sexta-feira, setembro 30

James Dean


Quem consegue viver sem heróis?

Mas os heróis normalmente morrem novos. Triste condição. Morrer cedo para ganhar a imortalidade.
James Dean, um dos que melhor representou este arquétipo no século XX fazia hoje 74 anos. Um brilhante actor. Aqui fazemos uma vénia ao génio humano.

Dias de Setembro 30


Edward Hopper

Self-Portrait

1925-30


Hoje termina a homenagem a este magnifico pintor americano (1882-1967), que esteve presente neste blog com 28 quadros e 2 desenhos ao longo de todo este mês de Setembro.
Escrever mais para quê? A obra fala por si.

quinta-feira, setembro 29

Soares e Alegre

Mero conflito de personalidades. Nada os separa verdadeiramente. Na segunda volta qual teria melhor resultado? Nunca poderemos saber pois se existir, apenas uma das hipoteses tem condições de ser verificada.

Dias de Setembro 29


Edward Hopper

Room in Brooklyn
1932

Eram assim as janelas sobre o mundo. Silenciosas, fixas e permanentes.

quarta-feira, setembro 28

Dias de Setembro 28

Edward Hopper

The "Martha Mckeen" of wellfleet
1944

Vontade de partir, de navegar para outros portos para outras paisagens.

terça-feira, setembro 27

Dicionário Autárquico 1

“As eleições Autárquicas não têm uma leitura nacional” – Jorge Coelho.
Dito agora na SIC Noticias.
Então o seu ex-chefe Guterres demitiu-se em 2001 por uma razão que nos terá escapado a todos. Inclusive ao próprio Coelho. Será?

A natalidade e a competitividade territorial

O decréscimo acentuado da natalidade em Portugal é desde a década de 60 uma constante, tendo sido “camuflado” com o regresso massivo das ex-colónias no pós 25 de Abril. Este aspecto é, em nosso entender, um dos sintomas que revelam a decadência de uma sociedade. Neste caso a nossa. Apesar da melhoria do nível de vida nas últimas décadas este indicador não tem traduzido essa melhoria. Ou seja, apesar de viverem melhor os portugueses não aumentaram a sua prole. Pelo contrário continua a diminuir.

Ter filhos é cada vez mais, nesta sociedade consumista e voltada para o prazer imediato, encarado como um acréscimo de despesa e de “chatices”. Para além do factor individual, que não interessa para já reflectir, é cada vez mais necessário perceber o que leva a sociedade a pensar assim. Quem tem filhos sabe quão dificultada tem a sua tarefa na sociedade actual.

Este é um assunto que valia a pena discutir. É necessária uma politica voltada para a família assim como a revalorização social do seu papel. Este tema, é um dos temas que gostaríamos de ver debatido nas autárquicas porque, apesar de ser um problema de contornos nacionais, é no plano local que se decidem os aspectos mais directamente a ele ligados. A competitividade territorial está a passar cada vez mais por aqui. Logo a competitividade das cidades.

No futuro – e já no presente, veja-se o caso do Alentejo e das zonas fronteiriças – a fixação de população é essencial para o desenvolvimento local e regional. As condições de vida oferecidas por cada cidade/região são fundamentais para a fixação de população. E não pensem que é só um problema de “interioridade” porque dentro das áreas metropolitanas as condições de fixação de famílias jovens é, a par do emprego e do preço da habitação, um dos factores de maior peso nesta competição territorial.

O Taxista

È o novo sector de actividade que está a dar, ou em linguagem mais actual, os “lideres de opinião” a conquistar. Diversões de campanha eleitoral.

Dias de Setembro 27


Edward Hopper
1921
Mais uma homenagem à noite.

O amor é o amor


O amor é o amor - e depois?!
Vamos ficar os dois
a imaginar, a imaginar?..
O meu peito contra o teu peito,
cortando o mar, cortando o ar.
Num leito
há todo o espaço para amar!
Na nossa carne estamos
sem destino, sem medo, sem pudor,
e trocamos - somos um? somos dois? -
espírito e calor!
O amor é o amor - e depois?!


