quarta-feira, outubro 22

Mais um passo



A Índia, tal como a China no passado recente (já pós astronautas no espaço), quer marcar a nova corrida espacial ao pôr a sua bandeira na lua. Em princípio a 11 de Novembro. Mas esta nova corrida quer ir muito para além da afirmação política no seu espaço geopolítico. A sonda, agora enviada, parece ter dois grandes objectivos estratégicos:


Ser um primeiro passo para colocar na lua um ser humano (indiano) em 2020, considerando “o cenário daqui a cem anos, quando as colónias na Lua puderem ser uma realidade “;


Procurar hélio-3, um isótopo raro que é importante para a fusão nuclear. Apesar de ainda não se dominar esta tecnologia, esta” poderá ser uma resposta às necessidades energéticas do mundo de uma forma barata e com menos custos ambientais”;


Como já escrevi antes, esta aventura espacial, será a forma de podermos resolver o problema do crescimento demográfico e da crescente falta de recursos, particularmente os energéticos para podermos continuar a aumentar a qualidade de vida de todos.


Apesar de muitos dizerem que há outros sítios melhores para investir o dinheiro, particularmente em países como a Índia, onde tantos têm fome, continuamos a pensar que a prazo este investimento vai contribuir para o aumento da qualidade de vida.

Não deixa de ser interessante ver países que estão apostados em vencer no futuro, a China ea India, uma ditadura e uma democracia, estarem a investir nesta aventura espacial.

A Europa continua, também aqui, aparentemente mais voltada para o passado.

quinta-feira, outubro 16



Só ao acordar...

Maria José Amorim


2007



É, por vezes, este tipo de visão bucólica que nos faz ter saudades do campo. E nela não podemos “ver” dois outros aspectos essenciais para compor o “quadro”: o silêncio e os cheiros.


Apesar de sermos aficionados da cidade, o campo é mais propício à tranquilidade, à reflexão, à introspecção. O regresso à terra. Ás coisas simples, mas essenciais. Mais condizente com os estados de alma introspectivos, que nos chegam sempre no Outono.

segunda-feira, outubro 13

Divulgação


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O Livro


__A soma de um dilema humanO__

bruno silva

2008

A “Oferta” Errada




O Estado resolveu, no início deste ano lectivo, rever a Acção Social Escolar (ASE). Aumentou o número de pessoas abrangidas e as verbas para aquisição de livros e material escolar. A verba mais significativa vai para a aquisição dos manuais (entre 100 e 140 euros no escalão A e metade para o B). De acordo com informações do Ministério da Educação (ME), as famílias mais necessitadas (escalão A), com filhos entre o 5º e o 7º ano, vão conseguir, com este apoio, comprar a totalidade dos livros, com excepção dos referentes às disciplinas de: Educação Física, Educação Visual e Tecnológica e Educação.

Tornar os livros acessíveis aos alunos das famílias carenciadas é um princípio que ninguém contesta. Mas tornar estes “gratuitos”, parece-nos que, sendo uma medida bem intencionada, não resolve o problema a que se propõe e mantém outros, gastando mais dinheiro. Passamos a explicar:

Com esta iniciativa nem todos os alunos de famílias carenciadas vão ter acesso aos livros escolares. Como sabemos muitas das famílias não recebem apoio, por estarem acima do rendimento considerado elegível, ou não o recebem na sua totalidade (escalão B). Mas mesmo recebendo escalão A, existe um conjunto de livros que não podem ser adquiridos, como o próprio ME reconhece. No entanto, se o dinheiro agora gasto pela ASE em livros, este ano e nos próximos, fosse transferido para as escolas (e não para os alunos “carenciados”) tudo poderia ser diferente. As escolas compravam os manuais adoptados para uso geral e, em poucos anos, com os mesmos recursos, conseguia-se por os livros acessíveis à totalidade dos alunos fossem, ou não, de famílias carenciadas. Ao associar a aquisição do livro ao aluno, esta medida, repete a despesa, ano após ano, pelo número de alunos abrangidos, enquanto se for gerida pela escola, não seria assim.

