terça-feira, janeiro 5

O "povo" Português e a educação


A relação dos Portugueses do “povo” com a educação merece reflexão. Vem hoje referido no Jornal Público que o “abandono escolar acompanha os Portugueses”. A constatação vem de para além de sermos o segundo País da Europa com maior abandono escolar, esta fatalidade acompanha a nossa comunidade lusa emigrante. Ou seja, mesmo emigrados os filhos dos portugueses têm um abandono superior e piores resultados escolares que os nativos.

A escola e a educação parecem não ser vistas como factor a valorizar por parte das famílias bastando para estas que os filhos sigam os trilhos traçados pelos pais e para isso não foi necessário estudar para além do estritamente necessário. Não é de estranhar.

Durante séculos a erudição era coisa de ricos ou de padres. Gente que vivia do trabalho do povo. Este, por isso, não necessitava dos estudos para fazerem aquilo que o destino lhes tinha encarregado de fazer: servir e sobreviver. Passando ao lado da modernização dada pela industrialização, dos conflitos mundiais, sem crises de identidade nacional ou religiosa a educação do povo pareceu, a todos, coisa desnecessária. Quer aos próprios, quer ao Estado. Não por estupidez como se poderia pensar à partida mas por um profundo sentido prático: para quê perder tempo inutilmente?

Mesmo com os progressos verificados a partir dos anos 60 esta percepção mudou pouco. A mobilidade social praticamente inexistente até então, conseguida apenas pela via militar ou religiosa, atinge só uma magra camada da classe média emergente de então para cá. Tendo um mundo fora do País, historicamente os portugueses resolveram sempre os seus problemas económicos, não por via revolucionária ou desenvolvimentista, mas saindo de cá. Ou para o Império ou como emigrantes. Assim, estudar para quê?

As primeiras gerações de emigrantes vindas do povo que saiu por falta de alternativas sofrem, ainda hoje, da mesma percepção que os que cá ficaram sem alternativas. Não existe necessidade de se educarem para fazerem aquilo que os espera, que é o mesmo que a seus pais. Quando esta percepção mudar a educação será valorizada por ser útil. E isso só pode acontecer quando o nosso País se tornar mais aberto à sociedade do conhecimento e mais meritocrata, premiando pelo valor individual mais do que pela condição de proveniência. Sem estas mudanças dificilmente os Portugueses do povo mudarão a sua relação com a educação. Alguns passos estão a ser dados nesse sentido mas muito ainda falta fazer.

segunda-feira, janeiro 4

Desejos para 2010 e seguintes

Um dos desejos que temos para 2010 e para a década que se segue implica a mudança de perspectiva sobre o desenvolvimento territorial. Durante muitos anos, acentuado pelo atraso estrutural do País, a grande aposta foi a infra-estruturação do território. Este esforço, por si, faria com que o desenvolvimento chegasse por indução do “hardware”. Considerou-se que o “software”existente chegava bastando ser expandido. Foi um erro.

A infra-estrutura melhorou bastante e foi importante para assegurar o início da mudança, mas essa é, apesar de tudo, a parte mais fácil. Fazer o resto é mais demorado. Como a mudança foi muito acelerada as pessoas e os procedimentos mantiveram-se os mesmos. Conservando o “software” ele chega a um ponto de esgotamento onde já não produz mais nem melhor. Pode-se até aumentar o “hardware”mas o que se observa é a continua incapacidade de progressão e adaptação aos novos desafios. Quando isso acontece começamos a ter a sensação de estar a andar para trás porque tudo o resto avança muito depressa.

Mas por força da internacionalização da economia alguns sectores avançaram mais depressa e dentro de cada um deles, uns mais que outros. Assim quando olhamos vemos um País a duas velocidades. Nas áreas mais protegidas da concorrência (ou mesmo fora dela) sentimos regressão noutras, mais expostas, grande transformação. Mesmo nos serviços do Estado vemos grandes assimetrias e, por vezes, em serviços equivalentes. Não é difícil encontrar dentro da mesma universidade pública centros de excelência e outros completamente “esclerosados”,tal como serviços de saúde de ponta a conviverem lado a lado com as rotinas médicas mais ultrapassadas, só para dar dois exemplos.

