sexta-feira, março 2

Paulo Portas


Cheio de si, como sempre, Paulo Portas na sua nova aparição, trás de novo o que sempre quis: Ser o Lider do espaço centro/direita em Portugal. De preferência acabando com o PSD. Ou, pelo menos reduzindo-o à dimensão desejável para Portas. A dimensão do actual do CDS/PP.
Para isso PP pretende ser mais "centro". É isso que quer dizer com partido do século XXI. Tudo aquilo que apontou, neste seu estilo acima da "carne seca" que encarnou (quando estalará o verniz?), são temas pouco inovadores, e quase todos lugares comuns do "politicamente correcto". «Aquecimento global»...«cultura»!???
No entanto, ele mexe-se, tem carisma e muita perserverança e pode ter a capacidade de unir o partido em torno de si. Nos tempos que correm isso pode ser um perigo. Ainda mais quando Sócrates, está fazer o que o PSD tradicionalmente fez: Reformar o Estado e a sociedade. E quando o PSD, actual, tem tido dificuldades em se assumir como herdeiro desse percurso reformista. Tropeçando, constantemente, no tradicional choradinho do protecionismo dos "ameaçados" pela mudança. Quando esses ameaçados têm partidos que, tradicionalmente, os acolhem na sua falta de futuro. O espaço tradicional do PSD pode estar ameaçado à direita e à esquerda. E a sua fuga para o discurso "reinvindicativo" e "proteccionista" pode ser tentadora, mas catastrófica para o futuro próximo.
Pode o PSD estar em perigo? Não cremos, mas pode ficar em (ainda maiores) dificuldades nos próximos anos. Fruto do seu passado recente e de alguma falta de consistência presente.

5 comentários:

Rui Silva disse...

Tivesse o PSD um líder como Paulo Portas e outro galo cantaria na oposição a Sócrates.
Realmente, Marques Mendes...só para rir! Ou não?
Neste momento Sócrates não tem oposição nem dentro nem fora do PS: a família Soares perdeu (pai e filho); Manuel Alegre perdeu; Carrilho "narcisou-se" para a UNESCO; Marques Mendes (?????); Cavaco "está ocupado", Luís Filipe Menezes (Hummmmm ?????); Ribeiro e castro, será que existe ou é um holograma???
Quem restará para fazer frente ao hegemónico Sócrates?
Pergunta-se?

Paulo Pisco disse...

Esse sentimento de inexistência de oposição é a "janela de oportunidade" que Portas pretende explorar. Vamos ver se será bem sucedido...

Luís Marvão disse...

"Ainda mais quando Sócrates, está fazer o que o PSD tradicionalmente fez: Reformar o Estado e a sociedade"

tradicional/ reformista, o PSD?
Curiosa/ não me lembro de nenhuma reforma cuja paternidade possa ser atribuída ao PSD... Houve, sim, muito situacionismo, à sombra dos fundos comunitários, durante o consulado cavaquista.
A não ser que se entenda por reforma a obra de Roberto Carneiro na pasta da Educação, assaz ruinosa para o país.
Na intervenção de Portas, ao menos o mérito em reconhecer a encruzilhada em que está a direita portuguesa.

Paulo Pisco disse...

Caro Luís,

Bem sei que, hoje está na moda dizer e pensar mal do PSD. Sei também que a ultima aparição governativa – Durão/Santana – são de muito má memória, mas a história do PSD é muito rica e mais importante na “evolução” do País do que alguns, eventualmente mais distraídos possam pensar.

Sei, também que a memória tende a conservar os aspectos mais negativos, especialmente para quem vê as questões de modo parcial. A única reforma que te lembras é a de “Roberto Carneiro na pasta da Educação, assaz ruinosa para o país”. Não me revejo nessa, mas na altura muitos apreciaram, onde se incluiu muito “povo de esquerda”. Mas teve entre outros o mérito de subir a escolaridade de 6 para 9 anos.

Mas recordo só algumas para te avivar a memória:

Reforma no sistema fiscal – “Cadilhe”

Privatizações de diversos sectores onde o Estado tinha controle quase absoluto, onde destaco a privatização da Comunicação Social do Estado, onde se incluía a Televisão. (vai ver o que pensava o PS nos anos 80 acerca deste assunto, para não falar da sua esquerda partidária).


Reforma da Defesa – com o fim dos serviço militar obrigatório.

Do ponto de vista social, não sei se te recordas (sito de ”cabeça”) cerca de 20% da população estava no sector primário.

O PSD promoveu sempre a necessidade de mudar a Constituição quer em 1982 (mais politica) quer em 1989 (mais económica). Já te esqueceste que até 82 tínhamos Conselho de Revolução?

No fundo o papel histórico do PSD tem sido normalizar os efeitos do PREC, tornando Portugal num Pais mais europeu. Sei que Mário Soares também deu uma grande ajuda com a possibilidade da Adesão, mas muito PS esteve sempre contra a reformas “liberalizantes” preconizadas pelo PSD.

Sei que o PSD não vive um bom momento e que nem tudo o que fez foi bem feito, mas foi com ele que se promoveram reformas essenciais ao nosso desenvolvimento

Luís Marvão disse...

Caro Paulo,

Confundes reformas com o normal exercício de governação num país normalizado e domesticado pela avalanche de fundos estruturais...
E privatizar no domínio dos medias e do sector empresarial do Estado era curso das coisas desde a década de oitenta, na Europa e nos EUA. O governo de Cavaco limitou-se a seguir a corrente, em tempo de vacas gordas, diga-se de passagem.
Sobre a CRP, não foi o PSD sozinho que reviu, não te esqueças disso...
O cavaquismos foi a versão do fontismo do sec xix, sem no entanto alcançar os méritos deste... E moral/ foi um período desgraçado e que deixou raízes duradouras.
Difícil foi a governação de Mário Soares nos anos oitenta, sob o colete de forças do FMI.
Reformas? Penso que tem sido uma palavra muito abastardada no nosso país.

Um abraço,

Luís Marvão