Em países mais “ricos” que o nosso, os alunos usam os livros da escola (e.g. Reino Unido). Em Portugal, País com pouco dinheiro, quer ao nível do Estado quer das Famílias, parece-nos este custo um desperdício de recursos inaceitável. Um aluno gasta, todos os anos, cerca de 150 euros (média) em livros escolares. Imaginem só o que poderiam fazer com este dinheiro, as famílias ou o Estado, se o pudessem canalizar para outras necessidades.




O modo displicente como se encara o livro escolar em Portugal é difícil de aceitar. É quase um imposto, mas do qual poucos reclamam. Os livros são em grande número e, na sua maioria, não são reutilizáveis, tendendo a aumentar, pois, quase todos, têm livros de “exercícios” complementares. Ao estarem feitos para neles se escrever, inviabilizam na prática, o seu uso por outros. Até entre irmãos se torna difícil reutilizá-los. Só as editoras parecem ganhar com este negócio. Todos os outros ficam a perder. Por muito que gostemos de livros e de ter editoras fortes, este sistema acaba por se tornar num subsidio encapotado a este sector, não só por parte do Estado mas de todos os cidadãos. Como se tratam de livros escolares as “elites” do País parecem não considerar tudo isto sem sentido e de duvidosa utilidade. Esta medida não contribui em nada para a correcção deste desperdício, antes pelo contrário, agrava-o. O Estado, deixa de ser apenas o regulador, para se tornar, com esta medida, no seu maior “cliente”.

Ao tornar o livro “gratuito” o Estado dá ainda outro mau sinal. Esta medida não ajuda a melhorar a relação dos alunos abrangidos com os livros escolares, antes pelo contrário. Suspeitamos que se vão encontrar mais livros perdidos nas escolas do que já é habitual. Todos sabemos, pela experiência, própria ou alheia que, hoje em dia, ao que é dado, infelizmente, não se dá grande valor. É natural que sendo os livros oferecidos aos alunos sem qualquer esforço (próprio ou das famílias) ou controle (por parte da escola, ou dos professores), estes não cheguem, na sua maioria, ao final do ano lectivo. Valia a pena fazer esta “avaliação” para aferir o efectivo alcance desta ideia.

Esta medida vai ainda prolongar outro problema que também tarda em ser resolvido. Fruto de um número verdadeiramente impressionante de disciplinas e áreas não disciplinares, existentes no ensino básico, os alunos têm de carregar, todos os dias, um peso desmedido nas suas costas, dentro das suas mochilas, prejudicando a saúde e a qualidade de vida dos alunos. Não passando a “tutela” dos livros para a escola esta situação vai-se prolongar no tempo. Dando à escola a verba para adquirir e “gerir” os livros, como propusemos atrás, este problema teria fim. Para casa só iam os cadernos. Só excepcionalmente, os alunos, levariam algum livro requisitado tornando o seu percurso bem mais agradável e saudável. Com acontece em outros países.

Por tudo o que atrás explicámos consideramos a “oferta” de livros escolares aos alunos errada. Provoca despesa, sem tornar o livro escolar acessível a todos (nem aos mais necessitados) e ajuda a manter ou prolongar maus hábitos. As medidas devem-se aferir pela sua eficácia e não pela sua bondade. Oferecer pode não ser o melhor caminho. O desejável é tornar o acesso aos livros escolares possível a todos. O acesso não implica uma aquisição individual mas a possibilidade do seu usufruto pelo maior número. Essa oferta é que está certa.

