Sem grandes arrojos, mas com seriedade e consequências. Um politico que irá dar muito que falar. Esperamos…
Uma entrevista muito interessante. Vale a pena verificar como a comunicação social “indirecta” a irá tratar.
quinta-feira, dezembro 7
Cidades 1
(1890-1918)
Iniciamos com esta obra de Shiele um conjunto de pinturas de cidades, a mais (in)completa das realizações humanas.
quarta-feira, dezembro 6
segunda-feira, dezembro 4
Reflexões sobre algumas "vacas sagradas" da educação

Em 1995 fomos à “inspecção”. As “sortes” como se chamava no tempo dos nossos avós. Já com 24 anos. Por sermos estudantes, foi-se adiando. Foi no Quartel da Ajuda e constituiu uma experiência única, a muitos níveis, pois nunca chegamos a passar pela “tropa”. Para além de termos percebido que os óculos passariam a fazer parte da nossa indumentária quotidiana - umas letras que não conseguimos descortinar no exame oftalmológico assim o previram – outros aspectos ficaram na memória. Uns sobre a instituição militar e seu modo de funcionamento “in loco” e outros sobre a realidade sociológica do nosso país.
Sim, pode-se aprender muito num único dia. Nesse dia, já depois de almoço, mandaram juntar todos os “mancebos” na mesma sala para o visionamento de um filme. Quando os “universitários” chegaram já a sala estava composta de “gaiatos”. Na nossa santa ingenuidade perguntámos qual o motivo da separação. Ao que nos responderam “serem rapazes com 9º ano incompleto ou menos de escolaridade". Gelámos. Como seria possível verificar, pela amostra do dia, mais de metade da população portuguesa masculina não possuía, em 1995, o 9ºano completo.
Esta foi a minha primeira experiência “estatística” com esta realidade. Depois dessa já tivemos outras, por força dos estudos que desenvolvemos, mas hoje voltámos a sentir uma sensação equivalente. A propósito de um estudo realizado pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa divulgado hoje, pelo Jornal de Noticias, sobre “A condição juvenil portuguesa na viragem do milénio” soubemos que existem, hoje (2005), no nosso país:
35% dos jovens abandonam estudos sem o 9.º ano;
34% de chumbos no Secundário;
50% dos empregados (15-29 anos) não têm a escolaridade mínima obrigatória.
A frieza dos números revela que muita coisa não vai bem. Não só na escola, nos professores ou nas politicas educativas. Mas na forma como a “nação”, no seu todo, encara a sua educação.
Após vinte anos (1986) da passagem da escolaridade obrigatória para o 9ºano continuamos com 35% dos jovens sem o concluírem. Esta realidade põe em causa muitas das “vacas sagradas” da nossa educação e ensino nos últimos anos, das quais destacamos:
1. Criou-se a ideia que a “facilitação” do ensino poderia conduzir a um maior sucesso (menos chumbos) o que evitaria o abandono escolar dos “menos capazes” ou dos “mais desfavorecidos” e por essa via aumentava as habilitações do país;
2. Pensou-se que a democratização da escola e a gratuitidade do ensino fariam, juntamente com o aumento da escolaridade obrigatória, corrigir, por si só, o nosso atraso estrutural nas escolarização dos portugueses (comparativamente aos nossos parceiros europeus).
3. A cobertura, de todo o território nacional, com equipamentos de ensino (escola à porta de casa), acabaria com o abandono escolar.
Nada disto se verificou como se pensava. Antes pelo contrário.
No entanto, a “facilitação” parece não ter trazido mais que a degradação do sistema e o seu nivelamento "por baixo", sem corrigir as desigualdades, antes acentuando-as. Num sistema em que se aprende mal, os que aprendem menos são os que mais dependem do sistema para aprender. Os outros aprendem em casa, na explicação ou pela simples persistência das famílias em os manterem no sistema. Todos os outros mais tarde ou mais cedo abandonam. Pelos vistos 35% actualmente.
E anda parte do país a protestar contra as aulas de substituição, quando em todos os países civilizados isso é prática corrente. Mera obrigação de serviço que é suposto prestar pela escola. Ter aulas, quando está previsto. O mais impressionante é que alguns pais alinham no protesto dos alunos, seus filhos. O mau serviço parece ter-se tornado a normalidade, como foi referido num Editorial do Público (30.11.2006) desta semana onde Manuel Teixeira escrevia o seguinte:
“Na semana passada, uma frase proferida por uma dirigente da Federação Regional de Associação de Pais dos distritos do Porto e de Vila Real revelou com crueldade o estado de sítio da educação. Com centenas de adolescentes a protestar em frente às escolas contra as aulas de substituição, o que disse Rosa Novo, secretária da federação? Pois que os alunos têm razão, que "as aulas de substituição não deviam ser obrigatórias", que os jovens do secundário têm idade suficiente para decidir o que fazer nos "furos". A declaração, diluída no coro de exigências, queixumes e protestos que, justa e injustamente, se continuam a lançar aos professores é em si própria um programa. Mostra-nos até que ponto grande parte da sociedade portuguesa está aí para minar e comprometer toda e qualquer reforma de fundo na educação.”
