segunda-feira, setembro 24
domingo, setembro 23
O Carteiro de Pablo Neruda
A não perder hoje na RTP1, a horas pouco recomendáveis, como é costume.
sexta-feira, setembro 21
terça-feira, setembro 18
segunda-feira, setembro 17
sábado, setembro 15
Bocage
Poeta da Cidade de Setúbal
quinta-feira, setembro 13
Fernando Pessoa
Ventos de mudança?
A questão da política agrícola é das mais controversas e de difícil resolução no seio da Europa. A nossa agricultura não é competitiva face a outros mercados e por isso só se mantém subsidiada. Este facto produz uma barreira ao desenvolvimento de outras regiões exteriores à Europa que podiam beneficiar do livre comercio, por conseguirem produzir e colocar no mercado interno europeu os mesmos produtos a preço mais baixo. Africa seria um dos continentes mais beneficiados com isso. Aparentemente era bom para quase todos. Ganhavam os produtores, pois conseguiam sair da miséria em que vivem à custa do seu próprio trabalho e também para os consumidores europeus, que de uma assentada conseguiam poupar nos produtos e nos impostos. Ficavam prejudicados os agricultores europeus que passavam a ter uma vida mais “competitiva”. Aparentemente concordamos com a medida. A nossa única duvida é saber como seria afectado o nosso ordenamento do território. O que fazer com a terra agrícola? O abandono desta seria sempre um problema ambiental a diversos níveis. A sua reconversão tem de fazer parte de um novo olhar sobre este problema. Nós por cá sabemos, de experiência feita, o que pode acontecer ao território abandonado. A nossa floresta está ai par nos mostrar todos os anos.
No entanto é de aplaudir a lufada de ar fresco trazida por Sarkozy. Esperemos pelas propostas concretas.
P:s. O que dirão os “Bloquistas” e companhia lda de tudo isto. Estarão ao lado dos nossos agricultores contra o terceiro mundo? Maldita globalização que nos coloca o mundo tão colorido e já não só a preto e branco.
terça-feira, setembro 11
domingo, setembro 9
quinta-feira, setembro 6
terça-feira, setembro 4
segunda-feira, setembro 3
A Queda de Roma e o fim da Civilização
“A queda de Roma e o fim da civilização” de Bryan Ward-Perkins, (editado pela Aletheia).
Este livro, relativamente pequeno (cerca de 300 paginas), para tão grande tarefa e já tentada por tantos. O autor, de um rigor e clareza extraordinários, coloca desde o início do livro o leitor face ao problema abordado. Sem “peias” nem omissões. O que torna o assunto inteligível a qualquer leitor, mesmo não especialista na matéria. Apesar de ser por vezes exaustivo na “procura da prova” histórica que legitima e informa as suas posições. Sempre com uma abordagem muito “cientifica” na procura da verdade. Nunca perdendo de vista a sua própria formação de arqueólogo coloca ai muitas das suas linhas de pesquisa.
No fundo Perkins contraria as novas “correntes históricas” europeias que colocam a transição do Império Romano do Ocidente como uma mera «acomodação» entre os povos bárbaros do norte da Europa e os habitantes do seu interior. A “eurofilia” paga por Bruxelas, na tentativa de criar uma nova identidade, já não centrada na construção do estado nação mas na Europa, é rebatida com factos pelo autor.
A queda de Roma representou o desmoronar de toda uma civilização, não só do ponto de vista cultural, mas material. Sendo o autor arqueólogo é através dos artefactos que este nos dá uma visão do que foi a decadência do “nível de vida” material de todo um império que vivia já num elevado estado de sofisticação. E este só é possível com uma especialização e um comércio muito intensivo. Que sendo quebrado provoca o desmoronar de todo o saber, inclusive no plano tecnológico, remetendo toda uma população para o limiar da sobrevivência. Em alguns aspectos certas zonas da europa só voltam ao mesmo “nível” mais de mil anos depois. Mesmo do ponto de vista demográfico.
O livro torna-se muito pertinente para qualquer um que se interroga sobre o mundo onde vive e de como esse mundo pode ser “circunstancial”. Acabamos com a última frase do livro para o ilustrar. «Os romanos, antes da queda, estavam tão certos como nós estamos hoje de que o seu mundo continuaria sempre substancialmente inalterado. Estavam errados. Seria sensato não repetir a sua complacência.»