Alexandre O´Neill

segunda-feira, setembro 26

domingo, setembro 25

Porque



Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.



Sophia de Mello Breyner

Dias de Setembro 25

Edward Hopper

Hills, South Truro

1930


Parabéns irmã. 40 Anos trazem sempre novos horizontes.

sexta-feira, setembro 23

Dias de Setembro 23



Edward Hopper

Night Windows

1927

Recuperar esta bela actividade. “Janelar”. Na noite a janela pode ser ainda mais indiscreta.

Não há inocentes.

O sentimento de degradação da vida pública parece não parar de se acentuar. As manifestações de apreço por determinados lideres do poder local mais não reflectem que a falta de esperança em políticos sérios e capazes.

“Mais vale um que já se conhece, mas que trabalhe porque roubar todos roubam, este ou menos não se vai embora."

Este parece ser o sentimento que alimenta parte deste fenómeno. É triste mas tem de ser olhado com atenção. Sem falsos puritanismos. Nesta história não há inocentes. Todos, em graus diferentes, estamos a participar ou a assistir.

Aos que assistem recomenda-se muita atenção. O filme, parece, ainda só estar a meio.

quinta-feira, setembro 22

Dias de Setembro 22

Edward Hopper
East Side Interior
1922
Hopper foi também um grande desenhador. Era a partir daqui, que normalmente, iniciava o seu trabalho.

quarta-feira, setembro 21

O direito à diferença

Muitas vezes nos perguntamos se o direito à diferença terá sempre de conduzir a uma obsessiva procura da igualdade. O que começa por a luta pelo reconhecimento da diferença torna-se numa mimética e descabida procura de igualar o inigualável.

Vem isto a propósito de uma petição da ILGA para colocar na agenda politica o “casamento de pessoas do mesmo sexo” pretendendo que este tema seja discutido no parlamento.

Para além da escassa urgência deste tema perante o enorme número de questões na situação político-económica é um tema sem sentido.

O casamento tem uma história bem conhecida. Está intimamente relacionada com a estabilidade social da espécie, onde se contratualizou a relação entre dois seres de sexos diferentes para garantir a segurança dos próprios e da sua descendência. Para não falarmos dos fundamentos religiosos ou espirituais. De uma forma simplificada e rápida estas foram as razões perenes para a existência do casamento.

A união entre pessoas do mesmo sexo tem apenas a ver com a primeira das razões. Falta-lhe a segunda. Por enquanto a procriação ainda está dependente dos dois sexos, masculino e feminino mesmo que artificialmente concebido, todos nascemos com pai e mãe. Por esta razão chamar o mesmo nome a duas realidades diferentes com fundamentos diferentes não tem qualquer sentido.

As uniões de facto já são uma garantia para assegurar os direitos e a segurança legal perante o património (material e outro) entre pessoas do mesmo sexo. O reconhecimento da diferença não tem de tornar tudo igual.

P.s – queremos aqui deixar claro que nada temos contra as diversas formas de amor e união, apenas contra a igualização do que é diferente, porque não é tudo igual as diferenças devem ser devidamente assumidas.

Dias de Setembro 21

Edward Hopper
House at Dusk

1935
O último dia de verão.

terça-feira, setembro 20

segunda-feira, setembro 19

Dias de Setembro 19

Edward Hopper

East Wind over Weehawken,
1934
Regresso às aulas. Crianças. Muita expectativa. Novas esperanças. Um novo ano escolar.

Greta Garbo



Fazia anos hoje (n.1905). Ontem esteve na RTP 2 em Anna Karenina (1935)

domingo, setembro 18

Será este quadro "arte gay"?