No entanto, esta parece ser só a primeira de muitas. Um novo computador já está a caminho. Irá, ao que se sabe, também ser oferecido a um grande número. O que atrás dissemos relativamente aos livros, aplica-se, também, neste caso. Esta tecnologia exige conhecimento específico para ser manuseada e acresce, relativamente aos livros, uma assistência especializada para se conservar. A ser verdade, corremos o risco de ver, nas ruas das nossas cidades, muito “Magalhães” a navegar sozinho.


quarta-feira, outubro 8

A "Geração 25"


Hoje o artigo de Rui Ramos (RR), no Público, merece 20 valores. Entre os vários aspectos a que refere destacamos um, que nos parece muito revelador do actual caldo político e social e até cultural. Passamos a citar:

«No entanto, durante a semana passada em Lisboa, o movimento na bolsa da indignação cívica oficial foi discreto. No Diário de Notícias, Fernanda Câncio reparou: "Se em vez da 'atribuição' de casas estivéssemos a falar de envelopes de papel pardo com notas lá dentro, estaria já tudo aos gritos, a começar por Sá Fernandes e Helena Roseta, esses indomáveis campeões antinegociatas". Com efeito, não ouvimos as habituais sirenes dos justiceiros de serviço. Terá sido apenas porque as casas não cabem em envelopes? Talvez haja outra razão: é que este era um caso que só envolvia boas consciências, daquelas onde nada pesa, como na Lua. Foram aliás estas consciências - reflectidas, como observou Pedro Norton (Visão), numa "ingenuidade argumentativa à prova de réplica" - que mais surpreenderam os comentadores. São de facto a chave do caso.»

RR refere que esta chave reside no “perfil moral apropriado” dos arrendatários e em “não criar regras ou regulamentos” pois sem estes, não existe ilegalidade sobre este procedimento.

Pois nós acrescentaríamos que esta situação de favor é muito geracional, apesar de não ser um exclusivo desta. Passamos a explicar:


Com a transição do regime as “chefias” do Estado Novo, foram saneadas. Quem ocupou o seu lugar foi a “Geração 25”, como a vamos chamar. Esta, ou estava na faculdade, ou estava ligada (ou ligou-se à pressa), de alguma forma, a sectores da esquerda, quando o 25 de Abril ocorreu e o PREC se instalou. Andava entre os vinte e os trinta e poucos anos de idade. Eram, na sua maioria filhos da classe média. Os mais enérgicos queriam mudar o mundo. Muitos não fizeram praticamente nada para se licenciarem, foram passados administrativamente. Outros viram-se catapultados para profissões ou lugares que nunca pensaram ter, mas que as novas necessidades produzidas pela “construção” do Estado Social, ainda incipiente, e as Nacionalizações, permitiram. Tudo foi fácil. Para quem tinha a postura certa, o “estômago” necessário e a ausência de espinha dorsal, foi ainda mais. Não mudaram o mundo mas mudaram de vida. É obvio que esta “Geração 25” não abrangeu o País todo, mas marcou bastante a classe média que vive na orbita do Estado.

Esta geração percebeu que através da “cunha” certa tudo se conseguia. O conhecimento e a competência para os cargos pouco interessavam. Bastava ser um amigalhaço. E para quem tinha ambições, capacidade de fingir que sabia mandar e mexer os “cordelinhos” certos, para a ocasião certa, estava safo. O importante era parecer. Parecer saber, parecer fazer, parecer …qualquer coisa. Mostrar estatuto. E assim se foram construindo carreiras que, noutras circunstâncias históricas e em espaços geográficos distintos, teriam sido impossíveis.

Primeiro patrocinada pela esquerda e depois pelo bloco central, (a partir dos anos 80), esta geração lá foi fazendo a vidinha. Os fundos estruturais da Comunidade Europeia ajudaram a manter a festa. Esta malta sendo fraterna, não gosta que os seus passem dificuldades, tal como não gosta de os ver demasiado bem. Por isso todos os que cortaram ou nunca participaram nesta “gamela” são gente olhada, por estes, de soslaio. Cavaco Silva, na política e Belmiro de Azevedo, nos negócios, são, talvez os mais destacados exemplos do tipo “outsider” a que nos referimos. A “Geração 25” não gosta deles. Actualmente toleram-nos, com dificuldade mas não gostam deles, são demasiado livres e pouco “comprometidos”. Imprevisíveis, portanto.