Não pensamos ser esta a realidade de todos os pais, mas a falta de “investimento” na educação começa na família, ou na falta dela. Estendendo-se a toda a sociedade, desde o tecido empresarial ao jovem licenciado, continuando a ver o “canudo”, mais como uma forma de status, do que uma maneira de estar melhor preparado para “aprender” uma profissão e enfrentar o futuro.
Sobre a qualidade do ensino ministrado existe uma pergunta que convém responder. Aceitando que o nosso sistema de ensino não é dos melhores, porque é que os filhos dos emigrantes de “leste” (na sua maioria) se tornam melhores alunos a Português (não falando de outras disciplinas), poucos anos depois de cá estarem, que os filhos da terra, apesar do sistema não ser bom? Que peso terá o empenho da família na escola? Vale a pena tentar perceber, pois a teoria da superioridade (ou inferioridade) da raça já está desacreditada há muitos anos.
“Mas pagar a educação, quando ela já é tão cara?” perguntarão alguns. Pois é? Mas seria uma forma, numa sociedade que só valoriza o dinheiro, de tornar as famílias mais exigentes e participativas nos assuntos da educação. Seguindo o principio de que “quem paga merece ter um bom serviço”. Isto porque muitas famílias estão dispostas a fazer esforços para comprar um carro novo - para não falar da casa – mas não estão na disposição de gastar um cêntimo na educação dos filhos, ou na sua própria formação. Esta é uma atitude cultural que urge mudar.
Mas o que pagam as famílias na educação (ao nível do ensino básico). Fundamentalmente o transporte e os livros. Ao transporte é difícil escapar. Mas nos livros gasta-se pelo menos 150 euros, por ano. Sem hipótese de utilização no ano seguinte. Seremos ricos?
Sabiam que no Reino Unido (país pobre???) as famílias não compram os livros no ensino básico. Os livros estão na escola. Nas salas. E são utilizados em aula pelos alunos que ai se encontram, deixando-os lá, quando saem, para serem utilizados pelos da próxima turma naquela sala. Poupa-se dinheiro e peso nas costas dos alunos. Mas em Portugal paga-se os livros – e aceita-se sem protestar – porque se paga a privados (editoras) mas não se aceita pagar propinas porque é ao Estado (escola). Para um país pobre não está mal. Está péssimo.
Aceitamos o desperdício anual sem retorno em livros que só servem para usar um ano e não aceitamos o investimento na escola pública que fica para as próximas gerações. Assim se gasta o dinheiro de um país “pobre” porque os países “ricos” preferem gastar melhor.
É por tudo isto necessário começar a investir na educação e passar a ver o Estado como um parceiro e não como uma instituição para “sacar” e talvez daqui a uns anos todos estejamos melhor. E investimento não é desperdício é exigência e vontade de aprender.
domingo, dezembro 3
E o funcionalismo?
Le Corbusier foi um dos mais emblemáticos arquitectos do denominado “Modernismo” na arquitectura do século XX.Quarenta e seis anos depois de encomendado o projecto a este arquitecto, a igreja Saint-Pierre, foi inaugurada esta semana em Firminy, França.
A sua forma é a de um cone assimétrico de 30 metros, em betão, apoiado sobre uma base quadrada (quatro andares servidos por uma rampa).
De acordo com a imprensa esta igreja só ocasionalmente receberá missas, tendo em baixo um centro dedicado a Le Corbusier.
Parece que este novo ícone do Modernismo se vai transformar em pólo de atracção turística com cerca de 30 mil amantes de arquitectura a visitar actualmente Firminy, a câmara local, quer agora captar o grande público. Esperam vir a ter entre 80 a 200 mil visitantes anuais.
O que diria o mestre do "funcionalismo" ao facto de uma das suas obras se concluir apenas para não funcionar para o fim que lhe foi dado?
Apesar de o arquitecto suíço não ser religioso - e de já em vida se ter em alta estima -duvidamos que pudesse imaginar vir a ser motivo, qual santinho, de peregrinação. Agora turístico-cultural e não religiosa mas com grande devoção.
Somos seres humanos, com novos ou velhos Ícones, mas constantemente à procura deles.
Desenhos do Leonardo 1
2 de Dezembro de 2006
Começamos com um automóvel, grande "obsessão do autor e que o entretém há muitos anos.
São Francisco Xavier
sábado, dezembro 2
Coincidências
“Quem defendeu que a Turquia não deve entrar na EU não foi o Papa foi Ratzinger. Mas quem foi à Turquia e disse que era a favor da entrada daquele país na Europa, foi o Papa. A pessoa é a mesma, mas as responsabilidades são diferentes. Não é uma questão de transcendência. O chefe da Igreja Católica não é um indivíduo, nem é um político, é um representante. Pôde, por isso, dar o dito por não dito com elegância.”
Quase no mesmo sentido do nosso post anterior «Surpreendente» , escrito dois dias antes.
Coincidências…






