Francis Bacon
Self Portrait
1976

A propósito da propaganda e contra-propaganda acerca da exposição pública, cada vez mais assumida, de um certo “modo de vida gay” não se pode perder o que escreveu sobre o assunto na “Actual” (Expresso) João Pereira Coutinho em resposta António Guerreiro. “Identidade e neurose” é o título do artigo. O seu autor defende a tese simples e evidente de que o “ Homossexual é adjectivo não é substantivo. Descreve um acto não uma identidade”. No essencial está tudo dito.

Será este belo quadro de Bacon, alguma vez, um quadro de “arte gay”?

Pensamos que não. Tenham paciência mas nunca a preferência sexual foi factor valorativo ou depreciativo de uma obra de arte ou de uma realização humana. A não ser por gente que não percebe nada do assunto e talvez por isso só consegue discutir do que verdadeiramente percebe.

Tentar catalogar como factor identitário a preferência sexual - ou a cor da pele, por exemplo - não faz o mínimo sentido. Como refere JPC a “elevação da natureza a causa indentitária” não tem qualquer cabimento. Não se escolheu. É assim.

Não vale a pena ser exposto como factor a ter em conta por si só. Uma vítima é uma vítima. Independentemente de ser ou não ser homossexual. Um criador tem mais ou menos valor independentemente de com quem ele anda ou se deita. A obsessão da afirmação com base apenas num factor - sexual ou outro - só torna os próprios “escravos” dessa condição. Quando o ser humano é muito mais do que apenas isso. As criações são humanas não são de sexo, raça ou religião...

Dias de Setembro 18

Edward Hopper

Gas
1940


Num Domingo como hoje este pode ser o cenário. Por quantos mais anos o será? Eis algo que ninguém se atreve a adivinhar.

sexta-feira, setembro 16

Dias de Setembro 16



Edward Hopper
Light at Two Lights
1927
Entre o novoeiro é necessário algum ponto de referência.

quinta-feira, setembro 15

15 de Setembro dia de Bocage


Apenas vi do dia a luz brilhante

Apenas vi do dia a luz brilhante
Lá de Túbal no empório celebrado,
Em sanguíneo carácter foi marcado
Pelos Destinos meu primeiro instante.
Aos dois lustros a morte devorante
Me roubou, terna mãe, teu doce agrado;
Segui Marte depois, e enfim meu fado,
Dos irmãos e do pai me pôs distante.
Vagando a curva terra, o mar profundo,
Longe da Pátria, longe da ventura,
Minhas faces com lágrimas inundo.
E enquanto insana multidão procura
Essas quimeras, esses bens do mundo,
Suspiro pela paz da sepultura

Manuel Maria Barbosa du Bocage

quarta-feira, setembro 14

Indicadores de Educação 1

O Relatório “Education at a glance” reflecte, comparativamente, sobre alguns indicadores de educação nos 30 países da OCDE. Hoje o Público destaca em primeira página os últimos resultados deste relatório (2005).

Continuamos a verificar que, apesar da melhoria dos últimos anos, do conjunto da OCDE, a população portuguesa, entre os 25 e os 34 continua a ser a que menos anos passou na escola: 8,2 anos – 12 na média da OCDE. O México e a Turquia estão nesta lista.

A taxa de conclusão do 12ºAno é de apenas 37% no mesmo grupo etário. Ou seja entre os 25-34 anos 63% não têm o 12ºAno.

Alargando a toda a população adulta (25-64 anos) apenas 22% têm o 12ºAno completo. A média da OCDE é de 66%.

A Coreia do Sul passou de 32% nos nascidos na década de 40 (55-64 anos), para 97% nos nascidos na de 70 (25-34). Sendo hoje o país deste grupo com melhor desempenho neste indicador. Secundado por países como Noruega (95%), Japão e, pasme-se Eslováquia (94%).

No mundo da OCDE quem não completa o Ensino Secundário tem duas vezes mais probabilidades de ficar no desemprego do que os que o completaram. Ou seja, neste mundo, o grau de educação formal obtido faz uma enorme diferença na obtenção de emprego, pois esses empregos exigem cada vez maior qualificação.