Actualmente é esta geração que ainda se mantém no poder. Alguma dela “evolui” para a direita, mesmo se esta evolução, só se reflectiu na passagem para o mundo dos “negócios”. O que em Portugal quer dizer negócios a partir do Estado ou com o Estado. De preferência nas empresas públicas. Mas outros ficaram na esquerda. E estes ganharam, uns pelos outros, o respeito pela coerência “moral”. Mas esta última, como sabemos, não enche o estômago a ninguém. Não custa nada, pois, dar uma “ajudinha” quando estes estão em dificuldades.

Portanto viver de favor, como é o caso das “casas da câmara” é absolutamente aceitável para os “justiceiros” do costume. Até porque muitos dos beneficiados são artistas ou jornalistas, pasme-se. E a este “artistas” tudo parece ser permitido. São, por definição, “necessitados” por não se terem “vendido” ao capitalismo, mantendo-se por isso, nesta condição eternamente. Mesmo quando, entretanto, se tornaram altos funcionários da Administração Pública, ou gente bem sucedida nas suas actividades. Mas como não se tornaram livres e descomprometidos, continuando na “gamela”, tudo lhes é perdoado. Fazem parte da malta e a malta não gosta de ver os seus a viver mal. Hoje por ti amanhã por mim, pensam.

Poderão dizer que tudo isto que imputamos à “Geração 25” já vinha detrás. É verdade. Mas nunca antes foi assumido como “normal”, ou mesmo, como modo de vida. Podem, também, dizer que muitas das práticas continuam nas gerações mais novas. É verdade, mas nenhuma outra geração viveu, ou viverá, tanto tempo, neste contexto de facilidade. Até porque com as transformações estruturais que estão a ocorrer, esse mundo está a mudar. O dinheiro que pagou isto está a acabar.

Crise? Avancemos...

Fantasmas de Pedra
Nelson Silva
2008


Estamos num período de transição. Falar em fim do Capitalismo parece-nos absurdo. Mas especula-se sobre essa possibilidade. Saudades da “guerra-fria”? Talvez, mas tal já só interessa a quem parou no tempo. Para quem tenta sentir os sinais do futuro essa grelha de análise está desadequada.

O mundo industrial continua a mudar. Uma outra sociedade emerge. O processo de transição continua. E este está a mudar quase tudo o que pensávamos adquirido. Da família ao modo de produzir e distribuir a riqueza. Tudo parece mexer.

O planeta está mais próximo e todos, ou quase, querem passar a viver melhor. Nada a opor. No entanto, esta realidade tem consequências principalmente para quem vivia melhor. Os europeus por exemplo. Para um asiático, que melhorou ligeiramente o seu nível de vida, continuando mesmo assim a viver mal para o padrão europeu, a vida actualmente não está a correr mal. Já para um europeu as coisas não são bem assim, pois estão, globalmente, a viver pior. Quer relativamente ao seu passado recente quer comparativamente com regiões emergentes deste novo mundo globalizado.

As instituições que marcaram a vida das últimas décadas mudam todos os dias. As financeiras estão a trilhar novos rumos e por essa razão têm andado em roda livre. Os mercados ao serem cada vez mais transnacionais colocam novos problemas. A “desregulação” é, por vezes, a dificuldade em controla-los. Num período em que a política e, por consequência, os Estados, vivem com má consciência por descrédito junto dos representados, dificultou a tarefa de os por na ordem. O económico ao tornar-se muito mais credível que o politico facilitou esta valente queda. Com o aparente “fim da história” tudo parecia ser reduzir-se a dinheiro e à sua gestão. E esta era uma questão técnica. Não parece ser bem assim. Com esta catástrofe o politico vai voltar a ganhar espaço, não sabemos se credibilidade. Tudo depende da gestão da crise.

