quarta-feira, dezembro 12

Voltar ao comboio


Voltámos a ir para Lisboa em transporte público (tp). Ao ir para a faculdade começámos a usar o autocarro, a partir do quinto ano da licenciatura, nos ido de 1994, passámos para o transporte individual. O carro, essa nova armadura que cada vez mais tendemos a usar e abusar. Felizmente, de então para cá, só nos deslocámos a Lisboa em situações especiais. Normalmente em lazer e nessas circunstâncias fugimos sempre ao “apelo” do tp por comodidade e até por economia. Passámos a ser quatro.

Nos últimos meses e fruto do regresso à universidade, voltámos a confrontarmo-nos com a inevitável opção. Ir ou não de carro. Confessamos, que apesar da má consciência, ainda fomos na dita viatura durante os primeiros tempos. Até que experimentámos o comboio. O saudoso. Confessamos que somos fãs. Mas ao voltar a usar fomos ainda mais surpreendidos. É mesmo muito agradável. E ainda por cima temos o bónus de poder ir a pé por uma das mais belas zonas da cidade de Lisboa: a Avenida de Roma na direcção da Praça de Londres. Beber o café na “Mexicana” e depois subir para o “Técnico” (IST), é sem dúvida um grande privilégio. Pelo menos para um apaixonado pelas cidades, como este que vos escreve.

A opção comboio é muito racional, para além de ser agradável e mais amiga do ambiente. Apesar de genericamente se gastar um pouco mais de tempo (+/- 1 hora viagem de Setúbal a Lisboa)) nas deslocações esse facto pode ser compensado com o aproveitamento da viagem, quer para adiantar algum trabalho – e.g. lendo ou telefonando – quer para falar com alguém que não se vê há muito tempo, ou simplesmente para dormitar ou usufruir as paisagens. Do ponto de vista económico o bilhete (carteira de dez pré-comprados) mesmo para quem não compra o passe, por ir apenas alguns dias, é muito compensador. Fica um pouco mais que as portagens, isto para quem vai de Setúbal. Tudo somado vale muito a pena. Para quem se desloca par um ponto próximo da estação, como é o caso, vale muito a pena. Poupa-se o combustível, o estacionamento e ganha-se qualidade de vida. Para nós e para os outros.

Foi uma das descobertas felizes deste Outono.
Experimente, tenha essa coragem. Seja racional.

3 comentários:

Paula Crespo disse...

Quando eu andava na faculdade, eram raros aqueles que chegavam de carro. Agora é o oposto: recém entrados na dita maioridade, a prioridade é tirar a carta de condução, como se isso fosse absolutamente vital para continuar a existir!... Assim uma espécie de Mafaldinha, naquela tira mágica em que ela dizia ao Manelinho (se bem me lembro...) que não tinha televisão, para grande espanto deste. Bizarrias...

Ruvasa disse...

Viva, Paulo!

Você quase me convencia com esse texto tão convidativo, tão apelativo.

Não fora a última frase e lá tinha eu sido apanhado. Felizmente veio a última frase...

É que, no Portugal de hoje, eu quero ser tudo menos racional. Ser racional leva a nada. E não é isso que quero!

;-)

Abraço

Ruben

Paulo Pisco disse...

A Paula Crespo fala de algo que vem mudando bastante. Hoje é condição para muitos alunos e respectivos pais, a obrigatoriedade de um carro quando entram na licenciatura. Assim não admira a dificuldade que é pôr um filho a estudar...

O meu caro Ruvasa continua i gual a si mesmo. Ora se a maioria das opções não se fizer com racionalidade estamos mal. Um dos traços da contemporaneidade é, justamente, o excesso de emoção. O pathos domina o âmbiente social. No caso em apreço e sendo um nostálgico, fiz todo um apelo essencialmente sensitivo, mas mesmo neste caso é a racionalidade que determina a opção. Por comodismo iriamos sempre de carro. Está sempre ali à porta...