Apesar da enorme evolução observada nos últimos anos e de todas as reformas do ensino estes números – tal como outros – não nos podem deixar tranquilos. São demasiados os jovens de hoje que não terminam o secundário. E a exigência do ensino tem vindo a baixar. Não nos parece ser possível continuar a pensar que um certo laxismo conduz a menor abandono escolar. Os números não indicam isso. O que os números indicam é que tem sido à custa do aumento da escolaridade obrigatória que o grau de escolarização aumenta.

Pensamos por isso que o objectivo de aumentar a escolaridade obrigatória para o 12ºAno é fundamental para alterar esta realidade. Não poderá deixar de ser acompanhado de outras medidas – por exemplo: o aumento da exigência através da avaliação das escolas e uma via de ensino profissionalizante verdadeiramente alternativa – mas é indispensável que venha ser implementada.

Sem outros recursos a nossa única riqueza é o material humano e este ainda está muito longe de estar minimamente formado. Sem atacarmos esta realidade todo o restante esforço será em vão.

P.S. -O Relatório trás outros aspectos muito interessantes que abordaremos mais tarde.

Dias de Setembro 14



Edward Hopper

Blackhead, Monhegan

1916/19

O calor destes dias volta a pedir mar.

terça-feira, setembro 13

segunda-feira, setembro 12

O sexo dos Anjos

Hoje no Público um artigo de Mário Pinto foca a velha questão de quem faz melhor o quê. Estado ou Privados. Passamos a citar:

"5. PÚBLICO É BOM; PRIVADO É MAU. Há poucos dias, no contexto de várias declarações públicas, entre elas as do Presidente da República sobre as obrigações dos proprietários de florestas, Vital Moreira caricaturou os proprietários privados como incapazes da defesa do interesse público. Editou, no seu blog (cito, com a devida vénia): "A questão dos fogos florestais tornou mais evidente que: (i) a propriedade privada e o mercado não garantem um ordenamento racional da floresta; (...) (iv) a resposta ao flagelo impõe a intervenção do Estado (...). Para desconforto dos ultraliberais, existem áreas onde há Estado a menos, e não a mais...". Vai daí, poucos dias depois, a imprensa noticia declarações oficiais: "Mais de um quinto da área ardida nos incêndios florestais é do Estado". Pouca sorte!"
Este tipo de argumentação parece-nos sempre – sem desprimor para os autores que respeitamos bastante – as discussões Sporting/Benfica, ou outras do género. Que o Estado é grande de mais em Portugal parece-nos uma evidência. Mas se ele funcionasse bem talvez muitos de nós estivessem na disposição de o pagar. O que de facto também não se verifica. E este é, na nossa modesta opinião, o cerne da questão. Quais as funções que devem ser asseguradas pelo Estado.

Todos concordamos que existem algumas que só o Estado tem capacidade e vocação para assegurar. Vamos discutir quais e como os devemos por a funcionar de forma eficaz. Mas mesmo nessas funções os serviços que dai decorrem e podem vir a ser concessionados a particulares.

O caso focado por Mário Pinto a propósito de Vital Moreira parece-nos ser um deles. Dada a fragmentação do território em Portugal terá de ser a Administração (Central, Regional ou Local) a coordenar e a implementar as estratégias definidas. Assim como estabelecer a forma de pagar esse processo, com custos e benefícios repartidos por proprietários, onde se incluiria o próprio Estado. Mas já a sua aplicação no terreno podia ser realizada por empresas privadas.

Estar sempre a discutir o sexo dos anjos não nos parece ser a melhor forma de chegar a Deus. Salvas as devidas diferenças.
Nas questões do Ordenamento do Território e no Urbanismo a Administração terá de estar sempre presente pois na maioria das vezes só ela tem a capacidade de articular tão diversos interesses e legitimidades. No entanto a sua execução não tem que ser, necessariamente realizada por funcionários públicos.

