domingo, julho 15

Mas

estes resultados podem, se bem analisados, ser esclarecedores do panorama politico nacional num futuro próximo.

4 comentários:

Rui Silva disse...

O "baixinho" tem de se didicar a outra actividade. É mau de mais esse senhor continuar no PSD...
Mas como é óbvio de se ver, desculpa-me a "má língua": no PSD actual, tendo em conta as vissicitudes eleitorais, não cheira a poder e, por isso, os "barões" não aparecem. Deixa a coisa mudar e vais ver como tudo se "compõe"... É só "cheirar a tacho" e os candidatos florescerão como flores na primavera! Até lá o "baixinho" que se aguente com todas as broncas...

Paulo Pisco disse...

Caro Rui. Marques Mendes fez o que tinha a fazer. Agora vamos ver se o "taticismo" entre os eventuais interessados os faz recuar ou avançar. Agora a tarefa de liderar a oposição continua a ser muito difícil. Até pelo estado a que chegaram hoje os partidos politicos.

J.A. disse...

Paulo: creio que há algo de essencial a aprender no episódio do "acordo" do presidente do PSD com Carmona que levou à queda da Câmara. Eu acredito que Mendes tenha ficado com a impressão de que Carmona concordara com a destituição; deve ter sido uma conversa difícil, Carmona pode ter calado e iludido. Tudo somado poder-se-ia dizer que Mendes agiu de boa fé e com coerência, e que Carmona hesitou, calculou e iludiu. Tudo isso pode ser verdade, mas ninguém pode aceitar para dirigir o país uma pessoa que se deixa enganar dum modo tão infantil. Podemos ter a máxima compreensão e admiração, mas não podemos aceitar como líder uma pessoa assim.

Há também uma contradição insanável, que é Carmona ter sido destituído por quem o escolhera. Essa é a outra parte do mesmo problema: para ser coerente Marques Mendes teria de ter dito: enganámo-nos, Carmona não merece confiança, iludiu os lisboetas, vá à sua vida! Talvez por humanismo e educação Mendes procurou ali um "caminho do meio" que lhe foi fatal. Se Carmona merecia essa consideração, porque é que foi destituído? Se não merecia, para quê tantos salamaleques? Não se pode misturar consideração pessoal e consideração política.

A jogada de paciência que era a de todos os partidos da oposição clamarem pela queda da Câmara mas nenhum a provocar (também temos algo parecido em Setúbal) é uma estratégia que parece resultar no nosso eleitorado. Talvez seja o equivalente da hipocrisia diária que é acharmos mal imensas coisas mas raramente confrontarmos directamente alguém. Todos clamam mas ninguém atira a primeira pedra, de acordo com a noção de que quem avançar primeiro é cilindrado. E foi o que aconteceu em Lisboa. Isto não abona nada em favor da democracia portuguesa.

E o que faz um jovem político perante esta característica do eleitorado? Rompe com isto, arriscando-se a uma morte política prematura, ou acomoda-se à espera de saborear os frutos desta perversa árvore?

Paulo Pisco disse...

Caro JA,

Posso até aceitar o seu ponto de vista, mas existem pessoas imprevisíveis. E quanto a isso pouco se pode fazer, a não ser agir em conformidade. Que Marques Mendes fica desautorizado perante a opinião pública é um facto.

Estou muito de acordo quando refere que “Talvez seja o equivalente da hipocrisia diária que é acharmos mal imensas coisas mas raramente confrontarmos directamente alguém.” Parece ser assim para muita gente. Até porque quem corta direito é muitas vezes visto como alguém “desumano”, pouco dado às pequenas misérias que muitos gostam de cultivar. As suas e as dos outros.

Um “jovem político” deve perceber a realidade que o envolve e agir conforme a sua consciência. No nosso entender a actividade politica não é uma “carreira” mas um serviço que se presta quando existe um encontro entre a nossa vontade e a vontade da comunidade que nos cerca. As características de cada um não servem para todos os “tempos”. Cada tempo “aceita os seus protagonistas”. Ter esta consciência é essencial, para quem não sente a politica como uma carreira. De resto existem muitas outras coisas que a vida oferece igualmente interessantes para fazer. Não acha?