Por ter sido tão rápida a transformação muitos de nós continuam a acreditar que o desenvolvimento necessário virá por via de um aumento da infra-estrutura pois foi através dela que melhorámos a nossa qualidade de vida. Mas esta crença tem levado a investimentos errados porque desnecessários ou mal dimensionados. Acredita-se que este induz sempre desenvolvimento mas já vamos tendo muitos exemplos que nos demonstram o contrário. Os estádios do Euro 2004 são disso um aterrador exemplo, onde com excepção de dois ou três (os que efectivamente deviam ter sido construídos) todos os outros são insustentáveis sem se saber o que fazer deles. E como os estádios muitas outras com menor dimensão e menos projecção se encontram com o mesmo problema. As próximas décadas serão de encerramento de muitas delas pelo País fora por incapacidade de manutenção. No sector público mas também no privado.

O que necessitamos agora é de investimento no “software” porque o “hardware” disponível, com algumas adaptações pontuais tem capacidade para o suportar mais uns anos. A competitividade dos territórios são essencialmente conseguidos pelas pessoas que têm ou conseguem atrair. Conseguir tornar a sua vida mais fácil para que estas libertem a sua imaginação, recursos e atenção para o que realmente interessa é a mudança necessária. A produção de valor e realização pessoal e colectiva fazem-se capacitando e mudando pessoas e sistemas. O que necessitamos é pôr o que já existe a funcionar em rede aproveitando ao máximo os recursos e infraestruturas existentes tornando-as sustentáveis logo rentáveis. Sejamos inteligentes temos de trabalhar, não mais mas melhor. Não construir mais mas preservar o que temos e melhorar a sua utilização.
Bom 2010.

terça-feira, dezembro 29

Chuva


A chuva e o frio tardaram mas estão para ficar. Não pára de chuver. É bom podendo estar recolhido. Recolha-se.

quinta-feira, dezembro 24

domingo, dezembro 20

End of the afternoon in Albarquel




Albarquel and River Sado



City of Setúbal



S. Filipe Castel (Setúbal)

Novos ventos

É com alguma alegria que começo a ver um outro tipo de discurso disciplinar na arquitectura e no urbanismo. A revista JA (www.jornalarquitectos.pt) chegou-nos esta semana e o título é «SER POBRE» (BEING POOR). E desde o editorial, de Manuel Graça Dias – Uma Cidade Democrática (repescando parte dos pontos de vista de um artigo do número 234 da JA de Jordi Borja) – aos projectos escolhidos e aos ensaios apresentados, passando pela entrevista ao Filipe Balestra, tudo parecia caminhar num outro sentido. Diferente daquele que temos ouvido nas últimas décadas, muito centrado nas questões disciplinares e pouco ligada á vida das comunidades que deu origem ao "Star System" vigente.

Numa das últimas edições do Jornal Expresso o Arq. Souto Moura respondeu a uma “encomenda” do Jornal, onde realizou um projecto de uma casa com um orçamento reduzido para uma família de classe média, onde justamente colocava a arquitectura ao serviço das “classes populares”. Referindo-se na entrevista como sendo esse um dos sentidos desejáveis da arquitectura nos próximos tempos.

As cidades, sempre no centro deste debate, têm de ser alvo de reflexão sobre os caminhos trilhados nas últimas décadas. O direito de acesso à habitação, hoje, alia-se ao do acesso à cidade e à cidadania. Estes têm de se tornar direitos fundamentais para todos. A vida urbana não se compadece com a crescente segregação da cidade. Esta tem de voltar a ser de todos e para todos. Juntos nas diferenças. O objectivo é difícil mas possível e desejável. De outra forma seremos mais pobres como seres humanos. Continuar a construir muros não nos parece urbano, mas sub-humano.

Pôr a arquitectura e o urbanismo a pensar no interesse público é um sinal positivo dos novos tempos. Estas disciplinas começavam a estar confinadas entre o exibicionismo e burocracia mas, felizmente, novos ventos parecem querer soprar.

quinta-feira, dezembro 17

O Tremor de terra

Não foi grande mas já deu para sentir. De madrugada acordámos com a sensação de movimento. Foi estranho e um pouco assustador ver o desajuste e o balançar entre os pilar e a viga do quarto. A completa impotência, durante aqueles breves minutos fez antever o pior. Felizmente acabou rápido e sem qualquer consequência. Ficou apenas uma sensação estranha de respeito(ou medo). Deu para sentir.

segunda-feira, dezembro 7

Gato por Coelha...



Ver a Playboy é o sonho de (quase) todos os rapazes. Ser a sua capa será a consagração definitiva? Não sabemos, mas um "gato" substitui-o a coelhinha tradicional na edição portuguesa de Dezembro. Não é para todos. RAP soma e segue.

sexta-feira, dezembro 4

Uma obra de Arte



Este é um programa televisivo que em termos de formato não é muito diferente de muitos do género. Concorrentes dançam em pares, são avaliados por um Júri e eliminados pela votação do público. Até aqui tudo normal. Mas o fantástico deste programa é a qualidade geral. Os bailarinos são extraordinários, os coreógrafos são fabulosos e até o júri é interessante.