Dias de Setembro 12

Edward Hopper
Chair Car
1960

Ler em viagem. Outro grande prazer. Continuamos sem saber se será o corpo ou a mente o melhor meio para nos transportar.

domingo, setembro 11

Miguelanxo Prado






Dedicamos hoje este pequeno destaque ao mundo da BD.
Miguelanxo Prado é um dos nossos autores de BD preferidos.

Tomamos conhecimento com este autor por mero acaso numa imagem publicada num jornal, onde se falava do autor. Uma simples vinheta. Foi de tal forma impressiva aquela vinheta que fixamos imediatamente o nome do autor para logo procurarmos o que estava publicado no nosso “pequeno” mercado.

“O Manancial da Noite”, foi a primeira aquisição. Depois vieram outros. Foi assim que descobrimos este magnífico autor. Confessamos que o que mais nos fascina é o desenho. A cor também é magnífica. As histórias são interessantes e divertidas mas a originalidade, expressividade e diversidade do traço deste autor são o mais fascinante. A ver e ler mesmo para aqueles que não sejam grandes apreciadores do género. Basta que apreciem arte.

11 de Setembro








Após quatro anos homenageamos aqui todos os inocentes que morreram injustamente e pelas razões mais absurdas. Desejamos que nunca mais volte a acontecer. Esperando que a “barbárie” jamais triunfe. Hoje “somos todos de NewYork".

Dias de Setembro 10

Edward Hopper

Office at Night
1940


Trabalhar à noite. Quase sempre bom. Por vezes quase solene.

sexta-feira, setembro 9

Sondagens

No Margens de Erro analisam-se duas sondagens sobre as presidenciais onde se refere no último paragrafo:
" Para mim, perturbante: que a maioria dos eleitores (quer os que tencionam votar Cavaco, quer Soares, quer todos os outros) achem que o Presidente deva ter mais poderes ou que deva intervir na vida política do dia-a-dia para "ajudar a resolver os problemas do país" (72%). Quando se acha que os problemas do país se resolvem de Belém, isso significa que se acha que as instituições que de facto deviam governar e legislar estão bloqueadas. A importância inusitada que a comunicação social e os comentadores têm vindo a dar as presidenciais de há dois anos para cá é sintoma disto. Mas que isto fosse assim durante o consulado de Santana Lopes, ou mesmo antes, não me surpreende muito. Agora que se continue a achar isso quando um governo dispõe de uma maioria absoluta só posso ver como mau sinal. "
Na nossa modesta opinião a questão não é meramente conjuntural como sugere Pedro Magalhães. Não se trata de existir ou não estabilidade governativa. O problema coloca-se, ao nível do descrédito das instituições.

O regime democrático criou demasiadas expectativas em relação à possibilidade de mudança de alguns problemas estruturais da nação. A construção colectiva de um futuro comum, por contraposição ao mito do “timoneiro” que traçou o nosso caminho individualmente por mais de 4 décadas, esgotou-se rapidamente.

As instituições e as organizações continuam a funcionar muito mal. Apesar de todo o “desenvolvimento” das últimas décadas, esta dificuldade estrutural mantém-se. A mediocridade partidária não ajudou a modificar esta realidade, agravando mesmo o sentimento geral de incapacidade colectiva na resolução de problemas comuns.

Perante a incapacidade institucional e organizacional o sistema funciona mal e quando funciona bem deve-se na maioria das vezes a valores individuais ou mais restritos, normalmente debaixo de uma forte liderança. Por exemplo, quando se pensa distinguir um hospital, não se vêm grandes diferenças, mas dentro destes consegue-se distinguir um bom médico ou uma boa equipa.

O sentimento geral é de desconfiança em relação ao que é colectivo o que tem vindo a gerar uma nostálgica vontade de regressar à individualidade que nos poderá “salvar”, nem que seja só da nossa própria responsabilidade.

E essa nostalgia só nos poderá fazer regressar ao passado.