Mas desengane-se quem pense ser este mau estar da alta finança e, por força das circunstâncias da economia, transitório. Não. Este vai ser um de muitos outros. Económicas ou sociais as crises de transição para outro paradigma societal ou civilizacional estão ai para nos surpreender. Todos perderão algo nesta mudança mas muitos poderão ganhar. Isso pode não ser mau.
Mas quem se atreve agora a dizer que o mundo, tal como o conhecíamos, era perfeito? Portanto avancemos.

segunda-feira, setembro 29

Luz ...ao fundo do túnel



[__da presença invisível__]

bruno silva

2008

Tina Turner


Segundo parece após 8 anos de retiro a “grande senhora” da Pop está de volta. Sim parece estar disposta a fazer mais uma digressão mundial. Com 68 anos, a fazer 69 em 26 de Dezembro, Tina parece disposta a não se retirar.

Estamos a entrar numa outra era. Madonna, que passou recentemente por Portugal, com os seus 50 anos (uma criança comparada com Tina) e agora Tina Turner, estão a abrir uma nova vaga, uma nova relação com a idade. Parecem querer provar que a longevidade que adquirimos a cada dia que passa, deve ser aproveitada e bem vivida.


O mundo da Pop, tradicionalmente juvenil, parece estar a “envelhecer”. O mito da juventude (live fast and die young) está a ser trocado pelo da eterna juventude, onde os “cotas” não querem deixar de estar na moda. Assumindo, com alguns remendos claro está, a sua vocação de estrelas até muito mais tarde. Estes são, indiscutivelmente, sinais dos (novos) tempos.


Tina Turner e Beyonce actuando as duas no último Grammy Awords (2008). A sua última aparição.

quinta-feira, setembro 25

A propósito de consumos



Podemos olhar de muitas maneiras para esta realidade. Mas não deixa de nos levar a pensar que algo de "errado" se passa. Dados de 2006, divulgados recentemente, dizem que os portugueses consomem cada vez mais anti-depressivos e ansiolíticos. Parece que o valor é bem superior à média europeia, que se fica por 1/3 do que consumimos neste tipo de medicamentos.

Relacionou-se estes números com a possível “depressão” dos portugueses. Não sabemos se estaremos mais deprimidos que os outros povos da Europa, mas algo levará a esta diferença.

Não deixa de ser de assinalar ser no Alentejo e região centro, as áreas do país mais envelhecidas, as que maiores percentagens de consumo verificam.

A ausência de qualidade de vida, a falta de perspectivas e as dificuldades sentidas numa vida quotidiana cada vez mais difícil deverão ter algum peso nesta apetência para recorrer de forma tão sistemática a este recurso para aliviar a existência, mas será só?

Antigamente tínhamos o álcool que “resolvia” boa parte das nossas tristezas e incapacidades. Para além de “alimentar” muitos portugueses. Hoje, parece estar o consumo de vinho a descer… E no resto, o que mudou?

A propósito deste facto lembrámo-nos de um artigo de Miguel Esteves Cardoso escrito há muitos anos, numa rubrica do Expresso, “O Problema do Álcool” e no meio de um elogio a Baco e ao seu néctar dizia assim:

«Os comprimidos são para as matronas inglesas à beira do suicídio e do supermercado. Português é o vinho e todos os seus derivados.»

Isto foi escrito no final dos anos 80. Parece que afinal estamos mesmo diferentes. A taberna parece ter sido substituída pela farmácia. Sendo, aparentemente mais higiénico, que diferenças mais poderemos assinalar? Apesar de algumas mudanças de consumo, as nossas tristezas e incapacidades continuam. Essas, parecem estar para ficar…Mas era sobre elas que deviamos pensar e, acima de tudo, agir.



segunda-feira, setembro 22

Equinócio

. . . t o u c h . . .