Muito interessante.
Quadro que ilustra a decadência de Roma que conduziu à sua queda, segundo a perspectiva de alguns historiadores ao longo da historia.
Museu d'Orsay
sábado, setembro 1
quarta-feira, agosto 29
domingo, agosto 19
sábado, agosto 18
Paula Rego
É, juntamente com o de Agustina (ontem), o que nos parece ser mais conseguido de todos os que foram apresentados. Não sabemos se será pela qualidade superior, na nossa modesta opinião, das artistas em si. Mas o que é facto é que nos parecem estes dois últimos documentários menos paroquiais, de maior qualidade, mais universais. Talvez porque as duas artistas estão mais presentes, falando na primeira pessoa da sua obra contribua para esta apreciação. Deixar falar o artista acerca da sua obra é quase sempre mais estimulante. Pelo menos para aqueles que se interessam pelo processo criativo em si e menos pela especulação gerada por outros em torno dessa mesma obra.
quinta-feira, agosto 16
Sagres
Paulo Pisco
Sagres
Agosto 2007
Alguém nos pode explicar porque está fechada a fortaleza de Sagres nas segundas-feiras, mesmo em Agosto. Haverá concerteza muitos dias do ano em que não existirão visitantes, mas no Verão não faz qualquer sentido fechar. Nós, assim como muitos outros naquele dia, ficámos a ver a paisagem e a fortaleza do lado de fora. O "funcionalismo" devia ter limites.
terça-feira, agosto 14
domingo, agosto 12
Galé
Paulo Pisco
Galé.Algarve
2007
A Galé é uma das praias mais belas do Algarve. É cá que estamos no merecido descanso familiar, com a bela varanda virada paro o mar.
Em Agosto está cheia de gente, como todas as outras praias por aqui. Não nos podemos queixar. Não queremos todos igualdade de oportunidades. E não defendemos que a democracia só se completa com a democracia económica. Então não nos podemos queixar. Apenas tentar fugir à mole humana que nos persegue para todo o lado. E como é possível? Ficando em casa. Usufruindo da vista. Não comer em restaurantes nas imediações. Ir para a praia a pé. De preferência não mexer no carro a não ser para deslocações para fora das zonas mais próximas – tipo sudoeste alentejano. Na praia ir a horas menos próprias, como o inicio do dia ou o seu final.
Ironia das ironias, o tempo não está bom para os “lagartos”, não esses que começaram bem a época, mas o que vieram cá só para fritar.
Continuação de bom descanço.
sexta-feira, agosto 10
segunda-feira, agosto 6
sexta-feira, agosto 3
quarta-feira, agosto 1
terça-feira, julho 31
sábado, julho 28
Finalmente
quinta-feira, julho 26
Portugal Profundo

Alturas do Barroso
Este fotógrafo, que tem percorrido Portugal nas ultimas três décadas, retrata, pelo menos no que nos foi dado a ver pela imprensa, um “Portugal Profundo”. É muito interessante ver neste trabalho - Crónicas Portuguesas, a exposição retrospectiva do fotógrafo francês Georges Dussaud (n. Brou, Bretanha, 1934), patente na Cadeia da Relação/Centro Português de Fotografia (CPF), no Porto - um Portugal que ainda existe, ou existiu até à poucos anos, mas que está, pelo menos à superfície, muito mudado.
Mas é importante perceber que na década de 80 Portugal tinha zonas (muitas) que do País com um tipo de vida muito diferente daquilo que hoje imaginamos ou recordamos (ou queremos recordar) desses tempos. Se não tivéssemos a informação podíamos pensar que estas fotografias se referiam a um qualquer país longínquo situado no “terceiro mundo”. O mundo mudou muito e nós ainda mais. Mas é bom perceber que muito do que mudou foi por “fora”. Por dentro ainda conservamos muita da “pobreza” que observamos nestas imagens, tendo perdido alguma da sua riqueza.
É sempre bom perceber o que somos enquanto nação, para não nos deprimirmos muito nem embandeirarmos demais.