Contra Corrente

Ver o artigo Sodoma e Gomorra de Pacheco Pereira – publicado na integra no seu "Abrupto" - e "O mundo está melhor" de José Manuel Fernandes são essenciais para perceber como se tem manipulado a opinião, especialmente num país ”pequeno como o nosso.

O primeiro reflecte a forma perniciosa com que toda comunicação social tem olhado para a catástrofe natural provocada pelo “Katrina”. No seu discurso noticioso sente-se, subliminarmente, a intervenção da mão “divina”, recordando-nos o que já se tinha sentido em relação ao 11 de Setembro, recordam-se?

O segundo demonstra com base em dados objectivos de um relatório da ONU que a famosa “Globalização” tem ajudado a tornar o mundo mais próximo – apesar das ainda enormes desigualdades – nas últimas décadas em vários indicadores de desenvolvimento. Curioso é perceber como a análise do próprio relatório contraria a evidência dos números.

Quem disse que a ideologia morreu?

Dias de Setembro 9


Edward Hopper
Chop Suey
1929


Conversar no café pode ser uma das óptimas maneiras de passar estes dias de Setembro, especialmente quando chuvisca como hoje.

quarta-feira, setembro 7

Vistas largas 2


Faltam apenas perto de 24horas para a "implusão" das duas torres em Tróia.
Para além da implosão, já de si assinalável, por representar uma atitude de reconversão do território que não passa por mais construção, esperamos todos os que habitam nesta região um novo impulso para o seu desenvolvimento.
São imprescindíveis vistas largas para agarrar a oportunidade.

Dias de Setembro 7




O Outono parece ter definitivamente chegado. Estou no meu elemento. Esperemos que este não nos abandone demasiado depressa, não se transformando em Inverno precoce ou Verão tardiamente revisitado. As estações também têm direito a ter o seu tempo e espaço. Infelizmente cada vez menos observado.

terça-feira, setembro 6

A Direita e a Cultura

Promovido pelo Direita liberal em Setembro no Teatro S. Luis.

Apesar de considerar a cultura como algo fora do debate meramente ideológico, penso que em Portugal é necessário travar esse combate para repor o equilíbrio. Porque para muitos ser de esquerda e ser culto são quase sinónimos. É necessário corrigir a perspectiva.

Dias de Setembro 6


Edward Hopper
Cape Code Afternoon
1936


A chuva está de volta. São assim os dias de Setembro.

segunda-feira, setembro 5

Sobre as Presidenciais

não perder Uma candidatura positiva

Dias de Setembro 5

Edward Hopper

Corn Hill
1930

Debates Autárquicos 1

Acabamos de assistir a um debate civilizado e esclarecedor entre o Dr. Carmona Rodrigues e a Dra. Maria José Nogueira Pinto. Não me vou pronunciar sobre o teor das propostas concretas, mas não deixa de estar a léguas de distância dos debates a que temos tido a oportunidade de assistir nos últimos dias no mesmo canal (SIC Noticias). Nestes debates têm sido escolhidos os “piores” candidatos, envolvidos nas situações menos recomendáveis e apelando ao que de mais negativo existe entre nós. Tem sido de tal maneira que hoje pareceu um debate de outro país, eventualmente de outra galáxia.
Foi bom, não só por isso, mas porque permitiu uma troca de pontos de vista e de formas de ver as problemáticas urbanas clarificadora e apresentada de forma compreensível, obviamente dentro dos limites do formato. Bem hajam.

sábado, setembro 3

sexta-feira, setembro 2

Não dá para acreditar!



Hoje pela manhã recebi esta missiva no correio:

“Convidam-se todos os membros da Assembleia Municipal a estar presentes na cerimónia de apresentação de cumprimentos de familiares dos 5 cubanos detidos na prisões dos Estados Unidos da América, na qual participará também o Embaixador de Cuba, que se realizará na próxima 3ªFeira, dia 6 de Setembro, pelas 17 e 30m nos Paços do Concelho.
O encontro é aberto à Comunicação Social.

