domingo, setembro 11

Dias de Setembro 10

Edward Hopper

Office at Night
1940


Trabalhar à noite. Quase sempre bom. Por vezes quase solene.

sexta-feira, setembro 9

Sondagens

No Margens de Erro analisam-se duas sondagens sobre as presidenciais onde se refere no último paragrafo:
" Para mim, perturbante: que a maioria dos eleitores (quer os que tencionam votar Cavaco, quer Soares, quer todos os outros) achem que o Presidente deva ter mais poderes ou que deva intervir na vida política do dia-a-dia para "ajudar a resolver os problemas do país" (72%). Quando se acha que os problemas do país se resolvem de Belém, isso significa que se acha que as instituições que de facto deviam governar e legislar estão bloqueadas. A importância inusitada que a comunicação social e os comentadores têm vindo a dar as presidenciais de há dois anos para cá é sintoma disto. Mas que isto fosse assim durante o consulado de Santana Lopes, ou mesmo antes, não me surpreende muito. Agora que se continue a achar isso quando um governo dispõe de uma maioria absoluta só posso ver como mau sinal. "
Na nossa modesta opinião a questão não é meramente conjuntural como sugere Pedro Magalhães. Não se trata de existir ou não estabilidade governativa. O problema coloca-se, ao nível do descrédito das instituições.

O regime democrático criou demasiadas expectativas em relação à possibilidade de mudança de alguns problemas estruturais da nação. A construção colectiva de um futuro comum, por contraposição ao mito do “timoneiro” que traçou o nosso caminho individualmente por mais de 4 décadas, esgotou-se rapidamente.

As instituições e as organizações continuam a funcionar muito mal. Apesar de todo o “desenvolvimento” das últimas décadas, esta dificuldade estrutural mantém-se. A mediocridade partidária não ajudou a modificar esta realidade, agravando mesmo o sentimento geral de incapacidade colectiva na resolução de problemas comuns.

Perante a incapacidade institucional e organizacional o sistema funciona mal e quando funciona bem deve-se na maioria das vezes a valores individuais ou mais restritos, normalmente debaixo de uma forte liderança. Por exemplo, quando se pensa distinguir um hospital, não se vêm grandes diferenças, mas dentro destes consegue-se distinguir um bom médico ou uma boa equipa.

O sentimento geral é de desconfiança em relação ao que é colectivo o que tem vindo a gerar uma nostálgica vontade de regressar à individualidade que nos poderá “salvar”, nem que seja só da nossa própria responsabilidade.

E essa nostalgia só nos poderá fazer regressar ao passado.

Contra Corrente

Ver o artigo Sodoma e Gomorra de Pacheco Pereira – publicado na integra no seu "Abrupto" - e "O mundo está melhor" de José Manuel Fernandes são essenciais para perceber como se tem manipulado a opinião, especialmente num país ”pequeno como o nosso.

O primeiro reflecte a forma perniciosa com que toda comunicação social tem olhado para a catástrofe natural provocada pelo “Katrina”. No seu discurso noticioso sente-se, subliminarmente, a intervenção da mão “divina”, recordando-nos o que já se tinha sentido em relação ao 11 de Setembro, recordam-se?

O segundo demonstra com base em dados objectivos de um relatório da ONU que a famosa “Globalização” tem ajudado a tornar o mundo mais próximo – apesar das ainda enormes desigualdades – nas últimas décadas em vários indicadores de desenvolvimento. Curioso é perceber como a análise do próprio relatório contraria a evidência dos números.

Quem disse que a ideologia morreu?

Dias de Setembro 9


Edward Hopper
Chop Suey
1929


Conversar no café pode ser uma das óptimas maneiras de passar estes dias de Setembro, especialmente quando chuvisca como hoje.

quarta-feira, setembro 7

Vistas largas 2


Faltam apenas perto de 24horas para a "implusão" das duas torres em Tróia.
Para além da implosão, já de si assinalável, por representar uma atitude de reconversão do território que não passa por mais construção, esperamos todos os que habitam nesta região um novo impulso para o seu desenvolvimento.
São imprescindíveis vistas largas para agarrar a oportunidade.

Dias de Setembro 7




O Outono parece ter definitivamente chegado. Estou no meu elemento. Esperemos que este não nos abandone demasiado depressa, não se transformando em Inverno precoce ou Verão tardiamente revisitado. As estações também têm direito a ter o seu tempo e espaço. Infelizmente cada vez menos observado.

terça-feira, setembro 6

A Direita e a Cultura

Promovido pelo Direita liberal em Setembro no Teatro S. Luis.

Apesar de considerar a cultura como algo fora do debate meramente ideológico, penso que em Portugal é necessário travar esse combate para repor o equilíbrio. Porque para muitos ser de esquerda e ser culto são quase sinónimos. É necessário corrigir a perspectiva.