Toda a produção envolvida em cada dança é uma autêntica obra de arte. É uma maravilha ver tanto talento reunido. Se não fosse um programa televisivo seria um espectáculo muito caro e exclusivo, assim todos podemos ver. Uma prova de que a televisão pode fazer Arte. Na Fox.

O país está a mudar mais do que pensamos




Hoje no Público

«Entre 5 e 15 de Novembro, 35 por cento da electricidade consumida em Portugal teve origem no vento. Nesse mesmo período, a energia eólica foi a principal fonte da electricidade consumida a nível nacional, ultrapassando as centrais térmicas. (…)
Um estudo realizado pela Deloitte, ontem apresentado numa conferência organizada pela consultora e pela APREN sobre o impacto económico das energias renováveis em Portugal, salienta que a manter-se o que está previsto na estratégia nacional para esta indústria, a produção esperada (34 terawatts/hora) irá corresponder a 50 por cento do consumo eléctrico nacional dentro de apenas seis anos, em 2015. Para já, em 2008 esse peso foi de 38 por cento, indica também o documento.
(…) o valor previsto a nível de poupanças acumuladas devido às renováveis entre 2005 e 2015, de 15.300 milhões de euros, "daria para duas terceiras travessias sobre o Tejo, dois novos aeroportos mais duas linhas de alta velocidade até Badajoz".
Só em 2008, o país terá poupado 1465 milhões de euros, incluindo ainda as emissões de CO2. Os empregos directos e indirectos chegaram aos 36.100 postos de trabalho.»





O investimento na alteração das fontes energéticas e nos hábitos de consumo (e.g. nas habitações e nos automóveis) são conjuntamente com o investimento na I&D dois dos melhores investimentos que o país está a fazer nos últimos anos. A nossa dependência energética (um dos grandes responsáveis pelo défice externo) e o reforço da capacidade inovadora são mudanças estruturais que interessa inverter e isso está a acontecer, mais depressa que julgamos.
Não se sente da mesma maneira em todos os sectores, mas existirá um efeito de contaminação positivo. Durante alguns anos vamos assistir a “mundos” em queda e “mundos” em ascensão e isso vai ser chocante, mas as mudanças de modelo económico/social e cultural que vivemos assim o exigem.
A escolha individual e colectiva vai ser a qual dos mundos se quer pertencer.

quinta-feira, dezembro 3

sábado, novembro 28

Coimbra



Está com mais encanto. Depois de alguns anos em que a cidade parecia estar perder protagonismo pareceu-nos estar outra vez com grande pujança. Uma Universidade forte, um sector de saúde em afirmação e uma requalificação urbana, lenta mas segura, dos seus locais históricos estão a transportar a cidade para o século XXI.

Uma agradável estadia num congresso de Geógrafos de onde saímos com a sensação de estarmos mais acompanhados do que pensávamos. A mudança societal que atravessamos também se reflecte na Geografia Portuguesa. Valeu a pena.

quarta-feira, novembro 25

Parabéns Filho

MOMA

New York 2009


Já lá vão 14. Não direi o habitual, parece que foi ontem, mas não andamos longe dessa sensação.
O que podemos verificar é que ele não parou de "subir", de crescer, e isso é tudo o que um pai deseja assistir.

segunda-feira, novembro 23

Importa-se de repetir...

«Presidente angolano quer "tolerância zero" do MPLA à corrupção
José Eduardo dos Santos diz que "gente de má-fé" está a delapidar as riquezas do país»

Hoje no Público

sábado, novembro 21

Very good music


This was a surprise. I didn’t know them. Thank you E.
But for the ones who appreciate nice eclectic music with a jazz touch, enjoy

terça-feira, novembro 17

O País está a mudar mais do que pensamos


"Pais querem filhos a estudar em casa durante recuperação

Por Bárbara Wong hoje no Público



Nos primeiros dias estão mais prostrados, com febre alta, dores de cabeça, de garganta ou de barriga, mas só depois de sete dias é que podem regressar à escola. Até lá, os alunos com sintomas de gripe A podiam ir fazendo trabalhos para acompanhar o que se passa na sala de aula, defendem os pais. No entanto, a actuação das escolas varia muito.