A Presidente da Assembleia Municipal”

A Exma. Senhora Presidente desta Assembleia Municipal é a Dra. Odete Santos em Setúbal. Órgão Autárquico do qual faço parte.

Quando o li, sinceramente não sabia o que pensar de tão intrigante convite. Seria engano. Teria a senhora pensado que estava a enviar para os militantes do PCP e por qualquer lapso seguiu para o sítio errado. Talvez, no entusiasmo da “Festa” – sim porque para “eles” só existe uma festa, a do Avante – tivessem cometido algum lapso.

Não. Parece que é mesmo para levar a sério. É mesmo dirigida aos Deputados Municipais de Setúbal. Sendo assim a perplexidade aumentou. Sabemos que nas últimas eleições lhes deram a maioria absoluta mas a Assembleia Municipal de Setúbal ainda não é o Partido – para eles também só existe um, o Comunista – é um órgão representativo da população setubalense. Merece respeito. Não é apenas um clube de amigos nem uma agremiação. É um órgão representativo de toda uma comunidade. Livre e plural, felizmente.

Ninguém duvida que talvez existam cidadãos cubanos presos no EUA, como provavelmente portugueses. Assim como de todas as nacionalidades que não cumprem as leis do país. Tal como acontece em Portugal.

No entanto, o teor do convite sugere estarem presos nos EUA por serem cubanos. Ao que se sabe, por essa razão só em cuba se encontram cubanos presos. Não 5 mas todos os que ai habitam. Presos na tirania de um ditador há demasiado tempo fora de validade. Em cuba, os que de facto vão para a prisão, pelo simples delito de pensarem pela sua própria cabeça, a maior parte das vezes perdem-na. Saramago só há bem pouco tempo se deu conta disso mesmo. Odete Santos ainda não. Era apenas triste se só a ela disse-se respeito. É humilhante para todos os setubalenses ao envolver a sua Assembleia Municipal nesta caricatura fora de tempo.

Vistas largas 1



Recomenda-se olhar a paisagem como um dos grandes prazeres. Continua a ser gratuito e por enquanto ainda não paga imposto.
Uma paisagem da mais bela serra – Arrábida – e sua baia – Sado. Com Troia ao fundo.

Dias de Setembro 2

Edward Hopper
A Woman in the Sun
1961

Acordar tranquilamente ao nascer do sol e olhar para a janela. Simples. Essencial. Vital.

Dias de Setembro 1

Edward Hopper


Early Sunday Morning
1930

Estes dias calmos do início de Setembro deixam-nos nostálgicos. O Outono aproxima-se sem darmos conta. Apesar do calor a luz já deixa transparecer a próxima estação. É sempre uma boa altura para por os pensamentos em dia. Perspectivar o futuro próximo e ordenar o que parece importante. Vivemos tempos de muito barulho. O silêncio parece ser o mais recomendável. Tudo o que rodeia o espaço público e mediático reflecte uma enorme cacofonia. Nada de verdadeiramente importante parece passar por ali. Resistir e reflectir parece ser actualmente o melhor remédio. Manter o rumo – o nosso rumo – é actualmente muito difícil quando assistimos, todos os dias, a uma constante mudança de objectivos. Tudo conforme as conveniências de cada momento. O táctico venceu o estratégico. O alarve o educado. O bárbaro o civilizado. Já nada se valoriza tudo parece ter igual valor.
Para não nos sujeitarmos é talvez melhor desligar da “espuma dos dias” e fazer apenas o que realmente é essencial, para cada um. E resistir e esperar por melhores dias. Ler pode continuar a ser a solução. Mas atenção ler apenas o que sempre quisemos ler mas ainda não nos demos a oportunidade. Pela minha parte recomendo a “Montanha Mágica” de Thomas Mann. Tem muitas páginas e é muito “pesado” – materialmente falando – e está fora de moda mas vale a pena. Ler uma boa obra continua a ser uma óptima forma de resistir nestes tempos tão pouco estimulantes. Voltaremos à montanha, por agora fiquem com Hopper