Bruno Abreu

2007

Hoje o dia vai durar exactamente o mesmo que a noite. Estamos no Outono, a nossa estação preferida.

quinta-feira, setembro 18

O efeito dominó

Hoje em dia o poder do “discurso económico” como explicação do mundo é quase unânime. A sua linguagem domina, mesmo, o discurso político e jornalístico. Mas essa supremacia da interpretação e, por consequência, da operacionalidade de todas as dimensões da vida pode não durar muito mais tempo.

O fracasso do “económico” poderá estar para breve. A crise do subprime, conforme ficou conhecida, parece começar por demonstrar, à escala mundial, aquilo que, aqui e ali, ia surgindo um pouco por todo o lado: a ilusão em que assenta boa parte do discurso económico contemporâneo.

A maior parte das instituições económicas, assim como as suas entidades reguladoras são tão, ou mais falíveis, que qualquer outra. Verifica-se que por detrás desse discurso está a necessidade de criar ou manter ilusões, que na maior parte das vezes se transformam em desilusões. Como está a acontecer actualmente.

A visão do curto prazo e a dificuldade de controlar produtos financeiros cada vez mais elaborados colocam os accionistas muito dependentes das administrações das empresas. O desejo, por parte dos accionistas para ganhar dinheiro rápido, coloca aos administradores a responsabilidade de apresentar resultados imediatos. Em muitas destas instituições financeiras o escrutínio das contas é trimestral. Para terem sempre resultados, as administrações, recorrem a estratégias arriscadas mas onde o risco é colocado num futuro o mais longínquo possível. Mas o futuro acaba sempre por chegar. Esse futuro está agora bem presente. O efeito dominó ainda está longe de ter acabado, mas parece já não se poder fingir mais (a não ser o nosso ministro da economia para quem esta é uma realidade ainda longínqua)

Supomos que para muitos desses administradores, pagos principescamente, com salários auto-consignados, não estarão, agora a ser responsabilizados pelas “óptimas” opções tomadas. A grande responsabilidade do cargo é um dos argumentos utilizados, pelos próprios, como justificação desses mesmos ordenados.

Mas quem vai pagar esta irresponsabilidade? Todos nós. Quer através dos impostos, pois são os Estados que acodem aos “efeitos colaterais” da crise (sobre as instituições e as pessoas afectadas) quer através do aumento do preço do dinheiro, com a subida das taxas de juro. Para não falar do desemprego e da perda de poder económico, pela redução dos salários e/ou aumento da inflação.

O mercado e a política têm de arranjar maneira de responsabilizar quem toma as más decisões. É óbvio que a vida económica e financeira tem sempre riscos, mas o princípio de, a maiores benefícios correspondem maiores responsabilidades, deve ser acautelado. Deverão por isso ser os que lideram esses processos os mais penalizados. E hoje em dia isso não está a acontecer. Quando se verificar, talvez, o “ilusionismo” que é hoje, boa parte do discurso económico, passe a ser mais realista. E a supremacia do "económico" passe a ser relativizada.

domingo, setembro 14

Madonna Mia


Hoje é o dia da sua aparição em Portugal do maior ícone profano vivo da nossa contemporaneidade.

sexta-feira, setembro 12

Quem não se lembra destes rapazes?



Os Bonanza.
Foi uma das séries mais marcantes da nossa primeira infância.Parece que teve início em 12 de Setembro de 1959 e que durou até 1973. Altura, esta, que começa ser transmitida em Portugal.

Cidades

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Pedro Brazão Pires

2008

Crise?!!!

Morreram mais mil pessoas do que aquelas que nasceram em Portugal. Pela primeira vez (102 492 nados vivos contra 103 512 óbitos: INE, 2007).


Pela primeira vez, na nossa história recente, o saldo natural foi negativo. Ou seja morreram mais pessoas do que nasceram. A última vez que aconteceu foi em 1918, fruto da 1ºGuerra Mundial em que participámos e da gripe “pneumónica” , que matou muita gente ( estimam-se cerca de 60.474 mortos).