Há professores que mandam trabalhos para casa, outros telefonam aos encarregados de educação e informam sobre o que os educandos podem ir fazendo enquanto não regressam à escola. Os mais tecnológicos deixam exercícios ou propostas na plataforma Moodle (um sistema on-line usado pelas escolas para informação e gestão da aprendizagem) para os alunos consultarem, ou enviam trabalhos por correio electrónico. O problema, dizem alguns directores de escolas contactadas pelo PÚBLICO, é que nem todos os pais se preocupam com esta matéria e muitas famílias não têm acesso à Internet."

Red Independent Heart




One of the most interest contemporaneous artist in Portugal. She is working with traditional materials and techniques in a modern approach. Changing scale and the mining of the objects like in the Pop Art, but using Portuguese crafts tradition, Joana creates a very original pieces and even urban interventions.

terça-feira, novembro 10

The Bridges



As pontes são para nós fascinantes.Unem mas também separam. Durante a Idade Média as pontes na europa tinham de ter autorização papal. Era o Sumo Pontífice o único que podia estabelecer as ligações pois só alguns podiam saber aquilo que deve ser conectado.

As pontes ligam margens, mas constituem-se em elementos de valorização da paisagem. Acabam por se tornar o mais notável dos elementos do seu território envolvente. São o devir das margens e o pórtico dos rios. Têm essa dupla função o que lhes confere ainda mais ambiguidade.

Ponte 25 de Abril

Lisboa

segunda-feira, novembro 9

7º Congresso Nacional da Administração Pública - INA

” Estado e Administração na resposta à crise”,

10 e 11 Novembro 2009, Centro de Congressos de LisboaAIP, Junqueira, Lisboa
Amanhã estamos aqui...

Já foi há 20 anos


Nascemos já com o Muro de Berlim. Crescemos com um mundo dividido entre o Ocidente e o Leste. O Muro caiu. De repente tudo mudou. Percebemos então que outras divisões menos ideológicas e mais reais existiam no mundo. Mas sabe sempre bem mandar abaixo um muro. Todos os muros.




sexta-feira, novembro 6

O País está a mudar mais do que pensamos



«Metade do país já usa o computador mas não a Net


Pela primeira vez, o Instituto Nacional de Estatística (INE) regista que mais de metade dos portugueses entre os 16 e os 74 anos usa computador. Os dados, divulgados ontem, revelam que 56 por cento das famílias têm um computador e que 51,4 por cento da população utiliza esta tecnologia.

O relatório, que diz respeito ao primeiro trimestre deste ano (o que já integra computadores e placas de Internet dos programas e-escolas e e-escolinhas), indica ainda que o acesso à Internet de banda larga passou a existir em 46,2 por cento dos agregados familiares - uma subida significativa face aos 39,3 por cento do ano passado. No entanto, a penetração total de Internet (banda larga e estreita) pouco mudou: 46 por cento dos agregados estavam online em 2008, valor que subiu ligeiramente este ano, para os 47,9 por cento. »

Hoje no Jornal Público

quinta-feira, novembro 5

abstract art

12º CONGRESSO DOS ARQUITECTOS


TEMA:


Arquitectura para Todos: uma Política Pública de Arquitectura para Portugal


SUBTEMA 01: ARQUITECTURA E AMBIENTE CONSTRUÍDO

PAINEL 01.01: Ordenamento e Reabilitação de Cidades e Territórios
PAINEL 01.02: Combate às Alterações Climáticas e Sustentabilidade das Cidades e Edifícios

SUBTEMA 02: ARQUITECTURA E CULTURA

PAINEL 02.01: Inovação e Criatividade em Arquitectura
PAINEL 02.02: Conservação e Valorização do Património Construído

SUBTEMA 03: ARQUITECTURA E EXERCÍCIO PROFISSIONAL
PAINEL 03.01: Legislação, Encomenda Pública e Defesa dos Consumidores
PAINEL 03.02: Habilitação, Capacitação e Responsabilidade Profissional

SUBTEMA 04: ARQUITECTURA E CIDADANIA

PAINEL 04.01: Participação das Comunidades e dos Cidadãos
PAINEL 04.02: Educação com a Arquitectura




Local: Casa das Artes, Parque de Sinçães, Vila Nova de Famalicão * Data: 10, 11 e 12 de Dezembro



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Vamos participar

visão verde


Para quem se interessa por ambiente urbano e gestão de cidades numa nova perspectiva, não pode perder a edição de hoje da Revista Visão. A informação e reflexão ai proporcionada é indispensável para os dias de hoje.
Esta é a prova de que o jornalismo de causas (e efeitos) ainda pode ser muito útil. Parabéns à Visão.