A não perder.
quarta-feira, julho 25
terça-feira, julho 24
Luís Filipe Menezes
segunda-feira, julho 23
Erva

Uma nova série norte americana que começou hoje na RTP2. Na linha de “Donas de casa desesperadas”, parece ser mais no “osso” na crítica ao estilo de vida sub urbano tipicamente americano e só aparentemente sem mácula. Onde todos fingem disfarçar o que todos sabem, em torno daquele pequeno mundo que é a zona residencial onde moram. Uma vida pouco interessante exposta a uma critica ácida e mordaz, sem contemplações.A acompanhar com atenção.
domingo, julho 22
Cantos Livres II
Sentimos no entanto que para muitos outros significou a memória do tempo que nunca foi mas sobre o qual se sonhou bastante sem se chegar a viver. Para esses estas canções são já só memória. Por vezes amarga. Para outros um momento importante e inesquecível da nossa história. Mas o que continua a valer é esse encontro. Mesmo com temas passados, até “fora de moda” mas que se sentem sempre positivamente.
Cantar esse grande compositor/autor/cantor, Zeca é, e será no futuro, uma homenagem ao melhor da nossa cultura musical.
sexta-feira, julho 20
Cantos Livres
segunda-feira, julho 16
domingo, julho 15
Mas
Resultados em Lisboa
Estes resultados em Lisboa são muito curiosos. Parece-nos relativamente claro o seguinte:
Os Lisboetas não querem eleições antecipadas, querem que lhes resolvam os problemas;
António Costa e o governo continuam em alta;
Carmona não é penalizado, como anterior Presidente de Câmara;
O PSD fica com o ónus de tudo o que de mau aconteceu neste processo.
Helena Roseta apesar de ter uma mensagem e uma atitude “interessante” não consegue ultrapassar a barreira do “candidato simpático”, sem perfil de governação.
Os pequenos partidos do arco parlamentar estão cada vez mais pequenos;
Os outros não existem;
A “direita” actual corre alguns riscos de sobrevivência.
Os filhos da "geração instalada" não têm filhos
O INE informou que atingimos em Portugal o número mais baixo de nascimentos desde que existem registos. Tendo esta tendência sido muito acentuada nos últimos anos. Este número é, quanto a nós, reflexo de uma mudança acelerada e profunda que a sociedade portuguesa atravessa. Esta tendência, generalizada na Europa, é, agora mais acentuada entre nós. Porquê?
Existirão, com certeza, várias razões para justificar esse fenómeno mas é na dificuldade em vislumbrar expectativas “positivas de vida” que poderemos encontrar boa parte da explicação. Quem não acredita no futuro, dificilmente encontra motivos para o prolongar. E ter filhos é também um sinal de esperança. De vontade de prolongar a nossa existência. O que parece estar a deixar de existir. Até porque as novas gerações vão ter um encargo crescente não com os filhos mas com os pais, ainda que não directamente mas de forma indirecta.
As novas gerações vivem um problema complicado e de tipo novo. Mais exigentes e individualistas vêm-se “entaladas” num mundo desigual. Com maior instrução que a geração que os precedeu vem a sua expectativa de vida muito diminuída. Vivem num território mais desarticulado, perdem mais tempo em transportes, não têm perspectivas a longo prazo, o que torna a sua vida menos previsível, sendo obrigados a trabalhar mais e por menos dinheiro. Os laços familiares e conjugais também já deixaram de ser valores seguros. Ambicionam a mesma segurança que os seus pais tiveram mas percebem que não é possível voltar para trás. O mundo hoje está diferente, mais pequeno e outras regiões do globo também querem viver “tão bem” como nós. E isso gera uma forte competição, que aparentemente não irá diminuir, antes pelo contrário.
E tudo isto acontece ao mesmo tempo que a “geração instalada” - como lhe chamou o Editorial do Expresso do último Sábado - dos seus pais e avós, vive numa situação relativamente confortável. Com empregos inamovíveis ou reformada precocemente está com muitos anos de vida pela frente e sem estar disposta a “perder” nada do que lhes foi prometido. Os famosos “direitos adquiridos”. Tudo isto é recente em Portugal o que torna, entre nós, a sua percepção mais aguda.