Esta é a nossa maior crise. Quando o ser humano deixa de sentir o apelo pela prolongamento da espécie é sinal que perdeu por completo a esperança. Deixou de acreditar. Não há nada que inspire mais confiança que o sorriso de uma criança. Quando deixamos de sentir isso, pouco mais resta.


terça-feira, setembro 9

Ups...


Afinal, soubemos entretanto, as nacionalizações não acontecem só em períodos revolucionários e não só promovidas por regimes de esquerda. Não. As nacionalizações passaram a ser quando o homem quiser. Ou melhor quando muitos homens com muito dinheiro quiserem.

Vem isto a propósito da recente nacionalização do Fannie Mae e o Freddie Mac, instituições financeiras responsáveis pela grande maioria do crédito imobiliário norte-americano. Ironia das ironias é realizada no final de mandato de uma das Administrações Americanas mais conservadoras e, pasme-se “Neo-liberal” de sempre.

O Estado vai ser encarado com outros olhos a partir de agora. Afinal não são só os pobres e os remediados a necessitar dele quando se encontram em dificuldades, os ricos também precisam.

Definitivamente as velhas dicotomias esquerda/direita estão caducas. O mundo já não se compadece com estas velhas grelhas interpretativas. A realidade está infinitamente mais complexa.

...guia-me...

Ricardo Costa TattooDevil

2008

quinta-feira, setembro 4

A mulher de que se fala





Não temos por hábito comentar as eleições Americanas. Mas o facto é que as acompanhamos com muito interesse. Estas eleições pelo seu impacto no mundo, especialmente no mundo comunicacional, acabam por tornar todos as pessoas informadas um pouco norte-americanas.

Longe de ser um “especialista” na matéria, o que quer que isso seja, e de não conhecer Sarah Palin, como praticamente ninguém para além dos habitantes do Alasca, Estado onde é Governadora, gostariamos de reflectir o seguinte sobre a sua aparição e as respectivas reacções provocadas.

Para simplificarmos um pouco transcrevemos uma breve biografia de Palin tirada do P2 (do Público) para sabermos o que é dito na imprensa, nacional e internacional, sobre esta senhora:

«Palin, 44 anos, é mãe de cinco filhos, o último dos quais não tem ainda cinco meses e nasceu com síndroma de Down. Até há seis anos, era presidente de câmara de Wasilla, uma cidadezinha de sete mil habitantes no longínquo Alasca (separado dos Estados Unidos pelo Canadá, tão longínquo que um americano da Costa Leste voa mais depressa para a Europa) que alguém descreveu como "a região mais irredutivelmente conservadora do estado". Há dois anos tornou-se a primeira mulher governadora do Alasca e a mais nova de sempre a assumir o cargo. Construiu uma reputação de reformista e justiceira, denunciando o tráfico de influências local (expondo, até, companheiros de partido) e cortando em despesas consideradas supérfluas - uma das suas primeiras medidas foi vender o jacto do governador no eBay, segundo a revista Newsweek.
Quase tudo na sua biografia parece o sonho imaculado de um conservador, como se tivesse sido preparado por casting: ex-miss beleza local, casada com o namorado de liceu, um sindicalista campeão de corridas de trenós motorizados, mãe de grande família, incluindo um filho militar que parte para o Iraque dia 11 de Setembro, Cristã fervorosa, pró-armas e anti-aborto
.»

Acrescentamos a tudo isto o facto da «sua filha Bristol, de 17 anos, estar grávida de cinco meses» e a família ter assumido isso e ter incentivado a filha a levar a sua gravidez adiante.


Isto é o que se sabe e é isto que divide o eleitorado norte-americano e os comentadores de todo o mundo, especialmente os europeus.

Sabemos que tudo o que esta pequena biografia representa é muito pouco apelativo para a “cultura do tempo” mas o que ainda deixa mais indignadas a generalidade das pessoas é a coerência entre os valores e o modo como estes são vividos. E passamos a explicar.