Dias de Setembro 6


Edward Hopper
Cape Code Afternoon
1936


A chuva está de volta. São assim os dias de Setembro.

segunda-feira, setembro 5

Sobre as Presidenciais

não perder Uma candidatura positiva

Dias de Setembro 5

Edward Hopper

Corn Hill
1930

Debates Autárquicos 1

Acabamos de assistir a um debate civilizado e esclarecedor entre o Dr. Carmona Rodrigues e a Dra. Maria José Nogueira Pinto. Não me vou pronunciar sobre o teor das propostas concretas, mas não deixa de estar a léguas de distância dos debates a que temos tido a oportunidade de assistir nos últimos dias no mesmo canal (SIC Noticias). Nestes debates têm sido escolhidos os “piores” candidatos, envolvidos nas situações menos recomendáveis e apelando ao que de mais negativo existe entre nós. Tem sido de tal maneira que hoje pareceu um debate de outro país, eventualmente de outra galáxia.
Foi bom, não só por isso, mas porque permitiu uma troca de pontos de vista e de formas de ver as problemáticas urbanas clarificadora e apresentada de forma compreensível, obviamente dentro dos limites do formato. Bem hajam.

sábado, setembro 3

sexta-feira, setembro 2

Não dá para acreditar!



Hoje pela manhã recebi esta missiva no correio:

“Convidam-se todos os membros da Assembleia Municipal a estar presentes na cerimónia de apresentação de cumprimentos de familiares dos 5 cubanos detidos na prisões dos Estados Unidos da América, na qual participará também o Embaixador de Cuba, que se realizará na próxima 3ªFeira, dia 6 de Setembro, pelas 17 e 30m nos Paços do Concelho.
O encontro é aberto à Comunicação Social.

A Presidente da Assembleia Municipal”

A Exma. Senhora Presidente desta Assembleia Municipal é a Dra. Odete Santos em Setúbal. Órgão Autárquico do qual faço parte.

Quando o li, sinceramente não sabia o que pensar de tão intrigante convite. Seria engano. Teria a senhora pensado que estava a enviar para os militantes do PCP e por qualquer lapso seguiu para o sítio errado. Talvez, no entusiasmo da “Festa” – sim porque para “eles” só existe uma festa, a do Avante – tivessem cometido algum lapso.

Não. Parece que é mesmo para levar a sério. É mesmo dirigida aos Deputados Municipais de Setúbal. Sendo assim a perplexidade aumentou. Sabemos que nas últimas eleições lhes deram a maioria absoluta mas a Assembleia Municipal de Setúbal ainda não é o Partido – para eles também só existe um, o Comunista – é um órgão representativo da população setubalense. Merece respeito. Não é apenas um clube de amigos nem uma agremiação. É um órgão representativo de toda uma comunidade. Livre e plural, felizmente.

Ninguém duvida que talvez existam cidadãos cubanos presos no EUA, como provavelmente portugueses. Assim como de todas as nacionalidades que não cumprem as leis do país. Tal como acontece em Portugal.

No entanto, o teor do convite sugere estarem presos nos EUA por serem cubanos. Ao que se sabe, por essa razão só em cuba se encontram cubanos presos. Não 5 mas todos os que ai habitam. Presos na tirania de um ditador há demasiado tempo fora de validade. Em cuba, os que de facto vão para a prisão, pelo simples delito de pensarem pela sua própria cabeça, a maior parte das vezes perdem-na. Saramago só há bem pouco tempo se deu conta disso mesmo. Odete Santos ainda não. Era apenas triste se só a ela disse-se respeito. É humilhante para todos os setubalenses ao envolver a sua Assembleia Municipal nesta caricatura fora de tempo.

Vistas largas 1



Recomenda-se olhar a paisagem como um dos grandes prazeres. Continua a ser gratuito e por enquanto ainda não paga imposto.
Uma paisagem da mais bela serra – Arrábida – e sua baia – Sado. Com Troia ao fundo.

Dias de Setembro 2

Edward Hopper
A Woman in the Sun
1961

Acordar tranquilamente ao nascer do sol e olhar para a janela. Simples. Essencial. Vital.

Dias de Setembro 1

Edward Hopper


Early Sunday Morning
1930

Estes dias calmos do início de Setembro deixam-nos nostálgicos. O Outono aproxima-se sem darmos conta. Apesar do calor a luz já deixa transparecer a próxima estação. É sempre uma boa altura para por os pensamentos em dia. Perspectivar o futuro próximo e ordenar o que parece importante. Vivemos tempos de muito barulho. O silêncio parece ser o mais recomendável. Tudo o que rodeia o espaço público e mediático reflecte uma enorme cacofonia. Nada de verdadeiramente importante parece passar por ali. Resistir e reflectir parece ser actualmente o melhor remédio. Manter o rumo – o nosso rumo – é actualmente muito difícil quando assistimos, todos os dias, a uma constante mudança de objectivos. Tudo conforme as conveniências de cada momento. O táctico venceu o estratégico. O alarve o educado. O bárbaro o civilizado. Já nada se valoriza tudo parece ter igual valor.
Para não nos sujeitarmos é talvez melhor desligar da “espuma dos dias” e fazer apenas o que realmente é essencial, para cada um. E resistir e esperar por melhores dias. Ler pode continuar a ser a solução. Mas atenção ler apenas o que sempre quisemos ler mas ainda não nos demos a oportunidade. Pela minha parte recomendo a “Montanha Mágica” de Thomas Mann. Tem muitas páginas e é muito “pesado” – materialmente falando – e está fora de moda mas vale a pena. Ler uma boa obra continua a ser uma óptima forma de resistir nestes tempos tão pouco estimulantes. Voltaremos à montanha, por agora fiquem com Hopper