Esta desigualdade geracional pode vir a tornar-se num dos grandes conflitos futuros. As novas gerações vão ter cada vez mais a percepção que têm a suas carreira profissionais condicionadas ou mesmo fechadas. Sem qualquer perspectiva de reforma e em perda crescente de “direitos sociais” vão sentir que estão a pagar excessivamente o bem-estar de outros. Com a previsível perda dos vínculos geracionais de entre ajuda – de pais para filhos – vai-se acentuar a noção de desigualdade. O mito da eterna juventude que graça numa sociedade cada vez mais envelhecida está a gerar hábitos diferentes nesta população. Com maior poder aquisitivo e mais saúde por mais anos, os novos velhos tendem a estar mais centrados nos seus próprios objectivos e menos nos dos filhos e netos dos quais cada vez menos dependem. A inversão da pirâmide etária vai agudizar o problema. Em democracia a maioria ganha. E a maioria cada vez mais velha vai tornar mais difícil qualquer mudança. Ninguém quer perder o que já tem.
Toda esta conjuntura pode ser o gérmen do conflito de tipo novo que referimos inicialmente, agora já não entre classes sociais mas entre gerações. Mas onde a diferença de idades não reflecte qualquer mudança cultural ou ideológica – como no Maio de 68 – mas apenas a necessidade de sobreviver em condições de relativa igualdade.
Com esta percepção do mundo, da espécie e da família “arriscar” ter filhos não é decisão fácil e por isso cada vez são menos os que a tomam. Será natural? Talvez, mas aumenta o problema. Menos filhos é sempre igual a mais velhos.
terça-feira, julho 10
segunda-feira, julho 9
sexta-feira, julho 6
A virtudeZita
Vimos ontem a entrevista com Judite de Sousa na RTP1, a propósito do lançamento do seu livro “Foi assim”. Ainda não tive a oportunidade de o adquirir e ainda menos de o ler, com a excepção algumas partes que foram alvo da pré-publicação do jornal “Público” no dia 1 de Julho de 2007. Mas deixou-nos a vontade de o fazer.
No entanto não era sobre o livro mas sobre a entrevista que, para já queríamos reflectir. Porque nos parece pouco comum, entre os “ex-camaradas”.
Desde há muito que acompanhamos o percurso político de Zita. Dos tempos heróicos do PCP à sua dissidência. Da travessia no “deserto” à “imperdoável” aproximação ao PSD. Houve nesta ex-comunista algo de diferente. Algo que a diferenciou de muitos outros. A franqueza e até a honestidade intelectual que colocou em todo o processo. Alguém que rompe com toda uma vida de activista convicta e não se desculpa nem “reconstrói” a sua história é digno de admiração. Quem tem ou teve a coragem, vindo do comunismo, de dizer que é uma ideologia que não conduz senão ao totalitarismo? Muito poucos. Só por isso Zita merecia a nossa atenção. Mas esta não deixa o seu “passado negro” com os que lá ficaram. Não. Assume toda a sua (ir) responsabilidade por ter lutado daquele lado. Mais, diz que o fez com toda a convicção. Sem dúvidas. Como se quer de uma verdadeira comunista. Mas diz também quando as começa a ter. O que tentou fazer, enquanto acreditou que o comunismo era “reformável” e de como percebeu que não o podia ser de facto. Tudo isto é relatado sem subterfúgios. Sem tangas. Apenas com objectividade. Assumindo a sua verdade dos factos. É muito raro entre nós. E é essa crueza de Zita que a torna proscrita para boa parte da esquerda que nunca teve a coragem para o fazer. Nunca a teve a liberdade pessoal e intelectual para o dizer.
Mas Zita cometeu mais um pecado. Tornou-se do PSD. E isso tornou-a para a maioria da esquerda um mulher “sem moralidade” politica. Pois afastar-se do Comunismo é tolerável mas “sair” do espaço da esquerda isso já é imoralidade. Sim porque para muita gente a superioridade da esquerda é “moral”.
Zita com esta entrevista e supomos com este livro, não pretendeu fazer um ajuste de contas com a sua história. Apenas relatá-la. E isso, em si, já é muito saudável. Uma virtude. Redime o seu passado? Não, mas acrescenta.



