domingo, setembro 30

Sobre os resultados eleitorais do PSD

O PSD votou na mudança. As bases do partido pensaram que para pior já não era possível. Por isso era melhor apostar noutro, porque o que lá estava não “ia a lado nenhum”.

No nosso entender a opção pela mudança encerra dois equívocos:
Um é pensar que um certo efeito dado pela novidade e empolado pela comunicação social chega para fazer a diferença.
Outro é pensar que mudando de líder basta para mudar o partido e, acima de tudo, que isso basta para mudar a realidade.

Relativamente ao primeiro aspecto vários exemplos existem de lideranças que se pensavam salvadoras e que se revelaram “poucochinho”. Não nos podemos esquecer que em Portugal o poder é venerado e que quem não está no poder é achincalhado. O poder perde-se, raramente se ganha.

O que mudou bastante nos últimos anos foram os hábitos e os militantes do PSD assim como a sua relação com sociedade. Não só no PSD mas em todos os outros partidos. Os líderes passaram mas pouco ou nada mudou dentro da estrutura partidária. E para se modificar algo dentro de um partido, de qualquer partido, muitos outros aspectos terão de mudar. Alguns deles só mudarão com um impulso de fora para dentro como por exemplo: as leis eleitorais, para as legislativas e para as autárquicas, assim como a própria reorganização politicamos administrativa do País. Outros estarão dependentes da vontade dos próprios para mudar. Será isso possível?

É certo que o denominado “aparelho” estava maioritariamente com Mendes. E este foi derrotado. Mas isso irá mudar alguma coisa? Bastará ver como se irão comportar os dirigentes e o novo lider neste congresso e no futuro próximo. Pensamos que todos serão “Menezistas”, como já foram tudo o resto, sem se mudar nada na forma como se vive dentro do partido e na relação entre este e a sociedade. E o lider estará mais preocupado em se afirmar do que em mudar o que quer que seja.

E a realidade é que o actual governo está a fazer o que tinha sido, tradicionalmente, o papel do PSD. A tornar o País moderno e europeu, acelerando o nosso atraso estrutural e aniquilar os desvios da deriva do PREC.

Justa ou injustamente é essa a marca que está a passar para o eleitorado. E o PSD tem que propor politicas que nos façam andar ainda mais depressa no sentido de nos modernizarmos. E não ficar como caixa de ressonância de quem só está interessado em manter tudo como está.

Menezes como lider da oposição parece querer dar voz a muitos dos ressentimentos dos sectores mais tocados pelas reformas. E isso pode ser fatal para um candidato a primeiro-ministro que se quer alternativa a Sócrates. Para quê mudar de ilusionista se o que lá está já se conhece? É necessário oferecer mais, muito mais.

Finalmente se a deriva da nova direcção for populista podemos ter a “morte” do PSD tal como o conhecemos. E isso não é bom para Portugal.

5 comentários:

Joshua disse...

Aquilo a que chamas reformas, eu chamo confrontação governativa gratuita e tecnocrática das pessoas acantonadas por sectores, os sectores mais enlameáveis de sofisma e apodo.

Para ti, Menezes é ainda e apenas um conceito visto de fora e sob a lupa preconcebida do partido que implicitamente subscreves.

Para mim, Menezes é um servidor público com provas sobejas de eficiência, inteligência e mobilização positiva. Eu moro em Gaia e sei do que falo.

Este Governo não é senão um mobilizador negativo ou desmobilizador activo do Povo Português. Em breve se verão as diferenças.

Faz por ser visitado que o teu blogue não é de andar soterrado e desconhecido.

Rui Silva disse...

Nisto tudo há uma coisa que eu ainda não percebi (pergunta malandra). Afinal qual é neste momento a "IDEOLOGIA" do PSD? Social democrata? Mas esses são os PSs...Direita liberal? Conservadores? Centro direita? Direita assim-assim? Centrão bicéfalo da "união Nacional" do actual regime? Associação de amigos que ambicionam o poder?

Como já te disse várias vezes, o que é mais confrangedor neste actual PSD é a pobreza de actores políticos e de líderes com carisma. Ninguém...ou poucos para além exiguidade da liderança, se mostram neste PSD. E porquê? Porque não há PODER à vista, ou seja, não "cheira" a governo! Porque se existisse haverias de ver a quantidade de virtuosos e participativos candidatos aparecerem para a função!

São coisas desta democracia, à qual, como intervenção de cidadania, eu já deixei dar voto!

Paulo Pisco disse...

Caro Rui. Os grandes partidos são tudo isso que referes, ams também conseguem ser mais algumas coisas. Tudo depende do tom que é dado por quem o dirige em cada momento. Se o tom é mediocre é isso que se nota se o tom é de qualidade acontece o mesmo, sobressai o pior ou o melhor, conforme o que se promove.

As ideologias hoje já são mais matéria histórica do que verdadeiros instrumentos de acção politica. Existem muitos fenómenos que nem sequer se destinguem dentro da já gasta dicotomia esquerda/direita.

A questão que apontas das figuras "na reserva" há espera de tempos melhores também nos levava muito longe, mas não deixas de ter uma certa razão. Todos preferem tratar da "vidinha". Mas quem não peca que atire a primeira pedra...

Paulo Pisco disse...

Caro Rui. Os grandes partidos são tudo isso que referes, ams também conseguem ser mais algumas coisas. Tudo depende do tom que é dado por quem o dirige em cada momento. Se o tom é mediocre é isso que se nota se o tom é de qualidade acontece o mesmo, sobressai o pior ou o melhor, conforme o que se promove.

As ideologias hoje já são mais matéria histórica do que verdadeiros instrumentos de acção politica. Existem muitos fenómenos que nem sequer se destinguem dentro da já gasta dicotomia esquerda/direita.

A questão que apontas das figuras "na reserva" há espera de tempos melhores também nos levava muito longe, mas não deixas de ter uma certa razão. Todos preferem tratar da "vidinha". Mas quem não peca que atire a primeira pedra...

Rui Silva disse...

Só queria concluir que obviamente o que referi e onde dei o PSD como o exemplo mais evidente, é igual para todos os outros partidos! Principalmente para o "centrão".
Mas isto levar-nos-ia a reflectir que esta "democracia" necessita urgentemente de ser reformulada!
Existem outros exemplos que aqui poderia dar, como por exemplo o acumular de cargos, etc...ou o facto de certos deputados serem eleitos e depois deixarem de o ser para "subirem" noutras funções, o o facto de geralmente os Presidentes da República só serem mais interventivos no segundo mandato, por razões de estratégia eleitoral partidária (casos de M. Soares e Sampaio), etc...etc...daria "pano para mangas"