Palin é mulher. Bonita. Ex miss da sua terra natal. Cristã Evangélica convicta. Casada há muitos anos com o mesmo homem. Mas apesar disto constrói uma carreira autónoma e mais relevante, acumulando com esta a vida familiar. É Mãe, não de um mas de cinco filhos, o mais novo com síndroma de Down. Que permitiu que nascesse, pois é convictamente contra o aborto. Por esta última razão apoiou a filha a assumir a gravidez, apesar dos seus 17 anos e de ainda não ser casada com o namorado, pai da criança.

É por tudo isto que a senhora divide, os eleitores e os comentares dos dois lados do Atlântico. Ela parece fazer aquilo em que acredita. Com certeza com erros. Como todos nós. Mas luta e dá a cara pelo que faz. E tenta concretizar e viver em coerência com os seus valores. O que terá isto de mal?

O mal é ter coragem de acreditar e esforçar-se por viver em conformidade com isso. Sabemos ser esta realidade, muito difícil de aceitar por muitos de nós. Os que não acreditam em nada por defesa ou desistência ou os que pensam que acreditar, e viver nessa medida, é promover uma espécie de suposta perfeição, pouco desejável. Não é. É apenas tentar lutar, com coragem e convicção, por aquilo em que se acredita. Isso hoje parece ser muito mal visto. Está fora de moda.

Parece ser pouco moderno, pois não é suficientemente flexível para acompanhar as últimas tendências do mercado seja ele: eleitoral, económico, social, ou outro qualquer. É bem mais confortável, pelo menos aparentemente, andar ao sabor do vento e esperar que quem não o faça acabe por partir, pela sua falta de flexibilidade. Que, hoje, não é mais do que andar apenas á procura de comprar aquilo que nos querem vender.

Esta escolha de MaCain veio, por tudo isto, tornar esta campanha mais interessante. Não por Sarah Palin ser um modelo, ou uma espécie de santa, que não será de certeza, mas por ajudar a colocar de forma clara e, lado a lado, duas novas esperanças para se enfrentar o futuro. Obama deixou de beneficiar em exclusivo do seu poder de “novidade”. A Esperança já não mora só ai.


Esperemos que a senhora tenha a fibra que parece ter e tal como Obama, para além da novidade e esperança, traga políticas coerentes e claras à campanha mais acompanhada do mundo.

segunda-feira, setembro 1

Fim do Verão



Deliciosa Quietude
Raul Alexandre
2008


Já cheira a fim. Para já foram as férias, mas já se presente a nova estação. Estaremos enganados, ou será apenas desejo de mudança?...

segunda-feira, agosto 25

Fumo


Sei que não é politicamente correcto mas o fumo ainda tem o seu encanto. Como fumar foi, para nós apenas um prazer e não um vicio, destacamos só a beleza...

sexta-feira, agosto 22

Em Viagem

Templo com Coliseu ao fundo.




Andar pelas ruas. Caminheiros em Familia, com Panteão ao fundo.



As imponentes ruas de Roma



O pôr do sol em RomA - AmoR




Edificios de habitação junto à Piazza de Spagna


Quinto dia


La Bella Roma é de facto isso: uma bela cidade. Imperial. A sua escala é toda ela monumental. Até as zonas habitacionais são extremamente imponentes. As “insulae” já tinham essa tradição na Roma antiga.

Esta é uma cidade aprazível mesmo em pleno Agosto. E longe de ser uma cidade fantasma, à noite volta a ser esplendorosa. As suas praças voltam a estar animadas e para além das obras de arte e arquitectura as artes performativas estão presentes na rua. Musica e espectáculos vários animam quem passa ou quem descansa. Foi lindo jantar em frente ao Panteão a ver um “Mimo” actuar com quem passava.

Roma é bela.








As carrinhas "gastronómicas"



A Pietá de Miguel Ângelo no Vaticano




A criação do homem não foi em Roma mas foi lá que ficou registada. By Miguel Ângelo.




Escada do Museu do Vaticano